{"id":81440,"date":"2022-07-17T12:08:11","date_gmt":"2022-07-17T15:08:11","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/17\/saiba-como-o-caso-daniella-perez-lembrado-em-serie-fez-o-brasil-parar-diante-da-tv\/"},"modified":"2022-07-17T12:08:11","modified_gmt":"2022-07-17T15:08:11","slug":"saiba-como-o-caso-daniella-perez-lembrado-em-serie-fez-o-brasil-parar-diante-da-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/17\/saiba-como-o-caso-daniella-perez-lembrado-em-serie-fez-o-brasil-parar-diante-da-tv\/","title":{"rendered":"Saiba como o caso Daniella Perez, lembrado em s\u00e9rie, fez o Brasil parar diante da TV"},"content":{"rendered":"<p>GUILHERME GENESTRETI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Na virada dos anos 2000, Gloria Perez se viu embalando a urna com os restos mortais da filha, a atriz Daniella Perez, como se estivesse diante de um beb\u00ea. O corpo tinha sido exumado do t\u00famulo, no cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, na zona sul do Rio de Janeiro, depois que a sepultura foi violada e pichada com a frase &#8220;a morte n\u00e3o \u00e9 o fim&#8221;, n\u00e3o sem antes ter virado um ponto de peregrina\u00e7\u00e3o de gente que atribu\u00eda milagres \u00e0 artista assassinada.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Ao abrir o caix\u00e3o para a exuma\u00e7\u00e3o, a roteirista diz que viu a mo\u00e7a intacta, exatamente como havia sido velada, aos 22 anos de idade, muito embora fossem evidentes, para todos ao redor, os sinais inquestion\u00e1veis da decomposi\u00e7\u00e3o depois de sete anos da morte.<\/p>\n<p>O evento, contado na miniss\u00e9rie &#8220;Pacto Brutal&#8221;, \u00e9 um dos muitos que acrescentam camadas ins\u00f3litas a um enredo que j\u00e1 \u00e9 ins\u00f3lito pela pr\u00f3pria natureza -o assassinato de uma das mocinhas da novela das oito, levado a cabo pelo ator que era seu parceiro de cena, e com o detalhe essencial de que a v\u00edtima era filha da pr\u00f3pria autora da trama. Isso tudo no pa\u00eds que tem na teledramaturgia o carro-chefe de sua ind\u00fastria cultural, ainda mais naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>O seriado documental estreia nesta quinta na HBO, na esteira do anivers\u00e1rio de 30 anos do caso, em dezembro deste ano. Al\u00e9m dele, a editora Record lan\u00e7a em breve o livro &#8220;Daniella Perez: Biografia, Crime e Justi\u00e7a&#8221;, em processo de finaliza\u00e7\u00e3o por Bernardo Braga Pasqualette, mesmo autor de &#8220;Me Esque\u00e7am&#8221;, sobre o ex-presidente Figueiredo.<\/p>\n<p>Os dois se debru\u00e7am sobre as nuances de um crime que talvez seja o mais ruidoso do mundo da cultura brasileira -uma esp\u00e9cie de variante local do caso Charles Manson, n\u00e3o s\u00f3 pela crueldade de seus pormenores, mas tamb\u00e9m por ter v\u00edtima e algoz orbitando o mesmo universo do showbiz.<br \/>N\u00e3o \u00e0 toa, ofuscou at\u00e9 a ren\u00fancia de Collor, no mesmo dia.<br \/>&#8220;Muita gente se lembra de onde estava quando ouviu a not\u00edcia. Marcou o Brasil&#8221;, diz Tatiana Issa, que divide a dire\u00e7\u00e3o de &#8220;Pacto Brutal&#8221; com Guto Barra. Ela, no caso, era atriz e estava no ar na novela das sete &#8220;Deus nos Acuda&#8221;, que tamb\u00e9m tinha no elenco Raul Gazolla, marido de Daniella Perez -que por sua vez era a revela\u00e7\u00e3o de &#8220;De Corpo e Alma&#8221;, novela das oito escrita pela m\u00e3e dela, Gloria Perez.