{"id":94861,"date":"2022-10-22T20:08:32","date_gmt":"2022-10-22T23:08:32","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/22\/queda-de-liz-truss-no-reino-unido-prenuncia-crise-mais-aguda-na-europa\/"},"modified":"2022-10-22T20:08:32","modified_gmt":"2022-10-22T23:08:32","slug":"queda-de-liz-truss-no-reino-unido-prenuncia-crise-mais-aguda-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/22\/queda-de-liz-truss-no-reino-unido-prenuncia-crise-mais-aguda-na-europa\/","title":{"rendered":"Queda de Liz Truss no Reino Unido prenuncia crise mais aguda na Europa"},"content":{"rendered":"<p>MICHELE OLIVEIRA<br \/>MIL\u00c3O, IT\u00c1LIA (FOLHAPRESS) &#8211; Foi uma semana agitada na Europa. No domingo (16), milhares foram \u00e0s ruas de Paris protestar contra a alta do custo de vida. Na segunda, o ministro brit\u00e2nico das Finan\u00e7as jogou no lixo o plano econ\u00f4mico da ent\u00e3o primeira-ministra, Liz Truss. Na ter\u00e7a, uma greve ganhou for\u00e7a na Fran\u00e7a, e na It\u00e1lia o ex-premi\u00ea Silvio Berlusconi contava ter se reaproximado de Putin, de quem teria recebido 20 garrafas de vodca.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Na quarta, os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o confirmaram que os pre\u00e7os seguiram subindo em setembro na Uni\u00e3o Europeia e no Reino Unido, e o governo franc\u00eas recorreu a um raro mecanismo para que a lei or\u00e7ament\u00e1ria avan\u00e7asse sem os votos do Parlamento. Na quinta, Truss renunciou ap\u00f3s 44 dias. Na sexta, Giorgia Meloni foi oficialmente encarregada de formar o governo italiano, o primeiro de ultradireita desde o fascismo.<\/p>\n<p>Tem mais: na Alemanha, \u00e0 beira da recess\u00e3o, o premi\u00ea Olaf Scholz sofre press\u00e3o devido \u00e0s respostas para a crise energ\u00e9tica. Internamente, enfrenta a resist\u00eancia de aliados por prolongar a opera\u00e7\u00e3o de usinas nucleares. Fora, a cara feia de l\u00edderes diante de sua relut\u00e2ncia com a ado\u00e7\u00e3o de um teto no pre\u00e7o do g\u00e1s.<\/p>\n<p>S\u00e3o turbul\u00eancias de nuances diferentes, mas que sinalizam o que analistas preveem h\u00e1 meses. O outono no Hemisf\u00e9rio Norte indica uma onda de insatisfa\u00e7\u00f5es crescentes. &#8220;Um inverno de descontentamento global est\u00e1 no horizonte. A crise do custo de vida est\u00e1 em f\u00faria, a confian\u00e7a, desmoronando, e as desigualdades, explodindo&#8221;, disse recentemente o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres.<\/p>\n<p>O &#8220;inverno de descontentamento&#8221;, express\u00e3o shakespeariana, remete ao per\u00edodo no fim do anos 1970 no Reino Unido, marcado por greves por aumento de sal\u00e1rio. Mais de 40 anos depois, o cen\u00e1rio se desenha na Fran\u00e7a, que h\u00e1 semanas vive uma escalada de protestos de trabalhadores.<\/p>\n<p>Diante da infla\u00e7\u00e3o de 6,2% em setembro \u2013registre-se, abaixo da m\u00e9dia da zona do euro (9,9%)\u2013, o poder de compra corro\u00eddo virou o argumento para paralisa\u00e7\u00f5es. O movimento, iniciado em refinarias e centrais nucleares, ganhou o apoio de ferrovi\u00e1rios, operadores sanit\u00e1rios e funcion\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, mais de 100 mil pessoas participaram de atos p\u00fablicos, os maiores do segundo mandato do presidente Emmanuel Macron \u2013hoje submerso na crise interna, em compara\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio do ano, quando ensaiou assumir um papel de timoneiro diplom\u00e1tico do continente.