{"id":88314,"date":"2022-08-31T10:08:19","date_gmt":"2022-08-31T13:08:19","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/31\/caua-reymond-vive-um-dom-pedro-1o-impotente-em-crise-e-a-deriva-no-mar-em-filme\/"},"modified":"2022-08-31T10:08:19","modified_gmt":"2022-08-31T13:08:19","slug":"caua-reymond-vive-um-dom-pedro-1o-impotente-em-crise-e-a-deriva-no-mar-em-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/31\/caua-reymond-vive-um-dom-pedro-1o-impotente-em-crise-e-a-deriva-no-mar-em-filme\/","title":{"rendered":"Cau\u00e3 Reymond vive um dom Pedro 1\u00ba impotente, em crise e \u00e0 deriva no mar em filme"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; H\u00e1 cerca de oito anos, a cineasta La\u00eds Bodanzky foi convidada por Cau\u00e3 Reymond e M\u00e1rio Canivello para dirigir uma produ\u00e7\u00e3o sobre dom Pedro 1\u00ba. O ator e o produtor j\u00e1 tinham visto filmes dela, como &#8220;Bicho de Sete Cabe\u00e7as&#8221; e &#8220;As Melhores Coisas do Mundo&#8221;, e acreditavam que poderia abordar a vida do primeiro imperador brasileiro de um modo original, longe de estere\u00f3tipos.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Bodanzky aceitou o convite, mas n\u00e3o p\u00f4de iniciar o projeto naquele momento. H\u00e1 cinco anos, quando lan\u00e7ou &#8220;Como Nossos Pais&#8221;, a diretora, enfim, come\u00e7ou a se dedicar ao roteiro e logo percebeu que seria um desafio maior do que imaginava.<\/p>\n<p>&#8220;Observando a cinematografia em geral, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, n\u00e3o h\u00e1 mais sentido em fazer um filme em um formato cl\u00e1ssico, do nascimento \u00e0 morte do personagem, dando conta de uma vida inteira. Eu precisava de um recorte&#8221;, ela lembra.<\/p>\n<p>Havia um outro problema. Sendo uma coprodu\u00e7\u00e3o brasileira e portuguesa, o filme precisaria dialogar com esses dois p\u00fablicos. Mas como fazer isso se o Pedro, que se notabilizou por aqui \u00e9 o da independ\u00eancia em 1822 e o da abdica\u00e7\u00e3o do trono em 1831, e o Pedro mais conhecido em terras lusas \u00e9 o que combateu e venceu o irm\u00e3o Miguel nas Guerras Liberais, que se estenderam de 1832 a 1834?<\/p>\n<p>Em meio a essas d\u00favidas, a diretora conversou com um amigo. &#8220;Qual \u00e9 a crise, La\u00eds?&#8221;, ele perguntou. &#8220;Pedro era de um jeito no Brasil, e de outro em Portugal. Ele se transformou justamente quando chegou l\u00e1, parecia outra pessoa&#8221;, disse ela. O amigo arrematou -&#8220;ent\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 sabe qual \u00e9 a hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>Era a deixa (ou o clique, como ela diz) para que a cineasta come\u00e7asse a escrever um roteiro sobre a viagem do monarca numa fragata de volta ao seu pa\u00eds natal, em abril de 1831. Al\u00e9m de a ajudar a enfrentar os impasses lembrados, essa sa\u00edda permitia que Bodanzky tratasse Pedro mais como um homem de m\u00faltiplas contradi\u00e7\u00f5es do que como uma figura hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Naquele momento, o nome do filme n\u00e3o estava definido, mas era certo que usariam Pedro no enunciado, e n\u00e3o dom Pedro 1\u00ba. &#8220;Queria tornar o personagem mais palp\u00e1vel, tirar do pedestal. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 feita por semideuses, \u00e9 feita por gente com sonhos, ang\u00fastias, medos&#8221;, afirma a diretora sobre &#8220;A Viagem de Pedro&#8221;, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca tive a pretens\u00e3o de narrar fatos hist\u00f3ricos, e a travessia do Atl\u00e2ntico em 1831 \u00e9 um pouco um limbo, s\u00e3o escassas as informa\u00e7\u00f5es sobre o que aconteceu. Eu me senti aliviada para poder usar licen\u00e7as po\u00e9ticas, para poder falar de Pedro e do Brasil, e tamb\u00e9m para me p\u00f4r ali dentro.