Na disputa para coronel, nome que chega à escolha de Pivetta tem gestão citada em denúncia que reúne violência doméstica e suspeitas de retaliação na PM
O tenente-coronel Paulo Jailson Secchi de Ávila, comandante do 14º Comando Regional da Polícia Militar, chega à disputa pelo posto de coronel enquanto sua gestão é citada em uma denúncia anônima que pede investigação independente sobre decisões administrativas, transferências e possíveis retaliações envolvendo policiais da regional. A definição dos novos coronéis passa pela escolha do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A denúncia, apresentada em nome de policiais militares, pede atuação da Corregedoria-Geral da PMMT e acompanhamento do Ministério Público. Entre os pontos, requer que seja apurada documentalmente a eventual participação de Secchi em movimentações, designações e decisões adotadas durante sua gestão. O próprio documento ressalta que não afirma previamente que o comandante tenha praticado irregularidade.
Um dos episódios reunidos na denúncia é o BO nº 2025.320302, de outubro de 2025, envolvendo o major Gomes, em Diamantino. Conforme o registro policial, a esposa do oficial relatou que, durante uma discussão, deu um tapa no marido e que ele teria revidado com um tapa em seu rosto. A equipe registrou inchaço no lado direito da face.
O próprio BO menciona Secchi. Durante a confecção da ocorrência, a mulher pediu o contato dele e da tenente-coronel Claudia, além de solicitar uma cópia do boletim. O registro não aponta interferência de Secchi no atendimento.
A denúncia pede agora que sejam investigados os acontecimentos funcionais posteriores envolvendo policiais relacionados ao caso de Diamantino. Entre eles estão relatos de ameaças, perseguições e transferências. Os denunciantes solicitam que documentos administrativos sejam confrontados para verificar se houve retaliação ou se as movimentações tiveram fundamentos regulares.
Outro caso citado envolve o major Raimundo Rafael Barbosa Neto, que registrou BO contra o major Luís Peçanha em fevereiro de 2026. Após a ocorrência, Barbosa foi transferido da região de Nova Mutum. A própria denúncia afirma não possuir elementos para concluir que a transferência decorreu do BO e pede investigação da cronologia, da justificativa e de quem participou da decisão.
O documento também reúne suspeitas relacionadas a movimentações de Peçanha, ao sistema de videomonitoramento da unidade e à possível inclusão de oficiais em ocorrência vinculada ao pagamento de recompensa do programa Tolerância Zero. Os denunciantes pedem acesso a registros funcionais, imagens, logs, boletins e pagamentos para confirmar ou afastar as suspeitas.
É nesse cenário que Secchi chega à etapa de promoção a coronel e à escolha de Pivetta. A denúncia pede especificamente que seja reconstruída a cadeia de decisões durante sua gestão para identificar quem solicitou, autorizou e decidiu os atos administrativos questionados.
O espaço permanece aberto a Paulo Secchi, aos demais oficiais citados, à Polícia Militar de Mato Grosso e ao Governo do Estado para manifestação.
Por Daniel Trindade


