{"id":87895,"date":"2022-08-29T06:08:21","date_gmt":"2022-08-29T09:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/29\/numero-de-pessoas-vulneraveis-cresce-mas-o-de-doacoes-diminui\/"},"modified":"2022-08-29T06:08:21","modified_gmt":"2022-08-29T09:08:21","slug":"numero-de-pessoas-vulneraveis-cresce-mas-o-de-doacoes-diminui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/29\/numero-de-pessoas-vulneraveis-cresce-mas-o-de-doacoes-diminui\/","title":{"rendered":"N\u00famero de pessoas vulner\u00e1veis cresce, mas o de doa\u00e7\u00f5es diminui"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Ellen Santana da Silva, 18, n\u00e3o come verduras e legumes h\u00e1 dois meses por falta de dinheiro. Desempregada e com uma filha de cinco meses, ela precisa trocar a carne bovina por salsicha e lingui\u00e7a, mas j\u00e1 se viu sem nada para comer.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No come\u00e7o da pandemia, doa\u00e7\u00f5es de marmitas e cestas b\u00e1sicas ajudavam a amenizar o quadro de vulnerabilidade social. Com o passar do tempo, por\u00e9m, as doa\u00e7\u00f5es minguaram, enquanto a inseguran\u00e7a alimentar aumentou.<\/p>\n<p>&#8220;A gente recebia bastante doa\u00e7\u00e3o, mas agora caiu bastante e as coisas est\u00e3o mais dif\u00edceis. Agora, a gente est\u00e1 se virando do jeito que pode, mas est\u00e1 piorando cada vez mais&#8221;, diz ela, que mora com mais cinco pessoas em uma casa de tr\u00eas c\u00f4modos em Parais\u00f3polis, favela na zona sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A renda de R$ 500 mensais da fam\u00edlia por vezes \u00e9 insuficiente para comprar itens b\u00e1sicos, como o g\u00e1s de cozinha. Quando isso acontece, a alternativa \u00e9 cozinhar na casa de uma vizinha.<\/p>\n<p>O cotidiano de Maria Carvalho, 61, tamb\u00e9m piorou. &#8220;As coisas foram ficando mais dif\u00edceis, e as doa\u00e7\u00f5es foram diminuindo. Antes, eu conseguia pegar quatro marmitas. Hoje, s\u00e3o duas&#8221;, contabiliza ela, que mora com os dois netos.<\/p>\n<p>Carvalho trabalhava como empregada dom\u00e9stica, mas perdeu o emprego quando a pandemia come\u00e7ou, em 2020. &#8220;Antes tinha menos gente na fila. Agora vem mais gente, s\u00f3 que a comida diminuiu.&#8221;<\/p>\n<p>Tanto Ellen quanto Maria s\u00e3o atendidas pelo G10 Favelas, iniciativa que chegou a fazer 10 mil marmitas por dia no auge da crise, n\u00famero que despencou para 600 depois que as contribui\u00e7\u00f5es ca\u00edram.<\/p>\n<p>Presidente do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, 38, acredita que a queda tenha acontecido porque uma parcela da sociedade passou a encarar a inseguran\u00e7a alimentar como algo normal. Hoje, 33 milh\u00f5es de brasileiros passam fome, n\u00famero maior do que o registrado h\u00e1 30 anos.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas se acostumaram com a fome, com o desemprego e com o aumento das filas de marmita. Elas est\u00e3o conformadas com uma realidade piorada. A gente v\u00ea reflexo disso em Parais\u00f3polis, mas isso \u00e9 retrato do Brasil inteiro.&#8221;<\/p>\n<p>Um levantamento da Cufa (Central \u00danica das Favelas) confirmou que a diminui\u00e7\u00e3o de fato n\u00e3o \u00e9 algo isolado. De acordo com a entidade, as doa\u00e7\u00f5es ca\u00edram 80% em 5.000 favelas em rela\u00e7\u00e3o a 2020.<\/p>\n<p>Para Drika Martim, 37, diretora institucional do projeto Mulheres da Cufa, esse tombo expressivo se deve ao empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela afirma que a iniciativa j\u00e1 atendeu pessoas que fizeram contribui\u00e7\u00f5es no come\u00e7o da pandemia, mas que, depois, passaram a depender de ajuda para poder sobreviver.<\/p>\n<p>Martim destaca ainda que o aumento da pobreza e a diminui\u00e7\u00e3o das colabora\u00e7\u00f5es agravam a vulnerabilidade das mulheres. Elas n\u00e3o apenas passam a ter dificuldades para se alimentar, mas tamb\u00e9m para manter a higiene \u00edntima.<\/p>\n<p>&#8220;Existem casos de mulheres que n\u00e3o t\u00eam como comprar um absorvente e precisam colocar entre as pernas roupa usada, jornal ou miolo de p\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de comida e absorventes, ela diz que s\u00e3o fundamentais roupas para enfrentar as ondas de frio registradas neste ano.<br \/>&#8220;As baixas temperaturas trazem desespero para essas fam\u00edlias, que vivem em \u00e1reas vulner\u00e1veis, o que faz o ambiente ser mais \u00famido e frio. Elas dependem 100% das doa\u00e7\u00f5es de roupas usadas&#8221;, diz, acrescentando que o clima aumenta o risco de mortes e doen\u00e7as respirat\u00f3rios entre pessoas em vulnerabilidade social.<\/p>\n<p>&#8220;Existe fam\u00edlia que tem oito pessoas, mas a gente consegue atender s\u00f3 com um cobertor. A queda de temperatura aumenta muito as nossas demandas&#8221;, diz Martim.