{"id":748,"date":"2021-03-21T17:34:48","date_gmt":"2021-03-21T20:34:48","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/21\/as-historias-de-quem-abandonou-o-negacionismo-em-meio-a-crise-da-covid\/"},"modified":"2021-03-21T17:34:48","modified_gmt":"2021-03-21T20:34:48","slug":"as-historias-de-quem-abandonou-o-negacionismo-em-meio-a-crise-da-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/21\/as-historias-de-quem-abandonou-o-negacionismo-em-meio-a-crise-da-covid\/","title":{"rendered":"As hist\u00f3rias de quem abandonou o negacionismo em meio \u00e0 crise da covid"},"content":{"rendered":"<p>A ficha cai. O mundo d\u00e1 voltas. As pessoas mudam. Apesar das not\u00edcias falsas, das teorias conspirat\u00f3rias ou daquela certeza infundada de que &#8220;isso nunca vai acontecer comigo&#8221;, ningu\u00e9m est\u00e1 condenado a viver eternamente na sombra do negacionismo. O problema \u00e9 que, em meio ao turbilh\u00e3o do nosso pior momento da covid-19, essa tomada de consci\u00eancia costuma ser alimentada pela dor.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No in\u00edcio da pandemia, Denise da Silva Arco, de 32 anos, nem sequer aceitava a ideia de fazer home office. &#8220;N\u00e3o queria ficar em casa, n\u00e3o queria redu\u00e7\u00e3o de jornada, reclamei muito. Encarei como se fosse apenas mais um v\u00edrus desses que passam e a gente nem se d\u00e1 conta&#8221;, confessou. Apesar das circunst\u00e2ncias que a obrigaram a respeitar o isolamento, Denise esperou o primeiro al\u00edvio nos n\u00fameros de mortes em S\u00e3o Paulo para voltar \u00e0 vida quase normal no ano passado. &#8220;Sa\u00ed de casa, fui para bares, festas&#8221;, enumerou.<\/p>\n<p>No fim de 2020, Denise recebeu a not\u00edcia da morte de sua av\u00f3, que morava no interior. O vel\u00f3rio foi na cidade de Jales e reuniu toda a fam\u00edlia. Naquele momento, primos, tios e sobrinhos decidiram realizar aquele que teria sido um \u00faltimo desejo da matriarca: uma noite de r\u00e9veillon em que todos estivessem juntos. &#8220;N\u00e3o pensamos nas consequ\u00eancias. Est\u00e1vamos seguros de que o pior j\u00e1 havia passado&#8221;, falou.<\/p>\n<p>E foi o que aconteceu. Dezessete pessoas dividiram o mesmo teto na noite do dia 31 de dezembro. Entre elas, um primo que estava infectado e n\u00e3o sabia. O resultado \u00e9 que muitos dos presentes come\u00e7aram a sentir os sintomas da covid poucos dias depois da festa. De todos, tr\u00eas evolu\u00edram para situa\u00e7\u00f5es mais graves. O tio de Denise foi entubado, pegou uma infec\u00e7\u00e3o nos rins e, com apenas 51 anos, morreu.<\/p>\n<p>&#8220;Foi angustiante. \u00c9 angustiante. Agora, vem um sentimento de culpa. Queria tirar essa dor dos meus familiares com minhas m\u00e3os. O que posso fazer agora \u00e9 tomar todos os cuidados, usar m\u00e1scara, n\u00e3o compartilhar objetos, tudo o que eu puder fazer para proteger a minha fam\u00edlia eu vou fazer&#8221;, desabafou.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Cl\u00e1udio Alex Aires Hermes, de 45 anos, tinha acabado de assistir ao filme O Jardineiro Fiel quando a pandemia come\u00e7ou. Assim como no filme, Hermes relacionou a pandemia com a principal vil\u00e3 do filme, a ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>&#8220;O filme fala sobre uma manipula\u00e7\u00e3o do mercado, na cria\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus. Achei que era coisa de governo, de pol\u00edtica mesmo. Achei que era conspira\u00e7\u00e3o, balela, gripezinha&#8230; Cheguei at\u00e9 a brigar com minha mulher e filha por causa disso. Falei muita bobagem&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Despreocupado, Hermes participou de uma reuni\u00e3o de empres\u00e1rios em Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, um tipo de encontro para troca de cart\u00f5es e networking. &#8220;Ningu\u00e9m estava usando m\u00e1scara. Ningu\u00e9m estava ligando para a situa\u00e7\u00e3o. Sai de l\u00e1 com um sentimento ruim&#8221;, lembrou. Depois de 3 ou 4 dias, ele come\u00e7ou a sentir os sintomas daquilo que se confirmaria como covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a coisa pegou, eu j\u00e1 n\u00e3o levantava mais da cama. Sentia o corpo pesado, debilitado. Perdi o paladar, n\u00e3o tinha fome. O olfato zerou. Comecei a sentir formigamentos nos bra\u00e7os e pernas. Tive medo de angina. Fiquei trancado no meu quarto por 15 dias&#8221;, contou Hermes.