{"id":78964,"date":"2022-06-30T07:08:30","date_gmt":"2022-06-30T10:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/30\/7-estados-brasileiros-correm-alto-risco-de-ter-surtos-de-doencas-de-origem-animal\/"},"modified":"2022-06-30T07:08:30","modified_gmt":"2022-06-30T10:08:30","slug":"7-estados-brasileiros-correm-alto-risco-de-ter-surtos-de-doencas-de-origem-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/30\/7-estados-brasileiros-correm-alto-risco-de-ter-surtos-de-doencas-de-origem-animal\/","title":{"rendered":"7 estados brasileiros correm alto risco de ter surtos de doen\u00e7as de origem animal"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Um estudo feito por pesquisadores brasileiros concluiu que sete estados do pa\u00eds apresentam alto risco de passar por surtos de zoonoses, doen\u00e7as transmitidas de animais para humanos.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No Distrito Federal e outros 11, o risco \u00e9 m\u00e9dio e, nas demais unidades da Federa\u00e7\u00e3o, baixo, segundo pesquisa publicada nesta quarta-feira (29) na revista Science Advances.<br \/>As zoonoses s\u00e3o bastante conhecidas -a var\u00edola dos macacos \u00e9 um desses casos. Um dos fatores que mais favorece o aparecimento desse tipo de doen\u00e7a \u00e9 o adentramento em \u00e1reas florestais.<\/p>\n<p>Hugo Fernandes-Ferreira, professor da Universidade Estadual do Cear\u00e1 e um dos autores do artigo, explica que zoonoses s\u00e3o resultado de um processo de muta\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas at\u00e9 que um pat\u00f3geno -qualquer organismo que cause uma doen\u00e7a- tenha capacidade de infectar humanos.<\/p>\n<p>&#8220;Essa possibilidade cresce quando se aumenta o contato, o que ocorre ao facilitar o acesso -ou seja, o desmatamento- e o contato direto [com animais silvestres]&#8221;, afirma Fernandes-Ferreira, que tamb\u00e9m \u00e9 bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>No novo estudo, a invas\u00e3o a regi\u00f5es ambientais foram levados em considera\u00e7\u00e3o. A biodiversidade tamb\u00e9m foi observada, j\u00e1 que, quanto maior a presen\u00e7a de diferentes esp\u00e9cies de seres vivos, maior o risco de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores observaram quest\u00f5es socioecon\u00f4micas e a capacidade de resposta frente a situa\u00e7\u00f5es de risco para entender as chances do aparecimento de novos surtos.<\/p>\n<p>&#8220;Existem diversas crises que tornam o nosso pa\u00eds como uma potencial incubadora. S\u00e3o crises ambientais, socioecon\u00f4micas, aumento do desmatamento, do desemprego, da inseguran\u00e7a alimentar. Tudo isso faz com que cres\u00e7a o grau de exposi\u00e7\u00e3o das pessoas a esses pat\u00f3genos&#8221;, afirma Gisele Winck, bi\u00f3loga associada como pesquisadora a Fiocruz e autora principal do artigo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores utilizaram dados coletados entre 2001 e 2019 de noves zoonoses j\u00e1 conhecidas no Brasil para realizar as an\u00e1lises da pesquisa: doen\u00e7a de chagas, febre amarela, febre maculosa, leishmaniose tegumentar e visceral, hantav\u00edrus, leptospirose, mal\u00e1ria e raiva. Observando os padr\u00f5es de dissemina\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as, os autores mensuraram os riscos de novos surtos.<\/p>\n<p>Foram vistos aspectos que influenciam o padr\u00e3o das dissemina\u00e7\u00f5es das doen\u00e7as no Brasil: perda de vegeta\u00e7\u00e3o, riqueza de mam\u00edferos, isolamento de munic\u00edpios, pouca vegeta\u00e7\u00e3o urbana e baixa cobertura vegetal. &#8220;Esses cinco pontos explicaram 80% do padr\u00e3o visto do surgimento de doen\u00e7as no nosso pa\u00eds. Ent\u00e3o eles s\u00e3o os principais fatores que atuaram para o padr\u00e3o que vimos&#8221;, afirma Winck.