{"id":74921,"date":"2022-06-04T12:08:27","date_gmt":"2022-06-04T15:08:27","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/04\/movimento-defende-retracao-da-economia-para-salvar-o-planeta\/"},"modified":"2022-06-04T12:08:27","modified_gmt":"2022-06-04T15:08:27","slug":"movimento-defende-retracao-da-economia-para-salvar-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/06\/04\/movimento-defende-retracao-da-economia-para-salvar-o-planeta\/","title":{"rendered":"Movimento defende retra\u00e7\u00e3o da economia para salvar o planeta"},"content":{"rendered":"<p>THIAGO BETH\u00d4NICO<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Quem acredita que o crescimento exponencial pode durar para sempre num mundo finito ou \u00e9 louco ou \u00e9 um economista&#8221;. A autoironia do americano Kenneth Boulding est\u00e1 na ess\u00eancia de um movimento que quer rivalizar com o atual paradigma econ\u00f4mico global: o degrowth.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O termo -que em portugu\u00eas significa decrescimento- \u00e9 quase autoexplicativo. Para os adeptos, \u00e9 preciso abandonar a expans\u00e3o da economia como um objetivo pol\u00edtico e aceitar que a retra\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de salvar o planeta de uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O modelo guarda certa proximidade com o ecossocialismo e, embora seja uma tend\u00eancia relativamente marginal, vem ganhando espa\u00e7o no debate ambiental.<\/p>\n<p>Em 2019, mais de 11 mil cientistas assinaram uma carta p\u00fablica alertando sobre os desafios do clima e defendendo uma mudan\u00e7a de paradigma. &#8220;Nossas metas precisam mudar do crescimento do PIB e da busca da riqueza para sustentar os ecossistemas e melhorar o bem-estar humano, priorizando as necessidades b\u00e1sicas e reduzindo a desigualdade&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>Figuras pol\u00edticas tamb\u00e9m j\u00e1 declararam apoio \u00e0s ideias do degrowth, como o ministro do Consumo da Espanha, Alberto Garz\u00f3n, e alguns partidos verdes da Europa.<\/p>\n<p>Atualmente, um dos principais pensadores desse movimento \u00e9 o antrop\u00f3logo Jason Hickel, autor do livro &#8220;Less Is More: How Degrowth Will Save the World&#8221; (menos \u00e9 mais: como o decrescimento vai salvar o mundo, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Segundo ele, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conciliar expans\u00e3o econ\u00f4mica e o fim das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nem mesmo uma r\u00e1pida guinada verde -com empresas e governos adotando princ\u00edpios ambientais e sociais rigorosos- seria capaz de impedir um destino tr\u00e1gico para a humanidade.<\/p>\n<p>&#8220;A evid\u00eancia emp\u00edrica \u00e9 clara de que n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel descarbonizar r\u00e1pido o suficiente para ficar abaixo de 1,5\u00ba C se os pa\u00edses ricos continuarem buscando o crescimento&#8221;, diz, em entrevista \u00e0 Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>O que \u00e9 degrowth? Hickel define o degrowth como uma redu\u00e7\u00e3o planejada do uso de energia e de recursos em pa\u00edses de alta renda, como estrat\u00e9gia para rebalancear a economia e reduzir desigualdades.<br \/>&#8220;Trata-se de reduzir as formas de produ\u00e7\u00e3o menos necess\u00e1rias e concentrar a economia em atender \u00e0s necessidades humanas e ao bem-estar, em vez da acumula\u00e7\u00e3o de capital&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, essa contra\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa necessariamente acontecer globalmente. O foco s\u00e3o as na\u00e7\u00f5es ricas, principalmente Estados Unidos e pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o antrop\u00f3logo defende diminuir as ind\u00fastrias que considera ecologicamente destrutivas e socialmente menos necess\u00e1rias, como combust\u00edveis f\u00f3sseis, fast fashion e at\u00e9 as SUV&#8217;s. A obsolesc\u00eancia programada deveria ser proibida e a publicidade, limitada.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o degrowth \u00e9 a favor da expans\u00e3o de setores como energias renov\u00e1veis, sa\u00fade p\u00fablica, agricultura regenerativa e servi\u00e7os essenciais.<\/p>\n<p>&#8220;Temos que transformar ativamente o sistema econ\u00f4mico para torn\u00e1-lo mais ecol\u00f3gico e mais justo. Isso requer pol\u00edticas fortes&#8221;, diz. &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio um movimento social e pol\u00edtico para trazer esse tipo de mudan\u00e7a&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Como ficariam os pa\u00edses pobres? Uma das cr\u00edticas ao movimento \u00e9 que, embora bem intencionado, ele acabaria prejudicando ainda mais os pa\u00edses pobres. No entanto, na vis\u00e3o de economistas que defendem o degrowth, isso n\u00e3o aconteceria necessariamente.<\/p>\n<p>Hickel, por exemplo, questiona o atual arranjo econ\u00f4mico mundial, onde na\u00e7\u00f5es emergentes e menos desenvolvidas se dedicam a produzir o que os pa\u00edses ricos consomem. Segundo ele, esse &#8220;perfil explorat\u00f3rio&#8221; seria alterado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8220;Na economia global existente, os pa\u00edses pobres s\u00e3o drenados de suas riquezas e recursos para apoiar o crescimento dos pa\u00edses ricos. Precisamos sair desse sistema e, em vez disso, buscar a soberania econ\u00f4mica e a integra\u00e7\u00e3o regional no [hemisf\u00e9rio] Sul&#8221;, afirma.