{"id":90784,"date":"2022-09-19T13:08:20","date_gmt":"2022-09-19T16:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/09\/19\/chitaozinho-xororo-abrem-o-jogo-e-contam-tudo-sobre-sertanejo-politica-e-eleicoes\/"},"modified":"2022-09-19T13:08:20","modified_gmt":"2022-09-19T16:08:20","slug":"chitaozinho-xororo-abrem-o-jogo-e-contam-tudo-sobre-sertanejo-politica-e-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/09\/19\/chitaozinho-xororo-abrem-o-jogo-e-contam-tudo-sobre-sertanejo-politica-e-eleicoes\/","title":{"rendered":"Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3 abrem o jogo e contam tudo sobre sertanejo, pol\u00edtica e elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em algum momento da primeira metade dos anos 1980, Xoror\u00f3 estava em Nashville, a meca da m\u00fasica country americana, quando comprou um banjo de segunda m\u00e3o. &#8220;Nunca tinha visto um banjo na minha vida, mas l\u00e1 era comum&#8221;, diz o cantor, que, ao lado do irm\u00e3o, Chit\u00e3ozinho, completa 50 anos de carreira. &#8220;Percebemos que a m\u00fasica country tinha muito a ver com a sertaneja.&#8221;<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O banjo apareceu pela primeira vez mesclado \u00e0 sonoridade caipira em &#8220;Ela Chora Chora&#8221;, de 1985, mas n\u00e3o foi apenas o instrumento que Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3 trouxeram na bagagem. &#8220;Ficamos muito interessados na maneira deles se vestirem -as roupas franjadas, as cal\u00e7as rasgadas e apertadas, uma mistura de rock com country&#8221;, diz Xoror\u00f3.<\/p>\n<p>&#8220;Ele trouxe o banjo e eu trouxe o chap\u00e9u&#8221;, acrescenta o irm\u00e3o.<br \/>As influ\u00eancias americanas marcaram a carreira da dupla, que, mesmo sem abandonar as letras sobre o campo, \u00e0quela altura era protagonista na populariza\u00e7\u00e3o do sertanejo. Se antes era limitada aos interiores de Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Mato Grosso e Goi\u00e1s, a m\u00fasica do campo passava ent\u00e3o a acompanhar a urbaniza\u00e7\u00e3o das grandes cidades do pa\u00eds enquanto tamb\u00e9m se transformava.<\/p>\n<p>Este m\u00eas, Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3 retornaram aos Estados Unidos para gravar um projeto audiovisual ao vivo, acompanhados por orquestras e com participa\u00e7\u00e3o de Sandy, Junior e Luan Santana. Eles reuniram 14 mil pessoas em quatro apresenta\u00e7\u00f5es, incluindo o Radio City Music Hall, em Nova York, que celebram as cinco d\u00e9cadas de uma trajet\u00f3ria sem igual n\u00e3o s\u00f3 no sertanejo, mas em toda a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p>Muito antes dos americanos, era a Am\u00e9rica Latina que inspirava os irm\u00e3os Jos\u00e9 Lima Sobrinho e Durval de Lima no interior do Paran\u00e1. &#8220;A gente conhecia o trio Pedro Bento, Z\u00e9 da Estrada e Celinho, que at\u00e9 se vestia de mariachi&#8221;, diz Chit\u00e3ozinho, citando a influ\u00eancia dos sons do M\u00e9xico. &#8220;Eles eram os mais pr\u00f3ximos, mas Belmonte e Amara\u00ed cantavam assim, e depois Milion\u00e1rio &amp; Jos\u00e9 Rico tamb\u00e9m tinham essa veia, da rancheira, fincada l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Na virada dos anos 1960 para os 1970, a chamada m\u00fasica caipira tinha como inspira\u00e7\u00e3o as rancheiras, os boleros, as serestas e as guar\u00e2nias. N\u00e3o \u00e0 toa, o primeiro sucesso de Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3, &#8220;Galopeira&#8221;, de 1970, foi importado diretamente do Paraguai.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os come\u00e7aram a carreira ainda adolescentes, perseguindo o sonho frustrado do pai de ser m\u00fasico, mas j\u00e1 queriam transcender a m\u00fasica caipira. &#8220;Quando mor\u00e1vamos no Paran\u00e1, crescemos com o timbre do Roberto Carlos no ouvido. Ouv\u00edamos muito Beatles, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, todo aquele movimento da Jovem Guarda&#8221;, diz Chit\u00e3ozinho.