{"id":90274,"date":"2022-09-15T09:08:25","date_gmt":"2022-09-15T12:08:25","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/09\/15\/denuncias-de-violacao-de-direitos-humanos-na-copa-mancham-imagem-do-catar\/"},"modified":"2022-09-15T09:08:25","modified_gmt":"2022-09-15T12:08:25","slug":"denuncias-de-violacao-de-direitos-humanos-na-copa-mancham-imagem-do-catar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/09\/15\/denuncias-de-violacao-de-direitos-humanos-na-copa-mancham-imagem-do-catar\/","title":{"rendered":"Den\u00fancias de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos na Copa mancham imagem do Catar"},"content":{"rendered":"<p>A atividade come\u00e7a \u00e0s 4h de s\u00e1bado a quinta-feira e segue at\u00e9 as 10h, quando o sol j\u00e1 est\u00e1 alto e a temperatura acima dos 40\u00baC prejudicam a sa\u00fade de quem trabalha ao ar livre, na constru\u00e7\u00e3o civil. \u00c9 retomado \u00e0s 15h e pode invadir a madrugada. No caso de um indiano que vive h\u00e1 dois anos em Doha e que pediu para o nome n\u00e3o ser revelado por medo de repres\u00e1lia, a jornada se encerra \u00e0s 18h. O sal\u00e1rio \u00e9 de 2.000 rials (cerca de R$ 2.800). No inverno, quando as temperaturas ficam mais amenas, ele faz hora extra e tira cerca de 2.700 rials (R$ 3.800).<\/p>\n<p>O dinheiro \u00e9 bom, diz o indiano ao <b>Estad\u00e3o<\/b>. O problema \u00e9 que ele precisa enviar parte para sua fam\u00edlia na \u00cdndia e ainda pagar uma d\u00edvida de 5.000 rials (R$ 7.100) que tem com a empresa que o recrutou em seu pa\u00eds.<\/p>\n<\/p>\n<p>As taxas de recrutamento foram proibidas no Catar, mas ainda s\u00e3o praticadas nos pa\u00edses onde os colaboradores s\u00e3o selecionados para trabalhar principalmente em f\u00e1bricas e na constru\u00e7\u00e3o. Praticamente toda a infraestrutura da Copa do Mundo foi erguida por trabalhadores imigrantes &#8211; dos 2,7 milh\u00f5es de habitantes no pa\u00eds-sede, apenas 300 mil s\u00e3o cataris e, segundo a Human Rights Watch, dos imigrantes, cerca de 1 milh\u00e3o atua na constru\u00e7\u00e3o civil e 1 milh\u00e3o, em fun\u00e7\u00f5es como de empregadas dom\u00e9sticas, gar\u00e7ons e camareiras. O governo do pa\u00eds, por\u00e9m, calcula que o n\u00famero total de trabalhadores de fora \u00e9 de 1,5 milh\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>Desde dezembro de 2010, quando o Catar ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo, n\u00e3o pararam de surgir den\u00fancias de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos no pa\u00eds, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores imigrantes. As ind\u00fastrias e construtoras cataris contratam a maior parte de seus funcion\u00e1rios em outros pa\u00edses. Quando os trabalhadores chegam ao Catar, v\u00e3o viver em alojamentos mantidos pelas pr\u00f3prias empresas na zona industrial de Doha.<\/p>\n<\/p>\n<p>O <b>Estad\u00e3o<\/b> esteve duas vezes nessa regi\u00e3o da periferia da cidade, que obviamente nada tem a ver com a opul\u00eancia das zonas centrais. Na primeira ocasi\u00e3o, a reportagem selecionou um alojamento encontrado na internet. Foi de Uber para o local, mas parou em um restaurante que ficava a pouco mais de dois quil\u00f4metros da moradia coletiva.