<\/p>\n<p>A assistente social acrescenta que, al\u00e9m do aumento da pobreza, as doa\u00e7\u00f5es ca\u00edram porque algumas empresas deixaram de fazer contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A doa\u00e7\u00e3o de empresas sempre foi a mais volumosa. A gente entende que talvez essas empresas achem que n\u00e3o h\u00e1 uma demanda t\u00e3o grande ou n\u00e3o t\u00eam f\u00f4lego [financeiro] para contribuir.&#8221;<\/p>\n<p>Diretor-executivo da A\u00e7\u00e3o da Cidadania, Rodrigo Afonso, 48, faz coro \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de Martim e afirma que as companhias n\u00e3o mantiveram o volume de colabora\u00e7\u00f5es do come\u00e7o da pandemia. Segundo ele, no ano passado, a doa\u00e7\u00e3o de pessoas jur\u00eddicas representou quase 80% dos recursos da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a queda, a A\u00e7\u00e3o da Cidadania arrecadou at\u00e9 julho deste ano R$ 10 milh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo do ano passado, esse valor chegava a cerca de R$ 60 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas doam uma vez no ano e acham que \u00e9 suficiente. H\u00e1 algumas empresas que fazem doa\u00e7\u00e3o recorrente, mas a maioria doa uma vez no ano ou a cada dois, tr\u00eas anos e pronto.&#8221;<\/p>\n<p>Ele diz que as companhias t\u00eam dificuldade em manter doa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para a\u00e7\u00f5es contra a fome porque consideram que a solu\u00e7\u00e3o vem de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e emprego.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sabe que a solu\u00e7\u00e3o vem da\u00ed. Mas, enquanto ela n\u00e3o chega, as pessoas ficam com fome e morrem&#8221;, afirma Afonso.<\/p>\n<p>&#8220;A maior dificuldade de quem luta contra a fome \u00e9 fazer a sociedade entender que, se as pessoas n\u00e3o comerem, elas n\u00e3o v\u00e3o estudar, n\u00e3o v\u00e3o procurar emprego e n\u00e3o v\u00e3o ter sa\u00fade. O maior problema do Brasil hoje \u00e9 a fome. Enquanto voc\u00ea n\u00e3o resolve isso, n\u00e3o resolve nenhum outro problema social.&#8221;<\/p>\n<p>A escassez de ajuda tem criado um dilema para algumas organiza\u00e7\u00f5es. Elas se veem obrigadas a escolher quem precisa mais dos mantimentos por estar em maior vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Foi isso que aconteceu no projeto Quebrada Alimentada, iniciativa do restaurante Mocot\u00f3. No fim do ano passado, atendia cerca de 400 pessoas, n\u00famero que caiu para 70 neste ano em raz\u00e3o da queda de doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 tendo que dizer n\u00e3o para muitas pessoas, escolher grupos e diminuir as marmitas. \u00c9 muito cruel e muito pesado ver isso, porque voc\u00ea sabe que a pessoa est\u00e1 precisando&#8221;, afirma a historiadora Adriana Salay, coordenadora da iniciativa.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 1 dos 154 que integram a campanha Gente \u00e9 pra Brilhar, N\u00e3o pra Morrer de Fome. De acordo com Salay, outros coletivos que fazem parte da campanha tamb\u00e9m enfrentam queda nas doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 numa crise profunda de fome, mas as doa\u00e7\u00f5es est\u00e3o na contram\u00e3o&#8221;, conta ela. &#8220;Enquanto sociedade, a gente falhou por ter mais da metade da popula\u00e7\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar. Isso n\u00e3o \u00e9 um problema de uma fam\u00edlia, mas sim um problema de todos n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p>Outra iniciativa que viu as doa\u00e7\u00f5es encolherem no \u00faltimo ano foi a Gastromotiva, organiza\u00e7\u00e3o fundada em 2006 pelo chef e empreendedor social David Hertz.<\/p>\n<p>De acordo com Clarisse Ivo, gerente de capta\u00e7\u00e3o de recursos da ONG, houve uma queda de 60% nas doa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, o que motivou o fechamento de 50 cozinhas em quatro estados. &#8220;Isso representa 750 mil refei\u00e7\u00f5es que deixaram de ser distribu\u00eddas por conta desse fechamento.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar disso, ela ainda considera que o brasileiro seja solid\u00e1rio. &#8220;Quando voc\u00ea prova o que est\u00e1 fazendo e mostra os resultados, as pessoas t\u00eam muito prazer em fazer doa\u00e7\u00e3o e em ser volunt\u00e1rio. \u00c9 um trabalho de formiguinha: a gente come\u00e7a a falar do projeto, a pessoa se encanta e come\u00e7a a doar&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1938780\/numero-de-pessoas-vulneraveis-cresce-mas-o-de-doacoes-diminui?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Ellen Santana da Silva, 18, n\u00e3o come verduras e legumes h\u00e1 dois meses<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":87896,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-87895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87895\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}