{"id":86709,"date":"2022-08-20T18:08:21","date_gmt":"2022-08-20T21:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/20\/pussy-riot-muda-o-tom-em-atos-contra-putin-vai-para-o-onlyfans-e-se-entrega-ao-pop\/"},"modified":"2022-08-20T18:08:21","modified_gmt":"2022-08-20T21:08:21","slug":"pussy-riot-muda-o-tom-em-atos-contra-putin-vai-para-o-onlyfans-e-se-entrega-ao-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/20\/pussy-riot-muda-o-tom-em-atos-contra-putin-vai-para-o-onlyfans-e-se-entrega-ao-pop\/","title":{"rendered":"Pussy Riot muda o tom em atos contra Putin, vai para o OnlyFans e se entrega ao pop"},"content":{"rendered":"<p>MARINA LOUREN\u00c7O<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Dez anos atr\u00e1s, o Pussy Riot pariu uma das performances mais pol\u00eamicas da m\u00fasica contempor\u00e2nea. Vestindo balaclavas coloridas para esconder os rostos das integrantes, o grupo feminista foi \u00e0 Catedral de Cristo Salvador, na capital russa, e tocou sua &#8220;Punk Prayer&#8221;, can\u00e7\u00e3o que faz refer\u00eancias a s\u00edmbolos sacros como a Virgem Maria e debocha do presidente russo Vladimir Putin.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o, que logo viralizou, levou tr\u00eas das artistas do coletivo \u00e0 pris\u00e3o e rendeu fama global ao grupo, que nos \u00faltimos tempos tem trilhado caminhos bem diferentes dos que trilhava naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ada neste m\u00eas, a mixtape &#8220;Matriarchy Now&#8221; traz o Pussy Riot numa vers\u00e3o menos punk e mergulhada num superpop de acenos pol\u00edticos sutis se comparados aos de can\u00e7\u00f5es como &#8220;Punk Prayer&#8221;, &#8220;Make America Great Again&#8221; e &#8220;Straight Outta Vagina&#8221;.<\/p>\n<p>Com letras cheias de alus\u00f5es sexuais e domina\u00e7\u00e3o feminina, as faixas do disco -produzido pela sueca Tove Lo, do hit &#8220;Habits&#8221;- dispensam a bateria acelerada, a guitarra rasgada e os vocais gritados que marcaram o grupo no in\u00edcio da carreira e, em vez disso, d\u00e3o lugar a batidas eletr\u00f4nicas, sintetizadores dan\u00e7antes e flertes com o grime em can\u00e7\u00f5es como &#8220;Poof Bitch&#8221;, que traz a rapper Big Freedia.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje, por\u00e9m, que o grupo embarca no pop. Embora mais politizado do que as m\u00fasicas atuais, o hit &#8220;Make America Great Again&#8221;, de 2016, j\u00e1 indicava essa outra faceta do coletivo russo, que se define como art\u00edstico-ativista e \u00e9 considerado um dos principais nomes atuais do chamado &#8220;riot grrrl&#8221;, movimento que une o punk a ideais feministas.<\/p>\n<p>De 2012 para c\u00e1, o Pussy Riot mudou seu estilo musical, mas n\u00e3o s\u00f3. Se antes suas integrantes n\u00e3o hesitavam em causar alvoro\u00e7o com ousados protestos contra o governo russo que repercutiam pelo mundo, hoje seus gritos s\u00e3o mais cautelosos e evitam deixar pistas de seus paradeiros.<\/p>\n<p>Isso porque a R\u00fassia de 2012 e a de 2022 s\u00e3o pa\u00edses diferentes. Ou, pelo menos, \u00e9 o que pensa Nadya Tolokonnikova, vocalista do Pussy Riot e ex-integrante do coletivo russo Voina.<\/p>\n<p>&#8220;Perdemos nossas liberdades. Tudo est\u00e1 muito pior&#8221;, diz a artista, em entrevista por videochamada. &#8220;Hoje, a liberdade de express\u00e3o basicamente n\u00e3o existe na R\u00fassia. Se voc\u00ea falar algo sobre a Guerra da Ucr\u00e2nia, corre o risco de ficar preso por at\u00e9 15 anos. Voc\u00ea nem pode chamar o que est\u00e1 acontecendo de guerra, porque, de acordo com um decreto [do governo], isso \u00e9 uma &#8216;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8217;. As pessoas v\u00e3o para a cadeia at\u00e9 por coisas pequenas, como posts de Instagram e Twitter.&#8221;<\/p>\n<p>Tolokonnikova, famosa por protagonizar protestos como o ato contra Putin na Catedral de Cristo Salvador -epis\u00f3dio que imp\u00f4s a ela dois anos atr\u00e1s das grades por &#8220;vandalismo motivado por \u00f3dio religioso&#8221;\u2013, mant\u00e9m sua localiza\u00e7\u00e3o atual em segredo.<\/p>\n<p>Lucy Shtein e Maria Alyokhina, outras integrantes do Pussy Riot, tamb\u00e9m vivem hoje num lugar n\u00e3o revelado e fugiram da R\u00fassia neste ano, conforme contaram ao jornal brit\u00e2nico The Guardian.