{"id":81452,"date":"2022-07-17T13:08:15","date_gmt":"2022-07-17T16:08:15","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/17\/pais-ficou-mais-pobre-sob-bolsonaro-em-crise-social-iniciada-antes-da-covid\/"},"modified":"2022-07-17T13:08:15","modified_gmt":"2022-07-17T16:08:15","slug":"pais-ficou-mais-pobre-sob-bolsonaro-em-crise-social-iniciada-antes-da-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/17\/pais-ficou-mais-pobre-sob-bolsonaro-em-crise-social-iniciada-antes-da-covid\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds ficou mais pobre sob Bolsonaro, em crise social iniciada antes da Covid"},"content":{"rendered":"<p>ALEXA SALOM\u00c3O<br \/>BRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; O Brasil ficou mais pobre durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e n\u00e3o apenas por causa da Covid ou da Guerra da Ucr\u00e2nia. Quando assumiu o cargo, em um cen\u00e1rio de economia ainda fragilizada pela recess\u00e3o dos anos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), o presidente fez escolhas.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Reduziu investimentos p\u00fablicos, avan\u00e7ou pouco na agenda de reformas e travou o Bolsa Fam\u00edlia, deixando a fila do programa crescer. Com a crise social se agravando a tr\u00eas meses da elei\u00e7\u00e3o, presidente e aliados encampam uma PEC (proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o) para distribuir R$ 41,25 bilh\u00f5es em aux\u00edlios.<\/p>\n<p>O PIB (Produto Interno Bruto) per capita, indicador que mostra a produ\u00e7\u00e3o da riqueza dividida pelo n\u00famero de habitantes, fechou o ano passado em US$ 7.500 (R$ 41 mil). S\u00e3o cerca de US$ 5.726 (R$ 31 mil) menos que o pico, registrado em 2011. O valor atual equivale ao patamar de 2007.<\/p>\n<p>Em 2018, \u00faltimo ano do governo Temer, o indicador estava em US$ 9.151,40 (R$ 49 mil).<\/p>\n<p>Dados relativos \u00e0 renda m\u00e9dia do brasileiro tamb\u00e9m mostram esse empobrecimento. O rendimento m\u00e9dio caiu de R$ 2.823 no in\u00edcio de 2019 para R$ 2.613 no trimestre de mar\u00e7o a maio deste ano, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n<p>Mesmo antes da pandemia, esse valor j\u00e1 vinha caindo: no trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, o rendimento m\u00e9dio do brasileiro estava em R$ 2.816.<\/p>\n<p>No primeiro ano de Bolsonaro no Planalto, o programa Bolsa Fam\u00edlia sofreu a maior queda da hist\u00f3ria, recuando de 14 milh\u00f5es para 13 milh\u00f5es de fam\u00edlias. A fila de espera superou 1,5 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Houve neglig\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds ainda antes da Covid&#8221;, diz a economista D\u00e9bora Freire, professora do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais.<\/p>\n<p>&#8220;Crises econ\u00f4micas acontecem, trazem impactos negativos, mas faz muita diferen\u00e7a a forma como se lidam com elas. O governo agora usa esses eventos como desculpa, mas a verdade \u00e9 que era seu dever fazer pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficientes&#8221;, afirma ela.<\/p>\n<p>&#8220;Antes da Covid, o Bolsa Fam\u00edlia tinha filas enormes. Fam\u00edlias que empobreceram na crise, j\u00e1 eleg\u00edveis para o programa, n\u00e3o estavam sendo atendidas. Isso n\u00e3o poderia ter acontecido, porque uma vez que uma fam\u00edlia cai na extrema pobreza ela pode levar gera\u00e7\u00f5es para se recuperar.&#8221;<\/p>\n<p>O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas), acredita que a g\u00eanese do empobrecimento esteja na incapacidade dos governos de ajustar as contas p\u00fablicas, o que elevaria a confian\u00e7a das empresas para aumentar os investimentos, a gera\u00e7\u00e3o de empregos e o aumento da renda.<\/p>\n<p>&#8220;A minha vis\u00e3o \u00e9 que o processo de empobrecimento gradual que vivemos decorre de um problema fiscal ainda n\u00e3o solucionado, e caminhamos para mais uma d\u00e9cada perdida ainda sem um desfecho para esse problema.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Entre 2015 e 2016, a gente teve uma crise nas contas p\u00fablicas, provocada pelo aumento de gastos do governo Dilma Rousseff, que buscava a reelei\u00e7\u00e3o, ali sa\u00edmos do super\u00e1vit para d\u00e9ficit prim\u00e1rio.