{"id":93335,"date":"2022-10-09T16:08:12","date_gmt":"2022-10-09T19:08:12","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/09\/chuveiro-brasileiro-ganha-espaco-em-paises-da-africa\/"},"modified":"2022-10-09T16:08:12","modified_gmt":"2022-10-09T19:08:12","slug":"chuveiro-brasileiro-ganha-espaco-em-paises-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/09\/chuveiro-brasileiro-ganha-espaco-em-paises-da-africa\/","title":{"rendered":"Chuveiro brasileiro ganha espa\u00e7o em pa\u00edses da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>DANIELE MADUREIRA<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; S\u00e3o Paulo O ano era 1927. A Primeira Guerra Mundial j\u00e1 havia terminado h\u00e1 quase dez anos, e um novo conflito global ainda iria demorar a acontecer em 1939. No Brasil, o presidente era Washington Luiz. Os jornais cresciam como meio de comunica\u00e7\u00e3o, assim como o r\u00e1dio, uma novidade inventada cinco anos antes.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No interior de S\u00e3o Paulo, em Ja\u00fa, um jovem de apenas 13 anos, muito curioso, que adorava mexer com parafern\u00e1lias el\u00e9tricas, teria criado o primeiro chuveiro el\u00e9trico. Francisco Canhos trabalhava na padaria do pai, mas aproveitava o tempo livre para aperfei\u00e7oar a sua inven\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou a produzir o modelo artesanalmente, cuja tecnologia aprimorou ao longo do tempo, e o oferecia de porta a porta na cidade.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 em 1943, aos 29 anos, que ele fundou a Eletrometal\u00fargia Jauense, dedicada \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o dos chuveiros Canhos para todo o pa\u00eds. A novidade, de simples concep\u00e7\u00e3o \u2013um aparelho que aquece a \u00e1gua por energia el\u00e9trica, por meio de uma resist\u00eancia&#8221;&#8221; foi se tornando popular, ao mesmo tempo em que crescia a ind\u00fastria da higiene pessoal nos Estados Unidos, com a exporta\u00e7\u00e3o de sabonetes, xampus e cremes dentais. A hora do banho ganhava outro significado na sociedade p\u00f3s Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Quase cem anos depois dos primeiros testes de Canhos, a ind\u00fastria brasileira se dedica a tornar mais popular na \u00c1frica a inven\u00e7\u00e3o nacional. As duas maiores fabricantes nacionais do aparelho \u2013Lorenzetti e Fame\u2013 v\u00eam aumentando as exporta\u00e7\u00f5es do produto para pa\u00edses do continente.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o sistema de aquecimento de \u00e1gua mais acess\u00edvel do mundo, com chuveiros a partir de R$ 40, o pre\u00e7o de uma pizza&#8221;, diz a gerente de exporta\u00e7\u00e3o da Fame, Maria Prado. &#8220;Chegamos a pa\u00edses como o Sud\u00e3o, em que a popula\u00e7\u00e3o mais pobre simplesmente n\u00e3o tinha uma alternativa barata para tomar banho quente.&#8221;<br \/>Apesar de ter desbravado o mercado no Sud\u00e3o, a Fame teve que interromper as vendas recentemente, por conta da instabilidade pol\u00edtica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas a empresa segue firme nas exporta\u00e7\u00f5es para Eti\u00f3pia, \u00c1frica do Sul, Costa do Marfim, Tanz\u00e2nia e, especialmente o Qu\u00eania. Maria ressalta que levar o chuveiro para outros mercados n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: envolve uma mudan\u00e7a em costumes j\u00e1 consolidados. &#8220;Especialmente em se tratando da cultura do banho, que muda de pa\u00eds para pa\u00eds&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O Qu\u00eania \u00e9 a porta de entrada da Lorenzetti para o continente. &#8220;Temos um distribuidor no pa\u00eds, que vende para v\u00e1rios outras nacionalidades, como Uganda e Angola&#8221;, diz Eduardo Coli, presidente da empresa.<\/p>\n<p>A Lorenzetti faturou R$ 2,2 bilh\u00f5es no ano passado. &#8220;O chuveiro \u00e9 um produto barato, bom e econ\u00f4mico, que sai do Brasil para 45 pa\u00edses&#8221;, diz Coli.