Como manter as crianças longe das telas durante as férias?
De acordo com especialista, familiares devem incentivar brincadeiras, leituras e atividades ao ar livre
As férias escolares exigem de pais e familiares o desafio de manter as crianças entretidas sem precisar recorrer às telas. A pedagoga e professora do curso de Pedagogia da Universidade Guarulhos (UNG), Gabriela Floriano Centenario, defende o resgate das brincadeiras e atividades que estimulam o movimento e a criatividade durante o recesso.
Para isso, o primeiro passo recomendado é afastar os dispositivos eletrônicos do alcance dos pequenos e investir em alternativas de diversão. “Correr, brincar de pega-pega, pular corda, amarelinha, esconde-esconde, jogar cinco marias ou jogos de tabuleiro são fundamentais para os desenvolvimentos físico, cognitivo e social das crianças”, afirma Gabriela.
Segundo a pedagoga, quanto maior for o estímulo às atividades manuais, maior será o desenvolvimento da criatividade. Além disso, essas possibilidades de entretenimento colaboram para o desenvolvimento infantil. “Pintar, desenhar, recortar papel, colar, fazer dobraduras e modelar massinha são pequenos afazeres lúdicos. O faz de conta, como brincar de casinha e escolinha, ou a vivência de se colocar no lugar do outro permitem que a criança vivencie diferentes papéis, desenvolva a empatia e reflita sobre a realidade ao seu redor”.
Trocar as telas por livros
Entre as alternativas que podem substituir os aparelhos eletrônicos, a leitura oferece diversos benefícios. Para isso, os adultos precisam dar o exemplo, trocando os celulares, tablets e videogames pelos livros. “Quando um adulto lê perto de uma criança, ele demonstra que aquela atividade é interessante e incentiva o pequeno também”, explica.
Gabriela destaca que as obras oferecem um universo de possibilidades. “Por meio da leitura, é possível conhecer diferentes lugares, objetos e estimular a imaginação. Ao incentivar o contato com os livros desde cedo, apresentando diferentes gêneros literários, como ficção e contos, a leitura se torna um momento prazeroso, desperta o interesse das crianças e ainda amplia seu repertório cultural”.
Para a especialista, a participação da família é indispensável. Além de estabelecer limites para o uso dos dispositivos eletrônicos, pais e responsáveis devem proporcionar experiências fora do ambiente digital, como passeios em parques, visitas a bibliotecas, teatros, brinquedotecas, centros culturais e espaços de lazer.
“As crianças não frequentam esses lugares sozinhas. Elas precisam ser incentivadas e acompanhadas pelos adultos. Quando a família oferece oportunidades para brincar, explorar, criar e conviver, mostra que existe um mundo muito maior do que as telas”, conclui.
Cuidados com os dispositivos eletrônicos
Apesar dos aparelhos serem frequentemente utilizados para manter as crianças quietas, a pedagoga informa que estudos recentes mostram como a exposição exagerada às telas pode causar irritabilidade, problemas de aprendizagem, insônia, ansiedade, depressão e até alterações na visão. Esses impactos se estendem também ao ambiente escolar, prejudicando a concentração e, consequentemente, o aprendizado.
De acordo com a professora do curso de Pedagogia da UNG, não é apenas o tempo de exposição que merece atenção dos responsáveis, mas também o tipo de conteúdo consumido pelas crianças. “Jogos violentos, vídeos de curta duração e conteúdos com excesso de estímulos visuais e sonoros podem favorecer comportamento agressivo, impaciência e dificuldades nas relações interpessoais”, explica.
Gabriela lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que pequenos de até dois anos não sejam expostas às telas, exceto em situações específicas, como videochamadas com familiares. Entre dois e cinco anos, o limite recomendado é de até uma hora por dia. Já para crianças de seis a dez anos, a recomendação é de até duas horas diárias.
Por Cristiane Pappi/Assessoria de Imprensa UNG



