{"id":72834,"date":"2022-05-22T16:08:33","date_gmt":"2022-05-22T19:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/22\/mapeamento-da-caatinga-indica-metade-do-bioma-desmatado-e-centenas-de-especies-em-risco\/"},"modified":"2022-05-22T16:08:33","modified_gmt":"2022-05-22T19:08:33","slug":"mapeamento-da-caatinga-indica-metade-do-bioma-desmatado-e-centenas-de-especies-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/22\/mapeamento-da-caatinga-indica-metade-do-bioma-desmatado-e-centenas-de-especies-em-risco\/","title":{"rendered":"Mapeamento da caatinga indica metade do bioma desmatado e centenas de esp\u00e9cies em risco"},"content":{"rendered":"<p>EMERSON VICENTE<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Pesquisadores brasileiros das universidades federais do Rio Grande do Norte, do ABC (UFABC) e da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) se uniram em um trabalho para mapear a caatinga, bioma exclusivamente brasileiro que j\u00e1 conta com 13% de sua \u00e1rea em estado de desertifica\u00e7\u00e3o, segundo associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O estudo das &#8220;\u00c1reas Priorit\u00e1rias de Restaura\u00e7\u00e3o da Caatinga&#8221; foi realizado entre 2014 e 2021 e publicado no in\u00edcio de mar\u00e7o deste ano na revista cient\u00edfica Journal of Applied Ecology.<\/p>\n<p>A falta de pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas aceleram a degrada\u00e7\u00e3o do bioma, que pode ver mais de uma centena de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o sumirem do mapa em curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>&#8220;A proposta de fazer o mapeamento das \u00e1reas priorit\u00e1rias de restaura\u00e7\u00e3o da caatinga surgiu quando coordenei o exerc\u00edcio para definir as \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o, junto ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Sentimos essa necessidade de definir tamb\u00e9m as \u00e1reas priorit\u00e1rias de restaura\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Carlos Roberto Fonseca, professor associado do Departamento de Ecologia da UFRN e coautor do estudo.<\/p>\n<p>De acordo com o professor, para definir as \u00e1reas priorit\u00e1rias de aten\u00e7\u00e3o o bioma foi dividido em cerca de 10 mil microbacias, classificando-as em tr\u00eas crit\u00e9rios: o valor de cada uma dessas microbacias para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade de plantas amea\u00e7adas, a quantidade de cobertura vegetal em cada uma dessas microbacias e a import\u00e2ncia de cada uma delas para a conectividade da paisagem.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, 939 das bacias da caatinga s\u00e3o consideradas de alta prioridade para restaura\u00e7\u00e3o. E 86 foram consideradas de prioridade m\u00e1xima para restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Na caatinga existem, na verdade, 350 esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, segundo o livro vermelho das esp\u00e9cies amea\u00e7adas do Brasil. Cada bacia pode ter nenhuma esp\u00e9cie amea\u00e7ada ou at\u00e9 mais de uma centena&#8221;, explica Fonseca.<\/p>\n<p>&#8220;Para se ter uma ideia, uma \u00fanica microbacia tem 106 esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Essas microbacias j\u00e1 est\u00e3o desmatadas. Se n\u00e3o restaurarmos, essas esp\u00e9cies v\u00e3o desaparecer.&#8221;<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m aponta que 50% de \u00e1rea da caatinga foi desmatada. Mas, a &#8220;boa not\u00edcia&#8221;, segundo a pesquisadora Marina Antongiovanni da Fonseca, especialista em an\u00e1lises de paisagens e conserva\u00e7\u00e3o de florestas tropicais da UFRN, e que tamb\u00e9m participou da pesquisa, ainda h\u00e1 os outros 50%.<\/p>\n<p>Por outro lado, a caatinga \u00e9 uma regi\u00e3o muito recortada, o que possibilita a f\u00e1cil entrada. &#8220;Ela \u00e9 muito acess\u00edvel \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas [provocadas pela a\u00e7\u00e3o do homem] cr\u00f4nicas. Quando se fala de desmatamento, \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o aguda. Desmatou e acabou. A perturba\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e9 mais silenciosa, menos vis\u00edvel a olho nu. No interior daquela \u00e1rea remanescente est\u00e1 tendo explora\u00e7\u00e3o, pisoteio de pl\u00e2ntulas [plantas ainda pequenas], ca\u00e7a, coisas que a gente n\u00e3o enxerga sem um estudo de campo mais detalhado.&#8221;<\/p>\n<p>Marina cita a cria\u00e7\u00e3o de gado com um exemplo do f\u00e1cil acesso ao bioma. &#8220;Ele come\u00e7a a pisotear, defecar, e isso tudo prejudica a regenera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nessas \u00e1reas de caatinga&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, o homem tamb\u00e9m acessa muito facilmente. Ele consegue ca\u00e7ar em grandes dist\u00e2ncias para dentro dessas \u00e1reas remanescentes. Se puder recomendar a\u00e7\u00f5es para diminuir a chance de perda de esp\u00e9cies nativas na caatinga, uma delas \u00e9 prestar aten\u00e7\u00e3o nesses dist\u00farbios antr\u00f3picos, que s\u00e3o mais silenciosos, e conseguir entender como isso est\u00e1 prejudicando a fauna e a flora local.