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CEO da Nutribras defende transformação de grãos e geração de valor em Mato Grosso

CEO da Nutribras defende transformação de grãos e geração de valor em Mato Grosso
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Em painel na Abertura Nacional do Plantio, Paulo Lucion apresentou modelo que integra grãos, produção de suínos, bioenergia e indústria

O CEO da Nutribras Alimentos, Paulo Lucion, defendeu a industrialização da produção agrícola como caminho para agregar valor à soja e ampliar a geração de riqueza dentro de Mato Grosso. O empresário participou, nesta quinta-feira (17.09), do painel “Verticalização da soja na produção de energia”, durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT).

Durante o debate, Lucion apresentou a experiência da Nutribras com uma cadeia produtiva que começa na lavoura e termina com o alimento industrializado chegando ao consumidor. No processo, milho e soja produzidos no campo são utilizados na fabricação de ração para os suínos, enquanto os resíduos da criação retornam ao sistema produtivo por meio da geração de energia e da produção de biofertilizantes.

“Nós temos uma cadeia produtiva que chamamos do campo à mesa do consumidor, porque realmente fazemos um trabalho desde o campo, chegando com o produto acabado no supermercado e na mesa do consumidor”, afirmou.

Segundo Lucion, os dejetos dos suínos são tratados em biodigestores. O biogás é utilizado para gerar energia e o biofertilizante retorna às lavouras. Ele afirmou que o sistema permite produzir três safras por ano nas áreas fertilizadas sem utilização de adubo químico, apenas com fertilização orgânica. Depois dessa etapa, os animais seguem para a indústria e os produtos são distribuídos no Brasil e também no exterior.

A discussão sobre agregar valor à produção foi um dos principais pontos do painel. O mediador Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural, destacou que o país precisa avançar além da exportação da soja em grão e ampliar a transformação da matéria-prima em produtos de maior valor agregado.

Lucion também abordou o custo do financiamento para novos investimentos. Para o empresário, a disponibilidade de recursos precisa vir acompanhada de condições que tornem os projetos economicamente viáveis.

“O crédito é importante, porque está para a atividade econômica como o oxigênio está para o nosso organismo. Se a gente não tem crédito, e o que tem é caro”, pontuou.

O modelo de produção apresentado pela Nutribras também foi relacionado à sustentabilidade. Lucion lembrou que a empresa recebeu, em 2015, autorização do Ministério da Agricultura para utilizar em seus produtos um selo ligado ao reconhecimento de seu sistema produtivo autossustentável.

Ao falar sobre as perspectivas para a nova safra, o CEO ressaltou a transformação ocorrida na região nas últimas duas décadas e defendeu que o setor produtivo também avance na comunicação sobre a produção brasileira.

“O que nós fizemos nessa região nos últimos 20 anos, acredito que nenhuma região do mundo tenha feito. Nós nos tornamos o celeiro do mundo, onde produzimos alimento para o Brasil e para o mundo”, disse.

Para Lucion, além de ampliar a produção e a industrialização, o agro brasileiro precisa mostrar ao mercado internacional como produz. “Somos muito bons no que fazemos, mas temos que contar a nossa história e não deixar que outros contem a nossa história”, completou.

Também participaram do painel o diretor-presidente da Evermat, Tiago Stefanello; o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen; e o CEO da Fermap, Fernando Pozzobon.

Da Assessoria

Célio