<\/p>\n<p>A proximidade de Issa com o meio ajudou no acesso \u00e0 roteirista e a globais e ex-globais, como F\u00e1bio Assun\u00e7\u00e3o, Cl\u00e1udia Raia e Alexandre Frota, que destilam suas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deles, a s\u00e9rie traz ainda entrevistas de promotores, investigadores e parentes, que reconstituem a noite do crime e seus desdobramentos.<\/p>\n<p>Para os brasileiros que talvez n\u00e3o tivessem nascido, a hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte -o corpo de Daniella Perez, atriz em ascens\u00e3o na Globo, foi encontrado no matagal de uma ent\u00e3o pouco adensada Barra da Tijuca, na noite de 28 de dezembro de 1992, com 18 perfura\u00e7\u00f5es, a maioria concentradas na regi\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. O relato de uma testemunha levou a pol\u00edcia a Guilherme de P\u00e1dua, colega de elenco da v\u00edtima, e \u00e0 mulher dele, Paula Thomaz.<\/p>\n<p>Cada um dos dois foi condenado por homic\u00eddio qualificado a uma pena de quase 20 anos de pris\u00e3o, ap\u00f3s o j\u00fari popular acatar a tese da acusa\u00e7\u00e3o de que o casal premeditou o crime -ela, por ci\u00fames do marido; ele, por vingan\u00e7a contra a autora da novela, j\u00e1 que seu papel na trama vinha sendo reduzido. O ator n\u00e3o queria deixar o romance da trama acabar, \u00e9 o que defende a tese do seriado.<\/p>\n<p>Os dois t\u00eam vers\u00f5es diferentes. Paula Thomaz nega que tenha participado do crime. Guilherme de P\u00e1dua, que em depoimentos \u00e0 pol\u00edcia assumira a culpa pelo crime, depois passou a sustentar a tese de que a sua ent\u00e3o mulher, tomada de ci\u00fames pela rela\u00e7\u00e3o dos dois parceiros de cena, \u00e9 quem teria se atracado com Daniella Perez no matagal.<\/p>\n<p>&#8220;Pacto Brutal&#8221; opta por n\u00e3o reconstituir o assassinato em si, nem a vers\u00e3o da acusa\u00e7\u00e3o nem as vers\u00f5es da defesa, poupando o espectador do que h\u00e1 de mais de m\u00f3rbido em obras do g\u00eanero &#8220;true crime&#8221;, e prefere investir na for\u00e7a das descri\u00e7\u00f5es tiradas das entrevistas.<\/p>\n<p>Gloria Perez relata a primeira vis\u00e3o que teve do corpo da filha, estirado e cercado de fot\u00f3grafos, e de como tentou fechar os olhos dela, em v\u00e3o. Raul Gazolla, o vi\u00favo, fala da &#8220;certeza de que temos alma&#8221;, conclus\u00e3o a que chegou depois que disse n\u00e3o ter reconhecido no cad\u00e1ver aquela que havia sido sua mulher, como se o fundamental dela n\u00e3o estivesse mais ali no mato. Mais tarde, no enterro, ele teve um ataque, gritou e caiu em posi\u00e7\u00e3o fetal, segundo os seus colegas de televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Alexandre Frota e Cl\u00e1udia Raia estavam entre os que foram \u00e0 delegacia logo em seguida ao crime. Ela diz que viu um arranh\u00e3o no bra\u00e7o de Guilherme de P\u00e1dua, ainda antes de ele ser indiciado, e estranhou. &#8220;Guardei para mim&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Entre os cap\u00edtulos igualmente ins\u00f3litos dessa hist\u00f3ria, a s\u00e9rie rememora como os atores da Globo fizeram um mutir\u00e3o, interfonando a esmo em pr\u00e9dios da zona sul carioca \u00e0 procura de um foragido Guilherme de P\u00e1dua, antes de ele se entregar finalmente. Ou de como Frota e Maur\u00edcio Mattar \u00e9 que tomaram a dianteira, subindo numa mureta para acalmar a multid\u00e3o que se formou para acompanhar o enterro.