{"id":99947,"date":"2022-12-03T12:08:10","date_gmt":"2022-12-03T15:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/12\/03\/entenda-por-que-o-cinema-esta-obcecado-em-associar-sexo-a-sangue-e-visceras\/"},"modified":"2022-12-03T12:08:10","modified_gmt":"2022-12-03T15:08:10","slug":"entenda-por-que-o-cinema-esta-obcecado-em-associar-sexo-a-sangue-e-visceras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/12\/03\/entenda-por-que-o-cinema-esta-obcecado-em-associar-sexo-a-sangue-e-visceras\/","title":{"rendered":"Entenda por que o cinema est\u00e1 obcecado em associar sexo a sangue e v\u00edsceras"},"content":{"rendered":"<p>BRUNO GHETTI<br \/>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; No universo dist\u00f3pico do filme &#8220;Crimes do Futuro&#8221;, de David Cronenberg, as pessoas quase n\u00e3o sentem mais dor. Consequentemente, nem prazer. Diante disso, um homem aceita cultivar em seu pr\u00f3prio organismo tecidos cancerosos e at\u00e9 novos \u00f3rg\u00e3os sem a menor fun\u00e7\u00e3o \u2013para depois se submeter a sess\u00f5es p\u00fablicas de retirada desses ap\u00eandices inc\u00f4modos de dentro de si. Tudo nas m\u00e3os de uma artista de vanguarda, que torna a performance altamente sexual, deixando a plateia em \u00eaxtase. Uma espectadora resume que &#8220;a cirurgia \u00e9 o novo sexo&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>J\u00e1 em &#8220;At\u00e9 os Ossos&#8221;, de Luca Guadagnino, em cartaz nos cinemas, todo o enlace dos outsiders de Timoth\u00e9e Chalamet e Taylor Russell \u00e9 costurado por canibalismo. Enquanto o casal cai na estrada e vai se aproximando, deixa para tr\u00e1s uma trilha de corpos mutilados. Em uma das cenas, o personagem de Chalamet corta a garganta de uma v\u00edtima, que logo ser\u00e1 devorada em um matagal.<\/p>\n<p>Em &#8220;Titane&#8221;, de Julia Ducournau, o corpo implantado com uma placa de tit\u00e2nio se ultrassexualiza e entra em degrada\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o coito com o carro. E na s\u00e9rie &#8220;Dahmer&#8221;, um serial killer encontra prazer no ato das matan\u00e7as e de comer quem assassinou.<\/p>\n<p>Esse tipo de abordagem sobre o corpo humano, em seu estado mais bruto, em que um f\u00edsico geralmente tido por abjeto repentinamente funciona como combust\u00edvel er\u00f3tico, n\u00e3o \u00e9 uma novidade, sobretudo na carreira de Cronenberg, mas diversas obras audiovisuais recentes parecem ter enveredado por caminhos semelhantes. Captam a aten\u00e7\u00e3o ao explorar o organismo em imagens n\u00e3o raro chocantes, usando v\u00edsceras, fluidos corp\u00f3reos, feridas e mesmo carne humana como estimulantes para sugerir erotismo.<\/p>\n<p>Em comum, h\u00e1 um tipo de sexualidade nada corriqueira, extrema, envolvendo o corpo humano em estados que passam longe do tido como excitante no sexo mais convencional. \u00c9 uma fisicalidade mostrada em cenas esteticamente excessivas, com poder de atordoar e estimular os sentidos do espectador. Para muitos, o mero ato de observar essa corporeidade extrema talvez j\u00e1 seja, em si, o novo sexo.<br \/>O mundo dos anos 2020 pode n\u00e3o ter eliminado, como sugere Cronenberg, a dor do humano \u2013pode apenas a ter aumentado\u2013, mas, ao que parece, limitou sua capacidade de ter prazer. N\u00e3o por car\u00eancia, mas por superabund\u00e2ncia de est\u00edmulos.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Christoph T\u00fcrcke, professor em\u00e9rito da Academia de Belas Artes de Leipzig, na Alemanha, j\u00e1 havia cantado a bola em 2010, quando as redes sociais engatinhavam e a oferta de produtos audiovisuais na internet ainda era m\u00ednima, comparada a uma d\u00e9cada depois.