{"id":79382,"date":"2022-07-02T14:08:21","date_gmt":"2022-07-02T17:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/02\/nao-podemos-apontar-o-dedo-diz-filha-de-mulher-que-deu-crianca-para-adocao\/"},"modified":"2022-07-02T14:08:21","modified_gmt":"2022-07-02T17:08:21","slug":"nao-podemos-apontar-o-dedo-diz-filha-de-mulher-que-deu-crianca-para-adocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/07\/02\/nao-podemos-apontar-o-dedo-diz-filha-de-mulher-que-deu-crianca-para-adocao\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o podemos apontar o dedo&#8217;, diz filha de mulher que deu crian\u00e7a para ado\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Maria Teresa Pimentel j\u00e1 tinha uma filha de 2 anos e estava desempregada quando se viu novamente gr\u00e1vida, em 1984. A m\u00e3e de Maria Teresa n\u00e3o aceitava a nova gravidez e a expulsou de casa. Morando de favor com uma amiga, sem emprego e com uma filha pequena para criar, ela tomou a decis\u00e3o de entregar o beb\u00ea voluntariamente para a ado\u00e7\u00e3o, como fez a atriz Klara Castanho. Como mostrou o <b>Estad\u00e3o<\/b>, o Brasil tem tr\u00eas entregas volunt\u00e1rias de crian\u00e7as para ado\u00e7\u00e3o a cada dia.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de entregar o filho rec\u00e9m-nascido para a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 prevista em lei e n\u00e3o demanda justificativas, apenas a decis\u00e3o da m\u00e3e biol\u00f3gica. Mas por tr\u00e1s de cada decis\u00e3o sempre h\u00e1 uma hist\u00f3ria. Acompanhe o depoimento de Michele Lopes, filha de Maria Teresa, ela mesma m\u00e3e adotiva de duas crian\u00e7as.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>SEM ACOLHIMENTO<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Eu tinha 2 aninhos quando a minha m\u00e3e, que era solteira, ficou gr\u00e1vida novamente. Minha av\u00f3 n\u00e3o aceitou de jeito nenhum. Disse que n\u00e3o era pra ela voltar para casa se tivesse mais um filho, que j\u00e1 tinha eu e, ainda por cima, estava desempregada. Ela foi morar comigo na casa de uma amiga, de favor, e se viu sem sa\u00edda. Minha m\u00e3e pensou por muito tempo e decidiu pela entrega da crian\u00e7a para ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, era muito comum fazer a entrega direta, o que \u00e9 proibido hoje. Ela entregou a crian\u00e7a para uma pessoa, que entregou para um casal que queria adotar. Apesar de achar que tinha feito a melhor coisa para ele, ela se sentia muito culpada e envergonhada por tudo o que aconteceu. Ela conta que foi a decis\u00e3o mais dif\u00edcil que tomou na vida, que sofreu muito, chorava muito. N\u00e3o teve nenhum apoio da fam\u00edlia.<\/p>\n<\/p>\n<p>No segundo dia em que voltou para casa depois do parto, ainda de resguardo, o peito jorrando leite, minha av\u00f3 mandou ela sair para arrumar um emprego. Eu n\u00e3o sei de onde ela tirou for\u00e7as. \u00c9 um sofrimento que nem posso imaginar.<\/p>\n<p>Quando eu tinha 28 anos, ele apareceu procurando por ela. Disse que o maior sonho da vida dele era encontr\u00e1-la, que todo mundo dizia que ele tinha uma irm\u00e3 e ele queria conhec\u00ea-la. Eu n\u00e3o sabia de nada, quase ningu\u00e9m sabia. E a\u00ed que minha m\u00e3e veio conversar comigo. Eu sempre tive a cabe\u00e7a muito aberta, j\u00e1 tinha adotado a minha primeira filha (tenho duas filhas adotadas) e sou muito grata \u00e0s genitoras. Se n\u00e3o fossem elas, eu tamb\u00e9m n\u00e3o seria m\u00e3e.<\/p>\n<\/p>\n<p>Num primeiro momento, me senti muito culpada tamb\u00e9m. Porque, de certa forma, ela tamb\u00e9m fez aquilo por mim. Ela n\u00e3o teria dado tudo o que me deu &#8211; tempo, amor, carinho, ela trabalhava muito para me sustentar -, se tivesse ficado com o outro filho. Fiquei muito abalada e, at\u00e9 hoje, guardo uma m\u00e1goa grande da minha av\u00f3. Acho que o que ela fez foi uma crueldade muito grande, se minha m\u00e3e tivesse tido um m\u00ednimo de apoio, n\u00e3o teria feito isso. E a vida inteira ela (a av\u00f3) me tratou como um estorvo. Ela n\u00e3o aceitava que a filha n\u00e3o tivesse casado, achava que era uma vergonha.<\/p>\n<\/p>\n<p>Me lembro, quando era pequena, que ela (a m\u00e3e) vivia muito deprimida, chorava muito, e nunca consegui entender por que era t\u00e3o amarga. S\u00f3 quando fiquei sabendo da hist\u00f3ria e conheci meu irm\u00e3o foi que entendi. E ele foi um mega irm\u00e3o durante os dois anos em que tivemos contato com ele (que acabou morrendo em um acidente de moto). Mas ele falou para ela que agradecia a ela por ter lhe dado a oportunidade de ter a fam\u00edlia que teve, que entendia o quanto tinha sido dif\u00edcil. Para a gente, foi um presente. Convivemos com ele por dois anos, e ele era um cara incr\u00edvel. Isso acalmou o cora\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>EXEMPLO<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>Por outro lado, quando eu ainda era crian\u00e7a, tinha uns 10 anos, meu tio, irm\u00e3o da minha m\u00e3e, morreu e a mulher n\u00e3o quis ficar com o filho dele. Minha av\u00f3 disse que n\u00e3o podia cuidar da crian\u00e7a e minha m\u00e3e adotou ele e o criou com muito amor e carinho.<\/p>\n<\/p>\n<p>Hoje, que estou vivendo uma situa\u00e7\u00e3o delicada, lutando h\u00e1 um ano para adotar a minha terceira filha, que est\u00e1 num abrigo, o meu irm\u00e3o me fala: \u0091Por isso agrade\u00e7o tanto \u00e0 m\u00e3e, porque se n\u00e3o fosse por ela, eu tamb\u00e9m teria ido para o abrigo\u0092.<\/p>\n<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria da Klara (Castanho) mexeu muito comigo. Fiquei muito chocada e triste, queria conhecer essa menina, dar um abra\u00e7o nela. Ela pensou em primeir\u00edssimo lugar na crian\u00e7a. Eu sei o que \u00e9 estar do lado de c\u00e1. N\u00e3o passei pelo que minha m\u00e3e passou, mas vi o sofrimento dela. Acho importante entender que n\u00e3o podemos julgar, n\u00e3o podemos apontar o dedo.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p> As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <b>O Estado de S. Paulo.<\/b><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1921485\/nao-podemos-apontar-o-dedo-diz-filha-de-mulher-que-deu-crianca-para-adocao?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Teresa Pimentel j\u00e1 tinha uma filha de 2 anos e estava desempregada quando se<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":79383,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-79382","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79382"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79382\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}