{"id":93247,"date":"2022-10-08T16:08:28","date_gmt":"2022-10-08T19:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/08\/cidade-majoritariamente-branca-do-rs-adota-disciplina-escolar-para-discutir-racismo\/"},"modified":"2022-10-08T16:08:28","modified_gmt":"2022-10-08T19:08:28","slug":"cidade-majoritariamente-branca-do-rs-adota-disciplina-escolar-para-discutir-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/10\/08\/cidade-majoritariamente-branca-do-rs-adota-disciplina-escolar-para-discutir-racismo\/","title":{"rendered":"Cidade majoritariamente branca do RS adota disciplina escolar para discutir racismo"},"content":{"rendered":"<p>TATIANA CAVALCANTI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Alunos das escolas municipais de Caxias do Sul (RS), cidade com popula\u00e7\u00e3o majoritariamente branca, passaram a ter discuss\u00f5es voltadas para a promo\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais. As a\u00e7\u00f5es, outrora pontuais, foram integradas ao curr\u00edculo escolar no ano passado.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Integrantes do Querer (Qualificar a Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais), n\u00facleo da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o, elaboram atividades tem\u00e1ticas a cada dois meses para as escolas desenvolverem ao longo do bimestre.<\/p>\n<p>S\u00e3o rodas de conversa que discutem temas como o racismo e o preconceito contra povos nativos; incentivo \u00e0 literatura de autores afrodescendentes e ind\u00edgenas, como Carolina Maria de Jesus e Daniel Munduruku; al\u00e9m da exibi\u00e7\u00e3o de filmes com protagonismo negro. As aulas de hist\u00f3ria passaram a discutir figuras invisibilizadas que ajudaram a construir a na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Segundo Paula Martinazzo, diretora pedag\u00f3gica da secretaria, sua equipe j\u00e1 assumiu a gest\u00e3o com o desejo de aprofundar esses temas nas 83 escolas de ensino fundamental e nas 48 de educa\u00e7\u00e3o infantil compartilhadas, que totalizam 42 mil estudantes.<\/p>\n<p>&#8220;Embora as quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais j\u00e1 estivessem previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional, de 1996, o que de fato ocorria nas nossas escolas eram trabalhos isolados, muitas vezes concentrados na semana da Consci\u00eancia Negra, em novembro&#8221;, afirma Paula.<\/p>\n<p>Sophya Domingues Marcos, 13, \u00e9 aluna do 7\u00ba ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ruben Bento Alves e tem descend\u00eancia negra por parte da m\u00e3e. Boa desenhista, ela venceu competi\u00e7\u00e3o escolar para escolher a logotipo do Querer.<\/p>\n<p>Ela elaborou a imagem de uma ef\u00edgie feminina negra, de cabeleira espessa adornada por um pente-garfo vermelho, rodeada por uma mandala colorida, refer\u00eancias que ela conheceu nas aulas. &#8220;A profe foi me ajudando a melhorar o desenho para chegar no resultado final&#8221;, afirma Sophya.<\/p>\n<p>De acordo com os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), do total da popula\u00e7\u00e3o de Caxias do Sul, em 2010, 82% se declarou branca, 13% parda, 3% preta, 0,41% amarela e 0,11% ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Para a diretora pedag\u00f3gica, embora a minoria se afirme negra, a realidade nas escolas p\u00fablicas municipais n\u00e3o \u00e9 essa. &#8220;A gente tem muitos alunos que n\u00e3o se autodeclaram negros ou, mais grave ainda, n\u00e3o se percebem como [negros].&#8221;<br \/>Paula explica que esses alunos acabam inseridos em uma cultura muito forte e predominante na cidade, a italiana, que n\u00e3o deixa de ser importante, em sua opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 necess\u00e1rio dar visibilidade a todos os povos que ajudaram a construir a riqueza que \u00e9 Caxias do Sul, a segunda maior cidade do estado e erguida por muitos povos. A gente quer que a cidade enxergue seus negros, pardos e descendentes ind\u00edgenas.