&#8221;<br \/>J\u00e1 em 2015, os desembolsos da Assist\u00eancia Social, sem contar o BPC (Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada), mas incluindo Bolsa Fam\u00edlia e Aux\u00edlio Brasil, estagnaram na casa de R$ 43 bilh\u00f5es at\u00e9 2019, \u00e0s v\u00e9speras da pandemia.<\/p>\n<p>Deram um salto apenas depois da libera\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Emergencial, que era para ser de R$ 200, mas chegou a R$ 600 ap\u00f3s uma queda de bra\u00e7o entre governo e Congresso, que insistiu no aumento do valor.<br \/>Esses dados constam de um levantamento realizado pelos pesquisadores Carlos Bastos e Julia Braga do Grupo de Economia do Setor P\u00fablico da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A dupla est\u00e1 finalizando um estudo sobre os efeitos do teto de gastos, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, sobre a aplica\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento. A conclus\u00e3o \u00e9 que ele funciona.<\/p>\n<p>&#8220;O teto foi muito bem-sucedido em segurar os aumentos, mas fica claro tamb\u00e9m que as despesas com menos apoio pol\u00edtico ou interesse do comando da vez s\u00e3o mais sacrificadas&#8221;, afirma Bastos. &#8220;Como a gente previu, os gastos sociais foram espremidos.&#8221;<\/p>\n<p>Os recursos destinados a iniciativas que servem de apoio \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do bem-estar social, em \u00e1reas como trabalho, saneamento, habita\u00e7\u00e3o, lazer e cultura, despencaram. Ca\u00edram de R$ 111,6 bilh\u00f5es em 2015, um ano antes da cria\u00e7\u00e3o do teto, para R$ 73,4 bilh\u00f5es no ano passado, queda de 34% em valores ajustados pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A PEC das elei\u00e7\u00f5es, por sua vez, vai na contram\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o, diz Barbosa, da FGV. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que est\u00e1 focada em aspectos eleitorais, porque n\u00e3o h\u00e1 programa de combate a pobreza estrutural em fazer transfer\u00eancias e dando incentivos por tr\u00eas meses.&#8221;<\/p>\n<p>Beatriz Cristina dos Santos Silva, 22, \u00e9 m\u00e3e solo de Mait\u00ea, de cinco meses. Nunca teve emprego com carteira assinada, mas conta que chegou a ganhar em m\u00e9dia R$ 3.600 como gerente comercial.<\/p>\n<p>Desde maio, tr\u00eas vezes por semana, ela enfrenta uma viagem de duas horas de Mairipor\u00e3 (SP), onde mora, carregando a filha no colo, para vender brigadeiros e brownies pr\u00f3ximo a um shopping na zona leste da capital paulista. Esse \u00e9 seu \u00fanico sustento.<\/p>\n<p>Tentou ser cuidadora em um hospital, mas a filha ficou doente sob os cuidados de outra pessoa. &#8220;Percebi que estava muito cedo para deix\u00e1-la, ent\u00e3o comecei a ver v\u00eddeos na internet e aprendi a fazer os doces com uma confeiteira.&#8221;<\/p>\n<p>Ela conquistou clientes, mas conta que as vendas ca\u00edram nas \u00faltimas quatro semanas. &#8220;Foram p\u00e9ssimas. Saio de casa com 10 a 12 caixinhas. Nem sempre vendo tudo, mas, normalmente, o lucro l\u00edquido em um bom m\u00eas \u00e9 de R$ 1.400, e de R$ 1.000 em um ruim.&#8221;<\/p>\n<p>Sua preocupa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 conseguir um novo lugar para morar. &#8220;O aluguel est\u00e1 em dia, mas de repente fui informada de que teria que desocupar a casa. Me senti muito mal&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ela conta que o \u00fanico benef\u00edcio social que recebeu at\u00e9 hoje foram tr\u00eas parcelas de R$ 600 do Aux\u00edlio Emergencial. &#8220;Tentei atualizar o Cad\u00danico para pegar o Aux\u00edlio Brasil, mas est\u00e3o pedindo um documento que n\u00e3o tenho.&#8221; Como n\u00e3o \u00e9 contribuinte do INSS, tamb\u00e9m n\u00e3o recebeu o aux\u00edlio-maternidade.<\/p>\n<p>Procurado para comentar sobre a dificuldade de Silva para atualizar o Cad\u00danico, o Minist\u00e9rio da Cidadania n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n<p>O empobrecimento do brasileiro aparece em diferentes dados, mas um indicador de consumo traz uma nova faceta da situa\u00e7\u00e3o: a piora no sentimento de perda no poder de compra em escala internacional.<br \/>Levantamento realizado em cem pa\u00edses pela Nielsen Media Research, uma empresa global de pesquisa de mercado, mostra que 64% dos brasileiros declaram ter passado a viver restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1ria ap\u00f3s a pandemia.