<br \/>Al\u00e9m disso, a redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o das grandes pot\u00eancias criaria espa\u00e7o no &#8220;or\u00e7amento global de carbono&#8221;, permitindo que os pa\u00edses mais pobres continuem crescendo.<\/p>\n<p>De acordo com o antrop\u00f3logo, o decrescimento econ\u00f4mico tampouco seria um entrave para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o crescente. Na vis\u00e3o dele, \u00e9 poss\u00edvel proporcionar bons padr\u00f5es de vida para 10 bilh\u00f5es de pessoas com menos energia que o mundo atualmente usa. A quest\u00e3o est\u00e1 em organizar a produ\u00e7\u00e3o de bens em torno das necessidades humanas, n\u00e3o do lucro corporativo.<br \/>Qual o problema do crescimento econ\u00f4mico? Durante os \u00faltimos 200 anos, o mundo ficou consideravelmente mais rico. Ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial, o crescimento foi ainda mais intenso \u2013especialmente na Europa, Estados Unidos, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>No entanto, apesar de avan\u00e7os mensur\u00e1veis na mortalidade infantil, saneamento e alimenta\u00e7\u00e3o, a maior parte do planeta continua pobre, com milh\u00f5es de pessoas passando fome e sem acesso a recursos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>De acordo com os &#8220;degrowthers&#8221;, o crescimento econ\u00f4mico foi capturado por uma pequena elite, tornando-se pouco eficiente, injusto e antiecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, uma grande parte dos recursos que a humanidade usa e depende \u00e9 baseada em servi\u00e7os ecossist\u00eamicos limitados. Sendo assim, o crescimento econ\u00f4mico infinito num mundo finito seria, materialmente, imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Degrowth ganhou for\u00e7a com a crise clim\u00e1tica O conceito de decrescimento come\u00e7ou a surgir no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro &#8220;A Lei da Entropia&#8221;, de Nicholas Georgescu-Roegen. Contudo, o movimento realmente ganhou corpo com o agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em 2011, uma pesquisa da Universidade de York, no Canad\u00e1, comparou as emiss\u00f5es de carbono canadenses em tr\u00eas trajet\u00f3rias hipot\u00e9ticas at\u00e9 o ano de 2035.<\/p>\n<p>Mantendo a atividade econ\u00f4mica como \u00e9 (&#8220;business as usual&#8221;), as emiss\u00f5es cresceriam indefinidamente. Limitando o crescimento a zero, elas diminu\u00edram, mas de forma modesta. Apenas no cen\u00e1rio de decrescimento, o carbono foi reduzido em larga escala.<\/p>\n<p>O principal argumento entre os adeptos ao degrowth \u00e9 que o atual modelo econ\u00f4mico, baseado no crescimento exponencial, \u00e9 a raiz dos problemas ambientais.<\/p>\n<p>Para sustentar o avan\u00e7o do PIB -e n\u00e3o necessariamente o bem-estar das pessoas-, na\u00e7\u00f5es continuam explorando recursos naturais, destruindo ecossistemas e consumindo combust\u00edveis f\u00f3sseis.<br \/>O pr\u00f3prio PIB como ferramenta de medi\u00e7\u00e3o de crescimento \u00e9 questionado. Nesse caso, n\u00e3o apenas pelos economistas do degrowth.<br \/>Em um livro de 2019, Abhijit Banerjee e Esther Duflo, vencedores do Pr\u00eamio Nobel de Economia, apontaram que um PIB maior n\u00e3o significa necessariamente um aumento no bem-estar humano.<\/p>\n<p>Na verdade, a busca por esse objetivo pode ser contraproducente. &#8220;Nada em nossa teoria ou nos dados prova que um PIB per capita mais alto \u00e9 geralmente desej\u00e1vel&#8221;, escreveram.<\/p>\n<p>Crescimento verde n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o Para o degrowth, apostar numa virada verde da economia para conter uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 racional. Segundo Hickel, nem sequer existem evid\u00eancias emp\u00edricas que d\u00e3o suporte a esse argumento.<br \/>Numa era de emerg\u00eancia ecol\u00f3gica, ele diz que n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de construir pol\u00edticas em torno de fantasias.<\/p>\n<p>Para o antrop\u00f3logo, a recente febre ESG (ambiental, social e governan\u00e7a, na sigla em ingl\u00eas) tampouco tem sido impactante.<\/p>\n<p>&#8220;[O ESG] trouxe algumas pequenas mudan\u00e7as aqui e ali, mas esse tipo de ajuste nas bordas n\u00e3o vai resolver realmente. Nos piores casos, \u00e9 apenas greenwashing. Precisamos levar a s\u00e9rio as mudan\u00e7as mais radicais e sist\u00eamicas se quisermos resolver os problemas. A crise ecol\u00f3gica e a crise da desigualdade n\u00e3o podem ser corrigidas dentro do sistema econ\u00f4mico existente. Elas s\u00e3o os sintomas desse sistema&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1913968\/movimento-defende-retracao-da-economia-para-salvar-o-planeta?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THIAGO BETH\u00d4NICOS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Quem acredita que o crescimento exponencial pode durar para<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":74922,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-74921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74921\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}