{"id":98186,"date":"2022-11-20T22:08:11","date_gmt":"2022-11-21T01:08:11","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/11\/20\/tim-burton-filma-wandinha-feminista-mas-diz-que-quer-fim-do-politicamente-correto\/"},"modified":"2022-11-20T22:08:11","modified_gmt":"2022-11-21T01:08:11","slug":"tim-burton-filma-wandinha-feminista-mas-diz-que-quer-fim-do-politicamente-correto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/11\/20\/tim-burton-filma-wandinha-feminista-mas-diz-que-quer-fim-do-politicamente-correto\/","title":{"rendered":"Tim Burton filma Wandinha feminista, mas diz que quer fim do politicamente correto"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Tim Burton j\u00e1 lidou com lobisomens e vampiros em &#8220;Sombras da Noite&#8221;. Com um internato para adolescentes sobrenaturais em &#8220;O Lar das Crian\u00e7as Peculiares&#8221;. Uma investiga\u00e7\u00e3o criminal esteve no centro de &#8220;A Lenda do Cavaleiro Sem Cabe\u00e7a&#8221; e sangue jorrava aos montes de &#8220;Sweeney Todd&#8221;. J\u00e1 &#8220;Peixe Grande e suas Hist\u00f3rias Maravilhosas&#8221; era movido pela rela\u00e7\u00e3o de pais e filhos.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Foi talvez por achar que o cineasta estaria em terreno familiar que os criadores da nova s\u00e9rie &#8220;Wandinha&#8221; chamaram Burton para dirigi-la. Um derivado do cl\u00e1ssico televisivo &#8220;A Fam\u00edlia Addams&#8221;, a produ\u00e7\u00e3o curiosamente toca em v\u00e1rios temas que passaram por sua carreira, carregando sua inconfund\u00edvel marca g\u00f3tica.<\/p>\n<p>Em resumo, a trama acompanha a personagem das ic\u00f4nicas trancinhas negras, ap\u00f3s sua matr\u00edcula numa escola para crian\u00e7as superdotadas e criaturas lend\u00e1rias. Uma s\u00e9rie de assassinatos violentos, no entanto, transforma Wandinha em detetive e, por maiores que sejam suas dificuldades, ela reluta em pedir ajuda \u00e0 m\u00e3e, ela pr\u00f3pria ex-aluna da prestigiosa e estranha Academia Nunca Mais.<\/p>\n<p>Por mais que Burton n\u00e3o tenha criado ou roteirizado &#8220;Wandinha&#8221; -ele dirige metade da temporada e atua como produtor executivo-, \u00e9 um exerc\u00edcio interessante encontrar pontos de encontro entre a s\u00e9rie e sua obra. Talvez porque, se voltarmos \u00e0s ra\u00edzes do cineasta, fica claro que ele e &#8220;A Fam\u00edlia Addams&#8221; sempre tiveram uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade.<\/p>\n<p>&#8220;As inspira\u00e7\u00f5es originais para o meu cinema foram os quadrinhos criados por Charles Addams para a New Yorker. Eles s\u00e3o a primeira coisa que eu lembro de ter visto e gostado na inf\u00e2ncia, com seus tra\u00e7os fortes e o humor \u00e1cido&#8221;, diz Burton em conversa por v\u00eddeo.<\/p>\n<p>&#8220;Depois eu cresci vendo a s\u00e9rie e a\u00ed vieram os filmes dos anos 1990. Mas eu n\u00e3o queria fazer uma nova adapta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ler esses roteiros sobre Wandinha, minha personagem favorita. Eu compartilho a vis\u00e3o de mundo dela e fazer essa s\u00e9rie foi como voltar aos meus anos de escola&#8221;, continua o cineasta, que pode muito bem ter sido uma vers\u00e3o masculina de Wandinha em algum ponto da vida, com seu gosto pelo macabro e a not\u00f3ria tend\u00eancia \u00e0 reclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o se lembra, os quadrinhos e, depois, a s\u00e9rie de 1964, acompanhavam uma fam\u00edlia capaz de aterrorizar qualquer comercial de margarina. Seu lar n\u00e3o era uma casa monotonamente bem cuidada, mas uma mans\u00e3o quase assombrada. Seus passatempos, em vez de jardinagem ou jogos de tabuleiro, eram arrancar p\u00e9talas de flores e tortura. Os bichos de estima\u00e7\u00e3o poderiam muito bem devorar um cachorrinho -eram jacar\u00e9s ou le\u00f5es.<\/p>\n<p>Em resumo, o pesadelo para a classe m\u00e9dia suburbana, cujos ideais de fam\u00edlia feliz causavam horror completo em Mort\u00edcia, a m\u00e3e, Gomez, o pai, Chico, o tio, Trope\u00e7o, o mordomo, Feioso, o filho, e Wandinha, a filha. E, claro, M\u00e3ozinha, um membro amputado que passeava pela casa e roubava a cena na m\u00fasica tema do programa em preto e branco.<\/p>\n<p>O humor dos personagens sempre veio desse choque entre realidades, que abria espa\u00e7o para piadas de duplo sentido e um sadismo que n\u00e3o poupava cr\u00edticas a ningu\u00e9m. Em &#8220;Wandinha&#8221;, essa marca registrada se manteve e, talvez, tenha sido elevada, j\u00e1 que a hist\u00f3ria \u00e9 centrada no mais f\u00fanebre e insens\u00edvel membro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Pessoas mortas s\u00e3o conhecidas por n\u00e3o retornarem liga\u00e7\u00f5es&#8221;, diz a protagonista sobre um aluno desaparecido.