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Empresa brasileira começa a validar forrageiras tropicais em solo americano

Empresa brasileira começa a validar forrageiras tropicais em solo americano
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Parceria entre a Semembrás e o Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee, avalia gramíneas selecionadas no Brasil como alternativa para alimentar rebanhos durante o verão dos Estados Unidos

A expertise brasileira no desenvolvimento e seleção de forrageiras tropicais está abrindo espaço em um dos maiores mercados pecuários do mundo. A Semembrás, especializada em sementes para pastagens, firmou uma importante parceria com a Universidade do Tennessee para avaliar o potencial de gramíneas forrageiras selecionadas no Brasil como alternativa para alimentação de bovinos durante o verão norte-americano.

A iniciativa busca solucionar um desafio típico da pecuária nos Estados Unidos. Em uma extensa região conhecida como Fescue Belt, que reúne aproximadamente 15 milhões de hectares de pastagens, predominam espécies adaptadas ao inverno. Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, essas forrageiras reduzem drasticamente sua produção, criando um período de escassez de alimento para os rebanhos.

É justamente nesse intervalo que entram as gramíneas tropicais desenvolvidas no Brasil. “Quando chega o verão, as forrageiras utilizadas atualmente lá perdem produtividade. Nossa proposta é avaliar materiais capazes de suprir essa demanda justamente nesse período”, explica, Hemython Luis Bandeira do Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da empresa.

Para os ensaios, conduzidos em parceria com Bruno Pedreira, diretor do Beef & Forage Center, do Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee, e pesquisador com passagem e ampla experiência pela Embrapa, a Semembrás enviou três materiais para avaliação: Urochloa ruziziensis, Urochloa brizantha e um mix de forrageiras. Os experimentos tiveram início em maio e contemplam cinco épocas distintas de plantio, permitindo identificar quais materiais apresentam melhor adaptação às condições climáticas e ao calendário agrícola da região.

Universidade parceira dos produtores

As pesquisas com os materiais enviados pela Semembrás ganham ainda mais relevância diante do papel desempenhado pelas universidades no sistema de inovação agrícola norte-americano. Neste modelo, as instituições de pesquisa possuem forte integração com produtores rurais e órgãos locais de extensão.

As tecnologias são avaliadas e validadas em campo e, posteriormente, os pesquisadores geram recomendações como base para suas decisões de investimento. “Os produtores acompanham os experimentos e, com base nos resultados, decidem que forrageira utilizar na sua propriedade. A nossa intenção é oferecer novas alternativas para os produtores do Tennessee, aumentando a diversidade e resiliência dos nossos sistemas de produção com base em patentes”, diz Pedreira.

Os primeiros resultados serão apresentados agora em setembro, durante um dia de campo promovido pela Universidade, no qual os americanos poderão conhecer o desempenho das cultivares brasileiras em condições reais de campo. “Estamos muito empolgados com o que será revelado no evento, afinal, os resultados preliminares já são muito positivos”, adianta Nascimento.

Brasil exportando conhecimento

Além do potencial científico, a iniciativa da Semembrás com a universidade norte-americana representa uma oportunidade estratégica para ampliar a presença internacional das sementes produzidas no Brasil. Além disso, é um mercado com grande demanda e que remunera bem. “Temos capacidade para produzir sementes com a qualidade exigida por esse mercado, com volume e preço para atender essa demanda. É uma oportunidade importante ampliando a nossa presença internacional”, finaliza Nascimento.

Célio