{"id":76294,"date":"2022-06-12T21:08:56","date_gmt":"2022-06-13T00:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/12\/metade-e-a-favor-de-cotas-raciais-em-universidades-34-sao-contra-diz-datafolha\/"},"modified":"2022-06-12T21:08:56","modified_gmt":"2022-06-13T00:08:56","slug":"metade-e-a-favor-de-cotas-raciais-em-universidades-34-sao-contra-diz-datafolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/12\/metade-e-a-favor-de-cotas-raciais-em-universidades-34-sao-contra-diz-datafolha\/","title":{"rendered":"Metade \u00e9 a favor de cotas raciais em universidades; 34% s\u00e3o contra, diz Datafolha"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a favor das cotas raciais nas universidades p\u00fablicas, mostra pesquisa Datafolha. O apoio \u00e9 maior, de 60%, entre as pessoas com filhos em escolas particulares \u2013que, teoricamente, seriam preteridos com a a\u00e7\u00e3o afirmativa.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Quanto mais jovem, escolarizada e de maior renda a pessoa, maior \u00e9 o apoio a essa a\u00e7\u00e3o afirmativa. Tamb\u00e9m h\u00e1 aprova\u00e7\u00e3o levemente superior entre a popula\u00e7\u00e3o preta (53%) e parda (52%) do que entre brancos (50%).<\/p>\n<p>A pesquisa Datafolha foi feita em parceria com o Cesop-Unicamp sob a coordena\u00e7\u00e3o da A\u00e7\u00e3o Educativa e do Cenpec. O levantamento, realizado em mar\u00e7o, aborda v\u00e1rias agendas educacionais.<\/p>\n<p>&#8220;Esse apoio \u00e9 significativo porque as cotas raciais mostraram o potencial de democratiza\u00e7\u00e3o do ensino superior brasileiro&#8221;, diz Denise Carreira, da A\u00e7\u00e3o Educativa.<\/p>\n<p>Posicionam-se contr\u00e1rios \u00e0s cotas raciais 34%. Outros 3% se mostraram indiferentes e 12% disseram n\u00e3o saber responder.<br \/>A pesquisa ouviu 2.090 pessoas a partir de 16 anos em 130 munic\u00edpios. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais para mais ou para menos.<\/p>\n<p>A primeira universidade de grande porte a reservar vagas foi a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em 2003. No mesmo ano, a UnB (Universidade de Bras\u00edlia) seria a pioneira a ter cotas raciais. Foi com a Lei de Cotas, de 2012, que todas as federais passaram a adotar a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As cotas passaram a ser implementadas de forma escalonada at\u00e9 chegar, em 2016, \u00e0 reserva de 50% das vagas para a escola p\u00fablica. A legisla\u00e7\u00e3o exige separa\u00e7\u00e3o de cadeiras para pretos, pardos e ind\u00edgenas de acordo com a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de cada estado, al\u00e9m de preconizar corte de renda.<\/p>\n<p>A lei prev\u00ea revis\u00e3o do programa de acesso para este ano, dez anos ap\u00f3s seu in\u00edcio. O recorte racial das cotas sempre esteve no centro dos debates mais intensos: fruto de intensa mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento negro, enfrentou resist\u00eancias de v\u00e1rios setores da sociedade e de dentro do mundo acad\u00eamico. Essa pesquisa Datafolha n\u00e3o traz perguntas sobre as cotas sociais.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias t\u00eam se acumulado sobre o efeito positivo da inclus\u00e3o com as cotas ao transformar o retrato racial e social das universidades para algo mais pr\u00f3ximo da realidade da sociedade \u2013que financia a universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Estudos e an\u00e1lises tamb\u00e9m indicam que n\u00e3o houve, como alardeavam os cr\u00edticos, preju\u00edzos de qualidade no desempenho do alunado, o que tamb\u00e9m quebrou barreiras. A USP (Universidade S\u00e3o Paulo), com hist\u00f3rico de rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s cotas, decidiu em 2018 adotar a reserva tamb\u00e9m com crit\u00e9rios raciais.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o tomou a decis\u00e3o depois de insistir por anos em uma pol\u00edtica de bonifica\u00e7\u00e3o que, com algum efeito na inclus\u00e3o de egressos de escolas p\u00fablicas, n\u00e3o foi efetiva para negros. Pesquisa mostrou que a diferen\u00e7a de notas entre cotistas e n\u00e3o cotistas \u00e9 pequena e cai durante o curso.<\/p>\n<p>Um estudo recente do pesquisador Adriano Sekenvics, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), mostrou que a a participa\u00e7\u00e3o de pretos, pardos e ind\u00edgenas nas institui\u00e7\u00f5es federais de ensino superior vindos da escola p\u00fablica passou de 27,7%, em 2012, para 38,4% em 2016.<\/p>\n<p>Dados de 2019 mostram uma propor\u00e7\u00e3o de 39% desse p\u00fablico nas universidades, segundo pesquisa da A\u00e7\u00e3o Educativa e Lepes (Laborat\u00f3rio de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Superior) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Pretos, pardos e ind\u00edgenas somavam naquele ano 56% da popula\u00e7\u00e3o com idade entre 18 e 24 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa avalia\u00e7\u00e3o a partir das pesquisas \u00e9 que as cotas s\u00e3o um programa muito bem sucedido, e que de fato contribuiu para mudar a cara das universidades, dos nossos campi, e principalmente nas institui\u00e7\u00f5es e cursos mais seletivos. Isso \u00e9 a grande diferen\u00e7a&#8221;, diz Rosana Heringer, coordenadora do Lepes-UFRJ.