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Wimbledon vence além das quadras ao transformar o cenário em parte do espetáculo

Wimbledon vence além das quadras ao transformar o cenário em parte do espetáculo
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Enquanto o mundo acompanha as disputas nas quadras, especialistas apontam que parte do sucesso dos maiores eventos esportivos é construída muito antes do primeiro jogo

Todos os anos, Wimbledon mobiliza a atenção de milhões de pessoas ao redor do mundo. Embora o alto nível técnico das partidas seja o principal atrativo, o torneio também se tornou uma referência pela consistência de sua identidade visual, pela preservação da tradição e pela experiência oferecida ao público. Das áreas de circulação ao paisagismo, passando pela sinalização, pela disposição dos espaços e pela integração entre patrocinadores e ambiente, praticamente tudo é planejado para transmitir uma mesma mensagem.

Esse modelo vem sendo observado por organizadores de eventos esportivos, festivais de música, feiras de negócios e convenções corporativas. À medida que a experiência do visitante se tornou tão importante quanto a programação, a cenografia deixou de cumprir apenas uma função estética para participar da estratégia de comunicação de um evento.

Para o cenógrafo Mateus José Olímpio de Souza, especializado em projetos para grandes eventos, a percepção do público é construída por uma série de elementos que passam despercebidos, mas influenciam diretamente a forma como aquele ambiente será lembrado.

“O visitante pode até não perceber conscientemente cada detalhe, mas ele sente quando o espaço foi pensado de forma integrada. Iluminação, circulação, materiais, alturas e identidade visual trabalham juntos para criar uma experiência única.”

A necessidade de projetar ambientes que funcionem tanto para quem está presente quanto para quem acompanha pelas transmissões também elevou a complexidade dos projetos. Hoje, além da circulação do público, entram na equação fatores como enquadramentos para televisão, registros para redes sociais, posicionamento de patrocinadores e a criação de cenários capazes de permanecer reconhecíveis em diferentes plataformas.

Segundo Mateus, essa mudança fez com que empresas passassem a enxergar os espaços físicos como uma extensão de sua comunicação institucional.

“O cenário deixou de ser apenas um suporte. Ele ajuda a contar a história do evento e aproxima as pessoas das marcas de uma maneira muito mais natural.”

A busca por experiências também explica a valorização de projetos capazes de despertar emoções sem recorrer ao excesso de elementos visuais. Grandes eventos internacionais têm investido em soluções que privilegiam organização, conforto, identidade e coerência estética, demonstrando que sofisticação nem sempre está associada à grandiosidade.

Essa lógica ultrapassa o universo esportivo e já influencia a forma como empresas planejam lançamentos, feiras de negócios, convenções e ativações de marca. Em um ambiente cada vez mais competitivo, criar espaços capazes de gerar identificação, permanência e compartilhamento espontâneo tornou-se um diferencial importante para quem deseja permanecer na memória do público.

Na avaliação de Mateus, Wimbledon sintetiza essa transformação ao mostrar que o sucesso de um grande evento não depende apenas do espetáculo principal, mas da capacidade de construir uma experiência completa.

“Quando o espaço faz sentido para quem o visita, ele deixa de ser apenas o local onde algo aconteceu. Ele passa a fazer parte da lembrança que as pessoas levam daquele evento.”

Célio