{"id":78354,"date":"2022-06-26T14:08:11","date_gmt":"2022-06-26T17:08:11","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/26\/pobreza-recorde-acentua-desigualdades-no-brasil-veja-por-estado\/"},"modified":"2022-06-26T14:08:11","modified_gmt":"2022-06-26T17:08:11","slug":"pobreza-recorde-acentua-desigualdades-no-brasil-veja-por-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/26\/pobreza-recorde-acentua-desigualdades-no-brasil-veja-por-estado\/","title":{"rendered":"Pobreza recorde acentua desigualdades no Brasil; veja por estado"},"content":{"rendered":"<p>ALEXA SALOM\u00c3O<br \/>BRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; Considerando a renda das fam\u00edlias, 47,3 milh\u00f5es de brasileiros terminaram o ano passado na pobreza. O n\u00famero equivale a 22,3% do total da popula\u00e7\u00e3o brasileira, o maior percentual em dez anos, segundo levantamento realizado pelo Imds (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social).<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;O Brasil vinha numa trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de redu\u00e7\u00e3o da pobreza, mas no meio do caminho, apareceu uma pedra, a pandemia, e ainda estamos vendo os seus efeitos&#8221;, afirma o economista Paulo Tafner, presidente do Imds.<\/p>\n<p>Analisados no detalhe, os dados do levantamento mostram que a piora foi generalizada.<\/p>\n<p>Quase 11 milh\u00f5es ca\u00edram na pobreza em todo o pa\u00eds em 2021. Para se ter uma dimens\u00e3o desse contingente, \u00e9 como se quase todos os moradores da cidade de S\u00e3o Paulo se tornassem pobres em um ano.<\/p>\n<p>Mais da metade dos que perderam renda, 6,3 milh\u00f5es, caiu para a extrema pobreza, onde o dia a dia \u00e9 marcado at\u00e9 pela falta de comida. O ano terminou com 20 milh\u00f5es de brasileiros nessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Brasileiros de zero a 17 anos est\u00e3o entre os mais sacrificados. A pobreza infantil comprometia o futuro de 19 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes ao final de 2021, 35,6% do total desse segmento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que a pobreza tenha avan\u00e7ado em todo o pa\u00eds e nos mais diversos segmentos, a parcela da popula\u00e7\u00e3o que mais sofreu \u00e9 negra \u201373% do total\u2013 e se concentrava em regi\u00f5es e estados mais pobres, o que ajudou a ampliar as desigualdades nacionais.<\/p>\n<p>No Nordeste, 5,5 milh\u00f5es ca\u00edram na pobreza no ano passado, elevando o n\u00famero de pobres na regi\u00e3o para 22,8 milh\u00f5es, quase 40% da popula\u00e7\u00e3o nesta parte do pa\u00eds. No Sul, o contingente aumentou em 400 mil, fazendo com que os mais pobres passassem a representar 10% do total da popula\u00e7\u00e3o nesta parte do pa\u00eds. L\u00e1 o ano terminou com 3 milh\u00f5es de pessoas na pobreza.<\/p>\n<p>Enquanto a pobreza avan\u00e7ou 12,5% em Sergipe, a maior alta do pa\u00eds, quase o triplo da m\u00e9dia nacional que foi de 5%,cresceu 1,3% em Santa Catarina e 1% no Mato Grosso.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da equipe do Imds, um fator para a oscila\u00e7\u00e3o na renda foi o aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n<p>A concess\u00e3o de um benef\u00edcio de R$ 600 em 2020 teve o efeito de reduzir a pobreza. No ano passado, por\u00e9m, o aux\u00edlio foi suspenso e, depois, teve o valor reduzido, al\u00e9m de ter um corte no n\u00famero de benefici\u00e1rios. Como a Covid n\u00e3o havia cedido, e a economia t\u00e3o pouco reagido, houve repique na pobreza.<\/p>\n<p>No Maranh\u00e3o, o auxilio reduziu a pobreza em 2020, que passou a afetar 37% da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 um patamar alto, mas foi o menor percentual de maranhenses empobrecidos em 10 anos. No ano passado, por\u00e9m, a parcela de pobres passou a ser 48,5%, quase metade da popula\u00e7\u00e3o, e o pior patamar nos mesmos dez anos \u20133,5 milh\u00f5es terminaram 2021 na pobreza.<\/p>\n<p>Montanha russa parecida ocorreu no Rio Grande do Norte. A parcela de pobres caiu para 24% em 2020, e saltou para 34,5% no ano passado. Outra vez, piso e teto em dez anos.<\/p>\n<p>Pernambuco viveu um fen\u00f4meno diferente. N\u00e3o teve redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica de pobreza em 2020, mas sentiu o repique na sequ\u00eancia. Terminou o ano com quase 44% da popula\u00e7\u00e3o na pobreza, 4,2 milh\u00f5es de pernambucanos. Foi a primeira vez que o indicador ficou acima de 40% na s\u00e9rie. O maior percentual at\u00e9 ent\u00e3o havia sido o de 38,2% em 2012.<br \/>&#8220;A baixa renda depende do trabalho informal, predominantemente associado ao setor de servi\u00e7os com contato f\u00edsico, como venda de alimentos e neg\u00f3cios associados ao turismo&#8221;, afirma o economista Sergio Guimar\u00e3es Ferreira, diretor do Imds. &#8220;A oscila\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio, sem a retomada dos servi\u00e7os, foi determinante para o aumento da pobreza em 2021.&#8221;<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es, por\u00e9m, destaca que ser\u00e1 preciso aprofundar a an\u00e1lise de dados para avaliar mais detalhadamente o aumento da pobreza em alguns locais.