<\/p>\n<p>No quarto, ele ficou deprimido, apavorado, perdeu 6 quilos e achou que ia morrer. Felizmente, sobreviveu. &#8220;Eu passei por tudo isso. Eu entendi o que \u00e9 essa doen\u00e7a. Minha mulher e filha pegaram, mas j\u00e1 est\u00e3o bem. Mudei completamente a minha vis\u00e3o. Hoje, me cuido. Hoje, cuido dos outros tamb\u00e9m&#8221;, disse Hermes.<\/p>\n<p>O influenciador gastron\u00f4mico Andr\u00e9 Varella, de 30 anos, foi pelo mesmo caminho. No in\u00edcio, acreditou na teoria de que se tratava de um plano chin\u00eas para dominar o mundo. &#8220;Era mais f\u00e1cil acreditar nesta baboseira do que encarar a realidade&#8221;, falou. &#8220;Tive esse momento de desacreditar, de desconfiar de tudo. Achava que era muito fogo para pouco inc\u00eandio&#8221;, completou.<\/p>\n<p>No meio do ano passado, Varella pegou a doen\u00e7a. N\u00e3o foi muito grave, mas o suficiente para acender um sinal de alerta. &#8220;Comecei a me cuidar. No fim do ano passado, achei que j\u00e1 t\u00ednhamos escapado. Mas, quando vi hospitais com mais de 100% de ocupa\u00e7\u00e3o, hospitais particulares, eu voltei a me preocupar. Se est\u00e1 ruim para mim que tenho um bom plano de sa\u00fade, imagina para a maioria da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, comentou. &#8220;Agora eu entendi que a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 sobre mim, mas sobre os outros, sobre o cuidado que devemos ter uns com os outros&#8221;, finalizou.<\/p>\n<p>Segundo a empres\u00e1ria Ma\u00edra Bassinello Stocco, de 42 anos, o munic\u00edpio de Santa Cruz das Palmeiras, cidade com pouco mais de 30 mil habitantes, n\u00e3o levava a covid muito a s\u00e9rio no in\u00edcio da pandemia. &#8220;Muitos achavam que era hipocrisia, que tudo era exagero. Tudo se manteve aberto, quase ningu\u00e9m usava m\u00e1scaras. Minha fam\u00edlia mesmo levou uma vida normal por muito tempo. At\u00e9 que um dia&#8230; a pandemia chegou como uma avalanche&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Na cidade, come\u00e7aram a morrer pessoas pr\u00f3ximas, at\u00e9 tr\u00eas pessoas por dia. Ma\u00edra perdeu parentes, amigos pr\u00f3ximos, amigos jovens que precisaram ser intubados. &#8220;A gente mudou de vida. Meu filho n\u00e3o vai mais na aula. Morreram muitas pessoas nos \u00faltimos dois meses. A incerteza tomou conta das nossas vidas&#8221;, disse. &#8220;N\u00f3s temos de aprender com que est\u00e1 acontecendo, aprender a se colocar no lugar do pr\u00f3ximo&#8221;, completou.<\/p>\n<p>O aposentado Carlos Alberto Leit\u00e3o, 63 anos, era uma das pessoas que n\u00e3o se importavam muito. N\u00e3o que ele n\u00e3o acreditasse na doen\u00e7a, mas porque era uma pessoa ativa, que fazia caminhadas, hidro, ioga&#8230; &#8220;At\u00e9 que senti uma coisinha e achei que era alergia. Era tosse, rinite&#8230; A coisa s\u00f3 mudou quando minha filha me levou para uma UBS. L\u00e1 descobri que 50% do meu pulm\u00e3o j\u00e1 estava comprometido&#8221;, disse. &#8220;Eu n\u00e3o brincava com a doen\u00e7a, mas achei que n\u00e3o aconteceria comigo. Teve hospital, UTI, mas sobrevivi. Minha filha me ajudou muito. Com a covid n\u00e3o se brinca&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Em Goi\u00e2nia, o empres\u00e1rio Geraldo Rodrigues Patr\u00edcio, de 31 anos, deixou-se levar pela onda das fake news. A descren\u00e7a na gravidade da doen\u00e7a aumentou depois que ele mesmo pegou a covid, mas nada sentiu. &#8220;Eu n\u00e3o ligava para m\u00e1scara, para \u00e1lcool em gel &#8230;. &#8220;. At\u00e9 que o tio do cunhado dele, que havia acabado de vencer um c\u00e2ncer no f\u00edgado, pegou covid e morreu. Depois, outros quatro amigos pr\u00f3ximos tamb\u00e9m tiveram o mesmo fim ou estiveram muito pr\u00f3ximos da morte. &#8220;Gente jovem, amigas m\u00e9dicas, com 23 e 28 anos&#8230; uma coisa muito triste. A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 brincadeira, mudei totalmente minha vida, passei um pente-fino no meu comportamento. Hoje, sou pela m\u00e1scara, \u00e1lcool em gel e distanciamento social. Enquanto n\u00e3o tiver vacina, temos de nos ajudar. E mudar de comportamento enquanto temos tempo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1788151\/as-historias-de-quem-abandonou-o-negacionismo-em-meio-a-crise-da-covid?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ficha cai. O mundo d\u00e1 voltas. As pessoas mudam. 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