Maio Cinza alerta para alta de fumantes e riscos do cigarro eletrônico
Dados do Vigitel mostram crescimento do tabagismo no país, enquanto especialistas defendem prevenção e tratamento
Uma batalha que se estende há décadas: alertar a população, principalmente os jovens, sobre os malefícios do cigarro. No mês de maio, as ações e a atenção voltadas ao tema são intensificadas. O Maio Cinza é uma campanha de conscientização e combate ao tabagismo, criada para reforçar o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
Neste ano, a campanha traz um sinal de alerta: o número de fumantes voltou a subir no Brasil, após uma tendência histórica de queda. Dados do Vigitel 2024, publicados entre 2025 e 2026, revelam que o percentual de fumantes adultos passou de 9,3% em 2023 para 11,5% em 2024, um aumento de aproximadamente 25%. Esse crescimento interrompe anos de redução e é impulsionado também pelo consumo de cigarros convencionais e eletrônicos.
Para a pneumologista da Unimed Cuiabá, Keyla Medeiros Maia, coordenadora do Programa Inspirar, do Viver Bem — Núcleo de Medicina Preventiva da cooperativa —, esse aumento pode ser explicado por diversos fatores, entre eles a pandemia.
“Durante a pandemia, o isolamento social causou um grande impacto na saúde mental, o que favoreceu o aumento do uso de cigarro, assim como do álcool. Além disso foi observado uma redução das campanhas e propagandas mostrando os prejuízos do tabagismo, entre outros fatores”, comentou a especialista.
O tabagismo é uma dependência química da nicotina, reconhecida como uma doença crônica, e está relacionado a diversos tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares e respiratórias, reduzindo a expectativa de vida dos fumantes.
A doutora Keyla faz ainda um alerta aos jovens sobre o uso dos cigarros eletrônicos, considerados extremamente nocivos. Segundo a especialista, esses dispositivos atraem adeptos pelos sabores e pela tecnologia, mas contêm substâncias tóxicas prejudiciais à saúde.
“A nicotina ativa áreas do cérebro responsáveis pelas sensações de prazer e recompensa. É a busca por essa sensação de plenitude que leva as pessoas a recorrerem aos produtos derivados do tabaco como uma válvula de escape”, ressalta a médica.
Da Redação