<\/p>\n<\/p>\n<p>Achei que, por eu ser mulher, o motorista poderia n\u00e3o querer me deixar no local, que, neste caso, era destinado apenas a homens. Desci diante do restaurante Ambrosia, caminhei meia quadra na cal\u00e7ada e logo comecei um trajeto por uma rua que n\u00e3o tinha nem asfalto nem cal\u00e7ada &#8211; e assim foi todo o caminho at\u00e9 o destino pretendido. A ilumina\u00e7\u00e3o era bastante fraca (eram 18h20 e rapidamente escureceu) e centenas de caminh\u00f5es, \u00f4nibus e van se empilhavam, um estacionado ao lado do outro, por todos os cantos. S\u00e3o esses os ve\u00edculos que levam os imigrantes para o trabalho todos os dias.<\/p>\n<\/p>\n<p>Durante a caminhada de 20 minutos, s\u00f3 cruzei com homens, e \u00e9 razo\u00e1vel imaginar que eu fosse a \u00fanica mulher por toda a \u00e1rea industrial, onde vivem centenas de milhares de homens vindos de pa\u00edses como \u00cdndia, Nepal, Bangladesh e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>Encontrei um mercadinho quase em frente ao alojamento e ali comecei a abordar os imigrantes para tentar conversar com eles. Foram dezenas de &#8220;n\u00e3os&#8221; at\u00e9 que esse indiano que vive h\u00e1 dois anos no pa\u00eds topou falar comigo. Ficamos a alguns metros do estabelecimento, com minha presen\u00e7a chamando a aten\u00e7\u00e3o de todos. Um homem veio perguntar ao indiano se estava tudo bem e se ele precisava de ajuda. N\u00e3o entendi se me viu como uma amea\u00e7a ou se estava preocupado comigo.<\/p>\n<\/p>\n<p>Apesar de todas as den\u00fancias \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dos alojamentos, o imigrante disse ao <b>Estad\u00e3o<\/b> que vivia bem ali. Explicou dividir o quarto com outros tr\u00eas homens e destacou que todos tinham uma cama &#8211; &#8220;n\u00e3o \u00e9 beliche&#8221;, frisou. Contou que havia ainda uma cozinha grande para cada &#8220;10 ou 20&#8221; quartos. &#8220;\u00c9 melhor do que na \u00cdndia. L\u00e1 n\u00e3o tem trabalho&#8221;, afirmou. Ele atua como motorista de caminh\u00e3o, o mesmo que fazia em seu pa\u00eds natal. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o precisa ficar sob o sol, disse.<\/p>\n<\/p>\n<p>No dia seguinte, voltei \u00e0 zona industrial, um pouco mais cedo para chegar antes do anoitecer. Parei em um restaurante com mesas no que deveria ser a cal\u00e7ada. Ele ficava ao lado e \u00e0 frente de diferentes alojamentos. Ali, novamente um indiano se disp\u00f4s a conversar.<\/p>\n<\/p>\n<p>Era Riyas Parapoyil, de 39 anos, e 16 deles no Catar. Falava ingl\u00eas, \u00e1rabe, hindi, t\u00e2mil e malaiala (ou \u00faltimos tr\u00eas, idiomas da \u00cdndia) e tamb\u00e9m trabalhava como motorista de caminh\u00e3o. Ele contou que ganha 4.500 rials por m\u00eas (cerca de R$ 6.400) e envia 3.500 rials para a fam\u00edlia.<\/p>\n<\/p>\n<p>Costuma ir uma vez por ano para seu pa\u00eds, onde vivem a mulher e o filho de oito anos. O casamento, ali\u00e1s, ocorreu h\u00e1 11 anos, quando ele j\u00e1 estava no exterior. Nunca morou, portanto, com a mulher. No Catar, al\u00e9m de trabalhar, joga cr\u00edquete com os amigos \u00e0s sextas-feiras, \u00fanico dia de folga. E tamb\u00e9m n\u00e3o reclamou das condi\u00e7\u00f5es de vida no Catar. &#8220;Na \u00cdndia, vivi em lugar piores, mais sujos.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>De acordo com a diretora de iniciativa globais da Human Watch Rights (HRW) Minky Worden, as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores imigrantes no Catar v\u00eam melhorando desde 2015, quando come\u00e7aram a ser feitas altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. As mudan\u00e7as ocorreram ap\u00f3s den\u00fancias de que funcion\u00e1rios das construtoras que erguiam os est\u00e1dios do Mundial viviam em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o havia \u00e1gua suficiente nem cuidado m\u00e9dico. \u00c9 importante reconhecer as reformas, elas foram importantes. Mas n\u00e3o est\u00e1 claro se continuar\u00e3o depois da Copa. