Bem-vindo(a). Hoje é Guarantã do Norte - MT

TCE abre investigação sobre transferência do Hospital Regional de Sinop para consórcio de prefeitos

TCE abre investigação sobre transferência do Hospital Regional de Sinop para consórcio de prefeitos
Compartilhe!

Guilherme Maluf admitiu denúncia, notificou a Secretaria de Saúde e colocou sob análise a entrega da gestão do maior hospital do Norte de Mato Grosso ao Consórcio Vale do Teles Pires

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) abriu investigação para apurar a transferência da gestão do Hospital Regional de Sinop “Jorge de Abreu” ao Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires e determinou que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apresente esclarecimentos sobre a operação no prazo de cinco dias úteis.

A decisão foi assinada pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf e publicada no Diário Oficial de Contas desta quarta-feira (3). O procedimento coloca sob análise do órgão de controle externo a mudança na administração da principal unidade hospitalar pública do Norte de Mato Grosso, referência em média e alta complexidade para dezenas de municípios da macrorregião.

A apuração teve origem em petição apresentada pelo jornalista Daniel José da Trindade, por meio de advogada, questionando a legalidade da transferência da gestão do hospital para o consórcio formado por 16 municípios da região. Segundo a denúncia, a medida teria sido implementada sem a divulgação prévia dos estudos técnicos, pareceres jurídicos, análises financeiras e demais documentos que fundamentaram a decisão administrativa.

O documento sustenta que pedidos formais de acesso à informação foram protocolados antes da assinatura da ordem de serviço, mas os prazos estabelecidos para resposta ultrapassariam a data de efetivação da transferência. Para o autor da petição, isso teria impedido a realização do controle social e a análise prévia dos fundamentos utilizados pelo Estado para promover a mudança.

A denúncia também aponta possível afronta ao princípio constitucional da publicidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal, além de questionar a ausência de demonstração pública sobre eventuais vantagens econômicas, administrativas e assistenciais que justificassem a substituição do modelo de gestão.

Entre os principais pontos levantados está o impacto financeiro da mudança. Segundo os argumentos apresentados ao Tribunal, os custos da operação do Hospital Regional de Sinop podem sofrer aumento expressivo em relação ao modelo anterior. A petição sustenta que a gestão da unidade, que atualmente gira em torno de R$ 10 milhões mensais, poderá alcançar aproximadamente R$ 27 milhões por mês após a transferência para o consórcio, sem que tenham sido apresentados previamente estudos técnicos, análises de viabilidade econômica ou documentos capazes de demonstrar a vantajosidade da medida para os cofres públicos.

O documento também destaca que a transferência foi formalizada em ano eleitoral e defende que a ausência de transparência na divulgação dos estudos e pareceres impede a sociedade de avaliar os reais impactos financeiros e assistenciais da mudança.

Embora o pedido tenha sido protocolado como representação externa, modalidade que não pode ser utilizada por particulares segundo o regimento interno do Tribunal, o conselheiro Guilherme Maluf aplicou o princípio da fungibilidade processual e converteu o documento em denúncia. Na decisão, ele entendeu que os fatos apresentados reúnem os requisitos necessários para análise e determinou a notificação do secretário estadual de Saúde, Juliano Silva Melo, para que apresente manifestação prévia e encaminhe documentos relacionados ao caso.

O Hospital Regional de Sinop é considerado a principal unidade hospitalar pública da região norte do estado. A estrutura atende pacientes encaminhados de dezenas de municípios e concentra serviços de média e alta complexidade, funcionando como referência para uma população de mais de 800 mil habitantes distribuída pela macrorregião norte.

A transferência da gestão foi oficializada em 25 de maio pelo governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos), durante cerimônia realizada em Cuiabá com a participação de prefeitos e secretários municipais que integram o Consórcio Vale do Teles Pires. Na ocasião, o Governo de Mato Grosso afirmou que a medida faz parte da estratégia de regionalização da saúde pública e permitirá ampliar a capacidade da unidade, elevando o número de leitos de 98 para 158, além de expandir os serviços oferecidos à população.

Segundo o cronograma apresentado pelo Estado, a transição deverá ocorrer gradualmente ao longo de um período entre 60 e 120 dias, sem interrupção dos atendimentos. O contrato prevê uma fase de transição de até 90 dias para que o consórcio assuma integralmente a administração da unidade.

A transferência já era alvo de questionamentos na Justiça antes da abertura da investigação pelo Tribunal de Contas. Uma ação protocolada na Vara Especializada da Fazenda Pública de Sinop pede a suspensão do processo até que sejam apresentados documentos considerados essenciais para a análise da legalidade da medida, entre eles pareceres da Procuradoria-Geral do Estado, estudos de impacto assistencial, análises financeiras, plano de trabalho e demais documentos que embasaram a decisão.

Com a admissão da denúncia pelo TCE-MT, o caso passa a ser acompanhado simultaneamente pelo Poder Judiciário e pelo órgão responsável pelo controle externo dos gastos públicos. A decisão amplia a fiscalização sobre a transferência da gestão do Hospital Regional de Sinop e abre uma nova frente de análise sobre a legalidade, a transparência e os impactos financeiros da medida para a rede pública de saúde do Norte de Mato Grosso.

Da Redação

Célio