Capacitação prepara médicos-veterinários do INDEA-MT para atendimento inicial a suspeitas de doenças hemorrágicas em suínos
Treinamento reuniu 40 profissionais das 14 regionais do Instituto; 38 deles ingressaram recentemente no serviço público por meio do último concurso
Quarenta médicos-veterinários do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA-MT), de todas as 14 regionais do órgão, participaram, entre os dias 18 e 21 de agosto, da Capacitação em Atendimento Inicial à Síndrome Hemorrágica dos Suínos. Realizado no Centro de Treinamento do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA-MT), em Campo Verde, o treinamento teve como foco a preparação dos servidores para o primeiro atendimento diante de suspeitas de Peste Suína Clássica (PSC) e Peste Suína Africana (PSA).
Dos 40 participantes, 38 são médicos-veterinários oriundos do último concurso público, o que reforça a importância da capacitação para profissionais que passaram recentemente a integrar o quadro do INDEA-MT. A programação combinou conteúdos teóricos, visitas técnicas, exercícios simulados, necropsia e coleta de amostras, aproximando os servidores das situações que poderão encontrar durante o trabalho de campo.
A servidora do INDEA-MT Daniella Bueno explica que o treinamento não deve ser confundido com uma capacitação para atuação em uma emergência zoossanitária já instalada. O objetivo é preparar o médico-veterinário para o atendimento inicial de uma notificação, etapa decisiva para identificar ou descartar uma suspeita.
“Quando eles receberem uma notificação de mortalidade específica de suínos ou uma suspeita de doença, precisam saber como fazer esse primeiro atendimento e a coleta. É o resultado desse trabalho que vai desencadear ou não uma emergência zoossanitária”, explicou.
Mato Grosso está inserido na zona livre de Peste Suína Clássica, mas a doença ainda ocorre em áreas do Brasil. Já a Peste Suína Africana é considerada exótica no país, embora esteja presente em diferentes regiões do mundo. Por isso, segundo Daniella, a vigilância precisa ser permanente, especialmente diante do impacto que uma eventual introdução dessas enfermidades poderia provocar no setor produtivo.
Durante os dois primeiros dias, os participantes receberam orientações sobre o Programa Estadual de Sanidade Suídea, doenças de controle oficial, doenças da produção, suínos asselvajados, biosseguridade em granjas, tipos de produção, sistemas de registro e os procedimentos necessários para o atendimento inicial. A programação contou ainda com especialistas e representantes ligados à pesquisa e ao setor produtivo.
Após a etapa teórica, os médicos-veterinários foram divididos em grupos para visitas técnicas a granjas comerciais de Campo Verde e Dom Aquino, onde puderam conhecer diferentes modelos de produção, como unidades de ciclo completo, terminação e unidades produtoras de leitões.
A experiência é especialmente importante porque muitos dos municípios atendidos pelos profissionais não possuem granjas comerciais. O contato direto com a estrutura da suinocultura permite que os servidores compreendam melhor a dinâmica produtiva e estejam preparados tanto para ocorrências em estabelecimentos comerciais quanto em criações de subsistência.
A capacitação também incluiu um exercício simulado a partir de uma suposta notificação de mortalidade e sinais clínicos compatíveis com Peste Suína Clássica. Os grupos precisaram apresentar o passo a passo do atendimento e, posteriormente, trabalhar com um cenário de resultado positivo, para compreender os procedimentos que seriam adotados diante de uma emergência zoossanitária.
Na etapa prática, os participantes realizaram necropsias, coleta e acondicionamento de amostras. Segundo Daniella, a rapidez e a qualidade do primeiro atendimento são fundamentais, já que os servidores têm prazo de até 12 horas para atender uma notificação.
“Precisamos capacitar os nossos servidores para que eles deem a resposta o mais rápido possível diante de uma notificação de doença. A excelência desse atendimento é fundamental para determinar se estamos ou não diante de uma situação de emergência zoossanitária”, destacou.
Valorização e qualificação dos servidores – Para a Associação dos Servidores da Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (SINFA-MT), a presença expressiva dos novos médicos-veterinários na capacitação demonstra a importância de investir continuamente na preparação técnica de quem atua diretamente na defesa sanitária animal em Mato Grosso.
O presidente do SINFA-MT, Valney Souza Corrêa, destaca que a qualificação dos profissionais fortalece não apenas o trabalho do servidor, mas toda a estrutura de defesa agropecuária do estado.
“Estamos falando de servidores que têm uma responsabilidade enorme nas mãos. Em uma suspeita de uma doença de alto impacto, o conhecimento técnico, a segurança para tomar decisões e a agilidade no primeiro atendimento fazem toda a diferença. Para o SINFA-MT, é muito importante acompanhar e valorizar momentos como este, especialmente porque 38 dos 40 participantes chegaram ao INDEA-MT por meio do último concurso. São profissionais que estão iniciando uma nova etapa no serviço público e que precisam encontrar estrutura, capacitação e condições para desempenhar bem essa missão. Investir nesses servidores é também fortalecer a defesa agropecuária de Mato Grosso e proteger o nosso setor produtivo”, afirmou Valney.
Da Assessoria




