{"id":82481,"date":"2022-07-23T12:08:10","date_gmt":"2022-07-23T15:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/23\/negocios-low-cost-vivem-boom-com-inflacao-espremendo-classe-media\/"},"modified":"2022-07-23T12:08:10","modified_gmt":"2022-07-23T15:08:10","slug":"negocios-low-cost-vivem-boom-com-inflacao-espremendo-classe-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/23\/negocios-low-cost-vivem-boom-com-inflacao-espremendo-classe-media\/","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios low cost vivem boom com infla\u00e7\u00e3o espremendo classe m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p>THIAGO BETH\u00d4NICO<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O brasileiro ficou mais pobre nos \u00faltimos anos e est\u00e1 sendo obrigado a reconsiderar os servi\u00e7os e produtos que cabem no bolso. Em tempos de infla\u00e7\u00e3o alta e perda de poder aquisitivo, saem as marcas tradicionais e entram as op\u00e7\u00f5es mais econ\u00f4micas.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Embora essa adapta\u00e7\u00e3o do consumo seja vista em todas as classes sociais, a forma como ela ocorre \u00e9 bem diferente. Enquanto os mais pobres buscam formas de driblar a fome, para a classe m\u00e9dia a quest\u00e3o \u00e9 reduzir despesas sem necessariamente abrir m\u00e3o de um estilo de vida -o que vem impulsionando os chamados neg\u00f3cios low cost (de baixo custo).<\/p>\n<p>Com o or\u00e7amento espremido, fam\u00edlias de maior renda est\u00e3o procurando alternativas para aliviar os gastos, principalmente aqueles que pesam no fim do m\u00eas, como plano de sa\u00fade, academia e at\u00e9 a escola dos filhos.<\/p>\n<p>O movimento tem se traduzido em bons resultados para empresas cuja proposta \u00e9 ser acess\u00edvel, como \u00e9 o caso da Luminova. A rede de col\u00e9gios faz parte do grupo SEB, uma das maiores redes de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do Brasil, e atualmente possui seis unidades em opera\u00e7\u00e3o, quatro na cidade de S\u00e3o Paulo, uma em Sorocaba e outra em Natal.<\/p>\n<p>Quando o neg\u00f3cio foi criado, em 2019, o p\u00fablico-alvo eram as fam\u00edlias das classes C e D. Segundo Victor Hugo Santana, diretor de franquias da Luminova, o objetivo era permitir que crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica tivessem acesso ao ensino privado sem precisar pagar uma mensalidade t\u00e3o cara.<\/p>\n<p>No entanto, de uns tempos para c\u00e1, a propor\u00e7\u00e3o de alunos oriundos de escolas p\u00fablicas vem diminuindo, enquanto a quantidade de egressos de escolas mais caras s\u00f3 cresce.<\/p>\n<p>&#8220;Por todo o cen\u00e1rio econ\u00f4mico, as fam\u00edlias acabaram reduzindo o desembolso mensal e est\u00e3o buscando alternativas mais baratas para manter os filhos na educa\u00e7\u00e3o privada&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Atualmente, a mensalidade da Luminova custa em torno de R$ 720, enquanto a maioria das escolas privadas de S\u00e3o Paulo cobram acima de R$ 1.200, afirma Santana.<\/p>\n<p>Em 2019, no primeiro ano de funcionamento, 75% dos alunos na Luminova eram de escolas p\u00fablicas. Hoje, o cen\u00e1rio \u00e9 dividido. Considerando todos os 4.200 estudantes, metade estava no ensino particular. &#8220;Mas tem escola que j\u00e1 est\u00e1 chegando a quase 70% de alunos com origem no setor privado&#8221;, afirma o diretor.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia, ele diz, \u00e9 que essa propor\u00e7\u00e3o aumente ainda mais. No ciclo de matr\u00edculas de 2023, por exemplo, a rede j\u00e1 espera atingir 60% de alunos oriundos da rede particular.<\/p>\n<p>Para Santana, isso reflete o atual contexto de pre\u00e7os altos e perda de poder aquisitivo. &#8220;As fam\u00edlias est\u00e3o buscando alternativas para que o or\u00e7amento ainda consiga entregar todas as necessidades b\u00e1sicas da casa.&#8221;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses, a infla\u00e7\u00e3o medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) atingiu 11,89%. Desde setembro de 2021, o n\u00edvel acumulado est\u00e1 em dois d\u00edgitos, ou seja, acima de 10%.