{"id":70627,"date":"2022-05-08T12:08:14","date_gmt":"2022-05-08T15:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/08\/de-anitta-a-daniela-mercury-artistas-anti-bolsonaro-vestem-a-bandeira-do-brasil\/"},"modified":"2022-05-08T12:08:14","modified_gmt":"2022-05-08T15:08:14","slug":"de-anitta-a-daniela-mercury-artistas-anti-bolsonaro-vestem-a-bandeira-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/08\/de-anitta-a-daniela-mercury-artistas-anti-bolsonaro-vestem-a-bandeira-do-brasil\/","title":{"rendered":"De Anitta a Daniela Mercury, artistas anti-Bolsonaro vestem a bandeira do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>MARINA LOUREN\u00c7O<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Faz tempo que a camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol deixou de se limitar aos est\u00e1dios e invadiu os palanques de atos pol\u00edticos. E, \u00e0 medida que o verde e amarelo da bandeira do pa\u00eds ia se associando ao guarda-roupa dos apoiadores do governo, uma outra parcela da popula\u00e7\u00e3o desapegava, digamos, do s\u00edmbolo p\u00e1trio, refletindo o clima de polariza\u00e7\u00e3o que se instaurava no pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Agora, por\u00e9m, alguns desses mesmos cidad\u00e3os que tinham deixado de se identificar com esses emblemas v\u00eam buscando retom\u00e1-los. Seja com a bandeira enrolada no corpo de Daniela Mercury, com o look verde, amarelo e azul de Anitta, no festival Coachella, ou com a camisa da CBF usada por Djonga no Breve Festival, realizado na capital mineira no m\u00eas passado, artistas abertamente antibolsonaristas t\u00eam adotado s\u00edmbolos que, nos \u00faltimos anos, passaram a ser marcas de quem apoia o presidente.<\/p>\n<p>Com as elei\u00e7\u00f5es se aproximando, o movimento ganha forma, com hashtags como #ABandeira\u00c9Nossa, #DevolvamANossaBandeira e #RetomadaDaBandeira, e vira at\u00e9 parte de performances art\u00edsticas.<br \/>Pouco tempo atr\u00e1s, por\u00e9m, seus adeptos eram mais t\u00edmidos e prezavam pela parcim\u00f4nia. \u00c9 o caso de Daniela Mercury, que, h\u00e1 dois anos, hesitou em vestir a bandeira numa live.<\/p>\n<p>A cantora conta que, na \u00e9poca, v\u00e1rios de seus amigos diziam n\u00e3o ter vontade de se enrolar no tecido, usando o argumento de que estavam demasiadamente frustrados com o pa\u00eds e n\u00e3o queriam ser vistos como bolsonaristas.<\/p>\n<p>Apesar da incerteza, a baiana seguiu na dire\u00e7\u00e3o oposta e, desde ent\u00e3o, tem adotado a bandeira. &#8220;A gente precisa mostrar que s\u00e3o s\u00edmbolos de um povo diverso, e jamais de uma minoria extremista&#8221;, diz Mercury, que, no \u00faltimo Dia do Trabalhador, se apresentou num evento em S\u00e3o Paulo organizado por de sete centrais sindicais, onde bradou tanto a bandeira nacional quanto uma vermelha estampada com as estrelas do PT e um retrato de Lula jovem.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o bandeiras separadas, com significados distintos. Uma \u00e9 sobre um [poss\u00edvel] novo governo, outra de uma na\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ela. &#8220;Neste momento precisamos unir o verde, amarelo, branco, azul e vermelho.&#8221;<\/p>\n<p>No show, que rendeu \u00e0 cantora acusa\u00e7\u00f5es informais de showm\u00edcio pr\u00f3-Lula -ap\u00f3s a viraliza\u00e7\u00e3o de um suposto contrato entre ela e a prefeitura de S\u00e3o Paulo, que bancou o evento e, depois da pol\u00eamica, suspendeu o cach\u00ea dela-, a artista cantou ainda trechos do hino e a parceria com Milton Nascimento &#8220;Sol da Liberdade&#8221;, que traz versos que celebram o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Eu passei 20 anos da minha vida sem usar as cores do Brasil. Ningu\u00e9m vai tir\u00e1-las de mim de novo&#8221;, diz ela, lembrando a juventude vivida em meio \u00e0 ditadura militar, regime que teve um papel importante na forma\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio popular sobre s\u00edmbolos nacionais.