<\/p>\n<p>O n\u00famero est\u00e1 bem acima da amostra geral, em que 46% disseram ter passado a sofrer limita\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil foi um dos pa\u00edses que mais sofreram os efeitos da Covid, quando se olha o cont\u00e1gio e o n\u00famero de mortos, e tamb\u00e9m onde os pre\u00e7os de produtos b\u00e1sicos mais aumentaram&#8221;, diz Roberto Butragueno, diretor de varejo de Nielsen.<\/p>\n<p>A cesta b\u00e1sica de consumo subiu 30% no Brasil entre 2019 e 2021, aponta a empresa. &#8220;\u00c9 uma varia\u00e7\u00e3o bem mais alta do que a do \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o h\u00e1 nada assim na Europa ou nos EUA&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, por exemplo, a varia\u00e7\u00e3o ficou na casa de 20%, nos EUA, 10%.<br \/>A pesquisa tamb\u00e9m retrata como os brasileiros tentam contornar essa realidade. No quesito carne, por exemplo, h\u00e1 aumento da busca por congelados, que custam 25% menos, em m\u00e9dia, que a vers\u00e3o in natura. Um dos produtos mais procurados passou a ser o f\u00edgado, cujo quilo custa 50% menos em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o m\u00e9dio da categoria.<\/p>\n<p>Eduardo Yamashita, diretor de Opera\u00e7\u00f5es da Gouv\u00eaa Ecosystem, outra consultoria especializada em consumo, n\u00e3o visualiza mudan\u00e7a radical nesse cen\u00e1rio no segundo semestre. A raz\u00e3o \u00e9 simples: a falta de dinheiro persiste.<\/p>\n<p>&#8220;Durante o auge da Covid, tivemos uma forte inje\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos na economia, o que levou a um expressivo aumento da massa sala- rial \u2013cresceu a quantidade de dinheiro dispon\u00edvel durante boa parte de 2020, e um pouco menos em 2021&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o Aux\u00edlio Emergencial foi cortado no Brasil, a quantidade de dinheiro estava voltando ao pr\u00e9-pandemia, mas a\u00ed veio a infla\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>Para Yamashita, o pacote de benef\u00edcios aprovados no Congresso n\u00e3o altera o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Os aux\u00edlios que est\u00e3o vindo s\u00e3o t\u00edmidos em compara\u00e7\u00e3o aos oferecidos no \u00e1pice da pandemia, a quantidade de pessoas que vai receber \u00e9 menor, porque h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es, o volume de dinheiro \u00e9 inferior, e a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 bem maior&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o de queda da renda, alta de infla\u00e7\u00e3o e, consequentemente, dos juros para segurar os pre\u00e7os, vai freando a economia e ampliando o empobrecimento.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Pedro Bressane fechou uma de suas pizzarias em abril deste ano depois de tentar mant\u00ea-la com o lucro das outras duas unidades.<\/p>\n<p>Segundo ele, a demanda por pizza explodiu em 2020, mas os clientes sumiram no final de 2021. Para Bressane, a queda na renda das fam\u00edlias e o aumento nos pre\u00e7os dos alimentos foram decisivos.<\/p>\n<p>&#8220;Estava em uma regi\u00e3o boa de Osasco, classe m\u00e9dia alta. Contratei influencers, investi R$ 4.000 em an\u00fancios no Instagram, mas as vendas pararam, e os insumos s\u00f3 subiram.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu pagava cerca de R$ 35 na caixa de tomate. Quando fechei, estava R$ 200.&#8221; Para tentar manter a loja, reduziu gastos pessoais e vendeu um carro. O h\u00e1bito di\u00e1rio de jantar fora se tornou quase mensal.<br \/>Ele contratou quatro corretores de im\u00f3veis para passar o ponto, mas, em cinco meses, n\u00e3o apareceu interessado.Colaboraram Havolene Valinhos e Ana Paula Branco, de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1925521\/pais-ficou-mais-pobre-sob-bolsonaro-em-crise-social-iniciada-antes-da-covid?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALEXA SALOM\u00c3OBRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; O Brasil ficou mais pobre durante o governo de Jair<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":81453,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-81452","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81452\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}