<br \/>O mal-estar vem das ruas e do Parlamento, no qual o governo n\u00e3o tem maioria absoluta. Depois de tentativas frustradas, foi preciso acionar uma ferramenta constitucional (o artigo 49.3) que permitiu ao Executivo aprovar a primeira parte do or\u00e7amento para 2023 sem os votos dos deputados.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o chamou a medida de antidemocr\u00e1tica e prepara um voto de desconfian\u00e7a \u2013o que n\u00e3o impediu o governo de recorrer de novo ao mecanismo no dia seguinte, para o or\u00e7amento da seguridade social.<br \/>Greves est\u00e3o na agenda dos brit\u00e2nicos desde antes da queda de Truss, desfecho que intensifica a crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que se arrasta h\u00e1 meses no pa\u00eds. Diante de contas cada vez mais caras, com alta de mais de 14% no pre\u00e7o dos alimentos, categorias como enfermeiros e portu\u00e1rios planejam manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao ver afundar seu plano econ\u00f4mico, baseado em corte de impostos e amplia\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos, Truss se despediu ap\u00f3s desvalorizar a libra e ver sua popularidade desabar. A oposi\u00e7\u00e3o pressiona por novas elei\u00e7\u00f5es, mas os conservadores prometem um sucessor \u2013o terceiro premi\u00ea neste ano\u2013 at\u00e9 o dia 28.<\/p>\n<p>Para Sylvain Kahn, professor de assuntos europeus na Sciences Po, em Paris, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar em cen\u00e1rio de instabilidade na Europa, apesar das quest\u00f5es energ\u00e9ticas e inflacion\u00e1rias, frutos da Guerra da Ucr\u00e2nia. J\u00e1 a crise do Reino Unido \u00e9 mais profunda do que a de seus antigos companheiros de UE.<\/p>\n<p>&#8220;Na UE, existe muita regula\u00e7\u00e3o institucional e pol\u00edtica, e cada l\u00edder sabe que deve trabalhar tamb\u00e9m em nome dos demais pa\u00edses. Se o Reino Unido ainda estivesse no bloco, Truss talvez nem tivesse anunciado seu plano&#8221;, diz ele \u00e0 reportagem. &#8220;A realidade \u00e9 que os pa\u00edses da UE s\u00e3o menos fracos porque est\u00e3o juntos.&#8221;<\/p>\n<p>Quaisquer sejam as conjunturas, os desafios, por\u00e9m, parecem ser os mesmos em Londres, Berlim, Roma, Paris&#8230; A ef\u00eamera passagem de Truss pelo governo, ent\u00e3o, serve de alerta para Meloni, que assumiu o posto de primeira-ministra neste s\u00e1bado (22). A prioridade declarada do novo ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, \u00e9 intervir nos pre\u00e7os da energia para frear a infla\u00e7\u00e3o (9,4%) e conter danos a fam\u00edlias e empresas, deixando em segundo plano promessas eleitorais como a al\u00edquota \u00fanica de impostos.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o soa bem, mas ser\u00e1 preciso observar a capacidade da coliga\u00e7\u00e3o, que inclui as siglas de Matteo Salvini e Berlusconi, de superar diverg\u00eancias. Nesta semana, a It\u00e1lia contribuiu para a agita\u00e7\u00e3o na Europa com o \u00e1udio vazado de Berlusconi, em que ele culpava a Ucr\u00e2nia pela guerra e dizia ter se reaproximado de Putin. &#8220;Ele me disse que sou o primeiro de seus cinco verdadeiros amigos&#8221;, falou a parlamentares.