<\/p>\n<p>No livro &#8220;Sociedade Excitada: Filosofia da Sensa\u00e7\u00e3o&#8221;, publicado naquele ano e lan\u00e7ado aqui pela editora da Unicamp, T\u00fcrcke mostra o mundo capitalista como ref\u00e9m de constantes est\u00edmulos sensoriais gerados sobretudo pelo desenvolvimento tecnol\u00f3gico. A publicidade, as vitrines das lojas, os programas de TV, os jogos de videogame, os filmes em cartaz \u2013tudo em luta constante para capturar a aten\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo-consumidor. Com o tempo, as pessoas se acostumaram \u00e0 profus\u00e3o de incitamentos, indiferentes, ou se entediaram na aus\u00eancia desses est\u00edmulos. Hoje, precisam de mais, como um v\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um bombardeio sobre uma sensibilidade t\u00e3o absorvida e exausta pela imensa quantidade de est\u00edmulos audiovisuais intrusos que n\u00e3o mais reage atentamente. A n\u00e3o ser quando irritada por choques&#8221;, afirma T\u00fcrcke, em entrevista. &#8220;Choques que proporcionam um prazer especial ao espectador. O prazer de participar de modo voyeurista do ferimento do tabu e da transcend\u00eancia dos limites para o proibido.&#8221;<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo pensa que o livro foi prof\u00e9tico. &#8220;N\u00e3o exagerou a realidade, a realidade \u00e9 que o exagerou&#8221;, diz, lamentando que o processo de depend\u00eancia humana das pequenas excita\u00e7\u00f5es, com os anos, se intensificou ao ponto de hoje \u2013sobretudo ap\u00f3s a massifica\u00e7\u00e3o do smartphone, m\u00e1quina de exaurir o sensorial humano.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca que o livro foi escrito, observei crescimento significativo de piercings e tatuagens. Pessoas inundadas e distra\u00eddas por est\u00edmulos audiovisuais fluidos sentiram necessidade de manter algo, de viver impress\u00f5es sustent\u00e1veis, de viv\u00eancias profundas. \u00c9 essa necessidade que as fez incrustar figuras ou implantar coisinhas met\u00e1licas na pr\u00f3pria pele, apesar da dor liberada por isso \u2013ou at\u00e9 por causa dela&#8221;, diz o fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a maioria das pessoas n\u00e3o chega ao ponto de praticar em si mesma tais incis\u00f5es, mas parte expressiva delas parece interessada em, ao menos, observar nas telas outros indiv\u00edduos tendo as tais &#8220;viv\u00eancias profundas&#8221; a que o professor T\u00fcrcke se refere. Essa j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, uma maneira de ter contato com experi\u00eancias menos transit\u00f3rias, mais acentuadas.<\/p>\n<p>O espectador contempor\u00e2neo parece mesmo se entregar a um di\u00e1logo com um produto audiovisual quando ele lida com temas menos convencionais e quando h\u00e1 tratamento est\u00e9tico da obra com exacerba\u00e7\u00e3o formal, sem comedimento no uso de imagens e sons. Nesses casos, costuma haver contus\u00e3o maior, uma fala aguda aos sentidos do p\u00fablico, que se p\u00f5e a pensar sobre o filme de modo como talvez n\u00e3o fizesse se o regime de representa\u00e7\u00e3o fosse discreto ou tradicional.<\/p>\n<p>Mariana Baltar, professora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em cinema e audiovisual da Universidade Federal Fluminense, acredita que h\u00e1 uma tend\u00eancia em filmes recentes de fazer um uso est\u00e9tico expressivo do corpo humano, acentuado por v\u00e1rios procedimentos que a linguagem mais cl\u00e1ssica enquadraria como &#8220;acima do tom&#8221;.