{"id":94675,"date":"2022-10-20T16:08:27","date_gmt":"2022-10-20T19:08:27","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/20\/letras-do-planet-hemp-fazem-mais-sentido-no-brasil-de-bolsonaro-diz-marcelo-d2\/"},"modified":"2022-10-20T16:08:27","modified_gmt":"2022-10-20T19:08:27","slug":"letras-do-planet-hemp-fazem-mais-sentido-no-brasil-de-bolsonaro-diz-marcelo-d2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/20\/letras-do-planet-hemp-fazem-mais-sentido-no-brasil-de-bolsonaro-diz-marcelo-d2\/","title":{"rendered":"Letras do Planet Hemp fazem mais sentido no Brasil de Bolsonaro, diz Marcelo D2"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Em &#8220;Zerovinteum&#8221;, o Planet Hemp descrevia o Rio de Janeiro como uma &#8220;cidade hardcore&#8221;, com &#8220;pol\u00edcia, coca\u00edna, Comando Vermelho&#8221;, onde &#8220;fazem sua seguran\u00e7a assassinando menor&#8221;. Desde 1997, quando lan\u00e7ou o \u00e1lbum &#8220;Os C\u00e3es Ladram Mas a Caravana N\u00e3o Para&#8221;, a banda ganhou e perdeu integrantes, se desfez e se refez, mas o cen\u00e1rio das letras n\u00e3o parece ter mudado muito.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Na verdade, para Marcelo D2, fundador do grupo, aquelas rimas fazem at\u00e9 mais sentido hoje. &#8220;Bolsonaro est\u00e1 a\u00ed h\u00e1 30 anos. Liberdade de express\u00e3o, mil\u00edcia, chacina, isso era um universo que a gente enxergava no Rio em 1997. E, infelizmente, \u00e9 o que o Rio exportou [para o Brasil].&#8221;<\/p>\n<p>O Planet Hemp n\u00e3o sobreviveu \u00e0quele Brasil e se separou por volta de 2003 em meio a disputas criativas e desaven\u00e7as entre os integrantes, mas sua obra s\u00f3 ficou mais relevante ao longo dos anos. \u00c9 um processo que levou ao retorno da banda para shows, h\u00e1 cerca de dez anos e, nesta semana, a &#8220;Jardineiros&#8221;, seu primeiro \u00e1lbum de est\u00fadio em 22 anos.<\/p>\n<p>Segundo o rapper BNeg\u00e3o, esse t\u00edtulo vem de dois temas que s\u00e3o caros ao quinteto -o autocultivo de maconha e o plantio de ideias. Isso porque aqueles assuntos introduzidos pelo grupo h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas, entre os quais a legaliza\u00e7\u00e3o de maconha, acabaram influenciando as novas gera\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do que os pr\u00f3prios m\u00fasicos imaginavam.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo dos anos, encontrei muitos ativistas, alguns que s\u00e3o linha de frente no Brasil, dizendo que come\u00e7aram a se ligar nas quest\u00f5es sociais a partir das letras do Planet. Ent\u00e3o tinha muita cobran\u00e7a, do tipo &#8216;cad\u00ea voc\u00eas no meio dessa loucura toda que estamos vivendo?'&#8221;, ele diz.<\/p>\n<p>A &#8220;ex-quadrilha da fuma\u00e7a&#8221;, como eles se autodenominam, retorna provocativa, atualizando os debates sobre o tr\u00e1fico num momento em que a maconha foi descriminalizada em cidades da Holanda, Uruguai e Estados Unidos, entre outros lugares. Na nova &#8220;Remedinho&#8221;, ambientada no meio de uma bad trip, o Planet Hemp trata de hipocrisias, dizendo que &#8220;remedinho pode, coca\u00edna n\u00e3o, cervejinha pode, bagulhinho n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O tr\u00e1fico \u00e9 muito mais mal\u00e9fico do que qualquer tipo de uso de droga&#8221;, diz D2. &#8220;\u00c9 um absurdo a gente tratar isso como caso de pol\u00edcia, prender o usu\u00e1rio em vez de levar a um psic\u00f3logo ou m\u00e9dico. Acho t\u00e3o absurdo que, quando isso sai da minha boca, sinto que estou falando com uma crian\u00e7a de dois anos.