<\/p>\n<p>Mais do que a voz e os cabelos longos do rei, eles queriam somar \u00e0s violas aqueles baixos, guitarras e baterias do rock. &#8220;Quando a gente ia gravar um disco, o produtor falava que &#8216;n\u00e3o, tem que ser viola, viol\u00e3o&#8217;. \u00c0s vezes n\u00e3o queria botar nem o contrabaixo. Tinha que ser acordeom. A gente dizia que &#8216;n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso que a gente quer, porque isso todo mundo j\u00e1 faz&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 o fim da d\u00e9cada de 1970 -isto \u00e9, a primeira fase da dupla-, os irm\u00e3os tocavam em circos e contavam o dinheiro escasso que recebiam da gravadora. Vender 5.000 c\u00f3pias de um \u00e1lbum era o \u00e1pice. Artisticamente, dizem, eram muito contrariados. Tudo mudou quando conheceram o produtor Homero Bettio, que viraria amigo e empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>A essa altura, Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3 j\u00e1 tinham pedido demiss\u00e3o da Copacabana, selo que lan\u00e7ava suas m\u00fasicas, e fazer um \u00e1lbum com Bettio era como uma \u00faltima dan\u00e7a. &#8220;Disseram &#8216;se n\u00e3o der certo, a gente dispensa voc\u00eas no ano que vem&#8217;, a\u00ed n\u00f3s aceitamos&#8221;, diz Chit\u00e3ozinho. &#8220;Quando Homero mostrou o que ele estava fazendo, ficamos de boca aberta. Era um sonho. Exatamente o que a gente queria.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o era a est\u00e9tica arrojada que a dupla adotou a partir da d\u00e9cada seguinte, mas o novo tratamento das grava\u00e7\u00f5es impulsionaram m\u00fasicas como &#8220;60 Dias Apaixonado&#8221;, de 1979, e &#8220;Amada Amante&#8221;, de 1981, que colocou a carreira dos irm\u00e3os em ascens\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse processo foi coroado com &#8220;Fio de Cabelo&#8221;, m\u00fasica que vendeu mais de 1 milh\u00e3o de c\u00f3pias do \u00e1lbum &#8220;Somos Apaixonados&#8221;, lan\u00e7ado h\u00e1 exatos 40 anos. \u00c9 um patamar alcan\u00e7ado apenas por gente como Roberto Carlos e Nelson Gon\u00e7alves, impens\u00e1vel para a m\u00fasica sertaneja \u00e0quela altura.<\/p>\n<p>&#8220;Sertanejo no r\u00e1dio s\u00f3 tocava em AM, de madrugada e no fim de tarde, e s\u00f3 no interior&#8221;, diz Chit\u00e3ozinho. &#8220;Come\u00e7amos a perceber que as r\u00e1dios come\u00e7aram a tocar durante o dia. Come\u00e7aram a pedir e a tocar em FM. Essa m\u00fasica mais do que triplicou o nosso p\u00fablico. Tinha gente que n\u00e3o ouvia e passou a ouvir m\u00fasica sertaneja.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Fio de Cabelo&#8221; p\u00f4s a m\u00fasica sertaneja no card\u00e1pio dos ritmos mais consumidos do Brasil, onde hoje \u00e9 o prato mais pedido da maioria dos brasileiros. Mais at\u00e9 do que isso, ela trouxe uma nova po\u00e9tica para o estilo, que ficou mais pr\u00f3ximo da m\u00fasica rom\u00e2ntica ou brega.<\/p>\n<p>Conforme escreveu o pesquisador Gustavo Alonso em coluna publicada neste jornal, o pr\u00f3prio Marciano, dupla de Jo\u00e3o Mineiro e compositor da m\u00fasica ao lado de Darci Rossi, n\u00e3o quis grav\u00e1-la porque a achava melodram\u00e1tica e melanc\u00f3lica demais at\u00e9 para os padr\u00f5es sertanejos.<\/p>\n<p>Se hoje a sofr\u00eancia domina o sertanejo, ela certamente tem ra\u00edzes em &#8220;Fio de Cabelo&#8221;. &#8220;Eu diria que foi a primeira can\u00e7\u00e3o que abriu essa porteira para a m\u00fasica se tornar mais rom\u00e2ntica e mais bem elaborada de poesia, de harmonia e de tudo&#8221;, diz Xoror\u00f3.<\/p>\n<p>Mas as mudan\u00e7as n\u00e3o vieram sem resist\u00eancia. &#8220;Lembro que Inezita Barroso, que sempre foi a rainha do caipira, chamava isso de &#8216;sertanojo'&#8221;, diz Chit\u00e3ozinho. &#8220;Sofremos muito preconceito. Quando estourou, o cara rico, que vinha do interior, tinha vergonha de entrar na loja e pedir uma fita de sertanejo. Ele mandava o motorista ir comprar, mas tocava no carro. Depois, o caipira virou moda.&#8221;<\/p>\n<p>Dali em diante, Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3 n\u00e3o pararam. Vieram as idas aos Estados Unidos, os banjos e gaitas, as mudan\u00e7as de figurino, a populariza\u00e7\u00e3o dos rodeios, o acr\u00e9scimo de banda com baixo, guitarra e bateria e o Rock in Rio de 1985. Eles viram no festival o show do Yes, banda de rock progressivo brit\u00e2nica, e pegaram a ideia de fazer um palco elaborado, com fuma\u00e7a e pirotecnia.