Bem-vindo(a). Hoje é Guarantã do Norte - MT

Energia, baterias e criptomoedas abrem nova fronteira para o agro, diz diretor da Enersim

Energia, baterias e criptomoedas abrem nova fronteira para o agro, diz diretor da Enersim
Compartilhe!

Diretor da Enersim afirma que convergência de tecnologias pode aumentar a competitividade do setor produtivo e reduzir a dependência da infraestrutura elétrica tradicional

A combinação entre geração renovável, armazenamento de energia e novas tecnologias digitais, como a mineração de criptomoedas, pode transformar a forma como o agronegócio produz, consome e monetiza energia nos próximos anos. A avaliação é de Tiago Vianna, diretor da Enersim, vice-presidente do Sindenergia Mato Grosso e coordenador estadual da Absolar, durante participação na Energy Farm, realizada dentro da GreenFarm, no Parque Novo Mato Grosso, realizada de 27 a 30 de maio.

Vianna integrou o painel “Autonomia Energética no Agronegócio: O papel das baterias e do armazenamento de energia”, ao lado de Lídio Júnior, da Green BESS Energia, e Rodrigo Alexandre, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), com mediação de Merivaldo Brito.

Na avaliação do especialista, o debate sobre armazenamento de energia deixou de ser apenas uma pauta ligada à sustentabilidade e passou a ocupar posição estratégica na competitividade das empresas e propriedades rurais.

“A convergência entre energia renovável, armazenamento e novas tecnologias cria uma oportunidade sem precedentes para o agronegócio e para a indústria. Não se trata apenas de sustentabilidade, mas de competitividade econômica”, afirmou.

Durante a apresentação, Tiago explicou que os sistemas de armazenamento por baterias, conhecidos como BESS, não possuem uma única aplicação. Segundo ele, cada projeto é desenvolvido para atender necessidades específicas, que podem variar entre redução de custos, autonomia energética, backup de energia e melhoria da qualidade da rede elétrica.

Entre os benefícios destacados estão a possibilidade de armazenar energia produzida fora do horário de pico e utilizá-la nos momentos em que a tarifa é mais elevada, além da redução da dependência da rede de distribuição.

“Quando o produtor consegue gerar, armazenar e consumir sua própria energia, ele transforma um custo operacional em margem de lucro após o retorno do investimento”, explicou.

O executivo também chamou atenção para os desafios enfrentados atualmente pelo setor elétrico nacional. Segundo ele, parte da energia gerada por grandes usinas solares e eólicas está sendo desperdiçada devido às limitações da infraestrutura de transmissão, fenômeno conhecido como curtailment.

Nesse cenário, o armazenamento surge como uma ferramenta capaz de absorver a energia excedente e disponibilizá-la posteriormente, reduzindo perdas e aumentando a eficiência do sistema elétrico.

Além das baterias convencionais, Vianna apresentou outras tecnologias de armazenamento em desenvolvimento no mundo, como sistemas térmicos, hidrelétricas reversíveis, armazenamento mecânico e produção de hidrogênio verde.

Um dos pontos que mais chamou atenção durante o debate foi a defesa do uso de criptomoedas como alternativa para monetizar excedentes energéticos. Segundo ele, unidades de mineração podem transformar energia disponível em ativos digitais, criando novas possibilidades de receita para empreendedores e geradores.

“Existe também a possibilidade de armazenar energia em forma de valor econômico. Em determinadas situações, a mineração de criptomoedas pode funcionar como uma alternativa para aproveitar energia que seria desperdiçada”, afirmou.

Para Vianna, Mato Grosso reúne condições favoráveis para liderar essa nova etapa da transição energética. O estado já possui uma das maiores participações da energia solar na matriz de consumo nacional e conta com um agronegócio historicamente aberto à adoção de novas tecnologias.

“O agro mato-grossense sempre esteve na vanguarda da inovação. Quando uma tecnologia consegue reduzir custos e aumentar eficiência, o setor rapidamente incorpora essa solução”, observou.

Apesar do potencial, ele destaca que ainda existem obstáculos regulatórios, técnicos e econômicos que precisam ser superados. Entre eles estão a necessidade de capacitação profissional, avanços na regulamentação dos sistemas de armazenamento e maior segurança jurídica para investimentos.

Segundo o coordenador da Absolar em Mato Grosso, a expansão dessas tecnologias será fundamental para complementar a infraestrutura elétrica tradicional e garantir maior segurança energética para o crescimento da produção rural e industrial nos próximos anos.

“A transição energética é uma oportunidade. O armazenamento de energia será uma peça importante nesse processo e pode ajudar a construir um sistema mais eficiente, resiliente e competitivo para o Brasil”, concluiu.

Por Emanoelly Coelho / 220 Relações Públicas

Célio