<\/p>\n<p>A ideia de um pacto \u00e9 o que conduz a s\u00e9rie, que tem por fio narrativo um longo depoimento de Gloria Perez. &#8220;Essa hist\u00f3ria ganhou v\u00e1rias vers\u00f5es na imprensa, mas a verdade nunca foi contada&#8221;, diz Tatiana Issa, uma das diretoras da obra.<\/p>\n<p>\u00c9 o que explica por que, diz ela, nem os condenados nem seus advogados \u00e0 \u00e9poca foram procurados pela produ\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8220;Foi uma decis\u00e3o nossa, como documentaristas&#8221;, diz Guto Barra, que divide a dire\u00e7\u00e3o com ela. &#8220;Eles tiveram bastante espa\u00e7o na imprensa para contar vers\u00f5es do crime, que n\u00e3o foram comprovadas. E, ao contr\u00e1rio do jornalismo tradicional, a gente acha que no document\u00e1rio n\u00e3o precisar\u00edamos ir para esse outro lado.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o que pensa Paulo Ramalho, defensor de Guilherme de P\u00e1dua no julgamento, e que \u00e9 retratado na s\u00e9rie como um sujeito histri\u00f4nico, disposto a causar tumulto. &#8220;Como arte, a s\u00e9rie ser\u00e1 um fracasso, mas como desabafo merece respeito&#8221;, diz ele, a este rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 n\u00e3o quero ser rufi\u00e3o da desgra\u00e7a alheia&#8221;, ele completa, evitando falar sobre o caso judicial que o projetou. A repercuss\u00e3o foi tanta que o levou a virar inspira\u00e7\u00e3o de personagem na &#8220;Escolinha do Professor Raimundo&#8221;, o advogado Pedro Pedreira, que contestava at\u00e9 as verdades mais evidentes.<\/p>\n<p>O fato de a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter procurado os condenados nem os seus defensores foi aventado pela imprensa como explica\u00e7\u00e3o para a s\u00e9rie ter ido parar na HBO, e n\u00e3o na Globo, onde seria mais natural, j\u00e1 que a emissora carioca n\u00e3o teria topado essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Procurada ao longo de um dia, a Globo n\u00e3o respondeu ao questionamento deste rep\u00f3rter. Os diretores negam que coisa do tipo tenha acontecido.<\/p>\n<p>&#8220;A gente j\u00e1 tinha feito v\u00e1rios projetos na HBO e a coisa andou r\u00e1pido l\u00e1&#8221;, diz Issa. &#8220;E a Globo foi muito generosa em licenciar imagens de arquivo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Contar a verdade&#8221; \u00e9 o mantra que os diretores entoam, por mais que o caso seja um cipoal de vers\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es. Tampouco ajuda que jornalistas \u00e0 \u00e9poca tenham contribu\u00eddo para confundir o que se dava nas telas e fora delas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 v\u00e1rias cr\u00edticas que a gente traz na s\u00e9rie, como a quest\u00e3o da culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima e o papel da imprensa&#8221;, diz Issa.<\/p>\n<p>Como mostra a produ\u00e7\u00e3o, de repente n\u00e3o era mais Guilherme de P\u00e1dua quem era acusado de matar Daniella Perez, mas Bira \u00e9 quem matara Yasmin -o nome dos personagens cravados nas manchetes.<\/p>\n<p>No enredo de &#8220;De Corpo e Alma&#8221;, Yasmin tinha um envolvimento com o explosivo motorista de \u00f4nibus Bira, embora o seu amor fosse Caio, vivido por F\u00e1bio Assun\u00e7\u00e3o, que deixava os pap\u00e9is teen para encarar o gal\u00e3. Ela era irm\u00e3 da protagonista, Paloma, interpretada por Cristiana Oliveira.