&#8221;<\/p>\n<p>Em &#8220;Puxa Fumo&#8221;, o refr\u00e3o diz que &#8220;o presidente j\u00e1 fumou, o filho dele j\u00e1 fumou, ningu\u00e9m morreu, olha a viagem&#8221;. BNeg\u00e3o fala que &#8220;o esquema \u00e9 e sempre foi um olho no peixe e outro no gado&#8221;, e D2 tamb\u00e9m faz refer\u00eancia ao presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal, citando um verso do samba-enredo da Mangueira de 2019 -&#8220;n\u00e3o h\u00e1 futuro sem partilha e nem messias com arma na m\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o do Planet Hemp n\u00e3o era s\u00f3 dizer &#8216;vamos fumar maconha, ficar chapad\u00e3o'&#8221;, diz D2. &#8220;Para a gente, a quest\u00e3o pol\u00edtica, o tr\u00e1fico e a ilegalidade sempre foram muito mais importantes. Essa quest\u00e3o \u00e9 o que leva a maioria negra para as cadeias, que faz a pol\u00edcia entrar nas favelas e chacinar pessoas. Isso \u00e9 o que alimenta o pensamento de achar que um jovem pode morrer porque &#8216;era traficante&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Para BNeg\u00e3o, a discuss\u00e3o sobre a legaliza\u00e7\u00e3o no Brasil est\u00e1 no caminho errado, a partir do projeto de lei 399\/15, que trata do plantio de maconha para uso cient\u00edfico e medicinal. &#8220;Est\u00e1 caminhando para ser um lance comandado pelo agroneg\u00f3cio. V\u00e3o meter uma maconha transg\u00eanica bizarra que s\u00f3 eles v\u00e3o poder fazer, por causa desse PL tosco.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o rapper, que refor\u00e7a no novo \u00e1lbum o antigo mantra da banda, &#8220;n\u00e3o compre, plante&#8221;, o projeto de lei tem potencial de limitar o cultivo de maconha a grandes agricultores. &#8220;O \u00f3leo [de cannabis] resolve a vida de tanta gente, \u00e9 rid\u00edculo ter que pagar caro por isso. Era para estar no SUS, \u00e9 barato de fazer. E vai ficar uma coisa elitizada porque a lei \u00e9 s\u00f3 para os gavi\u00f5es -que sempre estiveram contra, s\u00e3o proibicionistas e agora v\u00e3o falar que est\u00e1 certo porque v\u00e3o lucrar.&#8221;<\/p>\n<p>Musicalmente, o Planet Hemp tamb\u00e9m est\u00e1 renovado. Com a ajuda do produtor Nave e do duo Tropkillaz, a banda expande o rap de guitarras com batidas eletr\u00f4nicas, coros, instrumentos de sopro e uma diversidade de estilos. Est\u00e3o l\u00e1 as bases de rap, as influ\u00eancias de dub e afrobeat e os samples -o mais criativo \u00e9 o trecho de &#8220;Bateu Uma Onda Forte&#8221;, de MC Carol, em &#8220;Onda Forte&#8221;.<br \/>E h\u00e1 tamb\u00e9m, claro, o hardcore e o punk que marcou o Planet Hemp. &#8220;Como n\u00e3o tem beatmaker, nesse setor da banda eu sou o punkmaker&#8221;, afirma Nobru, autor dos instrumentais de algumas dessas faixas mais pesadas.<\/p>\n<p>A banda destaca o entrosamento desse n\u00facleo roqueiro, que hoje tem Formig\u00e3o, baixista remanescente da forma\u00e7\u00e3o original, Pedro Garcia, baterista do grupo desde o fim dos anos 1990, e Nobru, que substituiu Rafael Crespo na d\u00e9cada passada. &#8220;O Planet precisa disso at\u00e9 para diferenciar o que \u00e9 o meu trabalho solo, ou do Bernardo [BNeg\u00e3o]. Essa energia vem muito da guitarra&#8221;, diz D2.<\/p>\n<p>A m\u00fasica &#8220;O Ritmo e a Raiva&#8221; marca o reencontro do Planet Hemp com Black Alien, rapper que fez parte da banda mas passou anos brigado com D2. &#8220;Minha rela\u00e7\u00e3o com ele sempre foi de briga, de porradaria, meio de irm\u00e3o. Na nossa juventude era assim, mas agora, ficando velho, n\u00e3o tem mais isso&#8221;, ele diz. &#8220;T\u00ea-lo nesse disco era essencial.