{"id":88028,"date":"2022-08-29T18:08:26","date_gmt":"2022-08-29T21:08:26","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/29\/sob-bolsonaro-conflitos-no-campo-ameacam-comunidades-tradicionais\/"},"modified":"2022-08-29T18:08:26","modified_gmt":"2022-08-29T21:08:26","slug":"sob-bolsonaro-conflitos-no-campo-ameacam-comunidades-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/29\/sob-bolsonaro-conflitos-no-campo-ameacam-comunidades-tradicionais\/","title":{"rendered":"Sob Bolsonaro, conflitos no campo amea\u00e7am comunidades tradicionais"},"content":{"rendered":"<p>MANAUS, AM, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) &#8211; Em janeiro de 2020, Celino e Wanderson Fernandes, pai e filho, foram mortos por pistoleiros no Cedro, comunidade quilombola na cidade de Arari, no Maranh\u00e3o. O clima de inseguran\u00e7a perdurou nos meses seguintes na comunidade, que viveu o luto de outras tr\u00eas mortes em circunst\u00e2ncias parecidas: Jo\u00e3o de Deus Moreira e Ant\u00f4nio Gon\u00e7alo foram assassinados em 2021, e Jos\u00e9 Francisco Rodrigues, em 2022.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No ano passado, tamb\u00e9m foram mortos, em Penalva (MA), os quilombolas Maria Jos\u00e9 Rodrigues e Jos\u00e9 do Carmo J\u00fanior, e, em S\u00e3o Jo\u00e3o do Soter (MA), Edvaldo Rocha, l\u00edder da comunidade Jacarezinho.<br \/>As oito mortes em um \u00fanico estado em pouco mais de dois anos representam apenas uma fra\u00e7\u00e3o da escalada de viol\u00eancia em torno de conflitos agr\u00e1rios no Brasil durante o governo Jair Bolsonaro (PL).<\/p>\n<p>Dados da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra apontam que o n\u00famero de conflitos no campo escalou: foram 4.214 nos \u00faltimos tr\u00eas anos, alta de 11,5% em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas anos anteriores, com um total de 109 mortes.<\/p>\n<p>Em 2021, foram 1.768 conflitos registrados, em especial nos estados de Minas Gerais, Par\u00e1, Bahia e Maranh\u00e3o, e 35 pessoas assassinadas em meio a disputas por terras, 29 das quais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o se tornou o epicentro dos conflitos agr\u00e1rios no pa\u00eds diante do avan\u00e7o das fronteiras agr\u00edcolas e do garimpo ilegal, que acossaram ind\u00edgenas e moradores de comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>Bolsonaro se elegeu em 2018 com as promessas de n\u00e3o demarcar &#8220;nem um cent\u00edmetro sequer&#8221; de terras ind\u00edgenas e de afrouxar regras de licenciamento ambiental.<\/p>\n<p>No governo, aplicou pol\u00edticas p\u00fablicas que estimularam a grilagem, como o Titula Brasil, que transfere poderes a munic\u00edpios para regulariza\u00e7\u00e3o de terras, e a\u00e7\u00f5es como a pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho.<br \/>O discurso encontra guarida em parte dos eleitores dos estados amaz\u00f4nicos, que em sua maioria elegeram governadores alinhados ao presidente e que tamb\u00e9m flexibilizaram regras ambientais.<\/p>\n<p>O tema vai al\u00e9m das divis\u00f5es entre direita e esquerda. No Amazonas, parte do PT defende a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas, pauta incentivada por Bolsonaro e criticada por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT).<\/p>\n<p>Obras de infraestrutura em \u00e1reas sens\u00edveis da floresta tamb\u00e9m geram controv\u00e9rsia, caso da pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319. Mesmo sem consultas aos povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o nem a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o para amortecer estragos e conflitos, o governo federal comemorou a emiss\u00e3o da licen\u00e7a inicial, dada pelo Ibama, para revestir o trecho do meio da estrada.<\/p>\n<p>Os documentos da autoriza\u00e7\u00e3o, concedida em julho, apontam um risco de intensifica\u00e7\u00e3o da grilagem nos dois lados da estrada, em caso de pavimenta\u00e7\u00e3o da via. Na parte sul da BR-319, os conflitos ganham for\u00e7a a cada ano, fazendo com que moradores vivam sob medo permanente. Um deles \u00e9 Francisco Amaral, 56, que h\u00e1 cinco anos n\u00e3o tem not\u00edcias do paradeiro da sua mulher, Marinalva Silva.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2017, ela, Fl\u00e1vio de Souza e Jairo Feitosa desapareceram ap\u00f3s uma abordagem que teria sido feita por fazendeiros e grileiros da regi\u00e3o. Eles lideravam uma associa\u00e7\u00e3o que tentava regularizar o assentamento constitu\u00eddo numa \u00e1rea atribu\u00edda \u00e0 Uni\u00e3o. Desde ent\u00e3o, as fam\u00edlias convivem com amea\u00e7as, conta Francisco: &#8220;Todo ano, no ver\u00e3o, pessoas armadas expulsam os moradores e exploram a madeira. Elas costumam dizer que, se n\u00e3o sa\u00edrem, vai ocorrer a mesma coisa que ocorreu com os outros tr\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>Da pol\u00edcia, os familiares escutaram que eles devem estar mortos. Nenhum desfecho da investiga\u00e7\u00e3o foi comunicado aos parentes. &#8220;\u00c9 muito ruim, uma hist\u00f3ria que parece n\u00e3o ter fim. O emocional parece n\u00e3o ter a mesma aceita\u00e7\u00e3o que o racional tem&#8221;, diz a professora Rosiane de Souza, 46, esposa de Fl\u00e1vio.