<\/p>\n<p>Segundo Wilson Gomes, professor da Universidade Federal da Bahia, a UFBA, e autor de &#8220;Transforma\u00e7\u00f5es da Pol\u00edtica na Era da Comunica\u00e7\u00e3o de Massa&#8221;, a cultura brasileira de s\u00edmbolos oficiais difere daquela de pa\u00edses como Estados Unidos e Su\u00ed\u00e7a -onde n\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil encontrar refer\u00eancias a emblemas nacionais em casas e ruas- justamente por causa dessa heran\u00e7a deixada pelos militares.<\/p>\n<p>Ele afirma que campanhas como &#8220;Brasil, ame-o ou deixe-o&#8221;, difundida nos anos M\u00e9dici, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, ajudaram a estabelecer as institui\u00e7\u00f5es militares do pa\u00eds, num movimento ultranacionalista inspirado em governos fascistas, e afastou v\u00e1rios brasileiros &#8220;da possibilidade de um patriotismo&#8221; que fosse al\u00e9m da Copa do Mundo de futebol e das Olimp\u00edadas.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, analisa Gomes, as tens\u00f5es desse simbolismo foram, ent\u00e3o, engatando em novos contextos. Foi o caso da campanha presidencial de Collor de Mello de 1989, marcada pela frase &#8220;a nossa bandeira jamais ser\u00e1 vermelha&#8221; -muito repetida, ali\u00e1s, por Bolsonaro e seus apoiadores, que se agarraram ao verde e amarelo como estrat\u00e9gia de oposi\u00e7\u00e3o aos governos anteriores, do PT.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00e1rios partidos de esquerda sempre se apresentaram com s\u00edmbolos vermelhos e adotaram discursos que colocam a Am\u00e9rica Latina como uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Giuliano Miotto, advogado presidente do Instituto Liberdade e Justi\u00e7a e criador da Turminha da Liberdade, de livros infantis de direita. &#8220;O brasileiro tem dificuldades de ver sua identidade enquanto povo. E Bolsonaro entendeu que se agarrar aos s\u00edmbolos nacionais faria sentido para as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>Miotto afirma que os pr\u00f3prios movimentos e partidos de esquerda brasileiros que agora tentam se aproximar dos s\u00edmbolos nacionais t\u00eam responsabilidade nesse processo de desassocia\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos p\u00e1trios.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 natural que um povo queira proteger sua identidade. O que os bolsonaristas viram nesses s\u00edmbolos foi, na verdade, uma forma de autopreserva\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o.&#8221; Ele cita um v\u00eddeo recente em que Lula e Alckmin aparecem juntos ouvindo o hino da Internacional Socialista, o que gerou cr\u00edticas e deboches de advers\u00e1rios. &#8220;A sensa\u00e7\u00e3o que ficou \u00e9 a de que eles n\u00e3o valorizam o pr\u00f3prio pa\u00eds. Causa um desconforto&#8221;, diz Miotto.<\/p>\n<p>&#8220;A bandeira do Brasil e as cores da bandeira pertencem aos brasileiros. Representam o Brasil em geral. Ningu\u00e9m pode se apropriar do seu significado&#8221;, escreveu Anitta no Twitter, pouco depois de se apresentar no festival Coachella, nos Estados Unidos, em mar\u00e7o deste ano. Logo recebeu uma mensagem de deboche do presidente, que retuitou a postagem dizendo que concordava com a cantora.