Manejo correto da planta de cobertura na entressafra faz toda a diferença no próximo ciclo
Escolha das espécies, acompanhamento técnico e intervenções estratégicas determinam o desempenho do sistema produtivo na safra seguinte
Quem já enfrentou dificuldades para implantar uma lavoura sobre uma cobertura excessivamente alta sabe que produzir muita biomassa, por si só, não garante eficiência. A semeadora encontra maior dificuldade para cortar a palhada, aumentam os riscos de embuchamento, a deposição das sementes perde uniformidade e toda a operação tende a ficar mais lenta. Muitas vezes, o problema não está na espécie utilizada, mas na ausência de um manejo planejado ao longo do desenvolvimento da palhada.
As plantas de cobertura conquistaram espaço definitivo nos sistemas de produção brasileiros. Muito além de proteger o solo, elas contribuem para a ciclagem de nutrientes, o aumento da matéria orgânica, a melhoria da infiltração de água, a redução da compactação e a formação de ambientes mais resilientes às oscilações climáticas. No entanto, para que todos esses benefícios sejam plenamente alcançados, um fator muitas vezes passa despercebido: o manejo realizado durante a entressafra.
É comum associar um grande volume de biomassa a uma cobertura mais eficiente. Mas essa lógica nem sempre se confirma no campo. Quando a planta cresce sem acompanhamento e permanece por longos períodos sem intervenção, o excesso de massa aérea pode comprometer justamente a eficiência que se busca. Surgem touceiras mais desenvolvidas, acúmulo de material senescente e irregularidade na distribuição da biomassa. Isso reduz a qualidade da cobertura, dificulta as operações agrícolas e limita o aproveitamento de todos os benefícios agronômicos.
É justamente nesse ponto que o manejo faz a diferença. De acordo com Lara Gabriely Silva Moura, zootecnista e coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da SBS Green Seeds, empresa especializada em sementes para pastagens, plantas de cobertura e agricultura regenerativa, responsável pela marca Semembrás, tradicional no segmento de sementes, o segredo para equilibrar esse crescimento está no manejo realizado antes da dessecação. Isso porque, ao reduzir parte da massa aérea, a planta responde fisiologicamente com a emissão de novos perfilhos e a renovação do sistema radicular.
Esse processo mantém as raízes ativas por mais tempo, favorece a formação de bioporos, amplia a incorporação de matéria orgânica em profundidade e estimula a atividade biológica do solo. “Ao longo dos ciclos produtivos, esses fatores contribuem para melhorar a estrutura física do solo, aumentar a infiltração e o armazenamento de água e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento das culturas comerciais”, destaca a especialista.
Benefícios que vão além da palhada
Os reflexos também aparecem na superfície. Uma palhada uniforme protege melhor o solo contra o impacto direto das chuvas, reduz perdas por erosão, diminui a evaporação da água, auxilia na supressão de plantas daninhas e contribui para manter temperaturas mais estáveis. Em regiões sujeitas a períodos de estiagem ou chuvas intensas, essas características fazem diferença na conservação do potencial produtivo da área.
Os ganhos operacionais também merecem destaque. Com menor quantidade de material acumulado e melhor distribuição da cobertura, a semeadora trabalha com maior eficiência, o corte da palhada ocorre de forma mais regular e o posicionamento das sementes tende a ser mais uniforme. “Esse conjunto de fatores favorece uma emergência mais homogênea das plantas e contribui para o estabelecimento inicial da lavoura, etapa decisiva para a construção da produtividade”, detalha Lara.
Na avaliação da pesquisadora, o desempenho das plantas de cobertura é resultado da integração entre genética, planejamento e manejo. “Escolher espécies adaptadas aos objetivos da propriedade é apenas o primeiro passo. O potencial de cada material depende de uma condução técnica que considere as condições climáticas, as características do solo, a janela de cultivo e o sistema de produção adotado pelo agricultor”, reforça.
Planejamento é decisivo
Diante desses fatores, fica claro que acompanhar o desenvolvimento das plantas durante a entressafra é tão importante quanto definir quais espécies serão utilizadas. Além disso, não existe uma estratégia única para todas as propriedades. “Sistemas voltados à produção de palhada, à descompactação biológica, à ciclagem de nutrientes, à fixação de nitrogênio ou à integração lavoura-pecuária demandam diferentes combinações de espécies e manejos específicos para que cada uma expresse seu máximo potencial. Portanto, é fundamental contar com a orientação de um especialista de confiança”, explica.
Mais do que produzir biomassa, o desafio é obter qualidade. A eficiência das plantas de cobertura começa na escolha de sementes com elevado desempenho agronômico, passa pelo planejamento técnico e se consolida no manejo realizado durante a entressafra. “É essa integração que transforma a cobertura vegetal em uma ferramenta estratégica para construir solos mais saudáveis, aumentar a eficiência operacional e preparar a lavoura para produzir com mais sustentabilidade e segurança nas próximas safras”, finaliza a especialista.
Sobre – Comprometidos com o futuro do planeta e com os princípios da agricultura regenerativa, nasce a SBS Green Seeds. Fruto da união de duas potências: A solidez da Boa Safra e a especialização da SememBrás, a empresa tem a missão de impulsionar as lavouras e pastagens, tornando-as mais produtivas, saudáveis e resilientes, contribuindo assim para a sustentabilidade de todo o ecossistema. Saiba mais em: https://sbsgreen.com.br.

Kassi Bonissoni