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o poucas e n\u00e3o s\u00e3o implementadas em muitos casos&#8221;, diz Minky.<\/p>\n<\/p>\n<p>PASSAPORTE CONFISCADO<\/p>\n<p>Foram ap\u00f3s as den\u00fancias, por exemplo, que se proibiu o trabalho ao ar livre no ver\u00e3o entre as 10h e as 15h, quando a temperatura pode chegar a 50\u00baC. Ainda assim, \u00e0s 8h, \u00e9 poss\u00edvel que os term\u00f4metros no pa\u00eds j\u00e1 estejam passando dos 42\u00baC. Minky pondera que a mudan\u00e7a faz com que muitos oper\u00e1rios trabalhem \u00e0 noite, quando a ilumina\u00e7\u00e3o dificulta a execu\u00e7\u00e3o das obras &#8211; o que pode ser perigoso. De fato, \u00e9 bastante comum ver funcion\u00e1rios de construtoras trabalhando \u00e0s 23h em Doha.<\/p>\n<\/p>\n<p>Uma das altera\u00e7\u00f5es mais importantes feitas nos \u00faltimos anos foi o fim do sistema &#8220;kafala&#8221;, em que os empregadores eram respons\u00e1veis pela ida e perman\u00eancia do trabalhador no pa\u00eds. Assim, os imigrantes n\u00e3o podiam, por exemplo, mudar de emprego. Segundo Minky, apesar da mudan\u00e7a, ainda h\u00e1 casos de funcion\u00e1rios que t\u00eam seus passaportes confiscados pelas companhias e que n\u00e3o s\u00e3o pagos. &#8220;Se o empregador det\u00e9m seu documento, o funcion\u00e1rio n\u00e3o tem como ir embora. Isso \u00e9 uma forma de tr\u00e1fico humano e trabalho for\u00e7ado.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>A HRW tem pedido uma indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas para os oper\u00e1rios que foram explorados no pa\u00eds, como tamb\u00e9m para as fam\u00edlias de trabalhadores que morreram l\u00e1. De acordo com dados levantados pelo jornal ingl\u00eas <i>The Guardian<\/i> junto a embaixadas no Catar, 6.500 trabalhadores da \u00cdndia, Paquist\u00e3o, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no pa\u00eds entre 2010 e 2020.<\/p>\n<\/p>\n<p>MORTES NOS EST\u00c1DIOS<\/p>\n<p>Os registros de morte, no entanto, n\u00e3o trazem informa\u00e7\u00f5es como ocupa\u00e7\u00e3o do oper\u00e1rio ou local de trabalho. Sabe-se que 37 mortos atuavam na constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dio da Copa, mas, segundo a comiss\u00e3o organizadora, 34 deles n\u00e3o morreram por causa do trabalho.<\/p>\n<\/p>\n<p>A HRW, por\u00e9m, questiona esses dados. &#8220;O governo do Catar quer dizer que muitas das mortes foram incertas. N\u00e3o foram permitidas aut\u00f3psias. Mas sabemos que alguns jovens morreram por falhas nos rins ou de ataques card\u00edacos. N\u00e3o \u00e9 normal um jovem morrer disso. Ent\u00e3o, as mortes podem estar relacionadas a casos s\u00e9rios de insola\u00e7\u00e3o e falta de \u00e1gua&#8221;, diz Minky.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;O que \u00e9 certo \u00e9 que os trabalhadores chegaram saud\u00e1veis ao Catar, porque precisaram de atestado m\u00e9dico para viajar, mas n\u00e3o voltaram para seus pa\u00edses. E isso continua acontecendo. Caix\u00f5es ainda est\u00e3o voltando para casa&#8221;, complementa Minky.<\/p>\n<\/p>\n<p>Em nota, o governo do Catar afirmou que a reportagem do jornal ingl\u00eas \u00e9 &#8220;imprecisa&#8221; e que os dados da mat\u00e9ria &#8220;foram usados para criar manchetes sensacionalistas&#8221;. Disse que, considerando o tamanho da popula\u00e7\u00e3o estrangeira, a taxa de mortalidade est\u00e1 dentro do patamar esperado.