{"id":9260,"date":"2021-05-02T17:17:05","date_gmt":"2021-05-02T20:17:05","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/02\/hospital-pos-pandemia-vai-investir-em-predio-flexivel-e-inteligencia-artificial\/"},"modified":"2021-05-02T17:17:05","modified_gmt":"2021-05-02T20:17:05","slug":"hospital-pos-pandemia-vai-investir-em-predio-flexivel-e-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/02\/hospital-pos-pandemia-vai-investir-em-predio-flexivel-e-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"Hospital p\u00f3s-pandemia vai investir em pr\u00e9dio flex\u00edvel e intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia deixou claro que os hospitais precisam mudar. No Brasil e no restante do mundo. E em uma transforma\u00e7\u00e3o que envolve v\u00e1rios aspectos, da arquitetura ao atendimento, do design \u00e0 tecnologia, da rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente \u00e0 com a vizinhan\u00e7a. Se bem aplicadas, as altera\u00e7\u00f5es criar\u00e3o espa\u00e7os mais resilientes e humanizados, prontos para as adversidades e ideias do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Exemplos nessa dire\u00e7\u00e3o s\u00e3o apontados em relat\u00f3rio, de janeiro, publicado pelos escrit\u00f3rios internacionais HKS Architects e Arup, conhecidos por trabalharem com equipes multidisciplinares. A publica\u00e7\u00e3o aponta sete princ\u00edpios para um design de tratamento de sa\u00fade resiliente e preparado para enfrentar uma pandemia: versatilidade, expans\u00e3o r\u00e1pida, suporte ao bem-estar, limpeza eficiente do ar e superf\u00edcies, capacidades de isolamento, conten\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o, fluxo e preparo para fazer transi\u00e7\u00f5es do ambiente f\u00edsico para o digital quando preciso.<\/p>\n<p>Uma das palavras-chave \u00e9 flexibilidade. Espa\u00e7os pensados para serem modificados de forma r\u00e1pida e pouco dispendiosa e quartos (ao menos uma parcela deles) capazes de virar uma unidade semi-intensiva ou at\u00e9 UTI. Parte desses locais precisa, ainda, ter a possibilidade de ser expandida (ou encolhida) e at\u00e9 isolada em casos de doen\u00e7as altamente contagiosas.<\/p>\n<p>Essa flexibilidade n\u00e3o inclui s\u00f3 espa\u00e7os de enfermos. O relat\u00f3rio traz dois exemplos. Um \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o do estacionamento fechado de hospital em \u00e1rea de testagem ou espera de infectados, isolando-os do restante dos pacientes, acompanhantes e profissionais. O outro \u00e9 fechar acordo com hot\u00e9is do entorno para receber trabalhadores de sa\u00fade e, assim, evitar que ampliem a circula\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e exponham vizinhos e familiares em casos de pandemia.<\/p>\n<p>Algumas institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 apostam em espa\u00e7os flex\u00edveis, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente. &#8220;\u00c9 pouco aplicado no Brasil&#8221;, diz o urbanista Mauro Santos, da Universidade Federal do Rio (UFRJ) e pesquisador do assunto. &#8220;Na pandemia, ficou muito evidente essa precariedade n\u00e3o s\u00f3 do ambiente hospitalar, mas da escola, da habita\u00e7\u00e3o\u0085&#8221;<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio internacional cita ainda como doen\u00e7as altamente infecciosas podem exigir quartos com microfone e c\u00e2mera para que o atendimento seja remoto e a chance de infec\u00e7\u00e3o, menor. Outro aspecto destacado por especialistas \u00e9 usar tecnologias hands free (sem manuseio) para ilumina\u00e7\u00e3o, secagem das m\u00e3os, abertura de torneiras e portas, e descarga sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Essa flexibilidade tamb\u00e9m pode ocorrer com a constru\u00e7\u00e3o de paredes de madeira, gesso ou outros materiais mais facilmente retirados, ou com o uso de m\u00f3dulos. &#8220;Qualquer unidade de sa\u00fade deve ter flexibilidade, conseguir aumentar ou diminuir&#8221;, diz Antonio Pedro Carvalho, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda arquitetura hospitalar. &#8220;Mas cada metro quadrado em uma unidade de sa\u00fade \u00e9 caro, os materiais s\u00e3o caros. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil.&#8221; Outras op\u00e7\u00f5es para a amplia\u00e7\u00e3o s\u00e3o o acr\u00e9scimo de espa\u00e7os m\u00f3veis, como cont\u00eaineres e \u00f4nibus adaptados.<\/p>\n<p><strong>Sem parede<\/strong><\/p>\n<p>Entre as tend\u00eancias, est\u00e3o os &#8220;hospitais sem parede&#8221;, ideia de que o local funcionar\u00e1 tamb\u00e9m como um espa\u00e7o digital al\u00e9m do f\u00edsico, conectado aos pacientes por tecnologias de compartilhamento de dados, telemedicina e at\u00e9 atendimento em domic\u00edlio.<\/p>\n<p>O destino dos hospitais tamb\u00e9m \u00e9 abordado no document\u00e1rio O Hospital do Futuro (em tradu\u00e7\u00e3o livre), do escrit\u00f3rio internacional de arquitetura OMA. O filme contextualiza a pandemia na que muitos acreditavam ser a &#8220;era saud\u00e1vel&#8221;, com aumento na expectativa de vida e avan\u00e7os das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e da medicina.