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, das regi\u00f5es metropolitanas. De 2016 a 2020, a parcela de pobres oscilou entre 15% e 16% do total da popula\u00e7\u00e3o. Em 2020, quando as maiores cidades viveram o lockdown, a taxa ficou em 15,5%. No ano passado, no entanto, subiu para quase 20%, com 3,8 milh\u00f5es de habitantes dessas \u00e1reas urbanas caindo na pobreza.<br \/>&#8220;A pesquisa pode ter captado a demora na retomada do setor de servi\u00e7os, muito importante para a economia dos centros urbanos&#8221;, afirma Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>No Centro-Oeste, s\u00edmbolo da pujan\u00e7a do agroneg\u00f3cio, que se beneficiou com a alta das commodities durante a pandemia, a pobreza registrou um recorde at\u00edpico. Historicamente, de 7% a 8% da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza. Em alguns momentos, o percentual subiu para casa de 9%. No ano passado, no entanto, foi a 11%.<br \/>&#8220;Seria preciso ampliar o escopo da pesquisa para avaliar melhor os efeitos do agroneg\u00f3cio sobre as camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o na \u00e1rea rural&#8221;, diz Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>O Imds trabalha com o cen\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o da pobreza em 2022, com a retomada do setor de servi\u00e7os e o pagamento do Aux\u00edlio Brasil, que substituiu o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias at\u00e9 aqui de que haja uma revers\u00e3o estrutural na trajet\u00f3ria de queda da pobreza no Brasil, ent\u00e3o, acreditamos que a robusta rede de assist\u00eancia social do pa\u00eds, criada ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, associada \u00e0 retomada da economia e do emprego, vai contribuir para melhorar os indicadores a partir deste ano&#8221;, afirma Tafner.<\/p>\n<p>Um novo elemento que est\u00e1 no radar do instituto, porque afeta o poder de compra, \u00e9 o aumento de pre\u00e7os. Historicamente, a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento que eleva a pobreza.<\/p>\n<p>LI\u00c7\u00d5ES PARA A POL\u00cdTICA P\u00daBLICA<br \/>Na avalia\u00e7\u00e3o do Imds, os efeitos sobre o Brasil do baque global da pandemia, seguido das consequ\u00eancias da guerra da Ucr\u00e2nia, que tamb\u00e9m est\u00e3o afetando a economia em escala internacional, mostram que a pol\u00edtica p\u00fablica na \u00e1rea social no Brasil precisa avaliar a cria\u00e7\u00e3o de novos instrumentos.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas fam\u00edlias vivem com uma renda t\u00e3o pequena que podem cair abaixo da linha da pobreza se deixarem de ganhar regularmente R$ 2 por dia&#8221;, afirma Tafner. &#8220;Mecanismos simples, como um seguro social para mitigar choques, poderiam impedir esses efeitos.&#8221;<\/p>\n<p>Outra alternativa seria construir um sistema de seguridade para o trabalhador informal. &#8220;Na pandemia, quem tinha trabalho com carteira assinada foi atendido mais rapidamente porque conta com estruturas de prote\u00e7\u00e3o j\u00e1 organizadas&#8221;, diz Guimar\u00e3es. &#8220;Um sistema para os informais evitaria a pobreza tempor\u00e1ria, causada pela falta repentina de trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>CRIT\u00c9RIOS DA PESQUISA<br \/>As s\u00e9ries do Imds que contabilizam pobreza tomam como base a renda per capita familiar (por pessoa) apurada a partir das s\u00e9ries da Pnadc do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica). O levantamento foi iniciado em 2012.<\/p>\n<p>O Imds fez uma linha hist\u00f3rica da pobreza estimando dados da antiga Pnad (1992-2015) com a atual Pandc. Nessa proje\u00e7\u00e3o de longo prazo, o n\u00edvel de pobreza de 2021 \u00e9 compar\u00e1vel ao registrado em 2010, mas praticamente metade do indicador nos anos de 1990, quando a pobreza chegou a atingir 40% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A linha de corte para pobreza \u00e9 a mesma adotada pelo Banco Mundial, viver com renda di\u00e1ria no valor de US$ 1,9, cerca de R$ 10, ou menos que isso.<\/p>\n<p>Os levantamentos regionais e para estados consideram os efeitos sobre o rendimento do custo de cestas b\u00e1sicas de consumo local. Os crit\u00e9rios foram desenvolvidos por IBGE, Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) e Cepal (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe). Seus valores s\u00e3o atualizados pela INPC, \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o que afeta mais a baixa renda.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1919872\/pobreza-recorde-acentua-desigualdades-no-brasil-veja-por-estado?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALEXA SALOM\u00c3OBRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; Considerando a renda das fam\u00edlias, 47,3 milh\u00f5es de brasileiros terminaram<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":78355,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-78354","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78354"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78354\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}