{"id":77906,"date":"2022-06-23T07:08:13","date_gmt":"2022-06-23T10:08:13","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/23\/enfermeiro-na-ucrania-relata-horror-da-guerra-durante-atendimento-a-vitimas\/"},"modified":"2022-06-23T07:08:13","modified_gmt":"2022-06-23T10:08:13","slug":"enfermeiro-na-ucrania-relata-horror-da-guerra-durante-atendimento-a-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/23\/enfermeiro-na-ucrania-relata-horror-da-guerra-durante-atendimento-a-vitimas\/","title":{"rendered":"Enfermeiro na Ucr\u00e2nia relata horror da guerra durante atendimento a v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Ap\u00f3s anos na It\u00e1lia, o enfermeiro Artur Struminski, um cidad\u00e3o \u00edtalo-ucraniano, decidiu voltar a viver na Ucr\u00e2nia em 23 de fevereiro de 2022, um dia antes de a R\u00fassia invadir o pa\u00eds. Em Brodi, pequena cidade na regi\u00e3o de Lviv, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Pol\u00f4nia, ele ouviu, \u00e0s 4h, os primeiros jatos. Na sequ\u00eancia, chegaram relatos de ataques a Kiev e Odessa. &#8220;\u00c0s 7h, nossa cidade era alvo de m\u00edsseis.&#8221;<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Ele conta ter reunido a m\u00e3e, a av\u00f3, a tia e a sobrinha para lev\u00e1-las \u00e0 fronteira polonesa, onde milhares de pessoas se aglomeravam. L\u00e1, tiveram de esperar a p\u00e9, no frio, por mais de 30 horas. A fam\u00edlia foi embora, mas ele, cidad\u00e3o ucraniano em idade militar, n\u00e3o p\u00f4de deixar o pa\u00eds.<br \/>Com experi\u00eancia em conflitos humanit\u00e1rios, Struminski conta que se alistou para trabalhar com a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dico Sem Fronteiras e foi colocado como enfermeiro em um trem adaptado com uma UTI. Ao mesmo tempo em que retirava civis de zonas de conflitos, ele tratava pacientes feridos. Os relatos neste texto foram feitos \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e compartilhados com a reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil imaginar quantos civis foram v\u00edtimas deste conflito. At\u00e9 voc\u00ea parar em um conflito armado, n\u00e3o imagina quantas v\u00edtimas ele cria. Mas, viagem a viagem, voc\u00ea v\u00ea todas essas pessoas com ferimentos de explos\u00f5es, ossos quebrados, amputa\u00e7\u00f5es. E a\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a ter uma ideia da escala do sofrimento que atinge essas pessoas&#8221;, diz o enfermeiro.<\/p>\n<p>N\u00fameros da ONG apontam que quase metade das 653 pessoas retiradas de zonas de conflito pelo trem da entidade entre 31 de mar\u00e7o e 6 de junho era formada por idosos e crian\u00e7as, com ferimentos de estilha\u00e7os de explos\u00f5es e a tiros, al\u00e9m de membros amputados.<\/p>\n<p>&#8220;As feridas dos nossos pacientes e as hist\u00f3rias que eles contam mostram de maneira inquestion\u00e1vel o n\u00edvel chocante de sofrimento que a viol\u00eancia indiscriminada desta guerra est\u00e1 provocando sobre civis&#8221;, diz Christopher Stokes, coordenador de emerg\u00eancia m\u00e9dica da entidade.<\/p>\n<p>Stokes afirma que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode afirmar que as for\u00e7as em guerra miram especificamente civis, mas que &#8220;a decis\u00e3o de usar armamento pesado em massa contra \u00e1reas densamente povoadas significa que civis inescapavelmente, e portanto conscientemente, est\u00e3o sendo mortos e feridos&#8221;.<\/p>\n<p>A entidade elenca o que tem visto nas opera\u00e7\u00f5es de resgate: civis alvos de tiros durante opera\u00e7\u00f5es de retirada; bombardeios indiscriminados em \u00e1reas residenciais; ataques a idosos, entre outras coisas.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, 11% dos pacientes atendidos tem menos de 18 anos, e 30%, mais de 60 anos. Os n\u00fameros da ONG apontam que 20% dos feridos foram atingidos por tiros ou estilha\u00e7os de explos\u00f5es, e mais de 10% dos pacientes perderam um ou mais membros -o mais novo, com seis anos de idade.<\/p>\n<p>Uma idosa de mais de 70 anos que pede para n\u00e3o ser identificada, atendida no trem hospitalar, contou que, na vila em que morava em Lugansk, restam menos de 50 dos 500 moradores. Ela diz que se escondia embaixo da cama toda vez que ouvia um bombardeio no come\u00e7o da guerra. Depois, mudou-se para o por\u00e3o da casa ao lado, quando os vizinhos fugiram, mas precisou deixar o marido, com defici\u00eancia f\u00edsica, para tr\u00e1s, por n\u00e3o conseguir carreg\u00e1-lo. Outra moradora ofereceu um por\u00e3o para abrigar a vizinhan\u00e7a, e, em 7 de maio, um bombardeio atingiu a casa dela, com sete pessoas dentro -s\u00f3 dois sobreviveram.<\/p>\n<p>Outra paciente, uma mulher de 30 anos que tamb\u00e9m pede anonimato, diz que colocou avisos no carro em que estava fugindo da cidade de Mariupol alertando que todos os passageiros eram civis e que havia crian\u00e7as no ve\u00edculo. Mesmo assim, foram alvos de um ataque a tiros, que acertaram seu marido.<\/p>\n<p>O enfermeiro Struminski se lembra de ter atendido uma menina de 15 anos com ferimentos graves de uma explos\u00e3o por toda a barriga, al\u00e9m de estilha\u00e7os de bomba ao longo da coluna. Tamb\u00e9m cita o momento em que atendeu um pai que teve a perna amputada e estava com a filha, de 8 anos. Ele foi atingido enquanto fazia compras em um supermercado -o ataque matou a mulher do ucraniano.<\/p>\n<p>&#8220;O trabalho no trem me fez apreciar a paz que eu tinha antes da guerra. Agora entendo o que significa um c\u00e9u claro, um c\u00e9u pac\u00edfico. Talvez no passado eu fosse um pouco ego\u00edsta. Eu estava pensando no meu desenvolvimento, no meu futuro. Essa experi\u00eancia me ensinou que a guerra est\u00e1 em toda parte. Da pr\u00f3xima vez, voc\u00ea pode ser a pessoa que precisa de ajuda&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1919020\/enfermeiro-na-ucrania-relata-horror-da-guerra-durante-atendimento-a-vitimas?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Ap\u00f3s anos na It\u00e1lia, o enfermeiro Artur Struminski, um cidad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":77907,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-77906","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77906","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77906"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77906\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}