{"id":93439,"date":"2022-10-10T13:08:34","date_gmt":"2022-10-10T16:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/10\/mosquitos-infectados-com-bacteria-reduzem-incidencia-de-dengue-e-chikungunya-no-rj\/"},"modified":"2022-10-10T13:08:34","modified_gmt":"2022-10-10T16:08:34","slug":"mosquitos-infectados-com-bacteria-reduzem-incidencia-de-dengue-e-chikungunya-no-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/10\/mosquitos-infectados-com-bacteria-reduzem-incidencia-de-dengue-e-chikungunya-no-rj\/","title":{"rendered":"Mosquitos infectados com bact\u00e9ria reduzem incid\u00eancia de dengue e chikungunya no RJ"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em agosto de 2017, a Folha de S.Paulo noticiou a libera\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de mosquitos Aedes aegypti com a bact\u00e9ria Wolbachia no Rio de Janeiro como forma de tentar reduzir a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as na cidade.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Agora, um artigo publicado na revista cient\u00edfica The Lancet Infectious Diseases mostra que a iniciativa tem surtido efeito. Segundo os pesquisadores, a libera\u00e7\u00e3o dos insetos est\u00e1 associada a uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 38% na incid\u00eancia de dengue e de 10% na de chikungunya.<\/p>\n<p>De agosto de 2017 a dezembro de 2019, foram liberados 67 milh\u00f5es de mosquitos infectados com Wolbachia em 28.489 locais, cobrindo uma \u00e1rea de 86,8 km\u00b2 da capital fluminense onde moram cerca de 890 mil pessoas. A libera\u00e7\u00e3o era feita a cada 50 metros, com cerca de 100 mosquitos infectados em cada um dos 658.179 lan\u00e7amentos.<\/p>\n<p>Durante e ap\u00f3s o per\u00edodo das solturas, a equipe do projeto espalhou 1.168 armadilhas nas zonas de lan\u00e7amento e checou quantos dos Aedes aegypti capturados tinham a bact\u00e9ria. Aproximadamente 33,8% dos insetos coletados entre 1 e 29 meses ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o inicial tiveram testes positivos para o microrganismo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores cruzaram as informa\u00e7\u00f5es de soltura e captura com o registro geogr\u00e1fico detalhado dos casos de dengue e de chikungunya na cidade antes, durante e ap\u00f3s as libera\u00e7\u00f5es e aplicaram modelos matem\u00e1ticos para relacionar casos e localidades, conseguindo assim estimar os efeitos do projeto.<\/p>\n<p>Eles observaram que os mosquitos com Wolbachia n\u00e3o se estabeleceram de forma uniforme em todas as cinco zonas de libera\u00e7\u00e3o e isso influenciou na incid\u00eancia das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Nos locais em que a preval\u00eancia de mosquitos com Wolbachia na popula\u00e7\u00e3o de Aedes aegypti era menor ou igual a 10%, a redu\u00e7\u00e3o foi de 7% na incid\u00eancia de dengue e de 2% na de chikungunya, enquanto naqueles com preval\u00eancia superior a 60% a queda nos casos das doen\u00e7as foi de 71% e 23% respectivamente. Ou seja: quanto maior a preval\u00eancia, maior a prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cientistas n\u00e3o sabem, contudo, por que o estabelecimento dos mosquitos ocorreu de forma diferente e por que os efeitos foram melhores nos casos de dengue do que nos de chikungunya. Esses aspectos devem continuar sendo investigados.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos muito satisfeitos com o resultado. Nossos parceiros do Rio de Janeiro compartilharam os dados de geolocaliza\u00e7\u00e3o das arboviroses com pesquisadores da Universidade de Cambridge e eles puderam fazer an\u00e1lises robustas de clima, temperatura, geolocaliza\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o das \u00e1reas com Wolbachia comparando com \u00e1reas adjacentes&#8221;, diz o pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, coautor do trabalho e l\u00edder do WMP (World Mosquito Program) Brasil.<\/p>\n<p>Com a\u00e7\u00f5es em 12 pa\u00edses e financiamento da Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates e do Conselho Europeu de Pesquisa, o WMP tem projetos em cinco cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Niter\u00f3i, Campo Grande, Belo Horizonte e Petrolina. Aqui, o programa conta com apoio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e \u00e9 comandado pela Fiocruz.