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Médico que matou namorada de 15 anos em Guarantã do Norte tem prisão mantida e irá a júri popular

Médico que matou namorada de 15 anos em Guarantã do Norte tem prisão mantida e irá a júri popular
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Defesa alegou que houve excesso de prazo na detenção do médico e que unidade onde ele aguarda julgamento passa por superlotação. Desembargador rejeitou argumentos

Em decisão assinada na última terça-feira (2) o desembargador Lídio Modesto da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou um pedido de habeas corpus ao médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, que em maio de 2025 matou com um tiro sua namorada, a adolescente Ketlhyn Vitória de Souza, de 15 anos. Além de ter o pedido de liberdade rejeitado, o magistrado também pronunciou o médico à júri popular.

O crime aconteceu na madrugada do dia 3 de maio de 2025, em Guarantã do Norte/MT. Em depoimento, Bruno Felisberto confessou o crime e disse que a namorada morreu em decorrência de um disparo acidental de uma pistola 9mm de sua propriedade.

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Conforme os autos, a defesa do médico alegou que houve excesso de prazo na detenção, e que o réu possui condições pessoais favoráveis, questionando ainda a legalidade da prisão, em face da superlotação carcerária no Estado, destacando no pedido que a cadeia pública onde o médico está detido, em Peixoto de Azevedo (673 Km de Cuiabá), está com superlotação de 150% de detentos além da sua capacidade.

No entanto, ao analisar o caso, o desembargador Lídio Modesto entendeu que não foram apresentados elementos suficientes para comprovar um possível constrangimento ilegal do preso, destacando ainda que a defesa sequer apresentou documentos essenciais para a análise do pedido, como a decisão que manteve a prisão e informações individualizadas sobre a situação do detento.

O magistrado também apontou que as alegações genéricas feitas pela defesa sobre a superlotação de presídios, por si só, não são suficientes para justificar a concessão de pedidos de liberdade ou substituição da prisão preventiva por medidas alternativas.

Por fim, o desembargador entendeu que o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri, onde será definido se Bruno teve ou não a intenção de matar Kethlyn, apontando ainda que o médico também responde a outros processos, que podem ser considerados durante o julgamento, como um histórico de conflito com mulheres em relacionamentos anteriores.

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O CRIME

De acordo com o registro policial, eram 2h da manhã de sábado (3) quando a Polícia Militar foi acionada pela equipe médica do Hospital Nossa Senhora do Rosário, com a informação de que uma garota de 15 anos havia dado entrada após levar um tiro na cabeça, e que a jovem havia sido socorrida pelo namorado, o médico Bruno Felisberto.

Segundo a equipe médica, o médico teria chegado “visivelmente abalado” abalado, pedindo para que “salvassem a menina dele”, dizendo ainda que “não saberia viver sem ela”.

A equipe médica tentou reanimar Ketlhyn por cerca de 40 minutos, porém a garota não resistiu. Após a confirmação do óbito, conforme o boletim de ocorrência, Bruno teria se alterado, chegando até mesmo a tentar quebrar uma janela e a porta do hospital. Em seguida fugiu do local.

Bruno se entregou dois dias depois na Base Aérea da Serra do Cachimbo, em Novo Progresso, no Pará – local para onde fugiu após o assassinato. Posteriormente, foi trazido por policiais civis de MT à Delegacia de Guarantã do Norte.

ALEGOU TIRO “ACIDENTAL”

Conforme o delegado de Polícia Civil Waner dos Santos, responsável pelas investigações, durante seu depoimento, Bruno Felisberto confessou o crime e alegou que, no dia dos fatos, estava em seu carro retornando para casa junto com Kethlyn, após terem saído para se divertir e consumirem bebidas alcoólicas.

De acordo com o suspeito, em determinado momento do trajeto, Ketlhyn pediu ao namorado para dirigir o veículo e foi para o seu colo. Nesse momento, Bruno, por razões desconhecidas, disse que pegou uma pistola de sua propriedade, acreditando que o armamento estava desmuniciado, quando houve o disparo acidental, que atingiu a nuca da vítima, transfixando a cabeça da jovem.

Imediatamente após o tiro, o médico disse que prestou socorro e levou sua namorada ao hospital. No local, conforme consta em boletim de ocorrência, ele chegou a acompanhar todo o procedimento da equipe médica para tentar salvar a vida da adolescente, sem sucesso.

Após a confissão do crime e levar os policiais ao local onde a arma estava escondida, Bruno teve sua prisão temporária decretada pelo juízo da Comarca de Guarantã do Norte após passar por audiência de custódia.

Por Ari Miranda/Única News

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