<\/p>\n<p>Cerca de 13% da produ\u00e7\u00e3o de chuveiros da Lorenzetti \u00e9 exportada, em especial para pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. &#8220;A maior parte das vendas \u00e9 de modelos mais em conta, no formato de sino, que custam entre R$ 50 e R$ 80 no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, as vendas no continente africano poderiam ser ainda maiores se a remarca\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os n\u00e3o fosse t\u00e3o alta. Ele tamb\u00e9m reclama da pirataria da China. &#8220;Eles copiam os modelos brasileiros e colocam qualquer marca para vender na \u00c1frica.&#8221;<\/p>\n<p>Na Fame, as exporta\u00e7\u00f5es representam 7% do faturamento, n\u00e3o revelado. Os produtos tamb\u00e9m t\u00eam maior presen\u00e7a na Am\u00e9rica Latina.<br \/>&#8220;O Peru \u00e9 o maior importador de chuveiro el\u00e9trico do mundo, mas outros mercados importantes s\u00e3o Bol\u00edvia, Paraguai, M\u00e9xico, Costa Rica, Guatemala, Equador e Cuba&#8221;, afirma Maria.<\/p>\n<p>Pa\u00edses africanos ainda n\u00e3o est\u00e3o no foco da Dexco, dona da marca Hydra Corona. A empresa informou, em nota, que se dedica \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da marca nas Am\u00e9ricas. Entre os principais importadores est\u00e3o Paraguai, Guatemala, Bol\u00edvia, M\u00e9xico, Peru e Costa Rica.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do mercado de chuveiros no Brasil n\u00e3o s\u00e3o auditados. Mas, segundo a Lorenzetti, l\u00edder do setor, as vendas de chuveiros giram em torno de 25 milh\u00f5es de unidades por ano, o que movimenta pouco mais de R$ 3 bilh\u00f5es ao ano no varejo.<\/p>\n<p>Uma das maiores varejistas de material de constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a Leroy Merlin, afirma que no acumulado de janeiro a julho deste ano, houve crescimento de 2,3% na venda de chuveiros eletr\u00f4nicos e de 33% na de resist\u00eancias el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar do aumento maior nas resist\u00eancias, esta \u00e9 uma compra pontual. Percebemos que a troca do chuveiro por um modelo melhor tem aumentado significativamente&#8221;, diz Jaime Fender, gerente de produto da varejista.<\/p>\n<p>Ele destaca que os chuveiros costumam &#8220;queimar&#8221; mais no inverno. \u00c9 a principal \u00e9poca do ano para venda da categoria e de resist\u00eancias.<br \/>Equipamento gasta menos \u00e1gua, mas consome mais energia<br \/>&#8220;O chuveiro costuma ser o aparelho da casa que mais consome energia el\u00e9trica, mas consome menos \u00e1gua, por ter menor vaz\u00e3o&#8221;, diz Danilo Delmaschio, fundador da empresa O Empreiteiro.<\/p>\n<p>&#8220;A ducha, por sua vez, consome mais \u00e1gua e tamb\u00e9m exige um maior investimento no sistema de aquecimento pr\u00f3prio \u2013a g\u00e1s, como \u00e9 comum na Europa, ou de caldeira, como nos EUA&#8221;, afirma. Mas, ao longo do tempo, o investimento no sistema de aquecimento \u00e9 compensando pelo consumo menor de energia, diz.<\/p>\n<p>Delmaschio destaca como ideal o uso do chuveiro h\u00edbrido, ou flex, que utiliza a energia el\u00e9trica para aquecer a \u00e1gua e, quando ela atinge a temperatura desejada, passa a ser esquentada pelo aquecedor a g\u00e1s ou solar.<\/p>\n<p>A Hydra Corona, por exemplo, aposta em chuveiros digitais h\u00edbridos, que custam cerca de R$ 700. Nestes aparelhos, o usu\u00e1rio pode escolher a temperatura exata do banho e o consumo de \u00e1gua \u00e9 controlado.<\/p>\n<p>Uma tecnologia que Chico Canhos, falecido em maio de 1988, talvez nem pudesse imaginar. O inventor s\u00f3 fez o pedido de patente nos anos 1940, mas j\u00e1 era tarde, outras empresas j\u00e1 estavam fabricando.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1952, Lorezo Lorenzetti \u2013filho do fundador da companhia, Alessandro&#8221;&#8221; fez o pedido de registro no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). A carta patente foi expedida em novembro de 1961.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1953426\/chuveiro-brasileiro-ganha-espaco-em-paises-da-africa?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DANIELE MADUREIRAS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; S\u00e3o Paulo O ano era 1927. 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