&#8221;<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo, segundo os pesquisadores, \u00e9 que os governos federal, estaduais e municipais elaborem a\u00e7\u00f5es, como por exemplo a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel ou de prote\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>&#8220;O governo federal deveria tamb\u00e9m ter programas de restaura\u00e7\u00e3o para assegurar n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade, mas tamb\u00e9m os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, a qualidade da \u00e1gua, a qualidade do ar, servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o, etc. Dever\u00edamos estar vendo a\u00e7\u00f5es nesse sentido&#8221;, diz Fonseca.<\/p>\n<p>O pesquisador diz que hoje est\u00e1 mais &#8220;f\u00e1cil&#8221; restaurar a caatinga e que j\u00e1 existem projetos que est\u00e3o dando bons resultados.<\/p>\n<p>Um dos trabalhos \u00e9 desenvolvido pela professora Gislene Ganade, do departamento de ecologia da UFRN. Ele consiste em colocar mudas em tubos de PVC, que permitem que a raiz desenvolva at\u00e9 um metro de profundidade. Isso, de acordo com a pesquisadora Marina Fonseca, garante que a planta consiga sobreviver em uma condi\u00e7\u00e3o adversa.<br \/>A caatinga engloba os nove estados do Nordeste e uma faixa no norte de Minas Gerais. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Caatinga, s\u00e3o cerca de 28 milh\u00f5es de pessoas vivendo no semi\u00e1rido brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Quando comparada a outras regi\u00f5es semi\u00e1ridas pelo mundo, \u00e9 a \u00e1rea mais biodiversa, que tem o maior conjunto de esp\u00e9cies de fauna e flora, inclusive algumas end\u00eamicas, que s\u00f3 acontecem aqui na caatinga&#8221;, diz Daniel Fernandes, coordenador geral da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Essa perda de vegeta\u00e7\u00e3o, de biodiversidade, acarreta uma s\u00e9rie de problemas, entre eles a expans\u00e3o de \u00e1reas em estado avan\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o. Hoje j\u00e1 temos cerca de 13% do territ\u00f3rio da caatinga em est\u00e1gio avan\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Fernandes tamb\u00e9m destaca as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como um fator que acelera a degrada\u00e7\u00e3o da caatinga. Ele aponta que v\u00e3o ocorrer per\u00edodos mais longos de secas.<\/p>\n<p>&#8220;As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam diretamente a caatinga. Vamos ter problemas de abastecimento de \u00e1gua, de fertilidade de solo, e isso afeta aspectos econ\u00f4micos e ambientais como um todo.&#8221;<\/p>\n<p>BIOMA DEIXADO DE LADO<br \/>Para os pesquisadores, a caatinga \u00e9 deixada de lado quando se trata de pol\u00edticas p\u00fablicas. Os principais problemas passam pela falta de investimento, nega\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o ineficiente.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos grandes retrocessos nos \u00faltimos anos. Primeiro essa nega\u00e7\u00e3o de dados supertransparentes oficiais, que at\u00e9 ent\u00e3o eram considerados dados oficiais, com muita credibilidade no mundo todo. Essa campanha de desmerecer esses dados \u00e9 p\u00e9ssima. Depois, o afrouxamento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e o desaparelhamento dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o, como Ibama e CNBio&#8221;, diz Marina Fonseca.<br \/>O pesquisador Carlos Roberto Fonseca compara a aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 caatinga com a Amaz\u00f4nia, por exemplo, que pode ser avaliada em tempo real por meio de sat\u00e9lites. Com a caatinga existe a necessidade de usar as bases oficiais do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o atuais.<\/p>\n<p>Para Daniel Fernandes, a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e a atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico afeta diretamente na degrada\u00e7\u00e3o da caatinga. &#8220;A partir do momento que o poder p\u00fablico e as autoridades enxergarem o potencial que nosso pa\u00eds tem, no tocante ao desenvolvimento sustent\u00e1vel, teremos todas as condi\u00e7\u00f5es para nos transformar em uma pot\u00eancia global a partir da conserva\u00e7\u00e3o da natureza.&#8221;<\/p>\n<p>No Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos H\u00eddricos diz que est\u00e1 formulando pol\u00edticas ambientais, envolvendo a cria\u00e7\u00e3o do Decreto de cria\u00e7\u00e3o de RPPNs (Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural), bem como projetos de recupera\u00e7\u00e3o de nascentes.<\/p>\n<p>&#8220;O governo est\u00e1 sendo criado o programa RN + Verde, que alinha o desenvolvimento econ\u00f4mico e o aumento da cobertura vegetal do Rio Grande Do Norte. O programa envolver\u00e1 o incentivo e apoio na conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas priorit\u00e1rias com a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00e1reas degradadas&#8221;, diz Robson Henrique, coordenador da pasta.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente foi procurado para comentar o estudo, mas n\u00e3o respondeu at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1910714\/mapeamento-da-caatinga-indica-metade-do-bioma-desmatado-e-centenas-de-especies-em-risco?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EMERSON VICENTES\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Pesquisadores brasileiros das universidades federais do Rio Grande do<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":72835,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-72834","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72834\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}