<\/p>\n<p>Na segunda metade dos anos 1980, diz Chit\u00e3ozinho, quem movimentava as massas eram eles, Sidney Magal e RPM. Foi ent\u00e3o que a dupla passou a exigir equipamentos de som e estrutura melhores, investir para viajar com banda, algo que influenciou a populariza\u00e7\u00e3o de todo o sertanejo Brasil afora.<\/p>\n<p>O movimento adiantou o sucesso de Leandro &amp; Leonardo e Zez\u00e9 di Camargo &amp; Luciano, j\u00e1 na virada da d\u00e9cada seguinte, marcando a exposi\u00e7\u00e3o crescente do g\u00eanero na TV, a expans\u00e3o para plateias do Nordeste e chegando at\u00e9 o especial &#8220;Amigos&#8221;, na Globo, em 1995.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa imagem ficou conhecida. O cabelo e o figurino viraram moda&#8221;, diz Xoror\u00f3. Em certa altura, acrescenta o irm\u00e3o, eles tinham que viajar com dois jatinhos para dar conta da estrutura de banda e palco. &#8220;Fizemos 285 shows em um ano, mas ficamos doentes.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, eles celebram o pioneirismo com uma agenda bem mais confort\u00e1vel, de n\u00e3o mais do que &#8220;uns seis shows por m\u00eas&#8221;, e dizem que nunca tiveram cach\u00eas astron\u00f4micos, ao contr\u00e1rio do que acontece com astros do sertanejo como Gusttavo Lima e Z\u00e9 Neto &amp; Cristiano, que dominaram o notici\u00e1rio por receberem cach\u00eas que beiram ou ultrapassam R$ 1 milh\u00e3o vindo dos cofres p\u00fablicos para tocar em cidades com poucos milhares de habitantes.<\/p>\n<p>&#8220;As coisas t\u00eam que ser \u00e0s claras. \u00c9 rid\u00edculo um artista cobrar um cach\u00ea milion\u00e1rio numa cidade pequenininha de tantos mil habitantes e aquele dinheiro ser tirado do pr\u00f3prio povo&#8221;, diz Xoror\u00f3. &#8220;N\u00e3o tem l\u00f3gica. N\u00e3o tem cabimento nem o prefeito fazer isso nem o artista receber, mas cada um \u00e9 cada um. A gente se preocupa muito com isso. Estamos aqui h\u00e1 mais de 50 anos e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa.&#8221;<\/p>\n<p>A dupla, que no auge de seu sucesso apoiou Fernando Collor contra Lula em 1989 e figurou na campanha de A\u00e9cio Neves contra Dilma Rousseff em 2014, agora n\u00e3o toma lado nas elei\u00e7\u00f5es. &#8220;Acho que a gente tem que respeitar o voto de cada cidad\u00e3o. Independente de quem vai ganhar essa elei\u00e7\u00e3o, a gente segue sendo brasileiro e trabalhando, produzindo no nosso pa\u00eds&#8221;, diz Chit\u00e3ozinho.<\/p>\n<p>Ele v\u00ea certa semelhan\u00e7a no apoio que a classe sertaneja deu a Collor e, atualmente, ao presidente Jair Bolsonaro. &#8220;Foram duas surpresas, dois candidatos que estavam l\u00e1, mas ningu\u00e9m sabia de nada. Eles apareceram do nada e chegaram l\u00e1. Tomara que isso seja um exemplo para muitos pol\u00edticos, de saber que \u00e0s vezes a pessoa que est\u00e1 no poder n\u00e3o tem a voz. A voz \u00e9 do povo.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Xoror\u00f3 resume seu pensamento lembrando da m\u00fasica &#8220;A Nossa Voz&#8221;, que a dupla gravou na elei\u00e7\u00e3o de 2018. A letra prega a uni\u00e3o e re\u00fane figuras de diversos ritmos e correntes pol\u00edticas \u2013de Caetano Veloso e Gilberto Gil a Elba Ramalho, passando por Karol Conka, Michel Tel\u00f3 e Ivete Sangalo, entre outros. &#8220;Esse \u00e9 o pa\u00eds que eu quero construir\/ Com nosso povo andando de m\u00e3os dadas vamos conseguir&#8221;, diz o refr\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O voto est\u00e1 a\u00ed, com a democracia&#8221;, diz Xoror\u00f3. &#8220;Vamos continuar assim porque a gente sabe que do outro jeito n\u00e3o foi legal. Pegamos o finalzinho, a gente era crian\u00e7a ainda, mas eu me lembro muito bem que era bem mais dif\u00edcil. A gente tem que se juntar. A democracia \u00e9 isso.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1946043\/chitaozinho-xororo-abrem-o-jogo-e-contam-tudo-sobre-sertanejo-politica-e-eleicoes?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em algum momento da primeira metade dos anos 1980, Xoror\u00f3 estava em Nashville,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":90785,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-90784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90784\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}