<\/p>\n<p>&#8220;As redes sociais s\u00e3o um vazio de afirma\u00e7\u00f5es insignificantes&#8221;, dispara em outro momento. Um &#8220;Pinterest do Ted Bundy&#8221; \u00e9 como uma amiga se refere \u00e0 decora\u00e7\u00e3o de seu quarto.<\/p>\n<p>\u00c9 um humor que n\u00e3o esbarrou em muitos problemas nas encarna\u00e7\u00f5es anteriores dos Addams, mas que talvez incomode os espectadores mais sens\u00edveis de hoje em dia, num cen\u00e1rio cultural patrulhado pelo politicamente correto, termo do qual Burton n\u00e3o \u00e9 f\u00e3.<\/p>\n<p>&#8220;Essa coisa toda do politicamente correto, tomara, vai passar. Se voc\u00ea tira esse humor \u00e1cido e incorreto dos Addams, eles deixam de ser quem s\u00e3o. Claro que h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com algumas coisas, mas n\u00e3o podemos tirar essa parte deles. As pessoas precisam entend\u00ea-los num sentido simb\u00f3lico, n\u00e3o literal&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia os est\u00fadios est\u00e3o em p\u00e2nico com isso. Voc\u00ea n\u00e3o pode, por exemplo, brincar com a morte. Mas espera a\u00ed, estamos falando de &#8216;A Fam\u00edlia Addams&#8217;. Eu vivo esse conflito h\u00e1 anos, mas as pessoas precisam entender que se eu fa\u00e7o uma piada sobre suic\u00eddio, n\u00e3o estou querendo encorajar nada.&#8221;<\/p>\n<p>De fato, o politicamente correto talvez tenha sido um empecilho para Burton al\u00e7ar voo nos \u00faltimos anos, que foram de pouco prest\u00edgio para um cineasta que j\u00e1 foi dos mais originais e excitantes de Hollywood. Seu estilo, por exemplo, n\u00e3o funcionou bem com o felizes para sempre da Disney em sua vers\u00e3o de &#8220;Dumbo&#8221;, que ficou aqu\u00e9m das expectativas.<\/p>\n<p>Recentemente, ele disse que jamais trabalharia com a empresa de novo e que sua experi\u00eancia com ela foi como a do elefantinho voador, que tentava escapar de um &#8220;grande circo horr\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Em &#8220;Wandinha&#8221;, ele parece estar \u00e0 vontade para contaminar a s\u00e9rie com seu humor m\u00f3rbido e o estilo g\u00f3tico. Isso n\u00e3o quer dizer, no entanto, que apelos comuns a essa mesma gera\u00e7\u00e3o que advoga pelo politicamente correto n\u00e3o tenham se infiltrado.<\/p>\n<p>Com suas trancinhas ilusoriamente inocentes e os figurinos pretos, a protagonista parece, nesta nova vers\u00e3o, se encaixar no papel de hero\u00edna feminista. N\u00e3o era uma preocupa\u00e7\u00e3o que isso fosse ressaltado, explica o cineasta, mas a quest\u00e3o \u00e9 que ela sempre foi forte. &#8220;Quando voc\u00ea est\u00e1 sendo quem realmente \u00e9, voc\u00ea n\u00e3o precisa ficar esfregando suas credenciais, de feminista ou qualquer outra coisa, na cara dos outros&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Elogiada l\u00e1 fora pela s\u00e9rie e tida como uma das novas promessas das telas, Jenna Ortega encarna essa Wandinha que, apesar de estar sendo o que \u00e9, parece de fato mais poderosa, talvez por n\u00e3o ter que dividir o protagonismo com outros parentes. Ela critica &#8220;ferramentas do patriarcado&#8221; ao longo dos epis\u00f3dios e se vinga de valent\u00f5es do col\u00e9gio jogando piranhas na piscina em que nadam.<\/p>\n<p>Outra vers\u00e3o da personagem, Christina Ricci, que a interpretou nos filmes dos anos 1990, faz apari\u00e7\u00f5es como uma professora de olhos esbugalhados, do jeito que Burton gosta. O elenco fica completo com Gwendoline Christie como a diretora da Nunca Mais, e Catherine Zeta-Jones e Luis Guzm\u00e1n como Mort\u00edcia e Gomez Addams, em alta voltagem sexual, embora com pouqu\u00edssimas cenas.<\/p>\n<p>&#8220;Wandinha&#8221;, afinal, \u00e9 sobre as crises adolescentes de qualquer outra s\u00e9rie do g\u00eanero, mas pela lente fantasmag\u00f3rica e peculiarmente bem-humorada de Tim Burton. \u00c9 como um &#8220;Elite&#8221; g\u00f3tico, para citar outra escola assombrada por crimes da Netflix.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma protagonista que n\u00e3o se encaixa na vida escolar, bailes de formatura e bullying, mas tamb\u00e9m um monstro \u00e0 solta, terapias de convers\u00e3o para lobisomens e um mist\u00e9rio \u00e0 la &#8220;Scooby-Doo&#8221;, nas palavras do cineasta.<\/p>\n<p>WANDINHA<br \/>Quando: estreia nesta quarta (23), na Netflix<br \/>Classifica\u00e7\u00e3o: 12 anos<br \/>Elenco: Jenna Ortega, Catherine Zeta-Jones e Luis Guzm\u00e1n<br \/>Produ\u00e7\u00e3o: EUA, 2022<br \/>Cria\u00e7\u00e3o: Alfred Gough e Miles Millar<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1967224\/tim-burton-filma-wandinha-feminista-mas-diz-que-quer-fim-do-politicamente-correto?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Tim Burton j\u00e1 lidou com lobisomens e vampiros em &#8220;Sombras da Noite&#8221;. 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