{"id":7119,"date":"2021-04-21T13:25:44","date_gmt":"2021-04-21T16:25:44","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/21\/acordo-que-destrava-orcamento-abre-brecha-para-pedalada-de-fim-de-ano\/"},"modified":"2021-04-21T13:25:44","modified_gmt":"2021-04-21T16:25:44","slug":"acordo-que-destrava-orcamento-abre-brecha-para-pedalada-de-fim-de-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/21\/acordo-que-destrava-orcamento-abre-brecha-para-pedalada-de-fim-de-ano\/","title":{"rendered":"Acordo que destrava Or\u00e7amento abre brecha para &#8216;pedalada&#8217; de fim de ano"},"content":{"rendered":"<p>O projeto que permitiu um acordo para destravar o Or\u00e7amento de 2021 pode elevar o risco de \u00f3rg\u00e3os recorrerem a &#8220;pedaladas de fim de ano&#8221; para honrarem suas obriga\u00e7\u00f5es e manter a m\u00e1quina funcionando, segundo t\u00e9cnicos ouvidos pelo Estad\u00e3o\/Broadcast. Os parlamentares tiraram a necessidade de priorizar gastos com o funcionamento da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o que abre espa\u00e7o para o governo &#8220;apertar o cinto&#8221; nessas despesas em nome da manuten\u00e7\u00e3o de maior volume de emendas indicadas pelos congressistas. Se acabar faltando dinheiro, a fatura \u00e9 jogada para o in\u00edcio de 2022.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Nas negocia\u00e7\u00f5es para a san\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento, o governo j\u00e1 indicou que deve cortar cerca de R$ 9,5 bilh\u00f5es nas pr\u00f3prias despesas discricion\u00e1rias (que incluem custeio e investimentos) para evitar um veto mais dr\u00e1stico em emendas negociadas com parlamentares. Hoje, segundo dados da Consultoria de Or\u00e7amento da C\u00e2mara, o Or\u00e7amento prev\u00ea aproximadamente R$ 99 bilh\u00f5es dessas despesas que n\u00e3o s\u00e3o obrigat\u00f3rias no Executivo, descontadas as emendas.<\/p>\n<p>O temor \u00e9 que o corte nas discricion\u00e1rias acabe estrangulando o funcionamento da m\u00e1quina, o que pode encorajar os \u00f3rg\u00e3os a assumir despesas que n\u00e3o cabem no Or\u00e7amento como uma &#8220;v\u00e1lvula de escape&#8221; para seguir funcionando. Os gastos seriam adiados para 2022, quando haver\u00e1 folga maior devido \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do teto em R$ 106 bilh\u00f5es na compara\u00e7\u00e3o com este ano. A pr\u00e1tica, por\u00e9m, fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Constitui\u00e7\u00e3o e pode ser considerada crime contra as finan\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A manobra \u00e9 poss\u00edvel por meio da chamada Despesa de Exerc\u00edcios Anteriores (DEA), uma linha da execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria que \u00e9 usada pelos gestores para identificar gastos que extrapolaram a dota\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel nos per\u00edodos anteriores. A DEA \u00e9 geralmente usada em casos de exce\u00e7\u00e3o e com valores pequenos: uma conta de luz que ultrapassou o valor previsto no \u00faltimo m\u00eas do ano, sem tempo h\u00e1bil de ajuste, por exemplo. Mas j\u00e1 houve no passado suspeitas de uso intencional desse expediente, o que permitia aos \u00f3rg\u00e3os continuar gastando mesmo sem espa\u00e7o no Or\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Esqueleto<\/strong><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a DEA s\u00f3 aparece quando, ap\u00f3s a virada do ano, o \u00f3rg\u00e3o &#8220;desenterra&#8221; o compromisso de gasto e efetua o empenho &#8211; que \u00e9 a primeira fase da despesa, quando ela \u00e9 formalizada. At\u00e9 ent\u00e3o, ela fica fora do radar at\u00e9 mesmo de \u00f3rg\u00e3os de controle. Por isso, \u00e9 considerada uma esp\u00e9cie de &#8220;esqueleto&#8221; \u00e0 margem do Or\u00e7amento, dif\u00edcil de ser estimado com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>A condu\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o do Or\u00e7amento de 2021 tem