<\/p>\n<p>Com a novela, que foi ao ar em agosto de 1992, Gloria Perez, disc\u00edpula de Janete Clair, voltava \u00e0 TV Globo e assumia a sua primeira trama das oito em voo solo. O enredo principal girava em torno de Paloma, que recebia o cora\u00e7\u00e3o transplantado de outra mulher, Betina, grande amor de Diogo, papel de Tarc\u00edsio Meira. Os dois acabavam se apaixonando, numa narrativa que ainda tratava da ascens\u00e3o dos g\u00f3ticos e do fen\u00f4meno dos clubes das mulheres, com strippers masculinos.<\/p>\n<p>Daniella Perez, ent\u00e3o com 22 anos, era filha da roteirista e uma jovem promessa que havia atuado em novelas como &#8220;Barriga de Aluguel&#8221; e &#8220;O Dono do Mundo&#8221; e, antes disso, em &#8220;Kananga do Jap\u00e3o&#8221;, na Manchete -este \u00faltimo enredo se aproveitava de seus dotes de dan\u00e7arina, que tinha no bal\u00e9 a sua grande paix\u00e3o, e se tornou n\u00e3o s\u00f3 seu passaporte para a TV como a fez conhecer o futuro marido, Raul Gazolla.<\/p>\n<p>&#8220;Wishing on a Star&#8221;, na vers\u00e3o do grupo feminino Cover Girls, era a can\u00e7\u00e3o-tema de Yasmin na trama de &#8220;De Corpo e Alma&#8221; e ganhou uma onipresen\u00e7a m\u00f3rbida nas r\u00e1dios brasileiras ap\u00f3s o crime.<\/p>\n<p>Em outro dos v\u00e1rios aspectos que contribu\u00edram para bagun\u00e7ar os limites entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, a m\u00fasica da novela aparecia sempre que os telejornais falavam do crime.<\/p>\n<p>Ela d\u00e1 as caras tanto no cap\u00edtulo da novela em que os atores quebravam a quarta parede para se despedir da atriz, cuja personagem tinha ido viajar na trama, quanto na reportagem em que a jornalista Ilze Scamparini desce uma escada cenogr\u00e1fica para reproduzir a \u00faltima cena gravada por Daniella Perez antes de morrer.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo da m\u00fasica, ali\u00e1s, era a primeira proposta, depois descartada, para dar nome ao livro que Bernardo Braga Pasqualette est\u00e1 terminando sobre o caso, hoje rebatizado de &#8220;Daniella Perez: Biografia, Crime e Justi\u00e7a&#8221;, da editora Record.<\/p>\n<p>&#8220;Foi o crime que marcou a nossa gera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ele, que tinha nove anos na \u00e9poca. Em 1997, o ent\u00e3o adolescente tentou acompanhar o julgamento de Paula Thomaz, mas foi barrado, o que n\u00e3o dissuadiu o hoje advogado de, h\u00e1 30 anos, colecionar recortes e anota\u00e7\u00f5es que embasam a sua obra, que inclui uma biografia da atriz.<\/p>\n<p>Ele tentou falar com Gloria Perez, Guilherme de P\u00e1dua e Paula Thomaz, mas as conversas &#8220;n\u00e3o evolu\u00edram&#8221;. &#8220;Tudo bem, faz parte da liberdade de express\u00e3o&#8221;, ele afirma.<\/p>\n<p>Segundo Guto Barra, diretor de &#8220;Pacto Brutal&#8221;, o fato de muitos brasileiros n\u00e3o terem cristalizada na mem\u00f3ria a vers\u00e3o consagrada pelo julgamento t\u00eam muito a ver com a &#8220;coisa imag\u00e9tica&#8221; em torno do assassinato, isto \u00e9, o interc\u00e2mbio entre fic\u00e7\u00e3o e realidade que embalou o caso desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;Tinha a imagem dos dois juntos na novela&#8221;, diz o documentarista. &#8220;At\u00e9 hoje tem gente que acha que eles tinham um caso. Essa influ\u00eancia do poder da imagem criou ru\u00eddos na hist\u00f3ria toda. Voc\u00ea acaba entrando no territ\u00f3rio da fantasia.