{"id":72542,"date":"2022-05-20T14:08:14","date_gmt":"2022-05-20T17:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/20\/james-gray-vai-a-cannes-com-anne-hathaway-e-reflete-os-eua-de-trump-na-era-reagan\/"},"modified":"2022-05-20T14:08:14","modified_gmt":"2022-05-20T17:08:14","slug":"james-gray-vai-a-cannes-com-anne-hathaway-e-reflete-os-eua-de-trump-na-era-reagan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/20\/james-gray-vai-a-cannes-com-anne-hathaway-e-reflete-os-eua-de-trump-na-era-reagan\/","title":{"rendered":"James Gray vai a Cannes com Anne Hathaway e reflete os EUA de Trump na era Reagan"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; \u00c9 nos cr\u00e9ditos finais de &#8220;Armageddon Time&#8221; que o Brasil faz o que deve ser sua maior participa\u00e7\u00e3o no Festival de Cannes deste ano. Sem filmes in\u00e9ditos para exibir no evento franc\u00eas, o pa\u00eds tem sua chance de brilhar por tabela com o novo longa de James Gray, que tem coprodu\u00e7\u00e3o do carioca Rodrigo Teixeira, da RT Features.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A parceria entre Estados Unidos, produtor majorit\u00e1rio, e Brasil \u00e9 um dos t\u00edtulos mais aguardados da safra que mira a Palma de Ouro nesta 75\u00aa edi\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m um dos poucos com grandes estrelas no elenco -no caso, o lend\u00e1rio Anthony Hopkins, a j\u00e1 consagrada Anne Hathaway e o astro em ascens\u00e3o Jeremy Strong.\u200b<\/p>\n<p>Eles encarnam as mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia de Gray, que em seu roteiro retorna \u00e0 d\u00e9cada de 1980 no bairro do Queens, em Nova York, para um conto sobre amizade e la\u00e7os familiares, mas tamb\u00e9m sobre a ebuli\u00e7\u00e3o social do primeiro mandato de Ronald Reagan.<\/p>\n<p>Hathaway e Strong s\u00e3o americanos de classe m\u00e9dia, que lamentam o estado do pa\u00eds sob o regime do presidente americano, se compadecem de causas sociais, mas deixam escapar, aqui e ali, um racismo velado que entra no caminho da amizade que seu filho, uma vers\u00e3o do pr\u00f3prio Gray, cria com um colega de sala.<\/p>\n<p>No primeiro dia do novo ano letivo, Paul conhece o repetente Johnny. O primeiro vem de um lar com problemas, mas indubitavelmente carinhoso. O segundo mora com a av\u00f3, j\u00e1 num estado de sa\u00fade que a aproxima de um asilo, e o garoto, de um orfanato. O desrespeito pelos professores e as palha\u00e7adas na sala os enla\u00e7a, apesar de haver um contraste latente entre os dois -algo que curiosamente ecoa o mote de &#8220;Le Otto Montagne&#8221;, outro longa em competi\u00e7\u00e3o em Cannes que versa sobre classe e oportunidades na figura de dois meninos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que acontece no advers\u00e1rio italiano, no entanto, em &#8220;Armageddon Time&#8221; \u00e9 mais dif\u00edcil sentir empatia pelo pequeno Paul, que guia toda a hist\u00f3ria. Ele \u00e9 mimado e insolente, e o \u00fanico familiar que de fato consegue se conectar com ele \u00e9 o av\u00f4, papel de Hopkins.<\/p>\n<p>Em tempos de Guerra da Ucr\u00e2nia, ele relembra quando a m\u00e3e fugiu do pa\u00eds e da persegui\u00e7\u00e3o que sofria de soldados russos rumo \u00e0 Inglaterra, onde conheceu o marido e de onde, eventualmente, partiu rumo aos Estados Unidos. Os temas de imigra\u00e7\u00e3o abordados por Gray em &#8220;Era Uma Vez em Nova York&#8221; -que tamb\u00e9m concorreu \u00e0 Palma de Ouro em 2013- se repetem, mesmo que em leves pinceladas. &#8220;Lembre o seu passado&#8221;, diz ao neto, num de seus v\u00e1rios discursos.<\/p>\n<p>Eventualmente, vemos como os tempos de liberalismo e privatiza\u00e7\u00e3o bagun\u00e7am a trajet\u00f3ria dos personagens. Paul, que conhece Johnny numa escola p\u00fablica diversa, vai parar num col\u00e9gio particular de elite, numa tentativa dos pais de o botarem na linha. L\u00e1, usa palet\u00f3 e gravata, presencia os colegas usando ofensas para se referir ao amigo negro e conhece a fam\u00edlia Trump.<\/p>\n<p>Sim, o pai de Donald Trump est\u00e1 no filme, bem como sua irm\u00e3, Maryanne Trump -numa apari\u00e7\u00e3o especial da rec\u00e9m-oscarizada Jessica Chastain-, que vocifera aos estudantes um discurso sobre como alcan\u00e7ou o sucesso por esfor\u00e7o pr\u00f3prio, n\u00e3o com &#8220;apertos de m\u00e3o&#8221;, apesar de ostentar o sobrenome.<\/p>\n<p>Essa &#8220;Am\u00e9rica&#8221; de Reagan poderia tamb\u00e9m ser a &#8220;Am\u00e9rica&#8221; de Trump, quatro d\u00e9cadas depois, em que preconceito, nacionalismo e meritocracia est\u00e3o em alta. Esse armagedom por vezes surreal, mas t\u00e3o calcado na realidade, sustenta um drama familiar muito relacion\u00e1vel, feito a partir de situa\u00e7\u00f5es pequenas e veross\u00edmeis.<\/p>\n<p>Os pais interpretados por Hathaway e Strong n\u00e3o s\u00e3o o suprassumo do amor familiar, mas tampouco engordam as fileiras de genitores que imp\u00f5em traumas \u00e0 sua prole, como visto em diversos filmes lan\u00e7ados recentemente. Quanto a Hopkins, \u00e9 bom ver o ator novamente assumindo pap\u00e9is \u00e0 altura de seu talento, na esteira do Oscar que venceu por &#8220;Meu Pai&#8221;.<\/p>\n<p>Gray aparece na competi\u00e7\u00e3o de Cannes pela quinta vez, ainda sem pr\u00eamios no curr\u00edculo. As tentativas anteriores foram com &#8220;Caminho sem Volta&#8221;, &#8220;Os Donos da Noite&#8221;, &#8220;Amantes&#8221; e o j\u00e1 lembrado &#8220;Era Uma Vez em Nova York&#8221;. Agora, no entanto, o cineasta narra um conto muito mais \u00edntimo, pouco ap\u00f3s o contexto grandioso de &#8220;Ad Astra: Rumo \u00e0s Estrelas&#8221; e &#8220;Z: A Cidade Perdida&#8221;.<\/p>\n<p>Ao lado de Teixeira, que virou habitu\u00e9 de festivais produzindo v\u00e1rios queridinhos das temporadas passadas, como &#8220;Me Chame pelo Seu Nome&#8221; e &#8220;O Farol&#8221;, ele chega ao festival como celebridade, o que pode agigantar a pessoalidade de &#8220;Armageddon Time&#8221;.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1910158\/james-gray-vai-a-cannes-com-anne-hathaway-e-reflete-os-eua-de-trump-na-era-reagan?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; \u00c9 nos cr\u00e9ditos finais de &#8220;Armageddon Time&#8221; que o Brasil faz o que<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":72543,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-72542","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72542\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}