&#8221;<\/p>\n<p>As atividades j\u00e1 tiveram um efeito pr\u00e1tico sobre os alunos ao preencherem as informa\u00e7\u00f5es do censo escolar, de acordo a professora Joelma Couto Rosa, assessora pedag\u00f3gica do n\u00facleo. &#8220;Algumas escolas registraram uma m\u00e9dia de 30% a 40% de estudantes que se consideram negros ou pardos.&#8221;<\/p>\n<p>Joelma explica que a atividade mais recente sugerida pelo n\u00facleo foi um v\u00eddeo problematizando a presen\u00e7a negra na cultura ga\u00facha. &#8220;A gente quer trazer essa discuss\u00e3o \u00e0s escolas de forma atualizada e sem tabus.&#8221;<\/p>\n<p>Ela afirma ainda que as a\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais t\u00eam como objetivo mapear e trabalhar a identidade dos alunos. Uma das ferramentas utilizadas foi o censo escolar.<\/p>\n<p>&#8220;Em mar\u00e7o, enviamos uma proposta \u00e0s escolas: fazer um diagn\u00f3stico desses alunos para montar o perfil \u00e9tnico-racial. Caxias do Sul tem uma presen\u00e7a negra significativa, tem pluralidade, mas que n\u00e3o \u00e9 expressada por meio dos dados&#8221;, diz Joelma.<\/p>\n<p>Outra aluna que representa essa pluralidade \u00e9 Yasmin Zanetti de Brito, 10, do 5\u00ba ano da escola Professora Marianinha de Queiroz. Ela frequenta a umbanda em fam\u00edlia e seu pai recebe uma entidade ind\u00edgena. Por essa raz\u00e3o, a garota j\u00e1 tem contato com tambores e outros artefatos dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Essas aulas t\u00eam me ensinado bastante sobre os ind\u00edgenas. At\u00e9 discutimos o preconceito que eles sofrem. \u00c9 um povo que tem que lutar para manter suas ra\u00edzes&#8221;, diz Yasmin.<\/p>\n<p>Paula Martinazzo afirma que o interesse da secretaria era que essas tem\u00e1ticas chegassem \u00e0s escolas de uma maneira l\u00fadica e atrativa n\u00e3o s\u00f3 para os estudantes mas tamb\u00e9m para os docentes.<\/p>\n<p>Grasiele da Silva, professora de artes de Sophya, diz que o n\u00facleo Querer acrescentou &#8220;muita coisa&#8221; \u00e0 escola que, segundo ela, pertence a uma realidade de classe baixa.<\/p>\n<p>&#8220;Os alunos ficam entusiasmados com as discuss\u00f5es, todos aprendem. Mas alguns j\u00e1 v\u00eam com preconceitos formados, dif\u00edceis de mudar. Ap\u00f3s essas a\u00e7\u00f5es, a maioria remodelou sua forma de pensar e de agir.&#8221;<br \/>As atividades do Querer tamb\u00e9m est\u00e3o sendo aplicadas nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul, para turmas dos 8\u00ba e 9\u00ba anos e do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>A coordenadora regional da Comiss\u00f5es Internas de Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes e Viol\u00eancia Escolar, Marivane Carvalho, diz que os alunos n\u00e3o diferenciavam bullying e racismo. &#8220;Come\u00e7amos a montar estrat\u00e9gias para lidar com essa situa\u00e7\u00e3o e nos deparamos com o Querer.&#8221;<\/p>\n<p>Ela explica que a primeira atividade foi palestra de Joelma, seguida da exibi\u00e7\u00e3o do filme &#8220;Pantera Negra&#8221;, o que, segunda, ajudou a ampliar conceitos entre os alunos.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1953324\/cidade-majoritariamente-branca-do-rs-adota-disciplina-escolar-para-discutir-racismo?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TATIANA CAVALCANTIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Alunos das escolas municipais de Caxias do Sul (RS),<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":93248,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-93247","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93247"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93247\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}