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Fiscalizações do TCE expõem crise nas rodovias e ampliam desgaste político do governador de Mato Grosso

Fiscalizações do TCE expõem crise nas rodovias e ampliam desgaste político do governador de Mato Grosso
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As fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) sobre obras rodoviárias executadas pelo Governo do Estado abriram uma nova frente de desgaste político para o atual comando estadual. O cenário de asfalto deteriorado, suspeitas de superfaturamento e obras recém-entregues apresentando falhas graves contrasta com o discurso adotado pela gestão sobre eficiência na infraestrutura.

O caso mais emblemático envolve a MT-170, antiga BR-174, no trecho entre Castanheira, Juruena e Colniza. A rodovia estadualizada pelo governo estadual em 2022 já apresenta sérios problemas estruturais menos de um ano após parte das obras ser entregue, segundo apontamentos do próprio TCE.

Durante vistoria realizada nesta semana também na MT-020, o presidente do órgão, Sérgio Ricardo, classificou alguns trechos como “intrafegáveis” e criticou duramente a qualidade do pavimento executado.

“É dinheiro público sendo jogado fora. Obras recém-entregues já estão destruídas”, afirmou durante inspeção em campo.

As imagens divulgadas pelo próprio Tribunal mostram caminhões atolados, acidentes e trechos onde o asfalto praticamente se desmancha sob o tráfego pesado. Nos bastidores políticos, o episódio já é chamado de “o escândalo do asfalto que virou farelo”.

A crise ganha ainda mais repercussão porque ocorre exatamente no momento em que o governador em exercício, Otaviano Pivetta, intensificou críticas ao Governo Federal pelas obras da BR-158.

Recentemente, Pivetta afirmou que “o Governo Federal entregou 12 quilômetros da BR-158 em um ano, enquanto o Estado sozinho fez mais de mil quilômetros”, tentando comparar a velocidade das obras estaduais com as federais.

Agora, porém, cresce a cobrança para que o próprio governo explique a qualidade das obras executadas em Mato Grosso, especialmente na MT-170, onde o asfalto feito pelo governo estadual apresentou deterioração precoce.

Nos bastidores, lideranças políticas questionam onde esteve o atual governador em exercício nos últimos anos, já que participou diretamente da gestão responsável pelas obras que hoje são alvo de fiscalização e críticas do Tribunal de Contas.

Além da MT-170, o Tribunal de Contas também ampliou fiscalizações sobre outras obras bilionárias.

O TCE-MT determinou, por exemplo, a suspensão imediata de um contrato de R$ 133,7 milhões firmado pela concessionária Nova Rota do Oeste para obras no Trevão de Rondonópolis, na BR-163. O Tribunal apontou indícios de sobrepreço, possíveis irregularidades e falhas técnicas consideradas graves no projeto.

Na semana passada, o próprio presidente do TCE esteve no Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, cobrando explicações sobre a demora nas obras prometidas pelo governo estadual.

Durante a vistoria, Sérgio Ricardo comparou a situação ao impasse do BRT em Cuiabá e criticou a falta de avanço das intervenções.

“Anos e anos e nada acontece”, afirmou o presidente do Tribunal, ao cobrar respostas da Sinfra sobre o túnel prometido para a região.

Nos bastidores, cresce a percepção de que Mato Grosso atravessa um momento de completo vazio de comando político. Diante das sucessivas crises envolvendo obras, licitações, denúncias, atrasos e rodovias deterioradas, o atual governador Otaviano Pivetta praticamente desapareceu do debate público. Ele evita assumir o desgaste dos problemas acumulados pela própria gestão da qual fez parte e que sempre disse não ser um “vice decorativo”.

Da Redação

Célio