{"id":90744,"date":"2022-09-19T08:08:37","date_gmt":"2022-09-19T11:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/09\/19\/mulheres-encaram-mais-desafios-que-homens-ao-se-movimentar-pelas-cidades\/"},"modified":"2022-09-19T08:08:37","modified_gmt":"2022-09-19T11:08:37","slug":"mulheres-encaram-mais-desafios-que-homens-ao-se-movimentar-pelas-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/09\/19\/mulheres-encaram-mais-desafios-que-homens-ao-se-movimentar-pelas-cidades\/","title":{"rendered":"Mulheres encaram mais desafios que homens ao se movimentar pelas cidades"},"content":{"rendered":"<p>FOLHAPRESS) &#8211; Ruazinhas escuras, cal\u00e7adas estreitas -quando existentes-, transporte demorado e criminosos \u00e0 espreita. O cen\u00e1rio pode at\u00e9 ser o mesmo para todos, mas a forma como homens e mulheres vivenciam o dia a dia ao sair de casa para trabalhar, estudar, cuidar das demais coisas da vida ou se divertir s\u00e3o muito diferentes.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Tudo porque homens e mulheres se deslocam de formas distintas pelas cidades e isso traz, para elas, mais dificuldades do que para eles. At\u00e9 por isso, elas precisam fazer muito mais esfor\u00e7o para ter acesso \u00e0s mesmas oportunidades de emprego, educa\u00e7\u00e3o e lazer. As conclus\u00f5es s\u00e3o tiradas de estudos e pesquisas realizadas ao longo de anos e que podem contribuir para a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de mobilidade que levem em considera\u00e7\u00e3o as diferen\u00e7as entre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>A auxiliar de cozinha Andreia da Silva Dias, 41, mora na regi\u00e3o de Parada de Taipas, em uma das franjas da periferia da zona norte paulistana, e conhece bem essa realidade.<\/p>\n<p>A rotina dela come\u00e7a pela manh\u00e3, quando caminha cerca de 20 minutos at\u00e9 a casa da m\u00e3e, onde deixa o filho. &#8220;\u00c0s vezes, tenho que andar no meio da rua, porque n\u00e3o d\u00e1 para passar pela cal\u00e7ada.&#8221;<\/p>\n<p>Depois, toma um primeiro \u00f4nibus at\u00e9 o Jaragu\u00e1, e, na sequ\u00eancia, outro at\u00e9 o local de trabalho, na rodovia Anhanguera. A volta para casa, numa jornada que termina perto da meia-noite, tem momentos de tens\u00e3o. &#8220;Vou para o ponto morrendo de medo. \u00c0s vezes, as pessoas que est\u00e3o ali falam que \u00e9 perigoso.&#8221;<\/p>\n<p>Analista de contas m\u00e9dicas, Simone Macedo, 42, pega dois \u00f4nibus e um trem da linha 7-rubi para sair da regi\u00e3o do Jaragu\u00e1 e chegar ao trabalho, na Pompeia, na zona oeste de S\u00e3o Paulo. &#8220;Ando com roupa social, mas n\u00e3o d\u00e1 para pegar o trem de salto. Os homens te empurram. Voc\u00ea tem que ter for\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 aquela coisa [de ser] fr\u00e1gil. Tem que se impor. Hoje, o cara me empurrou, eu tamb\u00e9m empurrei. Voc\u00ea quer trabalhar, eu tamb\u00e9m quero&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Como usu\u00e1ria do transporte, a analista de contas nota situa\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o dia a dia das mulheres e que, muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o contempladas nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Um sem\u00e1foro demorado demais para o segundo \u00f4nibus do dia, o fato de mulheres, muitas vezes, voltarem do trabalho carregadas de sacolas, o intervalo excessivo entre os coletivos que as deixam mais vulner\u00e1veis nos pontos durante a noite.<\/p>\n<p>&#8220;Mulheres que s\u00e3o m\u00e3es, donas de casa, sentem a diferen\u00e7a. \u00c9 uma mulher que trabalhou o dia inteiro, levando sacolas e ningu\u00e9m deu lugar para sentar&#8221;, afirma Simone. &#8220;[As autoridades] precisavam conversar com pessoas como eu para entender.&#8221;<\/p>\n<p>Autora da disserta\u00e7\u00e3o &#8220;A mobilidade das mulheres em S\u00e3o Paulo: experi\u00eancia, precau\u00e7\u00f5es e autonomia&#8221;, na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), da USP, Marina Pereira Santos Gomes da Silva explica que, de forma geral, mulheres se deslocam muito mais a p\u00e9 e por transporte coletivo do que homens.<\/p>\n<p>&#8220;A viagem masculina se concentra em casa-trabalho e casa-estudo. As mulheres fazem muito casa-trabalho, mas tamb\u00e9m estudo, sa\u00fade, compras de mercado e farm\u00e1cia, acompanhar outras pessoas&#8221;, conta. Ou seja, mulheres fazem muito mais viagens do que os homens no dia a dia.<\/p>\n<p>Segundo Marina, as pesquisas origem-destino acabam apagando parte dos trajetos realizados pelas mulheres, o que dificulta a mensura\u00e7\u00e3o. Isso acontece porque esses levantamentos criam uma hierarquia que prioriza metr\u00f4 e transportes coletivos em geral, minimizando os deslocamentos a p\u00e9, por exemplo.