{"id":85622,"date":"2022-08-12T19:08:27","date_gmt":"2022-08-12T22:08:27","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/12\/amputacoes-numero-de-casos-cresce-no-brasil-e-mais-da-metade-envolve-diabete\/"},"modified":"2022-08-12T19:08:27","modified_gmt":"2022-08-12T22:08:27","slug":"amputacoes-numero-de-casos-cresce-no-brasil-e-mais-da-metade-envolve-diabete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/12\/amputacoes-numero-de-casos-cresce-no-brasil-e-mais-da-metade-envolve-diabete\/","title":{"rendered":"Amputa\u00e7\u00f5es: n\u00famero de casos cresce no Brasil e mais da metade envolve diabete"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de amputa\u00e7\u00f5es de membros inferiores aumentou significativamente no Brasil durante a pandemia de covid-19. Em m\u00e9dia, 66 pacientes passam por esse tipo de cirurgia diariamente. Em 2020, quando a crise sanit\u00e1ria se instalou no Pa\u00eds, a m\u00e9dia di\u00e1ria de amputa\u00e7\u00f5es saltou para 75,64. No ano seguinte, chegou a 79,19, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Para especialistas, o problema estaria relacionado \u00e0 descontinuidade no acompanhamento de pacientes com doen\u00e7as cr\u00f4nicas durante o per\u00edodo.<\/p>\n<p>Mais da metade dos casos de amputa\u00e7\u00f5es envolve pessoas com diabete, embora o problema tamb\u00e9m possa estar relacionado a muitos outros fatores de risco, como tabagismo, hipertens\u00e3o arterial, idade avan\u00e7ada, insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica, estados de hipercoagulabilidade e hist\u00f3rico familiar.<\/p>\n<\/p>\n<p>Entre 2012 e 2021, per\u00edodo do levantamento, 245 mil brasileiros sofreram com amputa\u00e7\u00f5es de pernas, p\u00e9s ou dedos. O trabalho, feito com base em dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mostra que, neste per\u00edodo, de maneira geral, o aumento do n\u00famero de procedimentos foi de 53% &#8211; o que se agravou nos \u00faltimos dois anos. O ano passado registrou a maior soma de procedimentos, 28.906 casos, uma m\u00e9dia di\u00e1ria de 79,19. A probabilidade de esse n\u00famero ser superado em 2022 \u00e9 alta, j\u00e1 que a m\u00e9dia di\u00e1ria de procedimentos nos tres primeiros meses deste ano \u00e9 de 82.<\/p>\n<\/p>\n<p>A grande maioria dos procedimentos m\u00e9dicos teve queda acentuada durante a pandemia. No caso das amputa\u00e7\u00f5es, no entanto, foi registrado um aumento. Para especialistas, isso ocorreu por conta da dificuldade de acompanhamento das complica\u00e7\u00f5es na sa\u00fade dos pacientes que, durante a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, abandonaram tratamentos e evitaram a ida aos hospitais e consult\u00f3rios com medo da contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus. Com isso, muitos acabaram indo ao hospital apenas nas situa\u00e7\u00f5es mais graves, em que j\u00e1 n\u00e3o era poss\u00edvel evitar a amputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>Para o cirurgi\u00e3o vascular Mateus Borges, diretor da SBACV, &#8220;esses dados demonstram o impacto da pandemia no cuidado e na qualidade de vida dos pacientes&#8221;. Segundo ele, pessoas com diabetes que desenvolvem \u00falceras e evoluem para quadros infecciosos demandam longos per\u00edodos de interna\u00e7\u00e3o ou reinterna\u00e7\u00f5es, com consequentes per\u00edodos de perda ou afastamento do trabalho, aposentadoria precoce e, por vezes, queda na autoestima, depress\u00e3o ou cria\u00e7\u00e3o de um quadro de depend\u00eancia de familiares ou amigos.<\/p>\n<\/p>\n<p>Outro dado preocupante \u00e9 o indiv\u00edduo que tem diabete e n\u00e3o sabe. Foi o caso do mineiro Luis Cardoso, de 55 anos, que trabalha em rodeios no interior de S\u00e3o Paulo. Quando fez o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a, j\u00e1 era tarde demais para salvar o ded\u00e3o do p\u00e9 esquerdo. &#8220;Eu estava no interior de S\u00e3o Paulo e tive que ir para Belo Horizonte, para ver o m\u00e9dico e j\u00e1 tive que tirar o ded\u00e3o&#8221;, contou. &#8220;Em 2020 tive um problema de infec\u00e7\u00e3o e tive que tirar os outros quatro dedos.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Durante a pandemia, Luis Cardoso, tamb\u00e9m enfrentou dificuldades. &#8220;As rodovias estavam fechadas e tinha dificuldade para ir a Belo Horizonte ver o meu m\u00e9dico&#8221;, disse. &#8220;Em outubro do ano passado, usei um sapato que machucou o meu p\u00e9 e tive que tirar o dedo do meio do p\u00e9 direito. Mas estou bem, est\u00e1 tudo sob controle.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, os Estados que mais executaram procedimentos de amputa\u00e7\u00f5es de membros inferiores no sistema p\u00fablico foram S\u00e3o Paulo (51.101), Minas Gerais (26.328), Rio de Janeiro (21.265), Bahia (21.069), Pernambuco (16.314) e Rio Grande do Sul (14.469). Por outro lado, os Estados com o menor n\u00famero de registros s\u00e3o Amap\u00e1 (315), Roraima (352), Acre (598), Tocantins (1154) e Rond\u00f4nia (1383).<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Impactos<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m de representar um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, o crescimento constante no n\u00famero de amputa\u00e7\u00f5es no Pa\u00eds traz fortes impactos aos cofres p\u00fablicos, consumindo parte das verbas em sa\u00fade destinadas aos Estados. Apenas em 2021, foram despendidos R$ 62.271.535.96 em procedimentos realizados em todo o Pa\u00eds. Entre janeiro de 2012 e mar\u00e7o de 2022, considerando a infla\u00e7\u00e3o de cada ano, foram gastos R$ 660.021.572,69, o que representa uma m\u00e9dia nacional de R$ 2.685,08 por procedimento.