<\/p>\n<p>Todos os estados e o Distrito Federal foram divididos em tr\u00eas categorias: baixo, m\u00e9dio ou alto risco. Uma das regi\u00f5es mais cr\u00edticas \u00e9 a Norte, onde o Par\u00e1 tem m\u00e9dio risco e todos os outros estados foram categorizados como de alto risco. Esse padr\u00e3o pode ser explicado pelo intenso desmatamento da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, sobretudo na regi\u00e3o Norte, se tem um desmatamento numa \u00e1rea de alt\u00edssima diversidade biol\u00f3gica e, portanto, de pat\u00f3genos&#8221;, diz Fernandes-Ferreira.<\/p>\n<p>Mesmo assim, considerar outros aspectos que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com o meio ambiente foi importante para a pesquisa. Um dos fatores foi o isolamento de munic\u00edpios, onde se considerou que, quanto mais os estados tinham cidades com baixa conex\u00e3o, maior a probabilidade de surtos de zoonoses. Isso porque esse isolamento dificulta o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade especializados.<br \/>A relev\u00e2ncia de considerar esses outros aspectos pode ser visto na compara\u00e7\u00e3o entre o Par\u00e1, que tem risco m\u00e9dio, e o Maranh\u00e3o, com risco alto.<\/p>\n<p>Fernandes-Ferreira explica que, se considerasse somente a \u00f3tica de presen\u00e7a de floresta nativa e biodiversidade, o Par\u00e1 deveria ter um risco maior do que o Maranh\u00e3o em raz\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Acontece que, ao observar outros fatores, a situa\u00e7\u00e3o de risco entre os dois estados se inverte do que seria esperado. &#8220;\u00c9 preciso olhar para todos os contextos econ\u00f4micos, sociais e de rotas potenciais de infec\u00e7\u00e3o e cont\u00e1gio, que s\u00e3o agravados pelo contexto econ\u00f4mico e social&#8221;, completa o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">FORMAS DE EVITAR NOVOS SURTOS<\/span><\/p>\n<p>Os pesquisadores afirmam que o estudo mostra pontos de aten\u00e7\u00e3o para barrar o surgimento de novos surtos. Mesmo assim, seria importante melhorar os dados dispon\u00edveis no Brasil para se mensurar riscos de modo mais detalhado, como as chances de surto a n\u00edvel dos munic\u00edpios brasileiros, diz Winck.<\/p>\n<p>Os autores tamb\u00e9m afirmam que barrar a dissemina\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as se relaciona com as principais formas que acontecem as transmiss\u00f5es dos pat\u00f3genos.<\/p>\n<p>Um desses meios \u00e9 a ca\u00e7a ilegal e comercializa\u00e7\u00e3o dessas carnes que podem estar infectadas. &#8220;A ca\u00e7a \u00e9 a principal rota do contato direto de humanos com pat\u00f3genos de mam\u00edferos silvestres&#8221;, afirma Fernandes-Ferreira.<\/p>\n<p>Outra maneira s\u00e3o vetores, como mosquitos, que podem disseminar zoonoses diretamente a seres humanos. Neste caso, quanto maior o desmatamento, maior a exposi\u00e7\u00e3o a essas situa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, animais dom\u00e9sticos podem ser pontes entre pat\u00f3genos presentes em animais silvestres e humanos.<\/p>\n<p>Todas essas circunst\u00e2ncias se relacionam com o desmatamento e com a presen\u00e7a humana em \u00e1reas de fauna nativa. Por isso, os pesquisadores ressaltam que a preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 o ponto mais urgente para evitar novos surtos.<\/p>\n<p>&#8220;O problema s\u00e3o os impactos nas \u00e1reas de biodiversidade. Essas \u00e1reas precisam ser conservadas. A receita que mostramos n\u00e3o \u00e9 algo que pode acontecer. Isso j\u00e1 acontece. A febre amarela, dengue, chikungunya, Covid e mal\u00e1ria s\u00e3o doen\u00e7as com essa receita. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 acontecem no Brasil. O que mostramos \u00e9 qu\u00e3o mais ela pode acontecer, onde e por quais fatores&#8221;, conclui Fernandes-Ferreira.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1920874\/7-estados-brasileiros-correm-alto-risco-de-ter-surtos-de-doencas-de-origem-animal?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Um estudo feito por pesquisadores brasileiros concluiu que sete estados<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":78965,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-78964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}