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Suspensão temporária do novo sistema europeu de controle de fronteiras expõe falhas operacionais no Aeroporto de Lisboa

Suspensão temporária do novo sistema europeu de controle de fronteiras expõe falhas operacionais no Aeroporto de Lisboa
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Após longas filas e horas de espera, Portugal interrompe por três meses o uso do Entry/Exit System no Aeroporto Humberto Delgado, mantendo o controle migratório de forma manual

Na última terça-feira, 30 de dezembro, as autoridades portuguesas anunciaram a suspensão temporária do Entry/Exit System (EES – Sistema Europeu de Entrada e Saída) no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A medida tem validade inicial de três meses e aplica-se exclusivamente a esse aeroporto, após sucessivos relatos de passageiros que enfrentaram até nove horas de espera nas filas da imigração.

O EES é um sistema digital criado pela União Europeia para registar automaticamente a entrada e saída de cidadãos de países terceiros, isto é, não pertencentes à União Europeia, substituindo o tradicional carimbo manual nos passaportes. O objetivo é reforçar a segurança das fronteiras externas do bloco e combater permanências irregulares (Comissão Europeia).

É importante esclarecer desde já que o controle de fronteiras não foi suspenso. O que foi interrompido foi a utilização do novo sistema digital automático”, explica o advogado Wilson Bicalho, licenciado em Portugal e professor de pós-graduação em Direito Migratório. Durante esse período, o controle volta a ser feito de forma manual, com verificação tradicional dos documentos de viagem.

Congestionamento e impacto humano

A decisão foi tomada após dias de congestionamento intenso, sobretudo na chegada de voos intercontinentais. Passageiros relataram desgaste físico, stress e falta de informação, num cenário que rapidamente ganhou repercussão internacional.

Segundo Wilson Bicalho, o episódio revela um problema estrutural. “O que aconteceu em Lisboa não foi um episódio isolado, mas o reflexo de uma implementação que não considerou plenamente a capacidade operacional existente, o volume real de passageiros e a necessidade de formação específica das equipas que atuam na linha da frente.”

A introdução do EES exige não apenas tecnologia, mas também adaptação logística, recursos humanos suficientes e capacitação adequada dos agentes responsáveis pelo controle migratório, fatores que, segundo especialistas, não foram plenamente atendidos nesta fase inicial (Comissão Europeia).

Reforço de efetivos e limites da solução emergencial

Como resposta imediata, o aeroporto de Lisboa passou a contar com reforço de efetivos, incluindo militares da GNR (Guarda Nacional Republicana) e agentes da PSP (Polícia de Segurança Pública). A expectativa das autoridades é reduzir os tempos de espera, sobretudo nos horários de pico.

Ainda assim, o próprio advogado faz uma ressalva: “Tecnologia sem planeamento adequado e sem capacitação humana gera exatamente o efeito contrário ao esperado. Em vez de fluidez, cria bloqueios.” Mesmo com reforços, períodos de maior fluxo continuam a exigir atenção redobrada e gestão mais eficiente.

Reflexos na imagem e na economia portuguesa

O impacto do episódio vai além do desconforto individual dos passageiros. Portugal depende fortemente do turismo e da mobilidade internacional, e a experiência de chegada ao país influencia diretamente a perceção externa sobre organização, segurança e acolhimento.

Esse contexto torna-se ainda mais sensível no início do ano, período que coincide com as férias escolares no Brasil, quando há tradicionalmente um aumento expressivo de visitantes brasileiros em Portugal. “Cada experiência negativa à chegada afeta não apenas o viajante, mas a imagem do país como destino”, observa Wilson Bicalho.

Suspensão como oportunidade de correção

Do ponto de vista jurídico e institucional, a suspensão temporária do EES pode representar uma oportunidade estratégica. “Segurança e eficiência não são conceitos opostos, mas complementares”, afirma o advogado. O momento permite rever processos, reforçar equipas, investir na formação técnica e ajustar o modelo tecnológico à realidade operacional portuguesa.

A experiência internacional demonstra que sistemas de controle migratório só atingem seus objetivos quando combinam tecnologia, planeamento e fator humano (Comissão Europeia).

Um país moderno precisa de controle, mas também de humanidade, previsibilidade e organização”, conclui Wilson Bicalho. Para ele, uma política migratória eficaz começa na fronteira, mas constrói-se com visão estratégica e respeito à dignidade de quem chega.

Quem é Wilson Bicalho:

– Advogado e CEO da Bicalho Consultoria Legal em Portugal, Licenciado no Brasil e Portugal;

– Sócio na Bicalho Consultoria Legal em Portugal;

– Professor de Pós-Graduação em Direito Migratório;

– Pós-graduado em Lisboa pela Autónoma Academy de Lisboa;

– Sócio fundador das empresas portuguesas B2L Born to Link e RBA International;

– CEO da NextBorder.ai.

Sobre a Bicalho Consultoria:

A Bicalho Consultoria Legal é uma empresa com ampla experiência em processos migratórios para os Estados Unidos e Portugal, com escritórios no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos. Oferece soluções para empresas e empreendedores e profissionais liberais, que englobam assessoria jurídica, consultoria nas áreas empresarial, tributária e trabalhista, e planejamento patrimonial, auxiliando a internacionalizar negócios e carreiras. Conta com um corpo experiente e multidisciplinar de profissionais.

Mais informações disponíveis:

no site https://bicalho.com e nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/bicalhoconsultoria/ – @biccalhoconsultoria

@BicalhoConsultoriaLegal (YouTube) e Bicalho Consultoria Legal (Facebook).

Por Cláudia Moura/CM PRESS Produções Artísticas

Célio

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