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de Mercury, Anitta n\u00e3o declarou voto em Lula -e em nenhum outro pr\u00e9-candidato. Mas tamb\u00e9m vem falando com mais frequ\u00eancia em retomar os s\u00edmbolos oficiais do pa\u00eds em meio \u00e0 sua intensa campanha contra Bolsonaro.<\/p>\n<p>Outros cantores decidiram levantar essa bandeira literal de formas mais sutis. \u00c9 o caso de Iza, que no videoclipe de &#8220;Gueto&#8221;, lan\u00e7ado no ano passado, sensualiza sobre um ch\u00e3o pintado com a estampa da bandeira, numa imagem que remete aos asfaltos ultracoloridos do pa\u00eds em \u00e9poca de Copa. Embora a letra da m\u00fasica n\u00e3o chegue a ser pol\u00edtica, Iza comentou em entrevistas o cen\u00e1rio do clipe e defendeu a retomada desses emblemas nacionais.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entre artistas do meio musical que esse movimento tem engatado. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel encontrar grafites da bandeira do Brasil com &#8220;fora, Bolsonaro&#8221; no lugar do lema positivista &#8220;ordem e progresso&#8221; em regi\u00f5es como a Consola\u00e7\u00e3o e o Largo da Batata.<\/p>\n<p>O resgate tem gerado at\u00e9 lucro para alguns. A loja Peita Me, por exemplo, vende camisetas em verde e amarelo estampadas com a frase &#8220;ele n\u00e3o&#8221;, em refer\u00eancia ao movimento hom\u00f4nimo que explodiu em 2018 entre os cr\u00edticos do ent\u00e3o candidato Bolsonaro.<\/p>\n<p>Idealizadora da marca, Karina Gallon conta que a princ\u00edpio temeu o lan\u00e7amento do produto. A maioria de sua clientela \u00e9 formada por pessoas de esquerda, e ela pensou que eles torceriam o nariz para a camiseta por causa de sua associa\u00e7\u00e3o com o bolsonarismo.<br \/>Segundo a especialista em ci\u00eancia pol\u00edtica Maria Victoria Benevides, fundadora da Comiss\u00e3o Arns, esse movimento de resgate da bandeira pela esquerda ainda \u00e9, por\u00e9m, limitado e restrito a uma bolha militante. Al\u00e9m disso, at\u00e9 o momento, ele n\u00e3o mostrou ser capaz de realmente desassociar o verde e amarelo do bolsonarismo.<\/p>\n<p>E, se de um lado h\u00e1 artistas antibolsonaristas que veem com bons olhos esse movimento de retomada dos emblemas p\u00e1trios \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que discordam dele.<\/p>\n<p>A artista visual Juliana Gomes, militante da causa ind\u00edgena, por exemplo, diz n\u00e3o ver sentido em se apegar a \u00edcones que, segundo ela, mais dizem sobre o passado colonial brasileiro do que sobre a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de brasilidade.<\/p>\n<p>&#8220;A bandeira \u00e9 s\u00f3 mais um s\u00edmbolo dessa na\u00e7\u00e3o inventada&#8221;, diz ela. &#8220;N\u00e3o vejo raz\u00e3o alguma para reivindicar como identidade as fronteiras imagin\u00e1rias impostas e os s\u00edmbolos que s\u00e3o instrumentos de legitima\u00e7\u00e3o de poder de nossos algozes.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Daniela Mercury diz que essa \u00e9 &#8220;a hist\u00f3ria que somos&#8221;. E afirma que prioriza dar valor a pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em vez de &#8220;abrir m\u00e3o desses s\u00edmbolos&#8221;.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1907466\/de-anitta-a-daniela-mercury-artistas-anti-bolsonaro-vestem-a-bandeira-do-brasil?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARINA LOUREN\u00c7OS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Faz tempo que a camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira de<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":70628,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-70627","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70627\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}