&#8221;<\/p>\n<p>Numa pol\u00eamica n\u00e3o contada na s\u00e9rie, J. R. Duran chegou a fotografar uma modelo num capinzal para um cat\u00e1logo de 1997 da grife Ellus. A semelhan\u00e7a da pose com a forma como o corpo de Daniella foi achado enfureceu a m\u00e3e da atriz.<\/p>\n<p>A culpa em grande parte \u00e9 da imprensa, dizem os diretores, muito embora a s\u00e9rie documental tamb\u00e9m gaste uns bons minutos explorando aspectos que s\u00e3o laterais e que dizem mais respeito a preconceitos em voga do que ao crime.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de quando o seriado resolve se debru\u00e7ar sobre o passado dos condenados, com detalhes picantes que tinham feito a festa do jornalismo sensacionalista dos anos 1990.<\/p>\n<p>Guilherme de P\u00e1dua \u00e9 pintado como um carreirista que causava confus\u00e3o j\u00e1 nos bastidores de &#8220;Blue Jeans&#8221;, musical que causou um estouro na virada dos anos 1980 para os 1990 com sua hist\u00f3ria sobre mich\u00eas.<\/p>\n<p>Wolf Maya, diretor do espet\u00e1culo, fala em &#8220;Pacto Brutal&#8221; de como conheceu o jovem vindo de Belo Horizonte numa moto. F\u00e1bio Assun\u00e7\u00e3o, que estava no elenco, se recorda de um soco c\u00eanico que o ator acabou desferindo de verdade.<\/p>\n<p>Antes de entrar na Globo, Guilherme de P\u00e1dua faria um papel semelhante de garoto de programa em &#8220;Via Appia&#8221;, filme alem\u00e3o sobre o submundo da prostitui\u00e7\u00e3o masculina nas saunas de Copacabana, e participaria do show de strip-tease que a travesti Elo\u00edna dos Leopardos mantinha na Galeria Alaska, conhecido point gay no bairro da zona sul carioca.<\/p>\n<p>J\u00e1 Paula Thomaz \u00e9 pintada como uma encrenqueira que j\u00e1 havia brigado por ci\u00fames do marido na Galeria Alaska e que idolatrava entidades m\u00edsticas que estariam por tr\u00e1s de um suposto sacrif\u00edcio ritual do qual Daniella Perez foi v\u00edtima. N\u00e3o \u00e0 toa, diz a s\u00e9rie, amparada por uma ocultista, ela morreu em noite de lua cheia.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que Guilherme de P\u00e1dua havia declarado ter um guia espiritual e que um exame constatou que as perfura\u00e7\u00f5es no corpo da atriz indicavam o uso de um punhal, nunca encontrado, e n\u00e3o de tesoura, como argumentado pelos r\u00e9us. Mas fica a d\u00favida se trazer \u00e0 luz dados como esse n\u00e3o diz mais respeito a preconceitos da \u00e9poca do que ao assassinato em si da atriz da Globo.<\/p>\n<p>Bernardo Braga Pasqualette, o autor, diz que &#8220;\u00e9 injusto fazer associa\u00e7\u00f5es entre a vida dos acusados e o crime&#8221;. &#8220;As pessoas t\u00eam de responder pelo que fizeram e n\u00e3o por outras coisas&#8221;, diz, acrescentando que homofobia, dirigida a P\u00e1dua, sexismo, a Thomaz, e preconceito contra religi\u00f5es de matriz africana, dirigido a ambos, sempre pairaram em torno do caso. &#8220;Houve uma espetaculariza\u00e7\u00e3o do passado deles.&#8221;<\/p>\n<p>De toda forma, dizem os diretores, algum tipo de pacto entre o casal condenado havia. &#8220;As tatuagens genitais eram um ind\u00edcio&#8221;, diz Tatiana Issa, se referindo ao laudo que constatou que P\u00e1dua tatuou o nome de Thomaz em seu p\u00eanis, e que ela tatuou o nome dele em sua vulva antes do crime.