<\/p>\n<p>Ela chama de &#8220;modo de excesso&#8221; toda estrat\u00e9gia est\u00e9tica em que o uso exc\u00eantrico de maquiagem, cen\u00e1rios, ilumina\u00e7\u00e3o, angula\u00e7\u00f5es de c\u00e2mera, m\u00fasica e efeitos sonoros se d\u00e1 para exacerbar situa\u00e7\u00f5es que ressaltam a fisicalidade dos personagens, para operar no p\u00fablico respostas sensoriais fortes. E que seja capaz de convocar o espectador ao filme de maneira mais intensa que narrativas de natureza acad\u00eamica.<\/p>\n<p>&#8220;A intensifica\u00e7\u00e3o expl\u00edcita do corpo em estado de tens\u00e3o, como se estivesse no extremo, de alguma forma tenta emular a experi\u00eancia que a gente tem atualmente, das incertezas. Os momentos de crise sempre pedem descarga sensorial&#8221;, diz Baltar.<\/p>\n<p>Coordenadora do NEX, N\u00facleo de Estudos do Excesso nas Narrativas Audiovisuais, espec\u00edfico ao tema, ela julga que a corporeidade \u00e9 essencial nos filmes que se valem do excesso como ferramenta para despertar respostas intensas do espectador.<\/p>\n<p>&#8220;A presen\u00e7a dessa visceralidade \u00e9 resposta sens\u00edvel ao contexto maior em que o corpo parece ser mais premente e presente. Isso n\u00e3o \u00e9 novo, \u00e9 teorizado desde o s\u00e9culo 19. Mas, na contemporaneidade, tem caracter\u00edsticas singulares, vinculadas \u00e0 hipertrofia da vida privada e o constante apelo ao est\u00edmulo sensorial que refor\u00e7a a centralidade do corpo.&#8221;<\/p>\n<p>O uso expressivo do corpo no cinema existe desde muito tempo. A influente te\u00f3rica americana Linda Williams, ali\u00e1s, destaca tr\u00eas g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos como &#8220;do corpo&#8221; \u2013o melodrama, o porn\u00f4 e o horror. Em todos, a fisicalidade humana historicamente tendeu a ser explorada de maneira exagerada, at\u00e9 caricata.<\/p>\n<p>No melodrama, h\u00e1 o descontrole gestual e o choro da tristeza. Na pornografia, os espasmos corporais do orgasmo. E, no terror, mutila\u00e7\u00f5es ocasionadas pela viol\u00eancia f\u00edsica. Nos tr\u00eas, os l\u00edquidos corp\u00f3reos ganham destaque. Para refor\u00e7ar a no\u00e7\u00e3o de melancolia, os melodramas destacam as l\u00e1grimas; a pornografia intensifica o gozo investindo na visibilidade de esperma, umidifica\u00e7\u00f5es e suor; e o terror, para assustar, explora o jorrar de sangue.<\/p>\n<p>Mas o emprego do abjeto com conota\u00e7\u00e3o mais sexual surgiu no horror. Carlos Primati, especialista em cinema fant\u00e1stico e membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Cinema, explica que, at\u00e9 os anos 1960, o g\u00eanero era voltado ao p\u00fablico jovem e era impedido de abordar algo mais ousado ou considerado mais adulto pelo C\u00f3digo Hays, que impunha regras moralistas de conduta e de temas nos longas hollywoodianos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso vai acontecer primeiro longe de Hollywood, com o cinema europeu, onde filmes de horror que surgiram a partir da d\u00e9cada de 1960 sempre foram direcionados a plateias maduras, em tema e conte\u00fado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos primeir\u00edssimos a provocar uma sensa\u00e7\u00e3o de atra\u00e7\u00e3o e repulsa ao mesmo tempo diante de um belo cad\u00e1ver, por assim dizer, foi &#8216;A Maldi\u00e7\u00e3o do Dem\u00f4nio&#8217;, de 1960, de Mario Bava, na cena que o corpo da bruxa vivida por Barbara Steele se regenera at\u00e9 recuperar sua forma viva.