<\/p>\n<p>&#8220;O hospital como conhecemos est\u00e1 morto. O hospital do futuro estar\u00e1 em constante fluxo, como um teatro, transformando seu espa\u00e7o para o evento&#8221;, descreve o document\u00e1rio. &#8220;O hospital do futuro ser\u00e1 autossuficiente&#8221;, completa, ao citar a possibilidade de fazendas urbanas para garantir abastecimento de rem\u00e9dios essenciais.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial ser\u00e1 outro destaque. Professor da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e diretor do Laborat\u00f3rio de Big Data e An\u00e1lise Preditiva em Sa\u00fade, Alexandre Chiavegatto Filho coordena estudo envolvendo 30 hospitais de diferentes portes e locais do Pa\u00eds no atendimento \u00e0 covid. Com a pandemia, o volume de informa\u00e7\u00f5es cresceu ainda mais por meio da telemedicina e boletins di\u00e1rios.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 reunir dados j\u00e1 coletados pelas unidades (idade, resultados de exame, sinais vitais) para criar um conjunto de informa\u00e7\u00f5es que permita prever o poss\u00edvel desdobramento do quadro cl\u00ednico e, com base nisso, delimitar os encaminhados da triagem \u00e0 alta (e at\u00e9 depois). Isso pode ocorrer por meio de intelig\u00eancia artificial, mas como aux\u00edlio ao m\u00e9dico, n\u00e3o substitui\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o seria por compara\u00e7\u00f5es de pacientes com sintomas e perfil similares. &#8220;O m\u00e9dico solicita para o algoritmo, baseado no hist\u00f3rico dos pacientes desse hospital (ou de uma rede), qual a probabilidade do seu Jo\u00e3o acabar na UTI a partir de uma semana&#8221;, afirma Chiavegatto Filho.<\/p>\n<p>Ele destaca tamb\u00e9m que big data pode auxiliar na gest\u00e3o hospitalar, mostrando tend\u00eancias e necessidades &#8211; da m\u00e9dia de falta de pacientes em consultas at\u00e9 hor\u00e1rios com mais necessidade de recursos humanos.<\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel faz parte da receita<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente \u00e9 outro desafio para os hospitais do futuro, especialmente no aspecto atmosf\u00e9rico, com a depend\u00eancia cada vez maior de sistemas de ar-condicionado. &#8220;\u00c9 preciso renova\u00e7\u00e3o permanente do ar. A gente v\u00ea unidades com dificuldade nessa adapta\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o urbanista Mauro Santos, professor da Universidade Federal do Rio (UFRJ).<\/p>\n<p>Janelas que n\u00e3o abrem se tornaram um problema, por exemplo, especialmente nas \u00e1reas de menor complexidade e comuns, enquanto sistemas de arcondicionado nem sempre t\u00eam um fluxo suficiente de troca e filtragem do ar. H\u00e1 ainda a possibilidade de se investir em tecnologias complementares, como luzes desinfetantes, filtros HEPA port\u00e1teis e controladores de press\u00e3o ou umidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, principalmente no caso daqueles ambientes frequentados por um maior n\u00famero de pessoas e em estado menos grave, como o lobby e \u00e1reas de estar, h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o mais simples e barata: a ventila\u00e7\u00e3o natural. Esse aspecto tamb\u00e9m est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 necessidade de maior contato com o meio ambiente e a ilumina\u00e7\u00e3o natural. &#8220;Traz benef\u00edcio efetivo no processo terap\u00eautico, d\u00e1 tranquilidade ao paciente&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;As solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0s caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas do local&#8221;, diz material publicado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e pela Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas) em 2015.<\/p>\n<p><strong>Fim do isolamento<\/strong><\/p>\n<p>Um hospital para este s\u00e9culo tamb\u00e9m envolve um olhar para a vizinhan\u00e7a. &#8220;E essa discuss\u00e3o ainda precisa avan\u00e7ar&#8221;, avalia Jeferson Tavares, professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo e coordenador do projeto Vizinhan\u00e7a Hospitalar, ambos da USP. O pesquisador destaca que, em geral, os espa\u00e7os m\u00e9dicos s\u00e3o afastados da rua e isolados, por muros, taludes ou cercas. &#8220;N\u00e3o criam uma rela\u00e7\u00e3o direta e integrada com o entorno, e os bairros n\u00e3o absorvem adequadamente impactos que os hospitais criam.&#8221; Para ele, ainda falta o b\u00e1sico: acessibilidade, \u00e1reas de lazer, \u00e1reas verdes, mobilidade (principalmente transporte p\u00fablico), com\u00e9rcios, servi\u00e7os, hot\u00e9is, bancos, sinaliza\u00e7\u00e3o e outros elementos.&#8221;<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1800493\/hospital-pos-pandemia-vai-investir-em-predio-flexivel-e-inteligencia-artificial?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia deixou claro que os hospitais precisam mudar. 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