{"id":7651,"date":"2021-04-24T12:27:07","date_gmt":"2021-04-24T15:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/24\/desaparecer-na-ditadura-e-nas-redes-sociais-na-era-covid-inspira-mostra-em-sao-paulo\/"},"modified":"2021-04-24T12:27:07","modified_gmt":"2021-04-24T15:27:07","slug":"desaparecer-na-ditadura-e-nas-redes-sociais-na-era-covid-inspira-mostra-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/24\/desaparecer-na-ditadura-e-nas-redes-sociais-na-era-covid-inspira-mostra-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Desaparecer na ditadura e nas redes sociais na era Covid inspira mostra em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Luvas sem seu par correspondente foram encontradas nas ruas pelo artista Thiago Hon\u00f3rio durante um inverno. Lado a lado numa instala\u00e7\u00e3o, essas m\u00e3os fantasmag\u00f3ricas, esp\u00e9cie de rastros de um corpo que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais presente, evocam a discuss\u00e3o central da mostra &#8220;T\u00e1ticas de Desaparecimento&#8221;, no Pa\u00e7o das Artes -as contradi\u00e7\u00f5es que se tornar invis\u00edvel carrega.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Enquanto a\u00e7\u00f5es contra presos pol\u00edticos durante a ditadura militar no Brasil, por exemplo, eram chamadas de pr\u00e1ticas de desaparecimento, sumir tamb\u00e9m aparece como uma forma de resist\u00eancia, como na express\u00e3o usada por Hakim Bey em &#8220;Zona Aut\u00f4noma Tempor\u00e1ria&#8221;, de 1980, para definir organiza\u00e7\u00f5es capazes de se infiltrar num determinado sistema, provocar mudan\u00e7as, e desaparecer.<\/p>\n<p>Na era da Covid, em que as redes sociais s\u00e3o dos poucos espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o que nos sobraram, a ideia de ser invis\u00edvel ganha mais uma camada de complexidade, e discute tamb\u00e9m o que significa estar presente numa tela de computador.<\/p>\n<p>Essas provoca\u00e7\u00f5es guiam as escolhas da curadora Nathalia Lavigne, que selecionou obras dos artistas artistas Aleta Valente, Maryam Monalisa Gharavi, Nino Cais, Sallisa Rosa, Regina Parra e Thiago Hon\u00f3rio. Aberta no fim de fevereiro e fechada logo em seguida, &#8220;T\u00e1ticas de Desaparecimento&#8221; reabre ao p\u00fablico neste fim de semana.<\/p>\n<p>A curadora conta que o esc\u00e2ndalo da Cambridge Analytica em 2018, em que a empresa de consultoria pol\u00edtica envolvida na campanha presidencial de Donald Trump obteve acesso a dados pessoais de milh\u00f5es de usu\u00e1rios do Facebook, foi um divisor de \u00e1guas para pensar o desaparecimento no ambiente virtual.<\/p>\n<p>&#8220;Logo quando apareceu o esc\u00e2ndalo, muita gente saiu do Facebook, deletou seus dados. \u00c9 um apagamento que partiu das redes sociais, mas o que vem depois disso \u00e9 como lidar com essas plataformas como um espa\u00e7o transit\u00f3rio&#8221;, ela afirma.<\/p>\n<p>O livro &#8220;BIO&#8221;, da iraniana Maryam Monalisa Gharavi, se vale dessa ideia de transitoriedade nas redes. A obra parte de uma experi\u00eancia da artista de mudar sua biografia no Twitter todos os dias por um ano -ela descobriu que essa era a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o da plataforma que n\u00e3o armazenava os dados do usu\u00e1rio. As frases, que escaparam do armazenamento da pr\u00f3pria plataforma, formam esse livro f\u00edsico e manipul\u00e1vel pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Uma esp\u00e9cie de materializa\u00e7\u00e3o do virtual tamb\u00e9m est\u00e1 na s\u00e9rie &#8220;Mise-en-Sc\u00e8ne&#8221;, de 2009, de Regina Parra. Ela reproduz em suas pinturas cenas capturadas por c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia que, apesar de parecerem um flagra, s\u00e3o encenadas.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tudo ganhou uma nova camada com a pandemia&#8221;, afirma Lavigne. A mostra, que foi pensada antes das institui\u00e7\u00f5es culturais fecharem pela primeira vez, \u00e9 a primeira da &#8220;Temporada de Projetos&#8221;, programa que completa 25 anos e \u00e9 famoso por revelar nomes promissores.<\/p>\n<p>&#8220;Ela ganhou um outro aspecto, que \u00e9 uma ideia de presen\u00e7a fragmentada, dessas rela\u00e7\u00f5es mediadas por telas o tempo todo&#8221;, diz a curadora. Essas mesmas redes sociais, que j\u00e1 eram um espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o de trabalhos, tamb\u00e9m se tornaram a \u00fanica plataforma de contato com a arte em boa parte desse ano pand\u00eamico.<\/p>\n<p>A artista carioca Aleta Valente, que j\u00e1 teve dois perfis do Instagram removidos por den\u00fancias de usu\u00e1rios e n\u00e3o raro publicava selfies exibindo seu corpo, agora aparece num autorretrato completamente afundada em roupas, edredons e tecidos, jogada num colch\u00e3o. Esse ocultamento do pr\u00f3prio corpo tamb\u00e9m est\u00e1 no trabalho de Nino Cais que, numa s\u00e9rie de fotografias, cobre seu pr\u00f3prio rosto com uma blusa, tamb\u00e9m numa fragmenta\u00e7\u00e3o de um retrato de si mesmo.<br \/>Em seu trabalho, Sallisa Rosa satiriza esse ambiente virtual, que \u00e9 consequ\u00eancia da cultura dos centros urbanizados. Em &#8220;Identidade \u00c9 Fic\u00e7\u00e3o&#8221;, ela se retrata, por exemplo, com um telefone celular que parece ser um alimento, brincando com estere\u00f3tipos da cultura ind\u00edgena no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as selfies e as redes sociais que convocam o esp\u00edrito desse ano de confinamento. A aus\u00eancia dos corpos que eram os donos das luvas no trabalho de Thiago Hon\u00f3rio, que j\u00e1 estiveram nas ruas e n\u00e3o se sabe para onde foram, tamb\u00e9m n\u00e3o deixa esquecer a incerteza dos que v\u00e3o desaparecer e dos rastros que ficar\u00e3o dessa pandemia.<\/p>\n<p>T\u00c1TICAS DE DESAPARECIMENTO<br \/>Quando At\u00e9 16\/5. Qui. a dom.: 12h \u00e0s 18h<br \/>Onde Pa\u00e7o das Artes (acesso pelo shopping P\u00e1tio Higien\u00f3polis) &#8211; av. Higien\u00f3polis, 618 ou r. Dr. Veiga Filho, 133, Higien\u00f3polis, S\u00e3o Paulo<br \/>Pre\u00e7o Gratuito<br \/>Curadoria Nathalia Lavigne<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1798187\/desaparecer-na-ditadura-e-nas-redes-sociais-na-era-covid-inspira-mostra-em-sao-paulo?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luvas sem seu par correspondente foram encontradas nas ruas pelo artista Thiago Hon\u00f3rio durante um<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":7652,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-7651","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7651\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}