<\/p>\n<p>Nas pesquisas origem-destino do Metr\u00f4, por exemplo, viagens a p\u00e9 s\u00e3o computadas apenas quando a dist\u00e2ncia percorrida \u00e9 superior a 500 metros ou \u00e9 feita exclusivamente caminhando. Isso geraria subnotifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante disso, os relatos s\u00e3o fundamentais para tra\u00e7ar os caminhos delas pelo meio urbano. Marina explica que as &#8220;beiradas&#8221; dos bairros, por onde passam as vias com maior tr\u00e1fego de ve\u00edculos, trazem mais inseguran\u00e7a. Da\u00ed a op\u00e7\u00e3o pelas pequenas ruas. &#8220;No bairro, tem um porteiro, uma padaria. Tem muitas precau\u00e7\u00f5es que as mulheres tomam.&#8221;<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia pelas ruas do interior dos bairros traz, por\u00e9m, inconvenientes, principalmente na periferia, onde as condi\u00e7\u00f5es das cal\u00e7adas s\u00e3o piores que na regi\u00e3o central.<\/p>\n<p>A especialista afirma que outra quest\u00e3o vista na teoria e que tem impacto pr\u00e1tico \u00e9 o fato de que as mulheres, por causa da viv\u00eancia ao caminhar pela cidade, muitas vezes acompanhadas por crian\u00e7as e idosos, t\u00eam um olhar mais atento \u00e0s desigualdades e necessidades da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma gama muito rica de informa\u00e7\u00f5es&#8221;, diz ela. &#8220;Fazer pol\u00edticas p\u00fablicas a partir da experi\u00eancia das mulheres \u00e9 melhorar para todo mundo.&#8221;<\/p>\n<p>A especialista afirma tamb\u00e9m que, mesmo entre as mulheres, existem diferen\u00e7as marcantes quando se faz um recorte racial. As dificuldades s\u00e3o ainda maiores para aquelas que s\u00e3o negras.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a \u00e9 outro ponto que destaca a necessidade de enfrentamento por parte das mulheres para realizar as mesmas tarefas que os homens. Levantamento divulgado pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o mostra que 2 em cada 3 mulheres que passaram por situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia mudaram seu comportamento e que 53% tiveram algum abalo psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Diretora de conte\u00fado do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, Marisa Sanematsu afirma que pesquisas realizadas ao longo do tempo apontam que entre 32% e 35% das mulheres declararam ter sofrido importuna\u00e7\u00e3o no transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o n\u00fameros que mostram como a viv\u00eancia das mulheres \u00e9 recheada de inseguran\u00e7a, de viol\u00eancias&#8221;, diz ela. &#8220;\u00c9 mais do que hora de os homens perceberem que os corpos das mulheres n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, tudo exige consentimento e n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Resposta <\/span><\/p>\n<p>Todos os \u00f3rg\u00e3os do Poder P\u00fablico envolvidos de alguma maneira com a mobilidade afirmaram que tomam medidas para melhorar o dia a dia das mulheres.<\/p>\n<p>A Secretaria de Estado da Seguran\u00e7a P\u00fablica, por exemplo, afirma que tem intensificado opera\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher e a\u00e7\u00f5es para reduzir a subnotifica\u00e7\u00e3o desses crimes, com implanta\u00e7\u00e3o de delegacias, salas em anexo a plant\u00f5es policiais e aplicativo de atendimento \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Cita tamb\u00e9m a parceria com o Metr\u00f4 e a CPTM, com o refor\u00e7o na seguran\u00e7a com policiais militares em hor\u00e1rio de folga em trens e esta\u00e7\u00f5es. Diz tamb\u00e9m que realiza, entre outros, patrulhamento para reduzir os crimes contra o patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>A Secretaria de Transportes Metropolitanos aponta todas as obras que t\u00eam sido realizadas para melhorar a mobilidade de forma geral, entre as quais a linha 6-laranja, que dever\u00e1 reduzir o tempo de viagem entre a zona norte e o centro. Tamb\u00e9m cita diversas campanhas e a\u00e7\u00f5es em favor das mulheres, al\u00e9m de pesquisas para identificar suas necessidades.<\/p>\n<p>A Prefeitura de S\u00e3o Paulo afirma que tem realizado uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es para melhorar ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, cal\u00e7adas e infraestrutura em geral. A administra\u00e7\u00e3o municipal tamb\u00e9m aponta a realiza\u00e7\u00e3o de campanha de combate ao abuso sexual, al\u00e9m de apoio jur\u00eddico e psicol\u00f3gico \u00e0s v\u00edtimas. Entre as diversas a\u00e7\u00f5es, mulheres, travestis ou mulheres transexuais podem desembarcar fora dos pontos de parada, das 22h \u00e0s 5h, exceto nos corredores exclusivos de \u00f4nibus, viadutos, pontes e t\u00faneis da capital paulista.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1945830\/mulheres-encaram-mais-desafios-que-homens-ao-se-movimentar-pelas-cidades?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FOLHAPRESS) &#8211; Ruazinhas escuras, cal\u00e7adas estreitas -quando existentes-, transporte demorado e criminosos \u00e0 espreita. 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