&#8221;<\/p>\n<p>Na faixa, D2 rima de maneira narrativa sobre a cria\u00e7\u00e3o do Planet Hemp nos anos 1990 com Skunk, rapper que morreu antes mesmo do lan\u00e7amento de &#8220;Usu\u00e1rio&#8221;, disco de estreia do grupo -a rela\u00e7\u00e3o dos amigos \u00e9 explorada no filme &#8220;Legalize J\u00e1&#8221;. Em sua estrofe, Black Alien recorda a pris\u00e3o da banda em 1997, em evento midi\u00e1tico que marcou a hist\u00f3ria dos artistas.<\/p>\n<p>Sempre perseguido pelo seu discurso e atitude, o Planet Hemp foi, na vis\u00e3o de BNeg\u00e3o, um &#8220;acidente dentro da m\u00fasica brasileira&#8221;. &#8220;\u00c9 uma banda underground que habita o mainstream. Antes de entrar, eu j\u00e1 via isso de fora. Voc\u00ea tem uma banda que faz um som pesado, cr\u00edtico e falando sobre maconha? Isso n\u00e3o tem como dar certo -n\u00e3o nesse n\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Ele lembra de quando &#8220;Usu\u00e1rio&#8221; foi lan\u00e7ado, e a banda tinha for\u00e7a nos shows -para 500 a mil pessoas-, mas ningu\u00e9m tinha coragem de tocar as m\u00fasicas no r\u00e1dio, e na MTV s\u00f3 passava de madrugada. Foi s\u00f3 depois de um ano do \u00e1lbum, e quando um pessoal novo, como diz o rapper, chegou na gravadora que eles decolaram.<\/p>\n<p>&#8220;Em algum momento, alguma r\u00e1dio tocou, ningu\u00e9m foi preso, todo mundo come\u00e7ou a tocar, estourou o neg\u00f3cio, e a\u00ed virou uma loucura&#8221;, diz BNeg\u00e3o.<\/p>\n<p>Para D2, a pris\u00e3o em 1997, sob acusa\u00e7\u00e3o de apologia da maconha, foi o \u00e1pice das persegui\u00e7\u00f5es. &#8220;A gente estava aparecendo na TV, e todo mundo assim meio curvado. Minha m\u00e3e falou que a gente n\u00e3o poderia abaixar a cabe\u00e7a, que precisavam da gente. Ficamos abatidos.&#8221;<\/p>\n<p>O rapper diz que a pris\u00e3o foi o primeiro baque que gerou o fim da banda. &#8220;J\u00e1 est\u00e1vamos querendo fazer coisas diferentes. O BNeg\u00e3o tinha os projetos dele, eu queria fazer um \u00e1lbum solo, o Rafael [Crespo] tinha as paradas dele. Ainda fizemos turn\u00eas, gravamos disco, fizemos um &#8216;ao vivo&#8217;, mas aquilo foi uma freada gigante.&#8221;<\/p>\n<p>Do acidente \u00e0 pris\u00e3o, passando pela morte de Skunk e pelas desaven\u00e7as entre os integrantes, soa bastante improv\u00e1vel que o grupo imaginado pelos seus criadores estivesse em atividade quase 30 anos depois. &#8220;Virou uma banda de multid\u00e3o&#8221;, diz BNeg\u00e3o. &#8220;E todas as nossas conversas eram baseadas em coisas underground. Nunca foi feito para multid\u00e3o. \u00c9 uma coisa maluca, porque ningu\u00e9m nunca imaginou. Mas a gente foi indo. O Planet \u00e9 isso. A gente vai fazendo.&#8221;<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">JARDINEIROS<\/span><\/p>\n<p>Quando A partir de sexta (21)<br \/>Onde Nas plataformas de streaming<br \/>Autor Planet Hemp<br \/>Gravadora Sony<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1957012\/letras-do-planet-hemp-fazem-mais-sentido-no-brasil-de-bolsonaro-diz-marcelo-d2?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Em &#8220;Zerovinteum&#8221;, o Planet Hemp descrevia o Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":94676,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-94675","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94675\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}