Bem-vindo(a). Hoje é Guarantã do Norte - MT

Mãe e policial penal: o equilíbrio entre a ordem e o afeto

Mãe e policial penal: o equilíbrio entre a ordem e o afeto
Compartilhe!

A gente acorda e o ritual é silencioso. Para algumas de nós, o cuidado ainda é físico como ajeitar o cobertor do pequeno(a) que se mexeu à noite ou conferir a mochila da escola. Para outras, o cuidado é um pensamento, uma oração ou aquela mensagem no celular enviada antes de entrar no plantão. Não importa se nossos filhos ainda cabem no colo ou se já ganharam o mundo; o fio invisível que nos liga a eles atravessa qualquer muralha.

Ser Policial Penal e servidora do sistema penitenciário é carregar um peso que não está só no cinto tático. É o peso de uma profissão que exige olhos de lince e coração de ferro, enquanto, por dentro, a gente continua sendo a mesma mulher que se preocupa com o almoço da família ou com o dilema que o filho adulto está enfrentando no trabalho. O sistema é duro, o ambiente é denso, e o maior desafio é justamente esse, não deixar que o rigor das grades apague a ternura que nos faz mães.

E eu olho com admiração dobrada para as minhas colegas que decidiram ir além. Mulheres que são policiais e servidoras, que cuidam de seus lares e que, nas horas de folga — naquelas janelas de tempo que deveriam ser sagradas para o descanso —, escolhem a luta sindical. Estar à frente da diretoria do SINDSPPEN, nós mulheres, sendo mãe é um ato de entrega absurdo. É transformar o instinto de proteção, aquele que a gente usa para defender nossos próprios filhos, em uma voz que ecoa para defender o direito de cada pai e mãe da nossa categoria. É lutar por dignidade hoje, para que o futuro das nossas famílias seja mais seguro.

Às vezes a gente se sente exausta. O plantão parece não ter fim e a carga emocional de lidar com o cárcere drena nossas energias. Mas aí vem um telefonema, um abraço ou aquele “orgulho da minha mãe” que a gente escuta, e tudo se renova. A gente entende que o nosso trabalho também é por eles.

Neste 10 de maio, nosso abraço é para você, mulher que faz a segurança de Mato Grosso sem nunca deixar de ser o porto seguro de alguém. Seja cuidando de quem está começando a vida ou torcendo por quem já voou para longe, sua força é o que sustenta esta categoria.

Somos mulheres de fibra, mas o que nos move, no fim das contas, é o coração.

*Luciana Demaman, vice-presidente do SINDSPPEN-MT

Célio