<\/p>\n<p>Outro ponto longe de ser un\u00e2nime e que \u00e9 tratado na s\u00e9rie &#8220;Pacto Brutal&#8221; diz respeito \u00e0 altera\u00e7\u00e3o da Lei dos Crimes Hediondos, que na narrativa \u00e9 apresentada como uma vit\u00f3ria da sociedade contra a impunidade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De fato, ap\u00f3s o assassinato de Daniella Perez, sua m\u00e3e encampou uma campanha pela inclus\u00e3o do homic\u00eddio qualificado na Lei dos Crimes Hediondos, que j\u00e1 estava em vigor.<\/p>\n<p>Nos meses seguintes, Gloria conseguiu ajudar a juntar mais de 1,3 milh\u00e3o de assinaturas em prol dessa iniciativa e, acompanhada de uma comitiva de globais, as entregou pessoalmente no Congresso e o projeto acabou aprovado.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica isso significou endurecer a puni\u00e7\u00e3o a pessoas condenadas por esse crime. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 consenso entre juristas e crimin\u00f3logos que o endurecimento de penas seja assim o melhor rem\u00e9dio para coibir a criminalidade, sobretudo quando fruto de um caso de como\u00e7\u00e3o popular.<br \/>Em editorial da \u00e9poca intitulado &#8220;Justi\u00e7a, sim, vingan\u00e7a, n\u00e3o&#8221;, por exemplo, este jornal criticou a iniciativa, que corrobora parecer de uma parte consider\u00e1vel do mundo jur\u00eddico. &#8220;Alega\u00e7\u00f5es de que a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 benevolente em rela\u00e7\u00e3o aos crimes contra a vida humana s\u00e3o dignos de quem jamais abriu o C\u00f3digo Penal&#8221;, diz o texto. &#8220;A discuss\u00e3o \u00e9 importante e deve ser travada, mas em clima de serenidade e com absoluto rigor t\u00e9cnico, jamais sob o jugo da emo\u00e7\u00e3o, sempre uma m\u00e1 conselheira.&#8221;<\/p>\n<p>Em liberdade, Paula Thomaz hoje usa outro nome e n\u00e3o fala com a imprensa. Guilherme de P\u00e1dua, tamb\u00e9m solto ap\u00f3s cumprir parte da pena em regime fechado, j\u00e1 concedeu entrevistas e fez algumas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como em atos pr\u00f3-Bolsonaro em Bras\u00edlia. Hoje pastor batista em Belo Horizonte, a sua cidade natal, ele foi procurado pela reportagem, mas n\u00e3o respondeu at\u00e9 o encerramento da edi\u00e7\u00e3o.<br \/>Em v\u00eddeo em seu canal no YouTube, ele comenta o frisson em torno da s\u00e9rie e diz que, ao contr\u00e1rio do que saiu em jornais, n\u00e3o se afastou das redes sociais por causa dela, mas antes disso. &#8220;Fiz a pedido de um pastor que me aconselha e me orienta&#8221;, diz elePACTO BRUTAL &#8211; O ASSASSINATO DE DANIELLA PEREZ<br \/>Onde: miniss\u00e9rie em cinco epis\u00f3dios dispon\u00edveis a partir de quinta (21), no HBO Max<br \/>Classifica\u00e7\u00e3o: 16 anos<br \/>Produ\u00e7\u00e3o: Brasil, 2022<br \/>Dire\u00e7\u00e3o: Tatiana Issa e Guto Barra<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1925542\/saiba-como-o-caso-daniella-perez-lembrado-em-serie-fez-o-brasil-parar-diante-da-tv?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GUILHERME GENESTRETIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Na virada dos anos 2000, Gloria Perez se viu<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":81441,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-81440","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81440\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}