<\/p>\n<p>Moreira explica que em todos os munic\u00edpios parceiros h\u00e1 um longo processo de trabalho. O primeiro passo \u00e9 engajar a popula\u00e7\u00e3o. A equipe do projeto e os agentes locais explicam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que v\u00edrus causadores de doen\u00e7as como a dengue n\u00e3o conseguem se estabelecer nos mosquitos com Wolbachia. Contam tamb\u00e9m que se trata de uma bact\u00e9ria natural, encontrada em insetos como a mosca das frutas, e que passa de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o entre os animais infectados.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o fazemos mais a introdu\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria nos ovos. Isso ocorreu em 2009 e 2010, na Austr\u00e1lia. Em 2011, trouxemos insetos inoculados e cruzamos com mosquitos do Brasil. Desde ent\u00e3o, temos uma popula\u00e7\u00e3o local que cont\u00e9m Wolbachia e basta fazer a produ\u00e7\u00e3o em larga escala. Hoje, nossa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de cerca de 10 milh\u00f5es de ovos por semana&#8221;, diz Moreira.<\/p>\n<p>O engajamento pode durar de quatro a seis meses, dependendo da localidade, e o grupo realiza entrevistas e aplica question\u00e1rios para verificar se a popula\u00e7\u00e3o d\u00e1 o aval para a libera\u00e7\u00e3o dos mosquitos. Enquanto isso, ocorre a produ\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p>A fase seguinte \u00e9 a de libera\u00e7\u00e3o, que demora de quatro a cinco meses. S\u00e3o feitas solturas semanais de machos e f\u00eameas que v\u00e3o se cruzando para aumentar a preval\u00eancia natural de mosquitos com a bact\u00e9ria. Por fim, ocorrem o monitoramento com armadilhas para checar se a Wolbachia est\u00e1 presente nos ovos e animais coletados e a an\u00e1lise de dados sobre casos de dengue, zika ou chikungunya.<\/p>\n<p>&#8220;O m\u00e9todo Wolbachia \u00e9 complementar e ao longo do programa pedimos para a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudar sua rotina. As a\u00e7\u00f5es de controle de vetores no munic\u00edpio continuam e as pessoas continuam fazendo seu dever de casa de reduzir criadouros&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Como a escala do processo varia de acordo com a cidade, as instala\u00e7\u00f5es e o n\u00famero de funcion\u00e1rios cedidos pelas prefeituras, Moreira afirma que \u00e9 dif\u00edcil estimar o custo atual -alguns anos atr\u00e1s, era de pouco mais de R$ 20 por habitante- mas compara a iniciativa a projetos de infraestrutura, em que os benef\u00edcios para a sociedade permanecem mesmo com o passar dos anos. &#8220;Temos \u00e1reas em que a libera\u00e7\u00e3o aconteceu h\u00e1 sete anos e os mosquitos com Wolbachia continuam l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, mais de 30 cidades j\u00e1 demonstraram interesse em adotar o programa, mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atend\u00ea-las. &#8220;\u00c9 um processo lento, leva tempo. Seria o caso de ir cobrindo as \u00e1reas aos poucos e seguindo o olhar t\u00e9cnico, epidemiol\u00f3gico, para priorizar localidades com hist\u00f3rico de arboviroses e ter maior impacto&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Mosquitos do bem Outra iniciativa no pa\u00eds \u00e9 o projeto Aedes do Bem, em que pessoas, empresas e munic\u00edpios podem adquirir caixas com ovos de Aedes aegypti com uma caracter\u00edstica autolimitante que impede a prolifera\u00e7\u00e3o das f\u00eameas, respons\u00e1veis pela transmiss\u00e3o das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Diretora da Oxitec do Brasil, respons\u00e1vel pelo produto, Natalia Verza Ferreira afirma que foram feitos pilotos na Bahia e em Minas Gerais e, mais recentemente, nas cidades paulistas de Piracicaba e Indaiatuba. Ela estima um crescimento de vendas de 300% em 2022 em compara\u00e7\u00e3o com 2021.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1953647\/mosquitos-infectados-com-bacteria-reduzem-incidencia-de-dengue-e-chikungunya-no-rj?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em agosto de 2017, a Folha de S.Paulo noticiou a libera\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":93440,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-93439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93439\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}