<\/p>\n<p>Shtein, que estava em pris\u00e3o domiciliar havia mais de um ano por promover um protesto em defesa do l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o russa Alexei Navalni -atualmente, preso-, saiu do pa\u00eds de fininho e disfar\u00e7ada com roupas de entregadora de delivery pouco depois da eclos\u00e3o da Guerra da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>J\u00e1 Alyokhina, que foi detida mais de seis vezes, fugiu em abril, quando soube que sua pris\u00e3o domiciliar se transformaria em breve numa pena de c\u00e1rcere. Foi nesse momento tamb\u00e9m que se endureceu a repress\u00e3o russa sobre manifestantes contr\u00e1rios \u00e0 guerra.<br \/>&#8220;Pessoas est\u00e3o sendo presas e torturadas. E seus familiares perdendo emprego por estarem associados a elas. H\u00e1 tamb\u00e9m assassinatos&#8221;, diz Tolokonnikova. &#8220;Aqueles que ainda se manifestam [nas ruas] s\u00e3o extremamente corajosos. Mas nem todos conseguem ser, porque o pre\u00e7o do protesto \u00e9, literalmente, a vida.&#8221;<\/p>\n<p>Tolokonnikova diz ainda que tenta n\u00e3o pensar muito nos pr\u00f3prios medos, v\u00e1rios dos quais vindos do per\u00edodo em que esteve presa e, por isso, diz que prefere pensar em refletir a respeito do que realmente pode fazer para protestar.<\/p>\n<p>Muitas vezes lembrado mais pelo lado ativista do que pelo musical, o Pussy Riot coleciona v\u00e1rios atos pol\u00eamicos. Antes de causar alvoro\u00e7o na Catedral de Cristo Salvador, por exemplo, o coletivo j\u00e1 havia virado not\u00edcia quando apareceu em frente \u00e0 Catedral de S\u00e3o Bas\u00edlio, em Moscou, onde soltou fuma\u00e7a colorida, ergueu uma bandeira feminista e tocou uma m\u00fasica com uma letra que afirma que Vladimir Putin urina nas cal\u00e7as.<\/p>\n<p>Hoje em dia, ainda que o coletivo continue promovendo o ativismo de causas diversas e a\u00e7\u00f5es que esbarram nos objetivos do governo russo, o Pussy Riot d\u00e1 as caras mais em atos virtuais ou presenciais que estejam al\u00e9m das fronteiras de seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>Em junho, algumas integrantes do grupo foram \u00e0 sede do governo do estado do Texas, nos Estados Unidos, e fizeram um ato de rep\u00fadio \u00e0 suspens\u00e3o do direito constitucional ao aborto naquele pa\u00eds, pendurando, no interior da institui\u00e7\u00e3o, uma gigantesca faixa estampada com o letreiro &#8220;Matriarchy Now&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 consequ\u00eancia de Donald Trump. Quando era presidente, ele nomeou ju\u00edzes republicanos de extrema direita para a Suprema Corte. Agora, vemos os resultados disso&#8221;, diz a cantora.<\/p>\n<p>Reagindo a essas decis\u00f5es, o Pussy Riot abriu o LegalAbortion, um fundo de criptomoeda para doa\u00e7\u00f5es a organiza\u00e7\u00f5es que defendem direitos reprodutivos, como o Sister Song e o Naral Pro-Choice America. Segundo Tolokonnikova, j\u00e1 foram doados mais de US$ 500 mil, isto \u00e9, mais de R$ 2,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Algo parecido aconteceu em fevereiro, quando ela e outros ativistas abriram o UkraineDAO para arrecadar dinheiro por meio da venda de obras em NFT \u2013tokens n\u00e3o fungive\u00eds- de artistas mulheres e LGBTQIA+. Tolokonnikova afirma que a renda -que j\u00e1 ultrapassa o valor de US$ 4,5 milh\u00f5es, ou R$ 23,3 milh\u00f5es- \u00e9 distribu\u00edda para organiza\u00e7\u00f5es ucranianas que mobilizam apoio ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Eu me sinto envergonhada das a\u00e7\u00f5es do meu Vladimir Putin. Gostaria de dizer &#8216;presidente&#8217;, mas ele n\u00e3o \u00e9 um presidente&#8221;, afirma a cantora. &#8220;\u00c9 o ditador mais perigoso do planeta neste momento. Talvez as pessoas n\u00e3o saibam como o barrar, e isso tamb\u00e9m exigiria uma movimenta\u00e7\u00e3o em escala global.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a ativista, a Ucr\u00e2nia tem chances de sair vitoriosa da guerra pelo fato de estar, segundo ela, &#8220;do lado certo da hist\u00f3ria&#8221;. Al\u00e9m disso, ela afirma que cada vez mais as pessoas t\u00eam compreendido &#8220;os perigos que Putin oferece&#8221;.