<\/p>\n<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m destacou que vem implementando reformas trabalhistas, com introdu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, remo\u00e7\u00e3o de barreiras para os imigrantes mudarem de emprego, supervis\u00e3o mais rigorosa no recrutamento e multas para casos de confisco de passaportes, entre outras medidas. Um Fundo de Apoio e Seguro ao Trabalhador foi criado pelo governo para que funcion\u00e1rios sejam pagos se, por acaso, a empresa para a qual trabalham falir. &#8220;O fundo desembolsou 600 milh\u00f5es de rials (R$ 850 milh\u00f5es) nos \u00faltimos dois anos&#8221;, informa a nota do governo.<\/p>\n<\/p>\n<p>JORNALISTA \u00c9 PRESO AP\u00d3S VISITAR \u00c1REA INDUSTRIAL<\/p>\n<p>O jornalista noruegu\u00eas Halvor Ekeland esteve no Catar no ano passado e conseguiu entrar em um dos alojamentos de imigrantes. Chegou \u00e0 \u00e1rea industrial de Doha, pediu autoriza\u00e7\u00e3o na hora para o respons\u00e1vel pelo local e verificou as condi\u00e7\u00f5es de moradia dos trabalhadores.<\/p>\n<\/p>\n<p>Segundo ele, o gerente do alojamento permitiu que ele visse o segundo andar, onde os quartos eram divididos por quatro pessoas. Alguns oper\u00e1rios, ent\u00e3o, quiseram mostrar suas habita\u00e7\u00f5es no terceiro andar. Ali, eram seis trabalhadores por quarto, em um ambiente menor e sem privacidade. &#8220;A cozinha e o banheiro eram desagrad\u00e1veis e sujos, mas era poss\u00edvel viver l\u00e1. N\u00e3o era o padr\u00e3o que se tem aqui na Noruega, mas era habit\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Ekeland, que trabalha no canal de TV NRK, contou tamb\u00e9m ter tido dificuldade para conversar com os imigrantes, sobretudo diante da c\u00e2mera. Ainda assim, disse ele, todos tinham alguma hist\u00f3ria para contar, fosse de 12 dias trabalhando sem parar ou de n\u00e3o receber por hora extra.<\/p>\n<\/p>\n<p>Um dia e meio ap\u00f3s visitar o alojamento, Ekeland e o rep\u00f3rter cinematogr\u00e1fico que estava com ele, Lokman Ghorbani, foram presos. Os dois noruegueses foram, ent\u00e3o, separados. N\u00e3o conseguiram avisar ningu\u00e9m do que havia ocorrido e tiveram seus celulares apreendidos na hora.<\/p>\n<\/p>\n<p>Na delegacia, eles foram interrogados. Tiveram de contar tudo que haviam feito enquanto estavam no pa\u00eds e com quem haviam falado. Em seguida, Ekeland foi colocado em uma cela com outras seis pessoas. O ambiente era de pedra e n\u00e3o havia m\u00f3veis, apenas um buraco no ch\u00e3o para as necessidades.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ekeland conversou com os outros presos, todos imigrantes. N\u00e3o quis contar a hist\u00f3ria deles, mas afirmou que n\u00e3o eram criminosos. &#8220;Eles estavam ali principalmente por algum mal-entendido.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Sem direito a uma liga\u00e7\u00e3o ou a um advogado, os jornalistas foram liberados cerca de 32 horas ap\u00f3s serem presos. Antes disso, por\u00e9m, tiveram de assinar um documento em \u00e1rabe sem saber o que estava escrito. As c\u00e2meras, os computadores e os cart\u00f5es de mem\u00f3ria foram devolvidos sem as imagens que haviam sido feitas. Segundo a pol\u00edcia os informou, o gerente do alojamento que eles visitaram \u00e9 que havia acionado as autoridades. Tamb\u00e9m foram informados de que haviam sido presos por n\u00e3o terem permiss\u00e3o do governo para filmar em lugares p\u00fablicos.