MT-170: Se os problemas são pontuais, qual é o tamanho do prejuízo?
As declarações recentes do atual governador Otaviano Pivetta sobre os problemas identificados em trechos da MT-170 reacenderam uma discussão importante para a população mato-grossense: além da quantidade de obras executadas, é preciso avaliar a qualidade dos investimentos realizados e a correta aplicação dos recursos públicos.
Ao afirmar em entrevista que “problemas em cerca de mil quilômetros de asfalto seriam pontuais diante dos quase sete mil quilômetros de rodovias executados nos últimos anos”, Pivetta reconheceu a existência de falhas relevantes que agora exigem providências do Estado. A principal questão que surge é: qual foi o prejuízo causado aos cofres públicos causados pela estadualização e quais medidas serão adotadas para garantir a recuperação desses recursos?
Outro ponto que merece reflexão é o quanto Mato Grosso recebeu de dinheiro nos últimos anos.
Entre 2020 e 2026, o Estado recebeu aproximadamente R$ 2,9 bilhões por meio da compensação das perdas da Lei Kandir (o chamado FEX), recursos assegurados pela Lei Complementar 176/2020, construída a partir de articulação liderada por Wellington Fagundes. Os repasses inclusive podem ser consultados nos registros oficiais do Governo Federal e foram destinados ao caixa de MT, durante a atual gestão.
Diante desse volume expressivo de recursos, é natural que a sociedade questione como esses valores foram aplicados e por que ainda existem trechos rodoviários apresentando problemas que agora motivam investigações e medidas administrativas.
É importante esclarecer que as denúncias envolvendo a qualidade das obras da MT-170 (entre outras) foram apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que vem realizando fiscalizações em diversas rodovias e identificando situações que demandam correção e responsabilização.
Da mesma forma, cabe registrar que as irregularidades identificadas na MT-170 dizem respeito a obras estaduais sob fiscalização dos órgãos de controle estaduais. Em entrevista recente, Pivetta voltou a citar Wellington Fagundes ao abordar questões relacionadas ao DNIT. Entretanto, o histórico público da atuação de seu maior rival na pré-campanha, sempre mostrou vem relacionado junto aos órgãos de Brasília, para destravar licenciamentos ambientais e viabilizar obras estratégicas para Mato Grosso, como as BRs 174, 242 e 364.
O debate sobre infraestrutura não deve se limitar à quantidade de quilômetros entregues. A população espera obras duradouras, fiscalização eficiente e transparência na aplicação dos recursos públicos. Afinal, cada real investido pertence ao cidadão mato-grossense e deve resultar em estradas seguras, de qualidade e capazes de impulsionar o desenvolvimento do Estado.
Este é o momento de garantir respostas claras à sociedade, apurar eventuais prejuízos, identificar responsabilidades e assegurar que os recursos disponíveis sejam aplicados com eficiência, transparência e, sobretudo, responsabilidade, no melhor interesse de quem realmente paga a conta: a população de Mato Grosso.
Da Redação