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Esse volume de gastos poderia ser evitado se os sistemas de sa\u00fade investissem mais em medidas preventivas, sobretudo no acompanhamento de pacientes diab\u00e9ticos (&#8230;) para que medidas dr\u00e1sticas, como a amputa\u00e7\u00e3o de membros, n\u00e3o sejam tomadas&#8221;, explica o presidente da SBACV, Julio Peclat.<\/p>\n<\/p>\n<p>No caso do diabete, cujos pacientes s\u00e3o as maiores v\u00edtimas das amputa\u00e7\u00f5es, descuidos podem levar a grandes problemas. Um pequeno ferimento pode resultar em infec\u00e7\u00e3o que evolui para um caso grave de gangrena, levantando o risco de amputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>O diabete impacta a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea porque gera o estreitamento das art\u00e9rias, causando redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de oxigena\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o dos tecidos. Altera\u00e7\u00f5es de sensibilidade aumentam a chance do surgimento de pequenos ferimentos e potencializam sua evolu\u00e7\u00e3o para casos mais graves. Estudos apontam que 85% das amputa\u00e7\u00f5es relacionadas ao diabete t\u00eam in\u00edcio com uma les\u00e3o nos p\u00e9s que poderia ter sido prevenida ou tratada corretamente evitando complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Pessoas com diabete, ao passar dos anos, desenvolvem neuropatia e\/ou isquemia, o que as torna mais suscet\u00edveis ao desenvolvimento de feridas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o (\u00falceras) e infec\u00e7\u00f5es&#8221;, explica Peclat. &#8220;A neuropatia acarreta a perda da sensibilidade ao toque, \u00e0 temperatura e \u00e0 dor. Com isso, o indiv\u00edduo n\u00e3o sente quando fere o p\u00e9. De modo geral, por n\u00e3o perceber, evolui para quadros de infec\u00e7\u00e3o que resultam em desbridamentos ou amputa\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Grande parte dessas amputa\u00e7\u00f5es poderia ter sido evitadas a partir de pr\u00e1ticas de auto-observa\u00e7\u00e3o. O paciente bem informado que se examina com frequ\u00eancia poder\u00e1 reconhecer a necessidade de uma interven\u00e7\u00e3o precoce j\u00e1 nos primeiros sintomas. Identificar sinais de alerta precoces \u00e9 imprescind\u00edvel para reduzir a incid\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es&#8221;, aponta o cirurgi\u00e3o vascular Eliud Duarte Junior.<\/p>\n<\/p>\n<p>O paciente com esse fator de risco tamb\u00e9m deve estar atento aos perigos de acidentes e adotar mudan\u00e7as de comportamento, como evitar andar de p\u00e9s descal\u00e7os ou, ainda, aderir ao uso de cal\u00e7ados apropriados.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Muito antes de qualquer complica\u00e7\u00e3o maior surgir, o paciente pode sentir dores nas pernas, que \u00e9 um sinal de m\u00e1 circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e entupimento das art\u00e9rias&#8221;, explica o cirurgi\u00e3o vascular Brenno Caiafa.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Preste aten\u00e7\u00e3o: alguns cuidados para evitar o problema<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o fa\u00e7a compressas frias, mornas, quentes ou geladas nem escalda p\u00e9s. Por causa da falta de sensibilidade acarretada pela neuropatia, voc\u00ea pode n\u00e3o perceber les\u00f5es nos p\u00e9s;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Use meias sem costuras ou com as costuras para fora. Assim voc\u00ea evita o atrito da parte \u00e1spera do tecido com a pele;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o remova cut\u00edculas das unhas dos p\u00e9s. Qualquer machucado, por menor que seja, pode ser uma porta de entrada para infec\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o use sand\u00e1lias com tiras entre os dedos;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Corte as unhas retas e acerte os cantos com lixa de unha, mas com muito cuidado;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Hidrate os p\u00e9s, pele ressecada favorece o surgimento de rachaduras e ferimentos;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Nunca ande descal\u00e7o. Voc\u00ea pode n\u00e3o sentir que o ch\u00e3o est\u00e1 quente ou que cortou o p\u00e9;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Olhe sempre as plantas dos p\u00e9s e trate logo qualquer arranh\u00e3o, rachadura ou ferimento. Se n\u00e3o conseguir fazer isso sozinho, pe\u00e7a ajuda a um familiar ou amigo;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o use sapatos apertados ou de bico fino;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Trate calosidades com profissionais de sa\u00fade;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Olhe sempre o interior dos cal\u00e7ados antes de us\u00e1-los;<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8211; Enxugue bem entre os dedos ap\u00f3s o banho, a piscina ou a praia.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1934002\/amputacoes-numero-de-casos-cresce-no-brasil-e-mais-da-metade-envolve-diabete?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de amputa\u00e7\u00f5es de membros inferiores aumentou significativamente no Brasil durante a pandemia de<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":85623,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-85622","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85622\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}