{"id":8349,"date":"2021-04-28T10:08:28","date_gmt":"2021-04-28T13:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/28\/museus-nos-eua-coletam-objetos-para-contar-historia-da-pandemia-no-pais\/"},"modified":"2021-04-28T10:08:28","modified_gmt":"2021-04-28T13:08:28","slug":"museus-nos-eua-coletam-objetos-para-contar-historia-da-pandemia-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/28\/museus-nos-eua-coletam-objetos-para-contar-historia-da-pandemia-no-pais\/","title":{"rendered":"Museus nos EUA coletam objetos para contar hist\u00f3ria da pandemia no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; A pandemia da Covid-19 segue depredando o mundo. \u00c9 um evento corrente. Mas \u00e9 hist\u00f3ria, tamb\u00e9m. Desde o in\u00edcio de 2020, quando ficou claro que o v\u00edrus mudaria o mundo, museus nos Estados Unidos come\u00e7aram a coletar objetos para contar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras como o pa\u00eds viveu este desastre.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O Instituto Smithsonian, por exemplo, recolheu em mar\u00e7o as ampolas das primeiras vacinas utilizadas contra a Covid-19. S\u00e3o itens, nesse caso, que contam a poderosa hist\u00f3ria de como cientistas desenvolveram a t\u00e3o aguardada imuniza\u00e7\u00e3o contra um v\u00edrus que j\u00e1 matou mais de 3 milh\u00f5es no mundo.<\/p>\n<p>O Smithsonian, que administra 19 museus, tem uma das maiores cole\u00e7\u00f5es de medicina do mundo. Seus curadores perceberam de imediato, portanto, que a Covid-19 teria de integrar seu acervo \u2013e em uma posi\u00e7\u00e3o de destaque. J\u00e1 em janeiro de 2020, antes mesmo de as autoridades sanit\u00e1rias decretarem a pandemia do coronav\u00edrus, o instituto pediu que americanos doassem objetos que mostrassem como o v\u00edrus havia infectado suas rotinas.<\/p>\n<p>&#8220;Com esse tipo de artefatos, n\u00f3s podemos entender melhor o passado e ter mais empatia por aquilo que as pessoas viveram&#8221;, diz a curadora Alexandra Lord, uma das pessoas por tr\u00e1s da iniciativa. &#8220;Assim, n\u00f3s conseguimos entender como \u00e9 que chegamos ao ponto em que estamos.&#8221; A cole\u00e7\u00e3o montada em torno da pandemia deve integrar uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da medicina prevista para 2022 nos museus do Smithsonian.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das ampolas, esse instituto coletou os materiais de prote\u00e7\u00e3o usados por m\u00e9dicos e enfermeiros ao redor do pa\u00eds. S\u00e3o objetos, Lord diz, que ilustram a dura condi\u00e7\u00e3o em que esses profissionais trabalhavam, por vezes sem o equipamento necess\u00e1rio \u2013e como precisavam, inclusive, improvisar.<\/p>\n<p>Lord estima que j\u00e1 recebeu mais de 500 ofertas de doa\u00e7\u00e3o desde que pediu, h\u00e1 um ano, que o p\u00fablico contribu\u00edsse com objetos de seu cotidiano pand\u00eamico. O processo de avaliar cada item deve demorar, no entanto, principalmente porque os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o est\u00e3o trabalhando de casa.<\/p>\n<p>O Smithsonian \u00e9 apenas um entre tantos outros museus americanos dedicados a essa empreitada. At\u00e9 porque, a curadora afirma, nenhuma institui\u00e7\u00e3o conseguiria contar essa complexa hist\u00f3ria sozinha. H\u00e1 projetos parecidos, ademais, tamb\u00e9m em outras regi\u00f5es do globo, como em pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica de Nova York, por exemplo, tamb\u00e9m tem um programa robusto. Um dos itens mais doados, diz a diretora Margi Hofer, s\u00e3o as m\u00e1scaras que a popula\u00e7\u00e3o aprendeu a usar. S\u00e3o objetos, ela afirma, que d\u00e3o conta da criatividade das pessoas que criaram a sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o conta, tamb\u00e9m, com fotografias da cidade vazia, fantasmag\u00f3rica no isolamento social. H\u00e1 ainda itens que registram como os empreendimentos se adaptaram \u00e0 pandemia \u2013por exemplo, a cole\u00e7\u00e3o tem garrafas de \u00e1lcool em gel produzidas por empresas que antes faziam bebida.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 corriqueiro que um museu lide com tamanha intensidade com a hist\u00f3ria do presente. De certa maneira, a pandemia da Covid-19 achatou o tempo. Dias correm com tanta excepcionalidade que parecem pular quase de imediato aos livros de hist\u00f3ria. Vem da\u00ed a urg\u00eancia de registr\u00e1-los agora.