ampliado a preocupa\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos com o risco de aumento desse tipo de despesa. Na segunda-feira, o Congresso aprovou um projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) de 2021 e tirou de um de seus artigos a necessidade de priorizar gastos com o funcionamento da m\u00e1quina p\u00fablica. Essa prioriza\u00e7\u00e3o vinha sendo inclusive citada nos bastidores por fontes da \u00e1rea econ\u00f4mica como uma esp\u00e9cie de &#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221; contra cortes mais dr\u00e1sticos nas discricion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em outro dispositivo, ficou estabelecido que cancelamentos de despesas para ajudar na recomposi\u00e7\u00e3o de gastos obrigat\u00f3rios dispensam indica\u00e7\u00e3o de consequ\u00eancias &#8220;sobre a execu\u00e7\u00e3o de atividades, projetos, opera\u00e7\u00f5es especiais e seus subt\u00edtulos&#8221;. Na pr\u00e1tica, ser\u00e1 mais f\u00e1cil cortar sem dar muitas explica\u00e7\u00f5es ou reconhecer que o \u00f3rg\u00e3o poder\u00e1 sofrer paralisia por causa da redu\u00e7\u00e3o de despesas.<\/p>\n<p>&#8220;As pedaladas via DEA ocorrem justamente quando a dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria \u00e9 irrealmente baixa para as despesas indispens\u00e1veis&#8221;, afirma o consultor de Or\u00e7amento do Senado Vinicius Amaral. &#8220;Ainda que ilegal, pode acabar sendo uma forma desesperada de os gestores manterem servi\u00e7os p\u00fablicos funcionando&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>TCU de olho<\/strong><\/p>\n<p>O governo Michel Temer entrou na mira do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) por ter deixado R$ 1,3 bilh\u00e3o em despesas para seu sucessor, o presidente Jair Bolsonaro, por meio de DEAs. O caso chamou a aten\u00e7\u00e3o porque o ent\u00e3o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social (MDS) sabia da insufici\u00eancia e pediu ao Congresso a abertura de novos cr\u00e9ditos, mas n\u00e3o foi atendido.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise das contas de 2019 pelo TCU, o pr\u00f3prio governo Bolsonaro acabou recebendo uma ressalva por adotar a mesma pr\u00e1tica. Houve pagamento de R$ 1,5 bilh\u00e3o em benef\u00edcios previdenci\u00e1rios sem o devido respaldo no Or\u00e7amento. A despesa deveria ter sido executada em 2019, mas acabou virando um &#8220;or\u00e7amento paralelo&#8221; que s\u00f3 foi devidamente registrado no in\u00edcio de 2020.<\/p>\n<p>Para o consultor de Or\u00e7amento da C\u00e2mara Ricardo Volpe, o governo deve conseguir sobreviver com o patamar atual de discricion\u00e1rias, embora &#8220;com restri\u00e7\u00f5es em alguns casos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. &#8216;Pedaladas&#8217; de Dilma<\/strong><\/p>\n<p>O governo atrasou o repasse de recursos referentes a benef\u00edcios sociais aos bancos p\u00fablicos, que continuaram efetuando os pagamentos \u00e0s fam\u00edlias. Para o TCU, a pr\u00e1tica caracterizou financiamento da Uni\u00e3o pela institui\u00e7\u00e3o financeira, o que \u00e9 vedado.<\/p>\n<p><strong>2. &#8216;Pedaladas&#8217; de fim de ano<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 ocorreram em diferentes governos (inclusive Michel Temer e Jair Bolsonaro), muitas ainda sob investiga\u00e7\u00e3o do TCU. S\u00e3o vistas quando o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tem mais espa\u00e7o no Or\u00e7amento para assumir compromissos, mas continua gastando e deixa a conta escondida para registrar apenas no ano seguinte.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1797338\/acordo-que-destrava-orcamento-abre-brecha-para-pedalada-de-fim-de-ano?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto que permitiu um acordo para destravar o Or\u00e7amento de 2021 pode elevar o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":7120,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-7119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}