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Primati, a partir de ent\u00e3o outros filmes atrelaram elementos er\u00f3ticos a banhos de sangue e exposi\u00e7\u00e3o de v\u00edsceras, at\u00e9 chegar aos casos extremos \u2013o terror &#8220;Nekromantik&#8221;, de 1988, de J\u00f6rg Buttgereit, mostra um homem com tal n\u00edvel de necrofilia que tem uma ejacula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica quando se mata.<\/p>\n<p>Tais elementos repulsivos e sexuais aos poucos tamb\u00e9m abandonaram o nicho do horror e foram incorporados ao cinema geral, servindo projetos est\u00e9ticos de grandes cineastas, como Pier Paolo Pasolini, Nagisa Oshima e o pr\u00f3prio Cronenberg.<br \/>Mas \u00e9 na Fran\u00e7a dos anos 2000 que se nota uma real tend\u00eancia ao uso desses corpos extremos em filmes autorais, como &#8220;Baise Moi&#8221;, de 2000, de Virginie Despentes, e &#8220;Trouble Every Day&#8221;, de 2001, de Claire Denis. Em seguida, ela se espalhou pelo mundo, e n\u00e3o raro a partir de uma perspectiva curiosamente feminina ou LGBTQIA+, em que a fisicalidade abjeta ganha outro significado, de natureza aleg\u00f3rica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O cineasta brasileiro Gustavo Vinagre se destaca nessa \u00e1rea, nunca escondendo sexualidade crua e n\u00e3o normativa em sua obra. Fosse nas cenas de c\u00f3pula reais \u2013desempenhadas por ele pr\u00f3prio\u2013 no m\u00e9dia-metragem &#8220;Nova Dubai&#8221;, de 2014, ou no zoom literalmente proctol\u00f3gico de um canal retal em &#8220;A Rosa Azul de Novalis&#8221;, de 2018, o cineasta diz nunca calcular cenas feitas unicamente para chocar. &#8220;Confesso que n\u00e3o sei tamb\u00e9m exatamente a raz\u00e3o [de inserir cenas de sexualidade intensa]. S\u00e3o coisas naturais para mim que ponho nos meus filmes. Se choca ou n\u00e3o, a\u00ed \u00e9 do espectador&#8221;, ele diz.<\/p>\n<p>Galeria Veja cenas de &#8216;A Rosa Azul de Novalis&#8217; Marcelo \u00e9 um HIV positivo na faixa dos 40 anos que vive em uma casa decorada com p\u00f4steres de Hilda Hilst e de Maria Callas https:\/\/fotografia.folha.uol.com.br\/galerias\/1653312094407308-veja-cenas-de-a-rosa-azul-de-novalis <strong>*<\/strong> Mas existe inequivocamente um vi\u00e9s pol\u00edtico em sua est\u00e9tica. Em sua obra, a exibi\u00e7\u00e3o de um corpo extremo chega ao paroxismo no document\u00e1rio em cartaz &#8220;Deus Tem Aids&#8221;, que Vinagre dirige com F\u00e1bio Leal, mostrando como portadores de HIV lidam com o v\u00edrus hoje em dia. H\u00e1 uma cena em que Paulx, performer que se trata no g\u00eanero neutro, se submete a um exame de sangue, inserindo o l\u00edquido rec\u00e9m-sa\u00eddo de sua veia em seu pr\u00f3prio \u00e2nus.<\/p>\n<p>O procedimento \u00e9 chocante e, segundo Paulx, no filme, se presta ao &#8220;hackeamento de imagin\u00e1rios&#8221;, que consiste em &#8220;captar uma imagem pornogr\u00e1fica e entrar na cabe\u00e7a de outros que n\u00e3o buscavam aquilo&#8221;.<br \/>&#8220;\u00c9 uma performance que mistura sexualidade, HIV, puls\u00e3o de morte. Mas tamb\u00e9m uma de vida, com esc\u00e1rnio, humor e tes\u00e3o&#8221;, diz Vinagre.<br \/>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que em parte das cenas de sexo com o corpo em estado extremo haja um forte elemento perform\u00e1tico. Lembremos que o homem que cede seu ventre para criar \u00f3rg\u00e3os no filme de Cronenberg os extirpa durante uma performance art\u00edstica. E a protagonista de &#8220;Titane&#8221; se deixa levar pela influ\u00eancia da placa met\u00e1lica acoplada ao cr\u00e2nio ao dan\u00e7ar libertinamente para o p\u00fablico em cima do cap\u00f4 do carro.