<\/p>\n<p>Embora a alta dos pre\u00e7os n\u00e3o seja problema exclusivo do Brasil, o empobrecimento no pa\u00eds parece ser pior que no resto do mundo.<br \/>Levantamento feito em cem pa\u00edses pela Nielsen Media Research mostra que 64% dos brasileiros declaram sofrer restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias ap\u00f3s a pandemia. Na m\u00e9dia global, a propor\u00e7\u00e3o fica bem abaixo: 46%.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio vira terreno f\u00e9rtil para os neg\u00f3cios low cost, que v\u00eam percebendo um fluxo maior de clientes que possuem margem para manobrar as despesas sem abandonar h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>Exemplo disso \u00e9 a Red Fitness, rede de academias de baixo custo. Segundo Ellen Fernandes, cofundadora da empresa, o n\u00famero de clientes tem sido crescente no per\u00edodo p\u00f3s-pandemia.<br \/>Hoje, j\u00e1 s\u00e3o 8.000 alunos nas quatro unidades da rede, todas localizadas na zona norte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Fernandes diz receber diariamente pessoas saindo de academias mais caras e migrando para unidades da Red Fitness, cuja mensalidade fica em torno de R$ 100.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje 40% [dos nossos alunos] s\u00e3o pessoas que sa\u00edram das &#8216;academias boutiques&#8217; e vieram para a nossa&#8221;, afirma. &#8220;Quem pagava R$ 500 hoje n\u00e3o paga mais. S\u00f3 n\u00edvel A&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Segundo ela, a pandemia foi um divisor de \u00e1guas para os neg\u00f3cios, tanto na procura por atividade f\u00edsica quanto no perfil do p\u00fablico. &#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 as classes C e D que frequentam a nossa academia. A classe B tamb\u00e9m vem&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O modelo tem dado t\u00e3o certo que, em maio deste ano, a Red Fitness come\u00e7ou um processo de expans\u00e3o em franquias. A expectativa \u00e9 inaugurar duas neste ano, quatro no ano que vem e mais 60 at\u00e9 2026. A proje\u00e7\u00e3o, diz Fernandes, considera que a busca por servi\u00e7os e produtos low cost deve se manter alta.<\/p>\n<p>LOW COST GANHA FOR\u00c7A NA CRISE<br \/>Para Marco Vinholi, diretor-superintendente do Sebrae-SP, h\u00e1 um movimento claro de consumidores indo em dire\u00e7\u00e3o a servi\u00e7os e produtos low cost. Ele lembra que, de 2021 para c\u00e1, 90% das profiss\u00f5es foram impactadas com a perda do valor real do sal\u00e1rio, o que aumenta a atratividade dos produtos de baixo custo para todas as classes.<\/p>\n<p>&#8220;Tem sido constante essa busca por modelos low cost. Na outra ponta, o empreendedor percebe essa janela de oportunidade e tem crescido o n\u00famero de empresas que trabalham com esse modelo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dele, quando h\u00e1 um longo per\u00edodo inflacion\u00e1rio, a brecha para os neg\u00f3cios econ\u00f4micos fica mais clara e h\u00e1 um boom dessas empresas. No entanto, mesmo em cen\u00e1rios de retomada econ\u00f4mica, o consumidor costuma optar por empresas de baixo custo, como ocorre com as companhias a\u00e9reas.<\/p>\n<p>Lauro Gonzalez, coordenador do centro de estudos em microfinan\u00e7as e inclus\u00e3o financeira da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas), tamb\u00e9m percebe fen\u00f4meno semelhante.<\/p>\n<p>Segundo ele, o or\u00e7amento da baixa renda vem passando por mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 conjunturais, mas estruturais tamb\u00e9m, em decorr\u00eancia das transforma\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho. Ele cita a uberiza\u00e7\u00e3o, a pejotiza\u00e7\u00e3o e a informalidade -que indicariam uma certa precariza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Dentro desses or\u00e7amentos, uma coisa not\u00e1vel \u00e9 a inconst\u00e2ncia na renda. Isso faz com que as pessoas tenham de usar uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias para conseguir o que os economistas chamam de suaviza\u00e7\u00e3o do consumo. Ou seja, conseguir consumir razoavelmente a mesma coisa ao longo do tempo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Do lado conjuntural, ele menciona a crise gerada pela pandemia e a Guerra da Ucr\u00e2nia, que tamb\u00e9m provocaram efeitos semelhantes.