&#8221;<\/p>\n<p>O filme mostra o imperador num momento de impopularidade no Brasil. Al\u00e9m disso, restavam a ele poucas reservas financeiras, o que tornaria mais complicado o embate do seu grupo contra as tropas de dom Miguel, seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia ainda os tormentos de ordem mais pessoal. Ao longo da viagem, Pedro sente dificuldade para fazer sexo com Am\u00e9lia, sua segunda mulher, uma limita\u00e7\u00e3o que o deixa em d\u00favida sobre sua virilidade. Uma disfun\u00e7\u00e3o desse tipo era especialmente embara\u00e7osa para um homem como ele, que colecionava amantes. &#8220;Desconstru\u00edmos a virilidade dele, existem relatos de que tinha s\u00edfilis. Pedro n\u00e3o conseguia engravidar Am\u00e9lia&#8221;, diz Cau\u00e3 Reymond.<\/p>\n<p>No mais, o monarca tinha lembran\u00e7as recorrentes de Leopoldina, sua primeira mulher, que havia morrido cinco anos antes. Crises n\u00e3o faltavam, portanto. Bodanzky se sentiu \u00e0 vontade para, a partir da\u00ed, imaginar a travessia, mas imaginar, segundo ela, com base em fatos concretos. &#8220;N\u00e3o inventei nada, ele estava mesmo doente e sentia muita culpa.&#8221;<\/p>\n<p>O envolvimento da diretora com o trabalho se uniu \u00e0 inquietude de Reymond. &#8220;Eu buscava personagens que n\u00e3o estavam chegando para mim [quando o projeto foi idealizado], personagens interessantes que me levassem para um outro lugar&#8221;, diz o ator de 42 anos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o quer\u00edamos construir um her\u00f3i&#8221;, conta. &#8220;Ele se dizia liberal e, no entanto, agia como um ditador quando se sentia inseguro. Tinha uma postura militar, mas muitas vezes era tomado pela fragilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o ator, &#8220;A Viagem de Pedro&#8221; fala muito aos dias de hoje ao abordar temas como &#8220;masculinidade t\u00f3xica e racismo estrutural&#8221;. Em meio \u00e0 travessia, Pedro trata Am\u00e9lia com rispidez, como tamb\u00e9m fazia com Leopoldina. O comportamento agressivo como marido contrasta com a gentileza com a qual lida com os filhos -duas das crian\u00e7as aparecem no filme, Pedro, futuro imperador do Brasil, e Maria, mais tarde rainha de Portugal.<\/p>\n<p>O racismo de que fala Reymond fica evidente no modo como Pedro e outros representantes da corte presentes na fragata tratam os negros, fossem eles escravizados ou libertos. S\u00e3o os cozinheiros e outros servi\u00e7ais.<\/p>\n<p>Devido ao seu comportamento informal, o monarca parece pr\u00f3ximo dos trabalhadores negros. Logo se v\u00ea, entretanto, que \u00e9 uma intimidade amb\u00edgua, revestida de discrimina\u00e7\u00e3o em di\u00e1logos e gestos.<\/p>\n<p>Segundo Bodanzky, algumas passagens com personagens negros indicadas no roteiro foram exclu\u00eddas ou alteradas ao longo do processo. Estava prevista, por exemplo, uma cena em que Pedro estupra uma mulher negra, momento que chegou a ser filmado -&#8220;fizemos com respeito, com sutileza&#8221;, diz- , mas caiu na edi\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p>&#8220;Como branca, achei que era importante lembrar que isso aconteceu no Brasil. Mostrei a cena para uma amiga, uma cineasta preta, que falou que eu deveria tirar. Depois, outras pessoas pretas disseram &#8216;a gente n\u00e3o aguenta mais, \u00e9 preciso contar aquilo que ainda n\u00e3o foi contado, mudar o imagin\u00e1rio'&#8221;, lembra Bodanzky.<\/p>\n<p>Mudar o imagin\u00e1rio nessa e em outras quest\u00f5es mal resolvidas do passado do Brasil -ou ao menos apresentar ao p\u00fablico outros caminhos para entender o pa\u00eds. Talvez seja esse o principal objetivo de &#8220;A Viagem de Pedro&#8221;. N\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>A VIAGEM DE PEDRO<br \/>Quando Estreia nesta quinta (1\u00ba) nos cinemas<br \/>Classifica\u00e7\u00e3o 14 anos<br \/>Elenco Cau\u00e3 Reymond, Vit\u00f3ria Guerra e Rita Wainer<br \/>Produ\u00e7\u00e3o Brasil, 2021<br \/>Dire\u00e7\u00e3o La\u00eds Bodanzky<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1939803\/caua-reymond-vive-um-dom-pedro-1-impotente-em-crise-e-a-deriva-no-mar-em-filme?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; H\u00e1 cerca de oito anos, a cineasta La\u00eds Bodanzky foi convidada por Cau\u00e3<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":88315,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-88314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88314\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}