<\/p>\n<p>Alguns museus, por\u00e9m, j\u00e1 t\u00eam alguma experi\u00eancia. A Associa\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica de Nova York, por exemplo, come\u00e7ou a coletar objetos contempor\u00e2neos depois dos atentados de 11 de Setembro. Houve esfor\u00e7os, tamb\u00e9m, para recolher artefatos ligados aos protestos contra o mercado financeiro em <acronym title=\"o Occupy Wall Street\">2011<\/acronym> e \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es contra o racismo (o Black Lives Matter). Mas a pandemia da Covid-19 tem outra dimens\u00e3o, diz Hofer.<\/p>\n<p>Parte do desafio deste momento \u00e9 a sua longevidade. N\u00e3o apenas porque o v\u00edrus segue pilhando o mundo, mas tamb\u00e9m porque a vida tem mudado a cada m\u00eas. Se no in\u00edcio o intuito era registrar como era a rotina sob o isolamento social, o importante agora \u00e9 gravar a experi\u00eancia da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses museus esperam que, cumprida a sua miss\u00e3o, evitem o que aconteceu com a gripe espanhola de 1918. Naquela ocasi\u00e3o, houve pouco esfor\u00e7o para coletar a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. Foi justamente essa car\u00eancia que levou a curadora Tobi Voigt, do Centro Hist\u00f3rico de Michigan, a recolher objetos da Covid-19. &#8220;H\u00e1 registros oficiais sobre 1918, mas n\u00e3o sabemos como era o cotidiano&#8221;, diz. &#8220;Os museus mudaram bastante, desde ent\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das mudan\u00e7as \u00e9 que institui\u00e7\u00f5es como a de Voigt se preocupam, hoje, em contar hist\u00f3rias interseccionais \u2013levando em conta as diversidades de ra\u00e7a, g\u00eanero, origem etc. &#8220;Percebemos que muito do que n\u00f3s temos no acervo fala apenas de s\u00f3 um segmento da popula\u00e7\u00e3o: os homens brancos&#8221;, afirma. Com isso em mente, a equipe de curadores tem abordado os diferentes grupos que moram no estado de Michigan para contar suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, por\u00e9m, o n\u00famero de pessoas interessadas em doar artefatos diminuiu. Menos pessoas est\u00e3o isoladas em casa. Al\u00e9m disso, a longevidade da pandemia fez do excepcional algo mais corriqueiro. Voigt diz que busca, agora, maneiras de convencer o p\u00fablico a participar do projeto sem, no entanto, cutucar as feridas de quem tanto sofreu neste \u00faltimo ano \u2013evitando, assim, que v\u00edtimas tenham que narrar outra vez as suas dores.<\/p>\n<p>O museu do condado de Ventura, na Calif\u00f3rnia, \u00e9 outro dos tantos na empreitada de registrar a hist\u00f3ria desta pandemia. Segundo Deya Terrafranca, que \u00e9 diretora da biblioteca local, cerca de 50 pessoas j\u00e1 fizeram doa\u00e7\u00f5es. Contaram suas hist\u00f3rias, entregaram obras de arte e fotografias, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos entender como a vida das pessoas mudou&#8221;, diz. &#8220;O governo ter\u00e1 todas as estat\u00edsticas, n\u00f3s vamos saber quantas pessoas foram infectadas e quantas morreram. Mas como vamos saber o que as pessoas estavam fazendo em casa? Como coisas simples, como uma lista de compras, mudaram?&#8221;<\/p>\n<p>A coleta desses objetos tem de ser veloz. O tempo, achatado, mistura passado e presente. Mas os museus t\u00eam uma vantagem que jornalistas n\u00e3o t\u00eam, diz Lord, do Smithsonian. &#8220;Os rep\u00f3rteres precisam cobrir a hist\u00f3ria enquanto ela acontece. N\u00f3s podemos trapacear. Podemos dar um passo para tr\u00e1s e pensar, avaliar o que \u00e9 realmente importante. Olhando para esses objetos daqui a dois, tr\u00eas anos, entenderemos melhor o que estava acontecendo.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1798873\/museus-nos-eua-coletam-objetos-para-contar-historia-da-pandemia-no-pais?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; A pandemia da Covid-19 segue depredando o mundo. \u00c9 um evento<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":8350,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-8349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8349\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}