<\/p>\n<p>Meloni fez uma dura declara\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a linha europe\u00edsta e atlantista do mandato. &#8220;Quem n\u00e3o estiver de acordo n\u00e3o poder\u00e1 fazer parte do governo, sob o custo de n\u00e3o ter governo.&#8221;<\/p>\n<p>Maior economia europeia, a Alemanha tem abrandado a inquieta\u00e7\u00e3o social com o pacote de EUR 200 bilh\u00f5es que alivia os impactos da crise energ\u00e9tica. A medida despertou cr\u00edticas de vizinhos, que viram ego\u00edsmo na busca por um rem\u00e9dio individual. Macron ressaltou que o isolamento de Berlim &#8220;n\u00e3o \u00e9 bom para a Europa&#8221;.<br \/>Outro ponto inc\u00f4modo tem sido a resist\u00eancia de Berlim em apoiar o teto no pre\u00e7o do g\u00e1s. Pressionado, Scholz deu sinais de ter cedido \u00e0 quest\u00e3o depois de uma reuni\u00e3o de l\u00edderes do Conselho Europeu, nesta semana. Antes, por\u00e9m, j\u00e1 havia cancelado um encontro bilateral com Macron, oficialmente por motivos log\u00edsticos, mas, nos bastidores, devido a divis\u00f5es em temas de energia e defesa.<\/p>\n<p>Segundo Kahn, da Sciences Po, mesmo na crise energ\u00e9tica, um campo dif\u00edcil de manter unidade entre os 27 pa\u00edses, de realidades t\u00e3o diversas, o bloco tem conseguido seguir em frente, ainda que pouco a pouco.<br \/>&#8220;A UE \u00e9 mais forte do que aparenta. Durante a pandemia e no plano de recupera\u00e7\u00e3o, essa din\u00e2mica foi aprimorada. N\u00e3o vejo sinais de que ela esteja enfraquecida.&#8221; O inverno, por\u00e9m, ainda nem come\u00e7ou.O MAL-ESTAR COM OS L\u00cdDERES DAS MAIORES ECONOMIAS DA EUROPAOlaf Scholz (Alemanha)<br \/>Aprova\u00e7\u00e3o popular: 25%<br \/>Infla\u00e7\u00e3o em set.22: 10,9%<br \/>O pa\u00eds \u00e9 o que mais depende do g\u00e1s russo na Europa<br \/>O premi\u00ea sofre press\u00e3o interna e externa para lidar com a crise energ\u00e9tica e ouviu cr\u00edticas pelo isolamentoLiz Truss (Reino Unido)<br \/>Aprova\u00e7\u00e3o popular: 10%<br \/>Infla\u00e7\u00e3o em set.22: 10,1%<br \/>Viu seu plano econ\u00f4mico fracassar e ser revertido<br \/>Sob press\u00e3o de todos os lados, renunciou ap\u00f3s 44 dias de governoEmmanuel Macron (Fran\u00e7a)<br \/>Aprova\u00e7\u00e3o popular: 37%<br \/>Infla\u00e7\u00e3o em set.22: 6,2%<br \/>Sem apoio na Assembleia, precisou usar por duas vezes um dispositivo que permite aprovar leis sem aval da maioria<br \/>Internamente, v\u00ea crescer a insatisfa\u00e7\u00e3o de trabalhadores; pa\u00eds teve greve geralGiorgia Meloni (It\u00e1lia)<br \/>Aprova\u00e7\u00e3o popular: 40% (expectativa)<br \/>Infla\u00e7\u00e3o em set.22: 9,4%<br \/>Precisar\u00e1 lidar com a crise econ\u00f4mica enquanto enfrenta resist\u00eancia na pr\u00f3pria coaliz\u00e3oFontes: YouGov, Ifop, Insa, Ipsos, Statista<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1957680\/queda-de-liz-truss-no-reino-unido-prenuncia-crise-mais-aguda-na-europa?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MICHELE OLIVEIRAMIL\u00c3O, IT\u00c1LIA (FOLHAPRESS) &#8211; Foi uma semana agitada na Europa. 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