<\/p>\n<p>Alguns pesquisadores t\u00eam pensado o corpo em performance em termos distintos da vis\u00e3o tradicional. A brit\u00e2nica Laura Mulvey, por exemplo, chamava a aten\u00e7\u00e3o nos anos 1970 para o quanto o cinema tende a uma vis\u00e3o fundamentalmente masculina dos corpos, sobretudo os femininos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 poss\u00edvel ler essa corporeidade perform\u00e1tica em outra chave. Pesquisadoras como Elena Del R\u00edo hoje entendem que pode ocorrer o contr\u00e1rio da objetifica\u00e7\u00e3o \u2013um regime de &#8220;mostra\u00e7\u00e3o&#8221; da corporeidade eminentemente ativa e emancipada, de corpos que se apresentam livremente, expondo fisicalidade sem medo de julgamentos. Podem ser considerados abjetos na sociedade, mas n\u00e3o objetos \u2013s\u00e3o sujeitos dos pr\u00f3prios desejos.<\/p>\n<p>Em &#8220;Regra 34&#8221;, de Julia Murat, vencedor do \u00faltimo Festival de Locarno, a protagonista faz performances em uma rede social porn\u00f4 para admiradores. Seus fetiches incluem ferir o corpo com cacos de vidro e se asfixiar.<\/p>\n<p>&#8220;O universo da sexualidade \u00e9 imenso e diverso. Talvez seja menos uma tend\u00eancia a falar de viol\u00eancia e mais um movimento de abertura a essa pluralidade&#8221;, diz Murat, sobre a prolifera\u00e7\u00e3o dessa corporeidade mais extrema no audiovisual recente.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o me parece que estamos menos sensibilizados \u00e0 pornografia, ao contr\u00e1rio. Existe uma disputa de meios de produ\u00e7\u00e3o que passou a acontecer no porn\u00f4 nos \u00faltimos 20 anos, por diversos fatores, e um deles \u00e9 a facilidade de distribui\u00e7\u00e3o da pornografia via internet&#8221;, afirma a diretora. &#8220;E essa disputa permite n\u00e3o apenas a diversidade tem\u00e1tica, mas tamb\u00e9m maior diversidade de quem produz essas imagens. O resultado \u00e9 a mudan\u00e7a no olhar audiovisual sobre o corpo e os gostos. Uma pluralidade na constru\u00e7\u00e3o da imagem.&#8221;<\/p>\n<p>O professor Diego Semerene, do departamento de estudos de m\u00eddia da Universidade de Amsterd\u00e3, tem um pensamento semelhante ao de Murat sobre o potencial da representa\u00e7\u00e3o de corpos e sexualidades n\u00e3o normativos no cinema contempor\u00e2neo \u2013mesmo que, para um p\u00fablico mais conservador, tudo n\u00e3o passe de sexo grotesco, doentio ou bizarro.<\/p>\n<p>&#8220;Esses ju\u00edzos de valor tamb\u00e9m aparecem como oportunidades de dar sentido aos prazeres do corpo e da linguagem que n\u00e3o coincidem com expectativas hegem\u00f4nicas. Existe uma grande potencialidade pol\u00edtica e sexual nesses &#8216;extremos'&#8221;, diz Semerene.<\/p>\n<p>&#8220;Esse potencial existe quando a pr\u00f3pria normatividade \u00e9 exposta como o verdadeiro terreno do bizarro, do grotesco, mostrando que o &#8216;freak&#8217; real n\u00e3o \u00e9 o outro. E que n\u00e3o h\u00e1 nada mais doentio do que o normativo&#8221;, afirma o pesquisador. A dissid\u00eancia, um dia, h\u00e1 de ser a nova norma.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1970815\/entenda-por-que-o-cinema-esta-obcecado-em-associar-sexo-a-sangue-e-visceras?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BRUNO GHETTIRIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; No universo dist\u00f3pico do filme &#8220;Crimes do Futuro&#8221;,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":99948,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-99947","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99947"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99947\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99948"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}