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ekeland, por\u00e9m, conta que eles tinham pedido a autoriza\u00e7\u00e3o antes de sair da Noruega. No Catar, souberam que o documento obtido permitia apenas que eles entrassem com o equipamento de filmagem no pa\u00eds, mas n\u00e3o autorizava a capta\u00e7\u00e3o de imagens em lugares p\u00fablicos.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o fomos para o Catar para fazer um grande esc\u00e2ndalo. Fomos para ver qual era a situa\u00e7\u00e3o dos imigrantes, mas acabamos com um grande esc\u00e2ndalo sobre liberdade de imprensa. O Catar pode ter se tornado um lugar melhor para trabalhadores. Mas a minha hist\u00f3ria mostra que ainda h\u00e1 muita coisa que precisa melhorar&#8221;, disse o jornalista.<\/p>\n<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m fui proibida de fazer imagens com um celular da fachada do est\u00e1dio Cidade Educa\u00e7\u00e3o. Como a comiss\u00e3o organizadora havia dito que n\u00e3o poder\u00edamos conhecer o local por dentro, fui apenas gravar como ele era por fora. Um seguran\u00e7a logo me proibiu de continuar trabalhando. Entrei em contato com a comiss\u00e3o organizadora, que solicitou a ele, por videochamada, que me deixasse fazer as imagens. O seguran\u00e7a, ent\u00e3o, pediu para ver o documento do assessor da comiss\u00e3o. Era uma sexta-feira, fim de semana no Catar e o documento estava no escrit\u00f3rio. Tive de desistir e voltar no dia seguinte.<\/p>\n<\/p>\n<p>O governo catari, por\u00e9m, afirmou, em nota, que o pa\u00eds recebe centenas de jornalistas e ONGs internacionais todos os anos para &#8220;reportar livremente e objetivamente&#8221;. &#8220;Nenhum jornalista jamais foi detido quando as leis do pa\u00eds foram respeitadas&#8221;, disse. De acordo com a nota, os jornalistas noruegueses foram detidos por invas\u00e3o de propriedade privada e filmagem sem permiss\u00e3o. &#8220;Como em quase todos os pa\u00edses, a invas\u00e3o \u00e9 contra lei no Catar. A equipe (de TV) estava ciente disso antes de entrar na propriedade.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>MULHERES E POPULA\u00c7\u00c3O LGBT+ TAMB\u00c9M T\u00caM DIREITOS CERCEADOS<\/p>\n<p>Al\u00e9m da viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos de trabalhadores imigrantes e de censura de imprensa, mulheres e a popula\u00e7\u00e3o LGBT+ tamb\u00e9m t\u00eam direitos cerceados no Catar. Rela\u00e7\u00f5es com pessoas do mesmo sexo s\u00e3o proibidas e podem resultar em pris\u00e3o. J\u00e1 as mulheres precisam de autoriza\u00e7\u00e3o de seus tutores masculinos, que podem ser maridos, pais ou irm\u00e3os, entre outros, para exercer direitos como casar, viajar para o exterior e obter alguns cuidados de sa\u00fade reprodutiva.<\/p>\n<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o internacional Human Rights Watch, por\u00e9m, a tutela masculina n\u00e3o \u00e9 um sistema legal coeso no pa\u00eds. H\u00e1 uma mistura de leis e pr\u00e1ticas que contradizem a Lei de Fam\u00edlia e a Constitui\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea igualdade perante a lei sem discrimina\u00e7\u00e3o de acordo com o g\u00eanero.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1944874\/denuncias-de-violacao-de-direitos-humanos-na-copa-mancham-imagem-do-catar?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atividade come\u00e7a \u00e0s 4h de s\u00e1bado a quinta-feira e segue at\u00e9 as 10h, quando<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":90275,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-90274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}