<br \/>&#8220;As pessoas recorrem a essas empresas low cost justamente para tentar buscar uma suaviza\u00e7\u00e3o em meio a um cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o crescente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>PLANO DE SA\u00daDE LOW COST ENTRA NA CESTA<br \/>A pandemia ajudou a mudar a realidade dos planos de sa\u00fade. Ao mesmo tempo que o interesse aumentou -dada a gravidade da crise sanit\u00e1ria-, os valores subiram e uma parte dos brasileiros precisou abrir m\u00e3o do benef\u00edcio diante da infla\u00e7\u00e3o e do desemprego.<\/p>\n<p>Outros, por\u00e9m, recorreram aos planos low cost para tentar conciliar atendimento privado e or\u00e7amento espremido. A cuidar.me, startup de planos de sa\u00fade de baixo custo, tem sentido a alta procura nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>A healthtech, que atua no estado de S\u00e3o Paulo desde 2021, saiu de 500 clientes na virada do ano para mais de 6.000 agora. Segundo Rafael Morgado, diretor financeiro da empresa, o neg\u00f3cio j\u00e1 foi planejado para capturar uma classe B que vem perdendo poder aquisitivo -mas a velocidade de crescimento est\u00e1 surpreendendo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel que, neste m\u00eas de julho, nos tornemos a healthtech que mais cresce. Devemos trazer 2.000 clientes s\u00f3 neste m\u00eas, em junho foram 1.200&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Morgado diz que os planos da cuidar.me variam entre R$ 169 e R$ 949, o que \u00e9 cerca de 50% ou 70% mais barato do que os concorrentes com cobertura similar.<br \/>De dois meses para c\u00e1, as vendas aceleraram muito. &#8220;Como fizemos um produto voltado para essa classe m\u00e9dia com desafios or\u00e7ament\u00e1rios, est\u00e1 dando certo&#8221;, diz. &#8220;At\u00e9 o fim do ano, nossa expectativa \u00e9 ficar entre 12 mil e 15 mil vidas&#8221;, acrescenta.<br \/>No setor de cosm\u00e9ticos, a Vult, hoje controlada pelo grupo Botic\u00e1rio, tamb\u00e9m notou uma expans\u00e3o do neg\u00f3cio diante da perda de poder aquisitivo dos brasileiros. A empresa diz que j\u00e1 nasceu em 2004 com um posicionamento low cost e, por isso, acaba sentindo a atual retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de forma mais positiva que outras companhias.<br \/>Embora n\u00e3o seja voltada a um p\u00fablico espec\u00edfico, a Vult dialoga mais com as mulheres das classes C e D. No entanto, de uns tempos para c\u00e1, mais clientes de outras faixas de renda v\u00eam consumindo a marca.<br \/>&#8220;O que temos percebido agora \u00e9 que o consumo est\u00e1 muito aquecido. A quest\u00e3o do custo-benef\u00edcio, atrelado \u00e0 qualidade, \u00e9 realmente o que a consumidora busca&#8221;, afirma Bruna Carneiro, gerente de marca, inova\u00e7\u00e3o e business make da Vult.<br \/>Segundo ela, com o atual contexto econ\u00f4mico global e a guerra, a disponibilidade de mat\u00e9rias-primas para o setor farmac\u00eautico e de cosm\u00e9ticos caiu drasticamente. N\u00e3o fosse isso, as vendas poderiam estar ainda mais aquecidas.<br \/>&#8220;N\u00f3s quer\u00edamos ter mais insumos para produzir mais. Se tiv\u00e9ssemos as quest\u00f5es econ\u00f4mica e pol\u00edtica estabilizada, poder\u00edamos vender mais do que j\u00e1 estamos&#8221;, diz.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1927514\/negocios-low-cost-vivem-boom-com-inflacao-espremendo-classe-media?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THIAGO BETH\u00d4NICOS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O brasileiro ficou mais pobre nos \u00faltimos anos e<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":82482,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-82481","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}