<\/p>\n<p>Tolokonnikova ainda ressalta que \u00e9 importante separar o l\u00edder russo da popula\u00e7\u00e3o russa e critica uma onda recente de boicote a obras do pa\u00eds. &#8220;At\u00e9 faz sentido em caso de artistas pr\u00f3-Putin, ou pr\u00f3-guerra, mas voc\u00ea n\u00e3o pode pintar todos os russos como ruins. \u00c9 injusto e pode desencorajar pessoas a se opor ao governo.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda que seja o principal alvo do Pussy Riot, Putin n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico inimigo do grupo. Elas tamb\u00e9m dizem ter por alvo o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2020, quando a banda veio ao Brasil para fazer um show, em S\u00e3o Paulo, no Festival Ver\u00e3o Sem Censura, um cartaz com as cores da bandeira LGBTQIA+ e o rosto de Bolsonaro ao lado de barris de lixo t\u00f3xico, armas e animais mortos foi publicado nas redes do coletivo.<br \/>Na postagem, a banda prometia fazer um show de revolta, &#8220;como se estivesse em cima daquela &#8216;cabe\u00e7a-busto-desgoverno-monumento-vazia de ideias'&#8221;, em refer\u00eancia ao presidente brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Ele \u00e9 antifeminista, anti-LGBTQIA+, autorit\u00e1rio e perigoso para o planeta&#8221;, afirma Tolokonnikova, que em seguida engata em relatos de uma viagem que fez \u00e0 Amaz\u00f4nia, anos atr\u00e1s. Ela conta que conversou com v\u00e1rios ind\u00edgenas da regi\u00e3o e s\u00f3 ouviu &#8220;coisas terr\u00edveis&#8221; sobre o presidente.<\/p>\n<p>&#8220;Fazendeiros est\u00e3o queimando florestas para dar espa\u00e7o a gado, poluindo rios e assassinando povos ind\u00edgenas. E, at\u00e9 onde sei, Bolsonaro os apoia.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de carteiras virtuais para arrecada\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, o Pussy Riot tamb\u00e9m est\u00e1 por tr\u00e1s do site Mediazona. Fundado em 2014 por Tolokonnikova e Masha Alekhina, a plataforma \u00e9 um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o independente, no qual textos e podcasts s\u00e3o publicados sem o pitaco de pessoas ligadas ao Kremlin.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com tantas a\u00e7\u00f5es militantes no universo virtual, a rotina online atual do Pussy Riot n\u00e3o se resume a ativismo ou a m\u00fasica. O grupo tamb\u00e9m tem perfil no OnlyFans, rede que ficou famosa por conte\u00fado er\u00f3tico pago.<\/p>\n<p>L\u00e1 h\u00e1 centenas de nudes e v\u00eddeos de Tolokonnikova mostrando o corpo e seduzindo seus assinantes, que chegam a pagar at\u00e9 US$ 79,80 -ou R$ 413- para ver as feministas nuas. Em v\u00e1rias postagens, o grupo explora um fetiche no qual mulheres s\u00e3o dominadoras sexuais, algo que est\u00e1 presente tamb\u00e9m em letras do novo disco da banda.<\/p>\n<p>Segundo a cantora, produzir conte\u00fados pornogr\u00e1ficos e se declarar feminista n\u00e3o s\u00e3o tarefas que andam, necessariamente, em dire\u00e7\u00f5es opostas, ao contr\u00e1rio do que dizem algumas militantes do movimento. &#8220;Se voc\u00ea quer postar fotos nuas, poste. Seu corpo pertence a voc\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p>Quanto ao mergulho no pop em &#8220;Matriarchy Now&#8221;, Tolokonnikova diz que v\u00ea o punk como um estilo de vida que ultrapassa as barreiras sonoras e explica por que, mesmo com tantas mudan\u00e7as nos \u00faltimos tempos, o Pussy Riot ainda bebe das origens. &#8220;Ser punk \u00e9 questionar tudo, incluindo a si pr\u00f3prio. \u00c9 uma atitude, um estado de esp\u00edrito.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1936496\/pussy-riot-muda-o-tom-em-atos-contra-putin-vai-para-o-onlyfans-e-se-entrega-ao-pop?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARINA LOUREN\u00c7OS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Dez anos atr\u00e1s, o Pussy Riot pariu uma das<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":86710,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-86709","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86709"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86709\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}