Morador de Sinop morre em combate na guerra na Ucrânia após ataque de drone
O morador de Sinop, Fernando Pereira Lisboa, de 40 anos, morreu durante o conflito entre a Ucrânia e a Rússia após ser atingido em um ataque de drone na região de Zaporizhzhya, no sudeste da Ucrânia. Só Notícias apurou que o caso ocorreu na sexta-feira à noite.
Segundo informações repassadas pela irmã da vítima à reportagem, Fernando estava em missão quando ele e outros dois soldados foram atacados por um drone. No sábado, o corpo foi recolhido e identificado pelas autoridades militares. A família recebeu a confirmação da morte na tarde do mesmo dia. Ainda conforme os familiares, um dos soldados que estava com Fernando ficou ferido no ataque, enquanto não há informações sobre o estado do terceiro integrante do grupo.
Fernando estava na Ucrânia desde março deste ano. Ele morava no bairro Maria Carolina em Sinop, era solteiro e vivia com a mãe antes de viajar para o país europeu. De acordo com a irmã, ele sempre demonstrou interesse por assuntos militares e sonhava em participar de conflitos armados em defesa de uma nação. “Ele sempre foi apaixonado por guerra e queria lutar por uma nação que precisasse dele”, relatou a irmã.
A família informou ainda que Fernando já estudava a possibilidade de ir para a Ucrânia desde novembro do ano passado. Toda a viagem e permanência no país teriam sido custeadas pelo governo ucraniano, sem qualquer pedido de ajuda financeira a terceiros.
Em Sinop, Fernando trabalhou em indústrias e também como ajudante de obras. Familiares o descrevem como uma pessoa de fácil amizade e bastante querida entre amigos e conhecidos.
Após a divulgação da morte, golpistas passaram a espalhar informações falsas nas redes sociais sobre supostas arrecadações para custear o translado do corpo. A família negou qualquer campanha financeira. Segundo os familiares, os procedimentos fúnebres serão realizados na própria Ucrânia. Em razão das dificuldades logísticas e dos custos de translado em meio ao conflito, o corpo não será enviado ao Brasil.
A informação repassada à família é de que, após o término da guerra, as cinzas deverão ser encaminhadas ao Brasil pelas autoridades ucranianas.
A guerra entre os dois países iniciou em meados de fevereiro de 2022. Após um longo período marcado pelo acirramento das tensões entre os dois países, as tropas russas invadiram o país vizinho, promovendo ataques a cidades situadas próximo da capital da Ucrânia, Kyiv, e outros pontos estratégicos do território ucraniano. Os contra-ataques realizados pela Ucrânia em meados de 2022 e em 2023 fizeram com que a Rússia recuasse em alguns pontos, mas o país ainda mantém domínio sobre algumas áreas no leste e ao sul da Ucrânia. Mais de quatro anos após o início da guerra, os ataques continuam. O saldo até então é de dezenas de milhares de mortos e feridos.
Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: reprodução)




