{"id":84567,"date":"2022-08-05T16:08:19","date_gmt":"2022-08-05T19:08:19","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/05\/copa-do-mundo-nao-provoca-interesse-em-51-dos-brasileiros-aponta-datafolha\/"},"modified":"2022-08-05T16:08:19","modified_gmt":"2022-08-05T19:08:19","slug":"copa-do-mundo-nao-provoca-interesse-em-51-dos-brasileiros-aponta-datafolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/08\/05\/copa-do-mundo-nao-provoca-interesse-em-51-dos-brasileiros-aponta-datafolha\/","title":{"rendered":"Copa do Mundo n\u00e3o provoca interesse em 51% dos brasileiros, aponta Datafolha"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Pela segunda Copa do Mundo consecutiva, o desapego do brasileiro quanto ao torneio atinge a casa dos 50% da popula\u00e7\u00e3o. Pesquisa Datafolha aponta que, a tr\u00eas meses do Mundial no Qatar, 51% dos entrevistados afirmam n\u00e3o ter interesse no assunto.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O n\u00famero \u00e9 semelhante ao registrado antes da competi\u00e7\u00e3o na R\u00fassia, em 2018. Na \u00e9poca, a indiferen\u00e7a chegou a 53%.<br \/>O levantamento deste ano foi realizado entre 27 e 28 de julho. Foram ouvidas 2.556 pessoas com 16 anos ou mais, espalhadas por 183 munic\u00edpios do pa\u00eds. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais para mais ou para menos.<\/p>\n<p>Os dois \u00faltimos mundiais registraram um desinteresse bem maior do que o observado desde 1994, quando o instituto come\u00e7ou a medir o humor da popula\u00e7\u00e3o antes do torneio. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 1998, quando n\u00e3o foi feita a pesquisa.<\/p>\n<p>Antes da Copa de 1994, 20% disseram n\u00e3o ter qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com os jogos. Em 2002, eram 22%. Quatro anos mais tarde, o n\u00famero caiu para 10%. Em 2010, subiu para 20%. A meses do Mundial de 2014, realizado no Brasil, saltou para 36%. E disparou em 2018 e 2022.<\/p>\n<p>O n\u00edvel dos que responderam ter &#8220;grande interesse&#8221; no evento tamb\u00e9m sofreu queda hist\u00f3rica, embora tenha apresentado melhora num\u00e9rica em rela\u00e7\u00e3o a 2018. Neste ano, foram 22% os que se encaixaram nesta categoria, mais do que os 18% de quatro anos atr\u00e1s. Antes disso, 56% estavam entusiasmados em 2014, 42% em 2002, 51% em 2006, 42% em 2010 e 25% em 2014.<\/p>\n<p>Um dos poss\u00edveis motivos para os n\u00fameros \u00e9 um afastamento da sele\u00e7\u00e3o brasileira em rela\u00e7\u00e3o ao torcedor. Neste ano, a equipe jogou no pa\u00eds duas vezes, ambas pelas Eliminat\u00f3rias para a Copa do Mundo (Paraguai e Chile). Quando teve de disputar os amistosos, seguiu a tend\u00eancia registrada nos \u00faltimos anos: foi para o exterior. Atuou contra Coreia do Sul e Jap\u00e3o em uma excurs\u00e3o pela \u00c1sia.<\/p>\n<p>\u00c9 um problema reconhecido pelo atual presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.<\/p>\n<p>&#8220;Existe realmente um afastamento muito grande da sele\u00e7\u00e3o brasileira para com seu torcedor. Isso em grande parte por conta dos jogos amistosos no exterior. Tem um contrato que vence agora em 2022. Queremos a sele\u00e7\u00e3o mais perto do torcedor, tamb\u00e9m dos patrocinadores e da imprensa&#8221;, disse o dirigente, em entrevista ao ge.com.<\/p>\n<p>A queda do interesse do brasileiro pelo Mundial tem uma s\u00e9rie de explica\u00e7\u00f5es, esportivas e pol\u00edticas. E n\u00e3o pode ser considerada um fen\u00f4meno recente.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil n\u00e3o \u00e9 a p\u00e1tria de chuteiras j\u00e1 h\u00e1 algum tempo&#8221;, observa o professor Ronaldo George Helal, coordenador do Grupo de Pesquisa Esporte e Cultura da (Uerj) Universidade do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Autor de estudos que analisam a cobertura da m\u00eddia no futebol brasileiro em publica\u00e7\u00f5es internacionais, ele lista uma s\u00e9rie de fatores que influenciam esse desinteresse.<\/p>\n<p>&#8220;A Copa do Mundo se sustenta na ideia de que a sele\u00e7\u00e3o representa a na\u00e7\u00e3o, mas as pessoas est\u00e3o cada vez mais descoladas disso. H\u00e1 uma globaliza\u00e7\u00e3o maior, pouca identidade com a sele\u00e7\u00e3o. Tanto que o 7 a 1 [da semifinal em 2014, contra a Alemanha] n\u00e3o virou um trauma. Virou um meme. Uma coisa \u00e9 n\u00e3o ter interesse pela sele\u00e7\u00e3o, outra \u00e9 n\u00e3o ter interesse pelo seu clube. H\u00e1 pessoas que acompanham muito mais o seu time do que a sele\u00e7\u00e3o. Isso era impens\u00e1vel na d\u00e9cada 1970, at\u00e9 1982&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Para Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola de Ci\u00eancias Sociais do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documenta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Brasil), da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas), o percentual registrado pelo Datafolha n\u00e3o \u00e9 algo &#8220;fora da curva&#8221;. Isso por uma s\u00e9rie de fatores.