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Capital parado custa caro e empresas dão uma nova função a esse patrimônio

Capital parado custa caro e empresas dão uma nova função a esse patrimônio
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Recorde no crédito com garantia de imóvel revela uma mudança na forma como empresários utilizam seus ativos para ampliar a capacidade de investimento

Durante muito tempo, acumular patrimônio foi um dos principais indicadores de solidez empresarial. Imóveis comerciais, galpões e salas corporativas simbolizavam segurança e estabilidade. Hoje, essa lógica começa a mudar. Em um ambiente de crédito caro e decisões cada vez mais rápidas, cresce o número de empresários que passaram a enxergar esses bens como uma fonte de capital capaz de impulsionar novos investimentos sem abrir mão da propriedade.

A mudança já aparece nas estatísticas. No primeiro trimestre de 2026, o crédito com garantia de imóvel movimentou R$ 3,166 bilhões, alta de 25,8% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior volume da série histórica da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). No mesmo período, a taxa média das operações de crédito livre para pessoas jurídicas alcançou 25,3% ao ano, segundo o Banco Central. O contraste ajuda a explicar por que ativos antes vistos apenas como reserva de valor passaram a integrar a estratégia financeira de muitas empresas.

Para Marcos Koenigkan, empresário multissetorial, o crescimento da modalidade revela uma transformação que vai além do mercado de crédito. “Durante muito tempo, empresário bem-sucedido era aquele que acumulava patrimônio. Hoje, a vantagem competitiva está cada vez mais na capacidade de fazer esse patrimônio trabalhar sem precisar vendê-lo. O imóvel continua sendo um ativo importante, mas passou a ocupar um lugar estratégico na gestão do capital”.

Segundo Koenigkan, a velocidade com que surgem oportunidades de negócio mudou a forma de administrar empresas. Expansões, aquisições, investimentos em tecnologia e reforço de capital de giro exigem liquidez. Depender exclusivamente do caixa pode significar perder o momento certo para crescer. “Liquidez se tornou um ativo estratégico. Em muitos casos, não vence quem tem mais patrimônio, mas quem consegue transformá-lo em capacidade de investimento no momento certo”.

A mudança também altera a forma de avaliar os bens da empresa. Em vez de considerar apenas seu potencial de valorização, empresários passaram a analisar como esses ativos podem contribuir para o crescimento do negócio. “A pergunta deixou de ser quanto vale o patrimônio, o desafio agora é entender quanto valor ele pode gerar para a empresa. Existe um custo de oportunidade em manter ativos imobilizados quando eles podem financiar crescimento, inovação ou expansão”.

Essa visão acompanha uma gestão financeira mais sofisticada, na qual patrimônio e liquidez deixam de competir e passam a atuar de forma complementar. Nas operações com garantia imobiliária, por exemplo, o imóvel permanece no patrimônio da empresa, enquanto o acesso ao crédito costuma ocorrer com juros menores e prazos mais longos do que em modalidades tradicionais.

Para Koenigkan, porém, a principal mudança é de mentalidade. “O empresário brasileiro sempre demonstrou competência para construir patrimônio, o próximo passo é aprender a utilizá-lo como parte da estratégia de crescimento. Quando um ativo deixa de representar apenas segurança e passa a ampliar a capacidade de investimento da empresa, ele assume uma nova função dentro do negócio”.

Em uma economia em que velocidade pesa tanto quanto capital disponível, a solidez de uma empresa já não é medida apenas pelo tamanho dos bens que acumulou, mas também pela capacidade de transformá-los em novas oportunidades de crescimento.

Da Redação

Célio