<\/p>\n<p>No ano anterior ao desaparecimento, Fl\u00e1vio atuou como brigadista do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade). As disputas por terra na regi\u00e3o da BR-319, em especial ao sul do Amazonas, agravaram-se ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, constataram estudiosos, indicadores e moradores.<\/p>\n<p>&#8220;Piorou muito com Bolsonaro. Sumiu mais gente. E as pessoas est\u00e3o bem mais armadas, pensam que podem fazer tudo&#8221;, afirma Amaral, ex-companheiro de Marinalva. Segundo ele, o assentamento se esvaziou depois dos sumi\u00e7os e das amea\u00e7as. &#8220;N\u00e3o ocorreu nada. Ficou no esquecimento. Nenhum dos tr\u00eas \u00e9 estrangeiro, s\u00e3o simples brasileiros. Quando \u00e9 internacional, descobrem rapidamente.&#8221;<\/p>\n<p>Ele se refere ao desfecho do caso dos assassinatos, no Vale do Javari, do indigenista Bruno Pereira e do jornalista ingl\u00eas Dom Phillips, que vivia no Brasil, crime com grande repercuss\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi um caso isolado. Conflitos provocados por invas\u00f5es \u00e0 terra ind\u00edgena, feitas para alimentar um esquema de pesca e ca\u00e7a ilegal, passaram a ser cada vez mais frequentes, especialmente em raz\u00e3o do desmantelamento de \u00f3rg\u00e3os como a Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio).<\/p>\n<p>Em 2021, houve 305 casos de invas\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o ilegal e danos a 226 terras ind\u00edgenas no Brasil, um recorde, de acordo com levantamento divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio), ligado \u00e0 CNBB (Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil). A cifra representa aumento de 180% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros de 2018, \u00faltimo dado antes do in\u00edcio da gest\u00e3o Bolsonaro.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do Cimi ainda cita 176 assassinatos de ind\u00edgenas no ano passado. Em 2020, foram 182, o maior n\u00famero j\u00e1 registrado desde 2014.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Amaz\u00f4nia, o Cerrado tamb\u00e9m se tornou um dos principais palcos de conflitos agr\u00e1rios no pa\u00eds, sobretudo em regi\u00f5es das novas fronteiras agr\u00edcolas nos estados do Maranh\u00e3o, do Tocantins, do Piau\u00ed e da Bahia. O avan\u00e7o de megafazendas que atuam sobretudo na produ\u00e7\u00e3o de soja, milho e algod\u00e3o encurralou as popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>A supress\u00e3o de \u00e1reas de cerrado teve o aval de governadores da regi\u00e3o, parte dos quais de partidos de esquerda. Em alguns casos, houve autoriza\u00e7\u00e3o para retirada de vegeta\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo em \u00e1reas consideradas griladas pelo Incra.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do condom\u00ednio Fazenda Estrondo, em Formosa do Rio Preto, no oeste baiano. Respons\u00e1vel pela \u00e1rea, a Delfin Rio foi autorizada pelo governo Rui Costa (PT) a suprimir 24,7 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, uma \u00e1rea maior que a da cidade do Recife.<\/p>\n<p>A empresa afirma que est\u00e1 cumprindo condicionantes e que s\u00f3 vai desmatar 10% do total autorizado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve conflitos. Em janeiro de 2019, o agricultor Jassone Lopes Leite foi baleado por seguran\u00e7as da empresa, que alegou intimida\u00e7\u00e3o de seus funcion\u00e1rios. Neste ano, agricultores e comunidades tradicionais fecharam um acordo para a desativa\u00e7\u00e3o das guaritas e permiss\u00e3o do acesso dos moradores em \u00e1reas da fazenda.<\/p>\n<p>Mayron Borges, presidente do F\u00f3rum Caraj\u00e1s, que atua na articula\u00e7\u00e3o de movimentos sociais na regi\u00e3o, diz que os quilombolas est\u00e3o duplamente atingidos. De um lado, Bolsonaro travou a titula\u00e7\u00e3o e a regulariza\u00e7\u00e3o das comunidades. Do outro, o governo do Maranh\u00e3o autorizou o desmatamento de novas \u00e1reas nas gest\u00f5es do ex-governador Fl\u00e1vio Dino e do atual, Carlos Brand\u00e3o, ambos do PSB.<\/p>\n<p>Em cumprimento a uma decis\u00e3o judicial, o governo do Maranh\u00e3o celebrou um acordo e assinou uma portaria que garante o direito \u00e0 consulta dos povos e comunidades tradicionais durante os processos de licenciamento ambiental.<\/p>\n<p>O governo informou que a escalada de viol\u00eancia contra os povos e comunidades tradicionais n\u00e3o se restringe ao Maranh\u00e3o e \u00e9 resultado mudan\u00e7as pol\u00edticas a partir de 2018, com agravamento do quadro de conflitos a partir de 2020.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/politica\/1939111\/sob-bolsonaro-conflitos-no-campo-ameacam-comunidades-tradicionais?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MANAUS, AM, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) &#8211; Em janeiro de 2020, Celino e Wanderson Fernandes,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":88029,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-88028","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88028\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}