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o seria t\u00e3o alarmista no sentido de que houve grande mudan\u00e7a na \u00faltima d\u00e9cada. H\u00e1 uma transi\u00e7\u00e3o no modo de viver uma Copa do Mundo a cada quatro anos. H\u00e1 o fortalecimento da atividade club\u00edstica. Essa correla\u00e7\u00e3o [entre clubes e sele\u00e7\u00e3o] deixou de ser t\u00e3o equilibrada quando os \u00edcones da sele\u00e7\u00e3o deixaram de ser os \u00edcones dos clubes nacionais. H\u00e1 todo esse conjunto de mudan\u00e7as e vari\u00e1veis que ajudam a explicar esse decr\u00e9scimo&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>O que os dois pesquisadores enxergam tamb\u00e9m \u00e9 a quest\u00e3o pol\u00edtica, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais marcadas para este ano e o uso da camisa da sele\u00e7\u00e3o por for\u00e7as consideradas conservadoras.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 o arrefecimento da marca identit\u00e1ria da sele\u00e7\u00e3o brasileira. Existe uma discuss\u00e3o sobre o significado da camisa verde e amarela na conjuntura pol\u00edtica atual, que nos \u00faltimos anos voltou a embaralhar essas rela\u00e7\u00f5es entre futebol e pol\u00edtica, o que se acreditava antes serem elementos antag\u00f4nicos. Temos um calend\u00e1rio diferente neste ano. O torneio ser\u00e1 no final do ano, logo depois do pleito eleitoral nacional&#8221;, explica Buarque de Hollanda.<\/p>\n<p>&#8220;Existe esse sequestro do s\u00edmbolo [a camisa] por parte de grupos mais extremistas. As pessoas associam esses grupos \u00e0 vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o. A Copa come\u00e7a tr\u00eas semanas depois das elei\u00e7\u00f5es&#8230; Tem aquela coisa de de que alguns jogadores de futebol t\u00eam posi\u00e7\u00f5es mais conservadoras. A camisa da CBF tamb\u00e9m est\u00e1 associada \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, e macularam a camisa da sele\u00e7\u00e3o&#8221;, concorda George Helal.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um distanciamento sentido tamb\u00e9m pelos principais jogadores da equipe.<\/p>\n<p>&#8220;Brasileiro \u00e9 muito rigoroso e mal-acostumado, mas, quando eles est\u00e3o juntos para apoiar, \u00e9 algo surreal. Mas hoje em dia a sele\u00e7\u00e3o se distanciou muito do torcedor. N\u00e3o sei como isso aconteceu, mas os nossos jogos hoje s\u00e3o pouco comentados. Isso \u00e9 ruim&#8221;, admitiu Neymar, capit\u00e3o e principal jogador do pa\u00eds, em participa\u00e7\u00e3o no podcast Fen\u00f4menos, do ex-atacante Ronaldo. &#8220;\u00c9 triste estar vivendo nessa gera\u00e7\u00e3o em que a sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 importante quando joga. Na \u00e9poca em que eu era crian\u00e7a, o jogo da sele\u00e7\u00e3o era um evento. Hoje n\u00e3o tem import\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n<p>Mas, apesar de Neymar citar &#8220;essa gera\u00e7\u00e3o&#8221;, referindo-se aos jovens, o maior desapego com a Copa do Mundo registrado pelo Datafolha est\u00e1 entre os mais velhos. Foram 55% dos entrevistados entre 35 e 59 anos os que disseram n\u00e3o ter interesse com o torneio. O n\u00famero cai para 51% entre os maiores de 60 anos.<\/p>\n<p>O desinteresse diminui para 34% na faixa et\u00e1ria de 16 a 24 anos e chega a 51% dos 25 a 34.<\/p>\n<p>O n\u00famero dos que disseram ter &#8220;grande interesse&#8221; com a Copa \u00e9 maior tamb\u00e9m entre os que t\u00eam de 16 a 24 anos: 32%. Para os entrevistados de 45 a 59, o percentual diminui para 18% e \u00e9 o mais baixo.<\/p>\n<p>Os homens t\u00eam maior atra\u00e7\u00e3o pelo torneio do que as mulheres. No total, 28% deles responderam ter grande expectativa, e 44% n\u00e3o t\u00eam nenhuma. Para elas, os n\u00fameros s\u00e3o, respectivamente, 17% e 56%.<\/p>\n<p>Entre as diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, o maior interesse registrado para a Copa do Mundo est\u00e1 entre os entrevistados do Norte (29%), enquanto n\u00famero diminui no Nordeste (26%), no Centro-Oeste (23%), no Sudeste (20%) e no Sul (17%).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se inverte entre os que declararam maior descaso. O maior percentual est\u00e1 no Sul (58%) e passa para 53% no Sudeste, 48% no Centro-Oeste, 47% no Norte e 44% no Nordeste.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1931452\/copa-do-mundo-nao-provoca-interesse-em-51-dos-brasileiros-aponta-datafolha?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Pela segunda Copa do Mundo consecutiva, o desapego do brasileiro<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":84568,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-84567","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84567\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84568"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}