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2016, come\u00e7a a se sentir fortemente o processo de democratiza\u00e7\u00e3o, com inclus\u00e3o de negros e ind\u00edgenas&#8221;, diz a professora Dyane Brito, da UFRB (Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia). &#8220;\u00c9 um crescimento nunca antes visto no Brasil&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, dados do Datafolha corroboram outras investiga\u00e7\u00f5es qualitativas que apontam uma maior ader\u00eancia \u00e0 pol\u00edtica quanto maior \u00e9 o n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o e de contato com a universidade ou com seus efeitos sobre a inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Feres, coordenador do Gemaa (Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa) da Uerj, explica que ainda h\u00e1 um grande desconhecimento sobre como as cotas funcionam. Isso explicaria, inclusive, por que a aceita\u00e7\u00e3o entre as pessoas de maior renda, escolaridade e com com filhos em escola privada.<\/p>\n<p>&#8220;Como a universidade foi por muito anos lugar de privil\u00e9gios, h\u00e1 um movimento de autoexclus\u00e3o, os meninos negros e brancos de escola p\u00fablica ainda n\u00e3o se veem ali&#8221;.<\/p>\n<p>O Datafolha aponta maior falta de opini\u00e3o sobre as cotas entre aqueles com filhos em escolas p\u00fablicas: 11% desse grupo respondem n\u00e3o saber sobre a quest\u00e3o, enquanto o percentual \u00e9 de 3% no outro grupo.<\/p>\n<p>Quando foi aprovada, a lei previu que a revis\u00e3o fosse feita pelo governo. Uma mudan\u00e7a em 2016, quando foi inclu\u00edda reserva para pessoas com defici\u00eancia, retirou essa atribui\u00e7\u00e3o e agora o Congresso tem se debru\u00e7ado sobre o tema.<\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro (PL) j\u00e1 disse ser contr\u00e1rio \u00e0 pol\u00edtica, mas n\u00e3o houve movimenta\u00e7\u00f5es consistentes no governo para alter\u00e1-la. Questionado, o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>H\u00e1 movimenta\u00e7\u00f5es para adiar qualquer altera\u00e7\u00e3o, baseada na avalia\u00e7\u00e3o de que a conjuntura pol\u00edtica e ideol\u00f3gica do governo Bolsonaro n\u00e3o favoreceria uma revis\u00e3o qualificada.<\/p>\n<p>A pesquisa Datafolha tamb\u00e9m refor\u00e7a o car\u00e1ter ideol\u00f3gico que permeia a avalia\u00e7\u00e3o sobre a pol\u00edtica. A aprova\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre as pessoas que consideram o governo Bolsonaro p\u00e9ssimo (57%) do que entre aqueles que avaliam a gest\u00e3o como \u00f3tima (31%).<\/p>\n<p>Foram apresentadas nesta legislatura na C\u00e2mara 19 proposi\u00e7\u00f5es sobre a Lei de Cotas, segundo o Observat\u00f3rio do Legislativo Brasileiro. Dessas, nove s\u00e3o favor\u00e1veis, uma neutra, e nove contr\u00e1rias, segundo o \u00f3rg\u00e3o. Tal disputa est\u00e1 centrada na manuten\u00e7\u00e3o do recorte racial.<\/p>\n<p>Segundo Feres, tamb\u00e9m coordenador do Observat\u00f3rio, o cen\u00e1rio no Legislativo ainda \u00e9 incerto, mas a cr\u00edtica \u00e0s cotas perdeu for\u00e7a nos \u00faltimos anos. &#8220;N\u00e3o acho que exista ainda hoje uma campanha contr\u00e1ria sistem\u00e1tica, como houve antigamente e que por muito tempo foi bancada pela m\u00eddia&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2006, mais de uma centena de intelectuais e artistas divulgaram manifesto contr\u00e1rio \u00e0 proposta. Reportagem da Folha mostrou que mais de uma dezena de signat\u00e1rios mudaram de opini\u00e3o recentemente.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica ainda enfrenta entraves, segundo especialistas, com a redu\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento para perman\u00eancia estudantil e um empenho t\u00edmido das pr\u00f3prias universidades para garantir o sucesso acad\u00eamico desses estudantes.<\/p>\n<p>Especialistas dizem que tra\u00e7os de um racismo estrutural ainda permeiam a quest\u00e3o ao normalizar a aus\u00eancia de negros, assim como ind\u00edgenas e pessoas com defici\u00eancia em ambientes como as universidades. Por isso, h\u00e1 a defesa de que esses temas sejam debatidos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>A pesquisa Datafolha tamb\u00e9m fez perguntas sobre a abordagem de discrimina\u00e7\u00e3o racial nas escolas e respeito a cren\u00e7as religiosas.<\/p>\n<p>A maioria (81,4%) concorda totalmente que a discrimina\u00e7\u00e3o racial deve ser discutida na escola. O respeito na escola p\u00fablica a todas as pr\u00e1ticas religiosas \u2013inclusive o candombl\u00e9, a umbanda e at\u00e9 mesmo o ate\u00edsmo\u2013 \u00e9 apoiado por 93,7%.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1916024\/metade-e-a-favor-de-cotas-raciais-em-universidades-34-sao-contra-diz-datafolha?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a favor das cotas raciais nas universidades p\u00fablicas, mostra<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":76295,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-76294","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76294\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}